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O Último Jurado

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O Último Jurado

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: John Grisham

Editora: Rocco

Assunto: Romance

Traduzido por: A B Pinheiro de Lemos

Páginas: 391

Ano de edição: 2004

Peso: 465 g

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Ótimo
Marcio Mafra
16/02/2006 às 13:28
Brasília - DF

John Grisham foi advogado militante nos EUA. Teve muito mais sucesso como romancista, do que como profissional do direito. Escreveu mais de 20 livros, sempre ao redor do direito. São destaques: O Dossiê Pelicano, O sócio, O Advogado e O Último Jurado. Nenhum deles pode ser considerado obra prima da literatura, mas são bons. O Optem Jurado é uma história razoavelmente contemporânea, bem concatenada, sobre a vida do jornal, do seu dono Willie e da sempre correta Miss Callie. Em paralelo corre a vida do criminoso Danny Padgitt e de sua poderosa família, tudo bem dimensionado e entremeado com a comovente história da vitima e de outras pessoas importantes, que tiveram destaque antes, durante e após o julgamento do bandido Danny. Leitura para distrair, limpa, sem muita apelação, nem muito heroísmo.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Willie Traynor e do seu jornal "The Ford Country Times". Foi neste jornal que ele teve a coragem de noticiar o crime de Danny Padgitt, cometido na cidade de Claton, estado do Mississípi, nos USA.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O julgamento recomeçou às três horas da tarde. Todos os jurados estavam presentes. Nenhum dos Padgitt se retirara durante o almoço. Miss Callie sorriu para mim, mas seu coração não se empenhava no sorriso. O juiz Loopus explicou ao júri que aquele era o momento para as alegações finais. Depois, ele leria para os jurados suas instruções formais. Deveriam chegar a um veredicto em cerca de duas horas. Todos escutaram com a maior atenção, mas tenho certeza de que ainda sentiam-se atordoados com o choque de estarem sendo intimidados de uma maneira tão flagrante. Toda a cidade sentia-se atordoada. Os jurados eram uma amostragem do resto da comunidade, e ameaçá-los era como ameaçar a todos. Ernie falou primeiro. Em poucos minutos, a camisa ensangüentada voltou a ser exibida. Mas ele tomou cuidado para não exagerar. Os jurados compreendiam. Eles conheciam as provas muito bem. O promotor distrital foi meticuloso, mas surpreendentemente breve. Enquanto fazia um último apelo por um veredicto de culpado, observávamos os rostos dos jurados. Não vi qualquer simpatia pelo réu. Fargarson, o garoto aleijado, balançava a cabeça enquanto acompanhava a argumentação de Ernie. O Sr. John Deere descruzara os braços e absorvia cada palavra. Lucien foi ainda mais breve, mas também tinha muito menos com que trabalhar. Começou por falar sobre as palavras finais de seu cliente para os jurados. Pediu desculpas por seu comportamento. Atribuiu-o à pressão do momento. Imaginem só, pediu ele aos jurados, ter 24 anos e enfrentar a possibilidade de passar o resto da vida na prisão; ou ainda pior, ir para a câmara de gás. A pressão sobre o seu jovem cliente - sempre se referia a ele por "Danny", como se fosse um menino inocente - era tão intensa que se preocupava com sua estabilidade mental. Como não podia insistir na ridícula teoria da conspiração proposta pelo cliente, e como sabia que era melhor não falar sobre as provas, Lucien passou meia hora louvando os heróis que escreveram a Constituição e a Declaração de Direitos. A maneira como interpretou a presunção de inocência e a exigência de que o Estado provasse seu caso, acima e além de qualquer dúvida razoável, levou-me a especular como qualquer criminoso alguma vez era condenado. O Estado tinha a chance de uma refutação; a defesa não tinha. Por isso, Ernie teve a última palavra. Ignorou as provas e não mencionou o réu. Em vez disso, optou por falar sobre Rhoda. Sua juventude e beleza, a vida simples em Beech Hill, a morte do marido e o desafio de criar duas crianças pequenas sozinha. Ele foi bastante eficaz, e os jurados absorveram cada palavra. Ernie teve um refrão: "Não vamos esquecer de Rhoda." Um orador refinado, ele guardou o melhor para o final. - E não vamos esquecer as crianças - disse ele, fitando os jurados nos olhos. - Estavam presentes quando a mãe morreu. O que viram naquela casa foi tão horrível que ficarão marcadas para sempre. As crianças têm uma voz aqui, neste tribunal... e essa voz pertence a vocês. O juiz Loopus leu as instruções para o júri. Depois, mandou que se retirassem, para iniciarem as deliberações. Passava um pouco de cinco horas da tarde. As lojas em torno da praça estavam fechadas e os comerciantes e seus clientes tinham ido para casa havia muito tempo. O tráfego fluía normalmente, o estacionamento era fácil. Mas quando um júri começava a deliberar era diferente. Muitos espectadores permaneceram no gramado na frente do tribunal, fumando, conversando, tentando prever quanto tempo levaria para sair o veredicto. Outros foram para os cafés, onde pediam um lanche atrasado ou um jantar antecipado. Ginger foi comigo para o jornal. Sentamos na varanda da minha sala, observando a atividade na frente do tribunal. Ela sentia uma exaustão emocional e não queria fazer outra coisa que não deixar o condado de Ford. - Até que ponto conhece Hank Hooten? - perguntou ela, em determinado momento. - Nunca falei com ele pessoalmente. Por quê? - Ele me abordou durante o almoço. Disse que conheceu Rhoda muito bem e tinha certeza de que ela não andava indo para a cama com qualquer homem, muito menos com Danny Padgitt. Respondi que não acreditara por um instante sequer que ela tivesse algum relacionamento com aquele canalha. - Ele disse que namorava sua irmã? - Não, não disse. Mas tive a impressão de que namorava. Quando examinamos suas coisas, uma semana depois do funeral, encontrei seu nome e telefone no caderno de endereços. - Conhece Baggy, não é? - Conheço. - Baggy vive aqui há uma eternidade e acha que sabe de tudo. Ele me disse na segunda-feira, quando o julgamento começou, que Rhoda e Hank tinham um caso. Informou que Hank já se divorciara duas vezes, e era conhecido como um conquistador. - Quer dizer que ele não é casado? - Acho que não. Perguntarei a Baggy. - Creio que deveria me sentir melhor por saber que minha irmã dormia com um advogado. - Por que isso faria com que se sentisse melhor? - Não sei. Ela tirou os sapatos. A saia curta subiu ainda mais pelas coxas. Comecei a acariciá-las, e meus pensamentos se afastaram do julgamento. Mas foi apenas por um instante. Houve uma comoção na porta da frente do tribunal e ouvi alguém gritar qualquer coisa sobre um "veredicto". Depois de deliberar por menos de uma hora, o júri estava pronto. Assim que os advogados e espectadores se acomodaram, o juiz Loopus disse a um guarda: - Pode trazê-los. - Culpado como o inferno - sussurrou Baggy, quando a porta foi aberta e Fargarson entrou na frente, claudicando. - Os veredictos rápidos são sempre de culpado. Para constar, a previsão de Baggy fora de júri inconcluso, mas não o lembrei disso, pelo menos não naquela ocasião. O primeiro jurado entregou um papel dobrado ao guarda, que o levou para o juiz. Loopus examinou-o por um longo momento, depois inclinou-se para o microfone. - Que o réu se levante, por favor. Padgitt e Lucien levantaram-se, devagar, contrafeitos, como se o pelotão de fuzilamento estivesse assumindo sua posição. O juiz Loopus leu: - Na denúncia número um, a acusação de estupro, nós do júri consideramos que o réu, Danny Padgitt, é culpado. Na denúncia número dois, a acusação de homicídio, nós do júri consideramos que o réu, Danny Padgitt, é culpado. Lucien não estremeceu e Padgitt tentou se controlar. Olhou para os jurados com todo o veneno que podia transmitir, mas estava recebendo ainda mais em troca. - Podem sentar. - O juiz virou-se para o júri. - Senhoras e senhores, obrigado por seus serviços até agora. Isto completa a fase de culpado ou inocente do julgamento. Passamos agora para a fase da pena, em que será pedido que decidam se o réu recebe a sentença de morte ou de prisão perpétua. Voltarão agora para o hotel. Ficaremos em recesso até as nove horas da manhã. Obrigado e boa-noite. Acabou tão depressa que a maioria dos espectadores não se mexeu por um momento. Padgitt foi levado, algemado desta vez. Sua família parecia completamente atordoada. Lucien não tinha tempo para conversar com os parentes. Baggy e eu fomos para o jornal, onde ele começou a escrever com uma fúria intensa. Ainda faltavam dias para o nosso prazo, mas queríamos captar o momento. Como era de se esperar, no entanto, ele perdeu o ímpeto depois de meia hora, quando ouviu o chamado do uísque. Já estava quase escurecendo quando Ginger apareceu, numa jeans bem justa, blusa ainda mais justa, cabelos soltos, com uma expressão que dizia: "Leve-me para algum lugar." Paramos de novo no Quincy's, onde compramos outra embalagem com seis cervejas para viagem. Com a capota arriada, o ar quente soprando ao nosso redor, seguimos para Memphis, a noventa minutos de distância. Pouco falamos. Não indaguei coisa alguma. Ela fora obrigada pela família a comparecer ao julgamento. Não pedira por aquele pesadelo. Por sorte, encontrara-me para ter um pouco de diversão. Nunca mais esquecerei aquela noite, correndo por estradas escuras e vazias, tomando uma cerveja gelada, segurando de vez em quando a mão de uma linda mulher, que fora me procurar, com quem eu já deitara uma vez e tinha certeza de que deitaria outra vez. Só restavam umas poucas horas para o nosso doce romance. Eu quase que podia contá-las. Baggy achava que a fase da determinação da sentença levaria menos de um dia. Portanto, o julgamento terminaria no dia seguinte, sexta-feira. Ginger mal podia esperar para deixar Clanton, sacudir a poeira dos sapatos. Claro que eu não tinha a menor possibilidade de acompanhá-la. Verificara num atlas. Springfield, Missouri, era longe, pelo menos seis horas de carro. Viajar durante toda a semana de um lado para outro seria difícil, mas eu tentaria, se ela quisesse. Alguma coisa, porém, me dizia que Ginger desapareceria de minha vida tão depressa quanto surgira. Estava convencido de que ela tinha um ou dois namorados em sua cidade, e por isso eu não seria bem recebido. E se me visse em Springfield, ela se lembraria do condado de Ford e suas horríveis recordações. Apertei a mão de Ginger e decidi que aproveitaria ao máximo aquelas últimas horas. Em Memphis, seguimos para os prédios altos à beira do rio. O mais famoso restaurante da cidade era o Rendezvous, que servia uma costela deliciosa. Pertencia a uma família de gregos. Quase toda a boa comida de Memphis era preparada por gregos ou italianos. O centro de Memphis, em 1970, não era um lugar seguro. Estacionei numa garagem e atravessamos apressados uma viela, até a porta do Rendezvous. O aroma de costela assando saía dos dutos de ar e pairava entre os prédios, como um nevoeiro denso. Era o aroma mais apetitoso que eu já sentira. Como a maioria dos outros clientes, estávamos famintos quando descemos por um lance de escada e entramos no restaurante. A quinta-feira era um dia de pouco movimento. Esperamos apenas cinco minutos. Quando meu nome foi chamado, seguimos um garçom em ziguezague entre as mesas, através de salas cada vez menores, por cavernas cada vez mais profundas. Ele piscou para mim e nos deu uma mesa para dois, num canto escuro. Pedimos costela e cerveja. Trocamos carícias enquanto aguardávamos. O veredicto de culpado era um imenso alívio. Qualquer outro teria sido um desastre cívico, com Ginger fugindo da cidade sem olhar para trás. Ela fugiria amanhã, mas eu a tinha comigo até lá. Brindamos ao veredicto. Para Ginger, significava que a justiça prevalecera. Para mim, significava isso também, mas ainda por cima nos proporcionava outra noite juntos. Ginger comeu pouco, o que me permitiu acabar minha porção de costela e comer em seguida o que ela deixara no prato. Falei sobre Miss Callie e os almoços na varanda, sobre os filhos extraordinários, sua infância e adolescência. Ginger disse que adorava Miss Callie, como também adorava os outros onze jurados. Essa admiração não duraria muito tempo. 


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em dezembro de 2005, eu e Edite fizemos uma viagem à Porto Belo, pequena cidade do litoral norte de Santa Catarina, para uma confraternização da família Aquino. Na casa da Gisele e Miguel d'Aquino, reuniram-se uns cinqüenta parentes trocando abraços, votos natalinos, saudades e alguns presentes. Sebastião Telles, cunhado, me presenteou com dois livros: O Último Jurado de John Grisham e a Entrega, Memórias Eróticas. Disse que o primeiro havia sido comprado especialmente para a ocasião. O segundo havia sido adquirido há alguns meses, que o lera e ficara admirado pela crueza e putaria da narração.


 

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