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Alguém Para Correr Comigo

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Alguém Para Correr Comigo

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: David Grossman

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: George Schlesinger

Páginas: 437

Ano de edição: 2005

Peso: 535 g

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Ótimo
Marcio Mafra
15/11/2005 às 22:21
Brasília - DF

Alguém para Correr Comigo além ser um romance também mostra paisagens diferentes da cidade de Jerusalém. O David Grossman consegue mostrar a cidade dos judeus, cristãos e muçulmanos, pelo ângulo do submundo, dos drogados e moradores de rua. Assaf, um simpático menino de 16 anos, que durante suas férias vai trabalhar para a prefeitura, é encarregado de encontrar o dono de um cachorro recolhido pela carrocinha. Depois de muita correria acaba se encontrando com Tamar, uma menina que tenta libertar seu irmão de uma organização criminosa. Alguém para correr comigo é quase uma história poética. A leitura é muito boa. Os capítulos fluem. Os personagens têm atitudes ingênuas e puras. Muito bom. É um livro ótimo, intimista como olhar de cachorro. A foto da capa é mais que sensacional. A visão do focinho do cachorro, induz uma história de carinho e cumplicidade.O final não é surpreendente mas é muito legal.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Assaf, que consegue um emprego na Prefeitura de Jerusalém e seu primeiro serviço é encontrar o dono de um cachorro que foi recolhido pela carrocinha.....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um cão galopa pelas ruas, e atrás dele corre um rapaz. Uma longa corda une os dois e se embaraça nas pernas das pessoas, que ficam passando de um lado a outro, e se irritam e xingam; o rapaz murmura sem parar: "Desculpe, desculpe", e, em meio às desculpas, grita para o cachorro: "Pare! Stop!", e uma vez, cúmulo da vergonha, escapa-lhe também um "Porra!". E o cachorro continua correndo. ..."Mas como é que eu posso…", objetou Assaf, "olhe só para ele… ele parece meio louco…" E então aconteceu: o cão ouviu a voz de Assaf. Parou de repente. Cessou de investir contra o cercado. Aproximou-se devagar e fitou Assaf. Suas costelas ainda arfavam intensamente, mas os movimentos se tornaram mais vagarosos, seus olhos pareciam muito profundos e concentrados. Virou a cabeça para o lado, como se estivesse considerando o comentário de Assaf, e Assaf pensou que o cão ia abrir a boca para dizer numa voz perfeitamente humana: Louco é você! O cão se ajoelhou e em seguida se deitou sobre a barriga, inclinou a cabeça, e suas patas dianteiras se enfiaram debaixo do cercado, num movimento de cavar, como se estivesse suplicando, e da sua garganta escapou um som novo, fino e agudo, como um choro de filhote, ou de criança. Assaf se agachou diante dele, do outro lado do cercado. Ele o fez sem perceber. Até mesmo Danoch, sujeito duro, que havia arranjado o trabalho para Assaf sem muito prazer, sorriu levemente ao ver como Assaf se ajoelhou num piscar de olhos. Assaf olhou para o cão e falou calmamente com ele: "A quem você pertence? O que aconteceu com você? Por que está tão agitado?". Falou devagarinho, deixando espaço para as respostas, sem perturbar o cão com olhares prolongados demais. Ele sabia—o namorado de sua irmã Réli lhe havia ensinado—a diferença entre falar para o cão e falar com o cão. O cão resfolegava, permanecia deitado, e então, pela primeira vez, pareceu frágil, cansado, menor do que parecera até então. Finalmente fez-se silêncio no canil, e os outros cães começaram a circular em seus cercados e voltar à vida. Assaf enfiou um dedo por uma das brechas do cercado e tocou sua cabeça. O cão não se mexeu. Assaf acariciou com o dedo o pêlo, que estava sujo e pegajoso. O cão começou a choramingar intensamente, incessantemente, como se estivesse ansioso. Como se precisasse contar alguma coisa para alguém, algo que não conseguia mais guardar só para si. Sua língua vermelha tremia, seus grandes olhos cheios de ansiedade. E, por causa desse momento, Assaf não discutiu mais com Danoch, que rapidamente aproveitou a calma do cachorro, entrou no cercado e amarrou uma corda comprida à coleira laranja, oculta no emaranhado de pêlos. "Vamos, pegue-o", ordenou Danoch, "agora ele irá com você como um bonequinho", e recuou um pouco ao ver de repente o cão do lado de fora do cercado, como se, de um momento para o outro, ele tivesse se livrado de todo o cansaço e submissão, olhando para os lados com irritação renovada e farejando o ar como se tentasse escutar alguma voz longínqua. "Veja só, vocês dois já estão se entendendo", Danoch tentava convencer a Assaf e a si mesmo. "Você só precisa tomar cuidado quando estiver andando com ele pela cidade, eu prometi ao seu pai." As últimas palavras sumiram na sua garganta. Nesse ínterim, o cão tinha ficado concentrado e alerta. Sua expressão se tornara aguçada, e por um momento ele pareceu um lobo. "Escute", murmurou Danoch com um leve remorso, "tudo bem se eu mandar você com ele desse jeito?" Assaf não respondeu. Apenas observou surpreso a mudança que ocorrera no cachorro ao se ver livre. Danoch o agarrou de novo pelo cotovelo: "Você é um rapaz forte, e sabe disso, é mais alto que eu e que seu pai; vai conseguir controlá-lo, não vai?". Assaf quis perguntar o que deveria fazer se o cão não o conduzisse ao dono, e até quando teria de ficar correndo atrás dele, (no refeitório, sobre a mesa, estavam à sua espera os três sanduíches do almoço); e se o cachorro tivesse brigado com os donos, e não tivesse a menor intenção de voltar para casa… Essas perguntas não foram feitas naquele momento, nem nunca mais. Assaf não voltou a se encontrar com Danoch naquele dia, e tampouco nos dias seguintes. Às vezes é tão fácil determinar o instante exato em que algo—a vida de Assaf, por exemplo—começa a se modificar, inconscientemente, irreversivelmente, para sempre. Pois assim que a mão de Assaf se fechou em torno da corda, o cão se arrancou de seu lugar com um impulso súbito, arrastando Assaf consigo. Danoch esticou o braço, assustado, conseguindo ainda dar um ou dois passos atrás do impotente Assaf, chegando mesmo a correr atrás dele—mas tudo isso não adiantou nada. Assaf já percorria velozmente o estreito corredor da prefeitura, tropeçando pelos degraus, saindo desenfreado para a rua. Depois colidiu contra um carro estacionado, contra uma lata de lixo, contra os transeuntes. Ele corria.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei este livro por ocasião da Bienal do Livro, em maio de 2005, no Rio de Janeiro.


 

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