carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

A Tróia de Aquiles

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
A Tróia de Aquiles

Livro Ruim - 1 comentário

  • Leram
    2
  • Vão ler
    0
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    1

Autor: Fernando Carneiro

Editora: Person

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 113

Ano de edição: 2004

Peso: 175 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Ruim
Marcio Mafra
15/11/2005 às 10:00
Brasília - DF

Talvez o mais apropriado seria classificar o livro do Fernando Carneiro, como um ensaio, ou então como auto ajuda. Embora romanceado, o tema não se encaixa como tal, pois fica difícil ao leitor não iniciado, entender - por exemplo - diálogo entre deuses, deusas e outras figuras da rica mitologia grega. Ao narrador cabe encontrar a forma adequada ao que pretende narrar. Isso o Fernando consegue, com muita facilidade. Ao longo da leitura - que é feita em linguagem despojada - percebem-se as lições de ética, de felicidade, de honradez, de fidelidade, assim como os conflitos e angustias de quem se propõe aceitar desafios. Como tema motivacional ou de auto ajuda, passa. Como livro, não. Ao propósito, convém lembrar que em 1948, quando o autor sequer havia nascido, Graciliano Ramos, declarou numa entrevista:








..."Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O autor coloca em evidência Aquiles, narrador da história, de uma forma mais realista e atual àquela mostrada na "ilíada" de Homero, enfatizando seus conflitos internos seja o leitor um amante, um iniciado ou totalmente leigo a mitologia e cultura grega. ...O livro abrange dados e pormenores geográficos, históricos, culturais e filosóficos que descrevem com fidelidade os modelos de conduta e os valores morais da sociedade na época. (transcrito da orelha do livro)

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A Morte. Após o fim da trégua de doze dias, a batalha foi retomada com os ânimos de seus participantes restabelecidos. Após quase dez anos engajado nessa guerra maldita, todos os meus sentimentos conflitantes foram entorpecidos pelo horror incessante. Incerto quanto à extensão da minha loucura, havia sucumbido ao encanto da guerra, acostumado-me a enterrar entes queridos, a matar inocentes e assassinos abomináveis sem distinção de crueldade. Havia me tornado um assassino irreversível, que jamais me adaptaria longe dessa tensão. Precisava matar para acreditar que a ameaça era visível e mensurável, pois, sem um inimigo externo, eu me tornava inútil e desprezível. Os doze dias se passaram lentamente e o vazio no meu coração não era mais nutrido apenas pelo canto dos pássaros ou pelo ritual periódica da maré. O excesso de sangue e a convivência com a morte tinham se tornados indispensáveis ao meu equilíbrio interno. Rezava todos os dias para que o meu destino fosse realmente perecer junto às muralhas de Tróia, pois qualquer outro futuro longe dessa dinâmica era determinantemente inimaginável. Não haveria futuro na minha terra como um cidadão comum e prestativo à sociedade. Estava corrompido. Infectado. Viciado. Tinha me tornado um autêntico herói grego ainda em vida, um líder caricaturesco para o povo, um índice a ser alcançado e superado, um ídolo semelhante aos Deuses para os que ousavam diminuir o poder de Zeus, um alvo para os invejosos. Corriam boatos entre os gregos de que alguns soldados inimigos acreditavam que ser mortos pela minha lança era mais do que uma glória ou dádiva; seria a conquista de um atalho para os Campos Elísios. Indiferente a verdades e mentiras, sempre quando encontrava o reflexo de minha face em algum lago ou rio límpido, sabia que, no fundo, estava fadado a um destino fatídico. Quando os ataques retomaram, eu já lutava e matava com o mesmo sentimento de cumprimento de dever do camponês que colhe o trigo ou do caçador que alimenta sua tribo. Desferia golpes fatais no inimigo, sem mais olhar nos seus olhos ou besuntar suas almas com minha ira. Eu matava para passar o tempo, aguardando que o meu fio de vida se esgotasse e Zeus permitisse que a história tivesse seu final previsível. Rezava para que isso acontecesse todos os dias, sem ~e importar com o número de cabeças que rolariam até o momento definitivo. O ser humano é uma entidade tão maleável que pode se adaptar tanto à luz quanto à sombra. Nos dois extremos ele se anula. Sem a tensão, ele é irrecuperável. A certeza de que Tróia seria facilmente conquistada após a morte de Heitor foi, na verdade, uma enorme ilusão. Assim que a batalha recomeçou, os troianos, apoiados por diversos povos vizinhos, se defendiam com bravura. Indiscutivelmente, todos os dias ganhávamos as batalhas, mas, nos dias seguintes, novos exércitos eram formados e a carnificina se repetia. Nenhum avanço considerável fora conquistado. Os troianos pretendiam vencer o combate pelo cansaço. Não se preocupavam com o número de baixas. O apreço ao indivíduo em particular não era mais uma questão em jogo. Após quase dez anos de luta, nenhum dos dois lados aceitaria a rendição. Tomei conhecimento das amazonas através de um grupo de soldados severamente mutilados. Odisseu já havia me alertado sobre o surgimento de doze mulheres endemoninhadas, lideradas por Pentesiléia, filha do Deus Ares. Formosas e implacáveis, as donzelas causavam danos irreparáveis nas tropas mais adiantadas. No dia seguinte, parti para a batalha com maior sofreguidão. Aparentemente, um adversário à minha altura surgira. Queria conhecê-las e sentir a força de suas espadas. Necessitava de novos desafios, e a história das furiosas guerreiras me deixou muito fustigado. Lanço-me no campo de batalha com uma velocidade assombrosa, impondo o mesmo brio de quando caçava Heitor. Espalho cadáveres por todo o caminho até a cidade, todos mutilados e desfigurados. Queria chegar o mais próximo possível das muralhas de Tróia e encontrar Pentesiléia. Queria me alimentar da sua ansiedade quando me fitasse. Ájax lutava ao meu lado, com ímpeto digno de seu nome. Havia momentos em que era difícil dizer se estava competindo comigo ou me homenageando. De repente ouvimos um fragor de luta aguçada mais ao leste. Atraídos por gritos lancinantes dos soldados gregos, rumamos àquela direção. Os soldados troianos que se defendiam perto da cidade estavam imbuídos com um fulgor de esperança que há muito tempo não sentia. Encontrei Diomedes lutando sozinho para resgatar um grupo de gregos gravemente feridos. A coragem em seus olhos renasceu quando percebeu nossa presença. Além dos soldados troianos, quatro amazonas lutavam com enorme sagacidade. Ájax investiu contra o inimigo e derrubou vários com um único golpe de sua lança. Logo, elas notaram nossa chegada e abandonaram o cerco aos gregos para nos enfrentar.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

No final do primeiro semestre de 2005, estive em São Paulo num seminário sobre "palestras", com a Leila Navarro. Na ocasião o autor era um homenageado ou convidado especial da anfitriã e palestrante Leila Navarro. O livro do Fernando era oferecido à todos os presentes. Comprei por indução.


 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2019
Todos os direitos reservados.