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Náufrago da Utopia

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Náufrago da Utopia

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Celso Lungaretti

Editora: Geração

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 282

Ano de edição: 2005

Peso: 585 g

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Ótimo
Marcio Mafra
21/01/2005 às 12:34
Brasília - DF

Este é um livro longo. O Lungaretti narra toda a história de uma organização guerrilheira que lutava contra a ditadura dos militares, no final dos anos 60. Ele foi preso, barbaramente torturado e ao final foi vencido pelos militares. Daí o título do livro. Era uma luta utópica, representada pelo idealismo de jovens estudantes e trabalhadores, contra a força bruta, esmagadora e covarde dos militares. A razão pela qual escreveu o livro foi para defender-se da acusação de ter delatado o local de um campo de treinamento de seu grupo de guerrilheiros, que acabou resultando na morte de alguns deles. Essa acusação era sustentada e propagada por seus próprios companheiros de esquerda. O autor passou mais de 30 anos como um renegado, com a pecha de delator, fraco, covarde e despreparado, até conseguir provar, sua inocência. No livro, Celso Ungaretti recorda as muitas passeatas, a ocupação de faculdades, fábricas, os festivais de música, as ações armadas dos guerrilheiros, seus conflitos internos, e algumas trajetórias de personagens marcantes da história recente, como Vandré, Marighela e Lamarca. Náufrago da Utopia é também uma história dolorida de toda uma geração de estudantes e trabalhadores, sem nenhuma experiência militar, que foram recrutados pela militância da esquerda para combater os militares que haviam tomado o poder e governaram o Brasil, com mão de ferro, durante mais de 20 anos. O combate aos militares é um dos períodos mais trágicos e fétidos da história recente do Brasil, onde militares executavam friamente e torturavam barbaramente os "inimigos" do sistema, pouco mais de algumas centenas de jovens estudantes, jornalistas, artistas, intelectuais e outros sonhadores, a grande maioria sem nenhuma maturidade sócio, econômica, política ou cultural. O autor fala do que viu e do que viveu. Como obra literária é fraquinho. Como relato de vida é emocionante porque - mesmo na condição de perdedor da guerra em que se engajou - termina com a vitória solitária de um guerrilheiro que precisou lutar muito para resgatar a dignidade do revolucionário. Tortura não deveria merecer anistia. Vale a leitura. Vale a história. Vale a utopia.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Uma parte da história dos grupos de esquerda, que combatiam a ditadura militar, nos anos 60 e 70, com o relato cruel das suas prisões, torturas e mortes. É mais uma das reconstituições da história recente do Brasil. Desta feita, sob a visão particular do autor, Celso Lungaretti, que sofreu inenarráveis torturas, aplicadas pelos militares. Tais torturas resultaram na obtenção de informações que levaram os militares a executar outros "terroristas". Considerado delator e renegado por importantes setores da esquerda, o autor usa o livro para contar a sua versão.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Contagem regressiva até o ponto com Espinoza. Dinheiro curto, algumas privações. Diego, que já trabalhava na fábrica de móveis do pai, socorre os companheiros. Ele, Júlio e Eremias se hospedam numa pequena pensão da rua do Gasômetro. Passam-se por santistas que vieram estudar na Capital. E ficam com cara de bobos ao conversarem com outras hóspedes, meninas vindas realmente de Santos. Falam pouco, disfarçam como podem. Edmauro prefere perambular pela cidade durante o dia e fazer uma viagem qualquer à noite, indo para o interior e voltando em seguida, só para dormir no ônibus. Sai mais barato. Mané, Gilson, Gerson e Tereza não correm riscos imediatos, mas, todos concordam, devem preservar o quanto puderem sua fachada legal. Nada de dar abrigo aos outros quatro, exceto em último caso. Já sabem exatamente o que ocorreu. O pessoal da zona Sul avançou mais depressa nos entendimentos com a VPR e já participara de uma ação: o roubo de um belo estoque de armas da loja Diana. Com isso, acabou sendo vítima também da sucessão de quedas da Organização: o Chapita foi preso em sua casa, na Vila Mariana. Azar dos quatro cuja escola ele conhece. Eles têm de tomar suas precauções, pois, agora, ninguém mais aposta na resistência do companheiro. Qualquer um pode ser quebrado pelas torturas ensinadas pelos instrutores norte-americanos, que os agentes brasileiros aperfeiçoaram, tornando ainda mais brutais. O conceito: as organizações estão aprendendo a isolar rapidamente tudo que o militante preso possa delatar, então as chances de descobrir algo aproveitável diminuem de minuto a minuto. As primeiras horas são cruciais para a repressão, que tenta destruir rapidamente a resistência dos revolucionários com torturas de impacto avassalador. Tudo o que Júlio, Eremias, Diego e Edmauro podem fazer é esperar, contando os centavos, preenchendo como podem as horas que se arrastam. Finalmente, o reencontro com Espinoza. Ele lamenta que o grupo tenha ficado em situação tão precária e entrega imediatamente quase todo o dinheiro que tem no bolso, prometendo fornecer mais no próximo ponto - independentemente da adesão ou não do grupo à VPR. No encontro seguinte também traz algumas armas. A Júlio cabe um 32 prateado de cano longo, muito desajeitado para carregar, mas melhor do que nada... As discussões prosseguem do ponto em que haviam parado, duram ainda várias reuniões. Até que, todas as arestas aparadas, o grupo pede ingresso na Organização. Espinoza promete resposta no próximo contato. E chega com a decisão: - Como passamos por um período de luta interna e de quedas, resolvemos marcar um congresso para colocar a casa em ordem, redefinir linha, estratégia, tática, organograma, tudo isso. Então, não seria correto aceitá-los como militantes agora. Vocês estão convidados a indicar um representante para esse congresso. E, dependendo do que acontecer, o ingresso do grupo poderá ser formalizado lá mesmo. Num domingo ensolarado, o grupo todo se reúne no Zoológico e decide que posições vai levar ao Congresso da VPR. As definições tiradas em duas horas de discussões servirão para se fazer uma minuta de programa completa - a ser redigida por Júlio, que é também escolhido como representante. A sensação que têm é de integrantes de um time da terceira divisão que de repente são admitidos nas fileiras do campeão. Passaram tanto tempo sendo discretamente esnobados pelos universitários, tidos como inferiores e insignificantes, e agora estão prestes a ingressar na principal organização de combate à ditadura! O deslumbramento impede que percebam os motivos dessa guinada. A repressão vem atingindo duramente as organizações armadas, que já não encontram facilmente peças de reposição para substituir os quadros tombados. São poucos os militantes universitários dispostos a correr os riscos terríveis desta nova etapa da luta. Então, os secundaristas são o celeiro mais óbvio à disposição. Menos politizados, mais aguerridos e, até pela pouca vivência, quase insensíveis ao perigo. Entusiasmados com a súbita promoção, nem percebem que seu verdadeiro papel é o de cordeiros a serem sacrificados numa luta quase perdida.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Edilson Freitas da Silva, estagiário de direito, é um dos "Assistentes da Superintendência" na CDL, onde trabalhamos. Na faculdade de direito, ele faz os últimos semestres de seu curso. Tem uma ótima cultura e escreve muito bem. Será um bom profissional. Por ocasião do chato e inevitável "amigo oculto" de 2005, ele me presenteou este livro, que li durante uma viagem de férias à cidade de João Pessoa, na Paraíba.


 

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