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A Casa dos Budas Ditosos - Pecado Luxúria

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A Casa dos Budas Ditosos - Pecado Luxúria

Livro Ótimo - 8 opiniões

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Autor: João Ubaldo Ribeiro

Editora: Objetiva

Assunto: Erotismo

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 163

Ano de edição: 1999

Peso: 280 g

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Excelente
Ubirajara Alves Costa
14/12/2017 às 11:25
Brasília - DF
Caramba! não, como escreveu a autora ou o autor, CARALHO, um livro que trata da luxuria como se todas as pessoas estivessem presas a um monte de preconceitos ligados ao sexo, vale muito a leitura, recomendo a todos.

Ótimo
CLAUDIO CAMARGOS DO COUTO
03/10/2017 às 12:32
Taguatinga - DF
Um belo dia, nosso autor recebe uma pacote com fitas de uma mulher desconhecida ! Assim começa essa história fascinante. O resultado, no entanto, é um tipo de auto-biografia sexual. Nossa querida senhora nos apresenta todas as loucuras sexuais que cometeu na vida em nome da diversão pura e da satisfação, longe dos preconceitos impostos pela sociedade e sem se importar nem um pingo com eles.
De maneira chocante e divertida, ela nos leva a passear por uma vida de auto indulgência sem qualquer restrição mostrando que os limites que temos podem ser ultrapassados a qualquer momento. Basta querer e abrir mão de se importar com as opiniões alheias – algo que todo mundo no facebook diz que faz, mas a gente sabe que, no fim, não coloca isso na prática.
É muito bom esse livro, flui bem e mesmo as partes mais chocantes são forradas de comentários tão absurdos que chegam a ser hilários. Vale a pena conferir para irmos além do debate 50 tons de cinza: em A casa dos Budas Ditosos temos uma mulher que mal cita nomes de homens e mal os descreve. Ela quer o que quer e quando quer e se você acha ruim…bom, o problema é seu, não é mesmo?


Ótimo
Ezequiel Gama Oliveira
11/08/2017 às 17:40
Brasília - DF
O livro retrata uma suposta historia de uma senhora que vivenciou em uma época bastante rígida e cheia de preconceitos, não que hoje não seja muito diferente, mas apesar da dificuldade da época onde as mulheres não podiam fazer isso e aquilo, ela conseguiu nos apresentar todas as suas loucuras sexuais que cometeu na vida em nome da diversão pura e da satisfação, longe dos preconceitos impostos pela sociedade sem se importar nem um pingo com ele. Ela comeu o escravo, o tio, se apaixonou pelo irmão, trepou com meio mundo de gente e só depois veio perder a virgindade com o seu professor, vai entender, usou drogas, se casou com Fernando um cara tão doido quanto ela, uma historia louca, super engraçada e divertida que me deu uma outra visão do mundo e das pessoas.
Super fantástico, sua leitura é instigante e não entediante, é mais um daqueles que quanto mais lemos mais ficamos curiosos para chegar ao final do livro. No começo achei que era só mais um livro de putaria, mas com o decorrer da leitura percebi que tinha bastante conteúdo, é claro que há declarações chocantes, mas não é porque gostamos do livro que concordamos com tudo, por fim indico para pessoas de mente aberta que não tem preconceito.

Ótimo
Elias Marinho
11/08/2017 às 17:18
Santa Maria - DF
Não tenho como não pensar neste livro como uma ficção, mas seja ou não ficção se trata de uma ótima ficção, pois é "desorganizado" no bom sentido da palavra, é surpreendente, engraçado e prazeroso de se ler.
Sempre pensei que todos tem pelo menos uma leve inclinação por estórias eróticas, pois toca nos nossos desejos mais íntimos e, na maioria das vezes, secreto e esta é no minimo picante/inteligente, daquelas de se comentar com o amigo ou parente das aventuras sexuais da uma senhora na casa dos setenta que experimentou todo tipo de experiencia sexual.
Sem deixar de considerar que estará lendo um dos nossos principais escritores brasileiros, A Casa dos Budas Ditosos é um livro erótico com uma excelente historia engraçada e gostosa de se ler sobre a vida de uma mulher muito peculiar.


Excelente
Luza Karla Lima
18/07/2014 às 10:26
Brasília - DF
Livro excelente, linguagem simples e franca. É estranho imaginarmos uma vida como a da personagem, sem pudores, sem amarras, sem frescuras, sem medos. Porém, a leitura se torna prazerosa com a linguagem usada, marcada por sexo, esoterismo mas também muita ironia e um certo bom humor. Super recomendo!

Excelente
Everson Costa
27/05/2011 às 00:12
Brasília - DF

Um relato fascinante em todos os sentidos, de uma mulher de 68 anos, nascida na minha Bahia, de tantos encantos, que juntamente com sua amiga, esta mais experiente e conhecedora das maravilhas do sexo, viveram inúmeros episódios entre a adolescência até se formar mulher. As histórias me surpreenderam do início ao fim, pela riqueza de detalhes e pelo humor exposto nos atos. Com certeza, o livro dispõe assuntos polêmicos, como: feminismo, incesto, o homossexualismo, a fidelidade..., enfim questões que, obviamente, para os leitores mais sensíveis pode ser um tanto chocante, porém, quando se consegue entrar no espírito da narrativa se torna uma forma interessante e profunda de conhecer um dos sete pecados capitais, a luxúria. Como diz o personagem, em certo trecho do livro: “Eu quero excitar essas, quero provocar muitas trepadas, quero que maridos, namorados e pais assustados as proíbam de ler, quero que haja gente com vergonha de ler em público ou mesmo pedir na livraria, ah, como seria bom acompanhar tudo isso. E não estou fazendo nada demais, a não ser contar a verdade.” Erótico, chocante, irônico, provocador.


Excelente
Rodrigo Soares
23/05/2011 às 00:17
Samambaia - DF


Devo sem dúvidas começar assim. Livro SENSACIONAL e Autor TALENTOSO. Esse é o relato de aventuras sexuais de uma pessoa liberal, realista, não preconceituosa. Um personagem bem comum, dessas que se pode encontrar no dia-a-dia, sem bobagens, sem frescuras, bastante criativa e repleta de luxúria. História encantadora desde o primeiro parágrafo. A sessentona narrando suas experiências sexuais. De uma lógica simples: viver é trepar! O tom do livro não engana, deliciosas páginas de um conteúdo erótico vibrante. Mas digo "erotismo" mesmo, nada de "pornografia" ou “putaria” barata e sem talento ou se quer um pingo de sensualidade. Um tapa nos conservadores e um estímulo, especialmente as mulheres a que se libertem e vivam os prazeres do sexo com toda desenvoltura. Uma verdadeira dica de como viver bem e sem preconceitos com nada. Quando a história é boa e o autor possui talento, então o livro é EXCELENTE. Gostoso do inicio ao fim e com o talento de João Ubaldo que foi mais que genial, ao me deixar na dúvida se foi ele mesmo quem escreveu ou se realmente recebeu este relato da tal senhora. Recomendo!



Excelente
Marcio Mafra
27/11/2005 às 00:30
Brasília - DF

O livro faz parte da coleção dos 7 pecados capitais: gula, ira, luxúria, inveja, preguiça, avareza, vaidade ou soberba. Cada um dos títulos representa um pecado tão grave que sobre estes não há perdão possível, segundo os ditames da igreja católica. A luxúria é classificada como pecado capital desde a idade média. Ao cometer um pecado capital, o cristão tem a sua alma condenada à danação eterna. Existem, ainda, duas outras categorias de pecados: os veniais e os mortais. Ambos são cometimentos, cuja pena é um castigo menor que a danação eterna. A Casa dos Budas Ditosos é uma história de luxúria gostosa e inteligente. A narrativa se alterna entre chocante, irônica, instigante e libidinosa, mesmo sem ser agressiva nem dissoluta. O João Ubaldo neste livro foi mais que excelente.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A surpreendente historia da vida de uma senhora de 68 anos de idade que viveu plenamente a luxúria e ao mesmo tempo, um grande mistério, porque em verdade, não se sabe se ela realmente existe ou existiu. O autor diz que encontrou os originais em sua caixa postal, local onde estavam depositadas todas as orgias, peripécias e aventuras sexuais daquela senhora que provoca a libido e a imaginação de todos os leitores e leitoras.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Isso pode resvalar para o saudosismo, os bons tempos e semelhantes asnices, não há bons tempos, só há tempos. Nada de saudosismo, saudosismo é uma espécie de masturbação sem verdadeiro prazer, uma inutilidade atravancadora, que no máximo pode ser empregada para brincadeiras, mas geralmente é perda de tempo mesmo. Nãoi, nada disso. Aqueles tempos tinham seu charme, mas eram duros também, cada tempo temn sua dureza, com mil perdões pela filosofia de botequim. Tomar nas coxas, de que eu já felei tanto, exige know-how, para ser desfrutado decentemente.

A mulher tem que treinar a postura, para estar segura de que vai atingir um orgasmo, ainda mais quando o homem é semi-adolescente e goza em dois décimos de segundo. Era preciso também tomar cuidado com o pessoal do "só a cabecinha", todo mundo manja esse pessoal, embora ele exista mais no folclore do que na vida real, eu mesma só encontrei uns três. Tive até vontade de dar para um deles, cheguei a começar a abrir as pernas, encostada no pára-lama do carro do pai dele. Mas algo me disse que não. Algo quase sempre mente, mas, mesmo assim, manda a boa paranóia sadia que se dê atenção a ele. Pois é, Algo me disse que não desse, nem nesse dia nem nos subseqüentes, embora adorasse me agarrar com esse rapaz, ele devia ter uns feromônios extraordinários. Ficava ralado de tanto botar nas minhas coxas e eu fazia tudo com ele, exceto deixar que ele metesse, fosse na frente, fosse atrás. Atrás, bem que eu tentei, a primeira vez em pé, encostada no muro do farol da Barra, que, aliás, é meio inclinadinho, e a gente fica mais ou menos reclinada de bruços, grande farol da Barra. Ele passou cuspe, eu me preparei toda ansiosa e, quando ele enfiou, não consigo imaginar dor pior do que aquela, uma dor como se tivessem me dado dezenas de punhaladas, uma dor funda e lacerante, que não passava nunca, me arrepio até hoje. E as tentativas posteriores foram todas desastrosíssimas, experiências humilhantes e acabrunhantes, passei anos traumatizada e decidida a tornar aquilo território perpetuamente proibido e mesmo execrado. Até que Norma Lúcia me ensinou uma coisa. Não. Duas coisas. Não. Três coisas. Primeira coisa: no começo, na iniciação, por assim dizer, tem que ser de quatro, requisito

absoluto para a grande maioria. Segunda coisa: tem que dizer a ele que venha devagar. Ou, melhor ainda, dizer a ele que espere a gente ir chegando de ré devagar, sempre devagar. Terceira e mais importante de todas: relaxar, relaxar, mas

relaxar de verdade, soltar os músculos, esperar de braços abertos, digamos. É um milagre. Foi um milagre, na primeira vez em que eu segui essa orientação simples. Daí para gozar analmente - não sei nem se é gozo propriamente anal, só sei que é um gozo intensíssimo - foi só mais um pouco de vivência, with a little help Eram my Eriends, ha-ha. Quem não sabe fazer isso nunca fez uma verdadeira suruba, nem pode fazer, nunca vai poder comer direito um casal, enfim, vai ser uma mulher incompleta, acho que qualquer um concorda com isso. Não sei se você sabe, mas as hetairas, as cortesãs da Grécia antiga, davam a bunda, preferencialmente. Apesar de já haver métodos anticoncepcionais, o mais seguro era mesmo uma enrabação, é uma arte milenar que não pode ser perdida, e toda mulher que, sob desculpas inaceitáveis e ditadas pela ignorância, preconceito ou incapacidade, não conta com isso em seu repertório permanente é uma limitada, não importa o que ela argumente. Acho até que todas as refratárias na verdade sabem que são limitadas e procuram negar essa condição através de mecanismos para mim pouco convincentes. Depois que aprendi, naturalmente que tive de procurar esse namorado meu esqueci o nome dele agora, Eusébio, qualquer coisa por aí e dar a bunda a ele, não podia morrer sem fazer isso. Dei numa festa de aniversário da então namorada dele, num sítio onde é hoje Lauro de Freitas, eu também era levadinha.

E por que eu não deixei que ele me comesse na frente também? Bem, primeiro porque achei que não estava pronta ainda, embora me sentisse profundamente lesada em meus direitos elementares, por não poder dar tudo o que era meu e de mais ninguém. Mas, para consolar, eu já tinha me desenvolvido extraordinariamente em outras áreas, já desfrutava tomar na bunda e nas coxas com grande competência, já gozava

chupando, gozava até quando chupavam meus peitos bem chupados, gozava no dedo, gozava apertando as coxas, não sentia, enfim, falta de muita coisa e tinha realmente terror de ficar grávida. Segundo, e mais relevante, é que eu tinha uma fantasia de meu desvirginamento, que eu acho que tirei da biblioteca de meu avô, um livro grossão sobre a vida sexual, que trazia as fotografias de um homem e uma mulher, ambos nus de frente, ambos em posição de sentido, tudo altamente neutro. Mas eu não conseguia deixar de mirar os peitos e os pentelhos dela e o bigode e o pau dele, passava horas entretida nisso e lendo a descrição de um desvirginamento, feita pelo autor. Não sei de cor, mas é como se soubesse, até hoje sou capaz de repetir essas palavras, do jeito que ficaram em minha cabeça: "E então chega o momento tão ansiado. Sem pronunciar uma palavra, ele fecha a boca da donzela com um beijo decidido entre seus bigodes másculos, insinua seus quadris, delicada mas firmemente, entre as coxas dela e dirige a glande inturgescente para o hímen, então trêmulo e lubrificado pelos fluidos naturais da vagina. Resoluto, ele se assegura, às vezes com a ajuda das mãos, de que está no ponto certo e então, enquanto ela dá um gemido abafado, entre a dor e o prazer da fêmea que finalmente cumpre o seu destino biológico, penetra-a com um só impulso vigoroso, abre-lhe mais as pernas, inicia um movimento de vai-e-vem profundo e, finalmente, derrama-lhe nas entranhas o morno líquido vital, sem o qual ele não é nada, ela não é nada." Essa era minha fantasia, até hoje é, sempre foi um dos meus temas de masturbação favoritos e, não sei se de alguma forma por isso, passei grande parte da vida preferindo homens mais velhos, só depois é que comecei a gostar de homens mais novos, depois que descobri que os mais velhos são putas velhas iguais a mim, não valem nada. E, depois, burro velho, capim novo, verdade inegável. Hoje, sinto prazer em seduzir e treinar um jovem bonito; é estimulante, revitalizador, faz bem ao ego.

Claro que eu, mesmo gostando irracionalmente da cena, ou seja, da maneira mais forte possível, não tinha idéia de que ia acontecer comigo exatamente dessa maneira, ou quase exatamente. Ainda nem sonhava em conhecer José Luís. José Luís foi meu professor de prática de Penal, ninguém ligava para ele, mas Penal é ótimo, porque tem aqueles papos de estupro presumido, sedução, atentado ao pudor, rapto etc., tudo excelente para puxar conversas de sacanagem aparentemente inocentes e técnicas, mas assim mesmo as meninas pouco ligavam para ele, não tinham intuição ou experiência para avaliar adequadamente o potencial dele. As poucas que se interessavam por ele não alimentavam planos, porque ele era casadíssimo, caxiíssimo, ordeiríssimo, reprovadoríssimo, de maneira que ninguém achava que valia a pena o trabalho, mesmo diante da tenebrosa escassez de homens aproveitáveis, aquele elenco deprimente de coçadores de baixios e primitivos neandertalescos. Parêntese. Falando em neandertalesco, me apareceu este parêntese, talvez injustiçando um pouco o homem de Neandertal. É difícil acreditar neste parêntese, mas é a pura verdade, não resisto a contá-lo. Verdade, verdade, fiquei pasma na ocasião e continuo abismada. Uma conhecida minha era noiva, de aliança no dedo, de um rapaz muito conhecido, com quem todo mundo simpatizava, um rechonchudinho corado, gentil, educado, aberto, simpático mesmo. Eles eram um casal de pombinhos, todo mundo se referia a eles como pombinhos, um chamego e um carinho que chamavam a atenção, só apareciam juntos, aos beijinhos e alisadinhas. Namoro padrão, na Bahia. Pois bem, pois um belo dia acabaram. Foi um susto geral, dezenas de hipóteses e especulações e ninguém conhecia a versão correta. Muitas e muitas voltas do mundo depois, nós duas estávamos tendo uma espécie de caso passageiro, e ela me contou, na cama, o que de fato havia acontecido. lnimaginável, mas acho que até hoje continua acontecendo. Ela me contou que mantinha a virgindade com ele, mas, de resto, faziam uma porção de coisas, na verdade, agora ela sabia, uma porção de meras perfumarias. E ele foi o primeiro na vida dela, a única experiência que ela tinha. E aí estão os dois namorando numa balaustrada deserta na Barra, já escurecendo, ele sentado, ela em pé, recostada entre as pernas dele, quando sentiu o pau dele duro lhe roçar na bochecha. Ela então ficou esfregando a cara para lá e para cá, por cima do pano da calça. E então, me contou ela, que não tinha razão nenhuma para mentir e parecia até estar precisando daquele desabafo, ela foi seguindo um curso natural, sem nem pensar no que estava fazendo. Abriu a braguilha dele e deixou que o pau pulasse fora. Era a primeira vez que o via assim, cara a cara, e ficou quase hipnotizada, se sentindo como nunca se sentira antes, uma falta de fôlego, uma ânsia, uma vontade de agarrar tudo de uma vez, as costas fibrilando de alto a baixo. Daí para pôr o pau dele na boca foi um instante e aí acabou o namoro. Ele de repente empurrou a cabeça para trás e deu um murro nela. Não um tapa, disse ela, mas um murro que lhe deixou o queixo roxo. Que era que ela estava pensando? Em que puteiro aprendera aquilo? Achava que mulher dele era para fazer aquela coisa nojenta, própria,das mais baixas prostitutas? Se ele quisesse aquilo, ia procurar uma vagabunda na rua, não sua própria mulher. E que desenvoltura era aquela, onde ela havia aprendido aquilo, com quem já fizera aquilo? Nunca mais a beijaria na boca, não queria chupar homem nenhum por tabela. Casaria com ela, sim, porque já estavam comprometidos, mas nunca mais a beijaria na boca. Ela, que tinha caráter, decidiu que acabaria tudo naquela mesma hora. Na ocasião, não conseguiu dar a descompostura nele que pretendia, mas nunca mais quis saber dele, mesmo quando ele tomou corno de uma outra namorada e veio atrás dela no proverbial rastejar, mordido de arrependimento.

Então você vê. Não só os homens tinham medo de deflorar as moças, mesmo quando elas imploravam, como ainda existia esse tipo de selvageria. Era crucial ser uma navegadora hábil, nesse mar de babaquice, cheio de armadilhas inesperadas. Mas eu sempre tive um faro superior, uma capacidade de percepção mais aguçada que o comum, talvez. Talento, por que não? Por exemplo, descobri o potencial de Zé Luís num estalo, foi repentino mesmo. Eu estava no saguão da faculdade, quando me veio um clarão, clarão é a única palavra apropriada. Mas... Mas estava na cara! Zé Luís, Zé Luís ali dando sopa, e ninguém à altura de aproveitar. E então ele subiu a escada sem me olhar, mas eu sabia que ele estava me vendo e então eu falei comigo mesma que Deus é grande e tudo estava maravilhosamente às ordens, a vida é simples e a gente não repara. Cego é mesmo o que não quer ver e agora eu vou contar La grande sédution.


  • A Outra Ilha de João Ubaldo

    Autor: Tom Cardoso

    Veículo: Caderno Eu & Fim de Semana, Valor Economico, 8, 9 e 10 de julho de 2010

    Fonte:

    Se pudesse, João Ubaldo Ribeiro não iria à 9ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), aberta na quarta-feira à noite, e a lugar nenhum. Berenice, sua mulher, conta que nos últimos anos o escritor tem desenvolvido fobia de sair de casa. Ele não nega: "O dia perfeito para mim é o dia em que eu não coloco o pé para fora do meu apartamento". Ubaldo podia, na última hora, se dizer indignado com a libertação de Cesare Battisti e dar um jeitinho de não sair da toca. Mas desta vez ele está em Paraty. Há sete anos, cancelou sua ida à festa literária por não aceitar ser tratado como mero coadjuvante pela organização do evento. "A divulgação não falava do meu nome. Era fulano, fulano, fulano e outros. Estava sempre nos outros", diz.

    Ubaldo relata que, em determinado momento, depois de passar semanas sem ler o seu nome na lista dos principais convidados, passou a achar que estava delirando, que não tinha convite nenhum para feira nenhuma. Chegou a ligar para a organização. "Até que me cansei de toda aquela história e decidi me desconvidar."

    Dessa vez, não houve mal-entendidos. Ubaldo é apresentado no site da Flip com a pompa que merece, como "um dos maiores romancistas contemporâneos do Brasil", o escritor que "reinventou o Brasil". Ele estará neste sábado, às 15 horas, na mesa 13, batizada de "Alegorias da Ilha Brasil", para falar de seus livros e de Oswald de Andrade, o homenageado da festa. Não há como imaginar um romance histórico como "Viva o Povo Brasileiro", até hoje a obra de maior repercussão de Ubaldo, livre da influência de Oswald. A ordem, porém, é deixar o escritor baiano solto para contar suas histórias. Ninguém melhor para falar sobre João Ubaldo do que o próprio João Ubaldo. Ele já tem uma história imperdível: de como a Flip atrapalhou seu novo romance e fez que ele cedesse aos caprichos de um de seus personagens, que na última hora conseguiu passar de coadjuvante a protagonista e ainda mudar de sexo.

    A culpa não foi da Flip e sim da falta de pulso de João Ubaldo. Até receber o convite da festa de Paraty, ele conseguira dar um bom ritmo ao novo romance, o primeiro depois da troca de editora, da Nova Fronteira para a Alfaguara. O escritor rompera a barreira das primeiras 50 páginas e tudo indicava que terminaria o livro em tempo recorde. Aí veio a história da Flip, pedidos de entrevistas, saídas inesperadas de casa. Quando teve um pouco de paz para reiniciar o livro, a rebelião já estava consumada. O protagonista havia perdido espaço para o coadjuvante, que, além de reivindicar mais espaço, trocou de sexo, passando de homem para mulher. Ubaldo tentou assumir o controle, mas era tarde demais. "Eu agora tenho três começos de livro, cada um com 50 páginas. Ainda não sei o que vou fazer", revela o escritor, que adiou a entrega do romance para o que vem, quando pretende levar sua fobia de sair de casa mais a sério. Quem sabe ter algumas aulas de antissociabilidade com o amigo Rubem Fonseca.

    Na Flip, Ubaldo aproveitará para relançar dois livros, ambos pelo selo Alfaguara, que pertence à Objetiva: "O Feitiço da Ilha do Pavão", publicado originalmente em 1997, e "Um Brasileiro em Berlim", lançado em 1995. Este último reúne crônicas publicadas no jornal "Frankfurter Rundschau", durante a passagem do escritor por Berlim em 1990. A Alemanha, aliás, é um dos poucos países que Ubaldo ainda se dispõe a visitar. Aos Estados Unidos não volta mais - cansou de ser revistado por cães farejadores. Em Portugal, onde também morou, o escritor diz ter muitos amigos, mas de lá também não guarda boas lembranças, sobretudo nos últimos anos. "De algumas décadas para cá, a relação entre brasileiros e portugueses, que era próxima do cordial, piorou muito", comenta. Ubaldo conta ter passado por algumas situações constrangedoras em Lisboa - chegou a ser expulso de dentro do carro por um taxista, após ser identificado como brasileiro.

    Mas nada magoou tanto Ubaldo quanto a censura imposta, por parte de uma rede varejista no país, a dois de seus livros em Portugal. "Viva o Povo Brasileiro" e "A Casa dos Budas Ditosos" foram classificados como "produtos de foro pornográfico". "Viva o Povo Brasileiro" ficou retido por alguns meses, mas acabou liberado. Já o segundo continua rendendo polêmica. "Nada mais hipócrita. Em Portugal eu vi anúncio de lubrificante em ônibus da prefeitura."

    "Um Brasileiro em Berlim" é também um divertido retrato de brasileiros que frequentavam os aeroportos no fim dos anos 1980, a elite que hoje tem de conviver nos terminais com passageiros das classes C e D, incorporados pelas políticas econômicas e pela queda nos preços das passagens. Ubaldo diz não ter a menor vontade de escrever sobre a nova classe média, muito menos de frequentar aeroportos. Vai de carro a Paraty. "Estou com 70 anos. Se não tinha disposição para sair de casa, imagine encarar a falta de infraestrutura dos aeroportos brasileiros", afirma.

    Crítico feroz do governo Lula, Ubaldo espera que Dilma Rousseff consiga se descolar de seu antecessor e impor, enfim, seu estilo, de pouca conversa e mais trabalho. "O Lula ainda não se acostumou ao banco de reservas, gosta de aparecer, sobretudo nos momentos difíceis do governo, quando Dilma mostra certa hesitação", observa Ubaldo. "De vez em quando acho que ela vai se descolar do padrinho, se deixar levar mais pelo temperamento dela. Mas ainda haverá progressos e retrocessos antes que isso aconteça", avalia.

    Assim que voltar da Flip, o escritor espera não mais sair do seu quartel-general, um pequeno apartamento no Leblon, onde já moraram o jornalista Tarso de Castro e o compositor Caetano Veloso. Seu escritório funciona como um bunker improvisado. Ao contrário do que parece, Ubaldo, criado entre pescadores de Itaparica, entende de computadores tanto quanto Bill Gates. Na sua busca pela solidão, ele promete até dispensar a ajuda da mulher. Ubaldo criou um dispositivo em seu computador em que uma voz feminina (a de Berenice) avisa, pontualmente, o remédio e a quantidade que ele precisa tomar. Rubem Fonseca adorou a ideia.

  • João Ubaldo Ribeiro Sela a Paz com a Flip.

    Autor: Miguel Conde e Michele Miranda -

    Veículo: Jornal O Globo

    Fonte:

    Miguel Conde e Michele Miranda - Enviados especiais
    O Globo - Domingo 10 julho 2011, caderno Rio - folha 23 - proeverso@globo.com.br

    Numa conversa com jeito de enlace amoroso, em que não faltaram gritos de entusiasmo (intelectuais também soltam "u-hu!"), a mesa "Alegorias da
    ilha Brasil", de João Ubaldo Ribeiro, selou ontem na Flip a reconciliação de um dos maiores escritores brasileiros com o principal festival literário do país. O autor, que em 2004 cancelou sua vinda a Paraty reclamando que seu nome era deixado em segundo plano, foi recebido calorosamente e aplaudido dê pé ao fim do encontro.
    O carinho foi correspondido com uma sucessão de histórias, anedotas e opiniões assumidamennte idiossincráticas que fizeram gargalhar o público presente à Tenda dos Autores.

    Autor dribla tentativas de esmiuçar sua obra
    Recebido com deferência pelo curador da Flip, Manuel da Costa Pinto, que se disse honrado por recebê-lo, Ubaldo percorreu durante uma hora e meia de conversa os principais pontos de a sua obra, conduzido pela moderação competente do escritor e editor Rodrigo Lacerda, seu amigo e estudioso de seus livros. Não que tenha sido uma caminhada disciplinada: quando Laacerda tentava esmiuçar temas ou a estrutura de seus textos, Ubaldo desconversava ("não sei" foi a uma expressão repetida por vezes), divagava e emendava histórias sobre seu pai, Itaparica ou um colega de bar. Informalidade que não o impediu de falar a sério sobre literatura, política e o destino (não muito promissor) da humanidade.
    Citando Picasso para definir a arte como "uma mentira por meio do qual se revela uma verdade", Ubaldo disse que suas esperanças como ficcionista se transformaram durante o quase meio século de carreira.
    - Quando escrevi meu primeiro livro eu não só estava convencido de que seria um grande autor, como que em três ou quatro anos mudaria o destino da humanidade, e no máximo em uma década receberia o Nobel
    - disse, acrescentando que para ser lido um escritor precisa não só de talento, mas de "sorte ou alguma coisa imponderável que não sei bem qual é".

    Ubaldo contesta comparação com Guimarães Rosa

    Por duas vezes Ubaldo contestou opiniões da crítica. Quando Lacerda comentou que muitos leitores relacionam a escrita oralizada de "Sargento Getúlio" à obra de Guimarães Rosa, Ubaldo respondeu que ao escrever seu romance nunca havia lido o autor mineiro.

    - Vou dizer algo que nunca disse tão abertamente: Guimarães Rosa não está entre os autores de minha predileção. Não que o ache desimportante, mas o santo não bate com o meu.

    O escritor baiano criticou a ideia de que seu livro mais conhecido, "Viva o Povo Brasileiro", seja uma tentativa de reescrever a história brasileira do ponto de vista dos oprimidos.

    - Não é nada disso. O que aconteceu é muito mais simples. Uma vez, um editor português me disse: "mas os autores o brasileiros só fazem livro fino, a desses de ler em ponte aérea", e eu pensei "Ah, é? Então espere". Até gostaria de ter uma história melhor mas a verdade é essa: o que eu queria fazer em "Viva o povo brasileiro" era um livro grosso. E bem escrito.

    Além de outras tiradas sobre sua relação com a escrita ("o cheque é uma ótima inspiração"), Ubaldo adotou um tom mais sombrio ao comentar, a partir de uma pergunta sobre seu livro "O sorriso do lagarto", as pesquisas genéticas atuais:

    - Tenho muito medo do ser humano como senhor do seu destino. Cada um de nós tem enormes contradições, mas no final a ruindade animal acaba prevalecendo. Acho que essas novas tecnologias vão ser usadas principalmente para destruir o próximo.

    À pergunta final, sobre a importância da literatura no cotidiano, Ubaldo foi coerente com o tom do encontro.

    - Rodrigo Lacerda, um longo laço afetivo nos une para que eu responda essa pergunta. Mas ... não sei.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comentei com Rafael que uma editora havia encomendado aos sete mais importantes escritores atuais, que escrevessem sobre os pecados capitais. Dias depois ele me presenteou "Clube dos Anjos", sobre o pecado da Gula, com a seguinte dedicatória: Para Márcio, Para comer com ovo frito e suco de caju satisfazendo, assim, suas gulas. Abraço e axé. Rafael em 7/10/99. Assim começou a coleção dos sete pecados capitais. Logo em seguida comprei o “Luxúria”. Imediatamente o livro sumiu, desapareceu, extraviou-se, como que para manter a maldição da literatura dos duendes paraguaios. Somente aí pelo primeiro semestre de 2005 que o recomprei, devido a ameaça da redução dos 7 pecados capitais para 6.


 

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