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Tocquevilleanas Notícias da América

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Autor: Roberto DaMatta

Editora: Rocco

Assunto: Crônica

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 435

Ano de edição: 2005

Peso: 455 g

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Ótimo
Marcio Mafra
04/03/2006 às 17:10
Brasília - DF

Nem sempre o título adotado pelo autor, para seu livro, faz juz ao conteúdo. Vezes é pretensioso e vezes é modesto. Já o do Roberto DaMatta é muito inteligente, e também, de certa forma modesto, como só os muito cultos podem sê-lo. Só com a menção de Tocqueville, Roberto DaMatta, se reporta à Alexis de Tocqueville, que morreu em 1859 e foi um dos "militantes" da revolução francesa de 1848. Naquela ocasião viveu um certo tempo nos EUA, tornando-se observador da vida estadunidense. Quando voltou à França, publicou "Da Democracia na América", que o consagrou como cientista político e escritor. Na verdade o Alexis - na época - trazia notícias da moderna América para a vetusta Europa. Neste livro, o DaMatta - um excepcional antropólogo - bom contador de história, traça paralelos entre a American Way Of Life e o dia-a-dia brasileiro. Algumas das crônicas são mais que inteligentes, entre elas: "Um terceiro Partido", menciona com muita graça e elegância a filosofia do General Americano Powel e a personagem Dona Flor, do livro de Jorge Amado. Outra das crônicas é a "Beleza Americana" sobre o filme de muito sucesso - lá e aqui. "As lições do piano de mamãe" não é uma crônica. É lição de vida, quando diz....vez por outra é bom ser receptivo ao que nós humanos, fizemos de bom para nós mesmos.... Em "Tempos de Furação" ele traça um paralelo entre a solidariedade - com o seu povo, no momento das desgraças - dos presidentes dos EUA e do Brasil. Muitíssimo bom é o artigo - ou crônica - sobre fumantes, vicio, cigarro e largar de fumar. Muito marcante, também, é o texto sobre o "sabe com quem está falando?". "Vingança e Inveja" é um otimo texto que trata da inveja sob o ponto de vista antropologico, que os não-americanos nutrem pelos americanos.Não só inveja, mas antipatia generalizada e preconceituosa. Vale a leitura. O livro é ótimo.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Ensaios, artigos e crônicas sobre os fatos da vida diária dos norte americanos, escritas entre os anos 1993 e 2001, enquanto o autor residia nos EUA, onde exercia a profissão de professor de antropologia, na Universidade de Notre Dame.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Chego aos Estados Unidos em busca dos sinais sociais da recessão que a imprensa anuncia entre o estardalhaço, no melhor estilo ("eu bem que avisei... "), e o prazer ("agora é a vez dos gringos"), e o que eu encontro é um desaforado (eu quase digo, descarado) otimismo. Para profunda decepção do meu lado brasileiro - alarmista, catastrófico e fracassomaníaco, que gosta de ver a casa cair, a bomba estourar, a vaca ir pro brejo, o bicho pegar, a onça beber água, a merda feder e o circo pegar fogo - encontro, já no aeroporto, multidões de gordinhos nada solitários que, alheios a todo o mal deste mundo, continuam tomando seus imensos sorvetes, comendo seus paquidérmicos sanduíches e usando como nunca todo tipo de dinheiro. Na universidade de Notre Dame, neste comecinho de ano letivo, revejo colegas que falam de tudo, menos de recessão. Até mesmos os democratas mais convictos (e eles são legião nos campi americanos) criticam o governo Bush, avaliam suas tendências francamente retrógradas, falam de sua ignorância em relação ao mundo e, muito especialmente, à América Latina, mas não fazem nenhuma observação trágica. Acostumados a reveses e a riscos, os americanos não culpam o governo por terem investido na Bolsa de Valores por vontade própria com o intuito de ganhar (ou perder, como é o caso agora) dinheiro. Aqui o governo não é o salvador dos ricos, dos pobres, nem da pátria. O outro lado da autonomia individual (dimensão crítica daquilo que chamamos de liberdade de ir, vir, subir, descer, fazer ou ficar parado) é constituído pela responsabilidade pessoal. Eles sabem disso e não sou eu quem vai ensinar Padre-Nosso a vigário... Depois de quatro meses assistindo ao fim do mundo no Brasil - a crise de energia era a ponta do iceberg de uma crise moral que engolfava o país, tudo por causa do mercado, do neoliberalismo, da estabilidade monetária, e de um governo realmente aberto a devassas e investigações, o que, entre nós, assombrem-se!, é lido como algo negativo -, encontro aqui um monte de gente mais preocupada em dar conta do seu recado (no caso em consideração em cuidar de suas aulas, em arrumar seus escritórios - alienados! Gritam dentro de mim...) do que em ficar pelos corredores praticando o nobre esporte nacional de falar mal do Brasil, naquilo que significativamente chamamos de "fazer política". Essa atitude discreta e positiva é, para mim, mais um testemunho de como os Estados Unidos se transformam em América. Pois se os Estados Unidos são um Estado nacional; a América é, como a Passárgada e o Nirvana, um espaço inacabado. E se os Estados Unidos podem ir de mal a pior, a América vai sempre bem. O primeiro espaço é tocado à Bolsa de Valores, forças armadas, império, fronteira, exploração econômica e mercado, mas o segundo vive de crenças em coisas simples: aquelas coisas que pavimentaram o chão dos que "fizeram a América", aqui encontrando respeito, liberdade, riqueza, tranqüilidade, o direito de rezar em paz e sobretudo a igualdade perante a lei e as instituições. De fato, os Estados Unidos se transformam em América quando se fala em igualdade e em eqüidade, em trabalho e em mudança. Sobretudo em mudança. Daí, talvez essa atitude de aceitação dos movimentos de sua economia com mais realismo e paciência do que ocorre neste nosso Brasil onde o fim do mundo está em quase todas as casas, em todas as ruas e, pior que isso, é um fantasma que ninguém - sobretudo a elite - quer exorcizar. Ando, pois, desconsolado. Busco uma recessão que existe nos noticiários, mas que está ausente nas pessoas. Esperava encontrar desespero e tragédia, e dou de cara com velhas rotinas e hábitOs bem estabelecidos. Preciso depressa de uma lanterna para encontrar quem expresse aqueles sentimentos tão nossos conhecidos de desprezo pelo próprio país.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este foi um dos (quase muitos) livros que adquiri quando estive na Bienal do Livro, Rio de Janeiro, 1º semestre de 2005


 

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