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Vermelho Brasil

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Vermelho Brasil

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Jean-Cristophe Rufin

Editora: Objetiva

Assunto: Romance

Traduzido por: Rouge Brésil

Páginas: 406

Ano de edição: 2002

Peso: 700 g

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Ruim
Marcio Mafra
06/11/2005 às 21:44
Brasília - DF

Nicolas Villegagnon é o personagem principal do Vermelho Brasil. Trata-se de um romance baseado em fatos reais. Historicamente, consta que em 1555 o personagem fundou a França Antártica, numa ilha situada em frente à baia da Guanabara. O livro, enquanto relata fatos históricos é interessante, senão curioso. Quando romanceia a história, vira uma sopa literária de gosto duvidoso. Dois anti heróis, o menino Just e sua irmã Colombe, são embarcados com a expedição, ambos vestidos de meninos, para aprenderem a língua dos indígenas e assim facilitar a vida dos marujos de Villegagnon. O seu embarque precedeu um dramalhão: uma revoltada senhora, encarregada da criação das crianças que eram órfãos e disso não sabiam, as entrega a um auxiliar de Villegagnon, iludindo as crianças com a esperança de que as mesmas poderiam encontrar o seu pai no lugar de destino da viagem. Esta passagem parece coisa de folhetim.


Uma outra passagem do texto, completamente surreal, no capitulo 10, quando Ruppert - um escocês - que pertencia à guarda pessoal do Villegagnon - passeava pela praia, onde fora tocar sua gaita. " ....não resistia ao pequeno prazer de voltar àquele lugar da praia onde encalhara uma baleia. O enorme animal já estava lá algum tempo. Sua pela secara ao sol e começava a rachar. Era fácil, agarrando-se à barbatanas, subir na cabeça. Rupert gostava de tocar ali, naquela espécie de rochedo negro. Olhava a baía e desde que evitasse a silhueta muito reconhecível de pão de açúcar, quase se julgava na Escócia....."


É um texto maravilhosamente bobo e vazio. Tanto pode ser porque o autor se insinua como grande literato, ou, se é apenas questão de má tradução. A pérola ainda vai mais além.


"....Ruper estava feliz por ter podido tocar à vontade. Soltou o bico da gaita e preparava-se para desmontá-lo quando duas mãos vigorosas o derrubaram para trás. A ultima visão de Rupert no céu foi uma grande couve-flor branca que ele nunca comeria. No mesmo instante uma lâmina experiente o degolou...."


Parece filme de terror. Só que o parágrafo não liga à nada. Ao ler um livro tão asqueroso, cuja orelha afirma que Vermelho Brasil é um sucesso de vendas em toda a Europa, já tendo vendido mais de 500 mil exemplares, remete o leitor ao mestre Millor Fernandes ...."os estrangeiros, porém, todos escrevem best-sellers que vendem bastante e fracassos totais que vendem ainda mais..."


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Nicolas Durand de Villegagnon, que em 1555 fez uma viagem ao Rio de Janeiro, em nome do Rei da França. Ele pretendia conquistar as terras da Colônia Portuguesa e implantar, aqui, a França Antártica.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

- Atenção, seu asno - gritava Villegagnon partindo pata o ataque. O plastrão de couro que Just vestia recebera o quarto golpe. - É que ao mesmo tempo... - Justamente - esbravejava o almirante. - É ao mesmo tempo em que você luta que é preciso responder. Vamos, avance e recite: "Se vês teu próximo sofrer, por que tua alma não sofre?" - "Porque está morta." Capítulo 1. - Bem, endireite-se! Pé atrás. Aí. E a quem você não deve se dirigir para renascer para a vida cristã? - "Aos monges que são rancorosos e... irascíveis e muito... orgulhosos de seus méritos." Capítulo 2. Touché, mas no fim, estava melhor. Just estava encharcado de suor. Seus pés descalços afundavam na areia fina da praia e ele tinha que fazer muita força para esquivar-se desse almirante diabólico. Vinte colonos, sentados em cepos, seguiam a aula de longe e acompanhavam cada investida de gritos. - Em guarda! Onde podemos então encontrar a salvação e nosso alimento espiritual. - Na lei divina tal como nos é revelada pelas letras sagradas e profanas,capítulo 4. - Quer dizer? - "São Paulo, santo Agostinho, Didnísio o Aeropagita, Orígenes..." -E? - "... Platão." - Muito bem, endireite-se. O homem é bom? - "Sim, já que é obra de Deus." - O homem é livre? - "Sim, já que é criado à imagem de Deus." - Perfeito! Touché!Basta por hoje de manhã. Villegagnon foi até Just, pegou de volta sua espada e o plastrão e, dando-lhe o braço, subiu com ele para as palhoças. No cume da ilha, nas áreas terraplenadas, começava a aparecer o desenho do forte. - Você leu Erasmo como se deve ler e vou lhe dar outro livro. Diga-me só... Ele parou e fitou Just com seu olhar temível. - Por que isso tudo não lhe interessa? - O quê? - O que lhe ensino. - Interessa, sim - protestou Just sem convicção. O almirante não conteve o braço e sacudiu-o. - Não minta. Aos olhos tristes que o perscrutavam, Just não procurou se esconder. Assumiu um ar orgulhoso e desafiador. - Você não se parece com seu pai - resmungou Villegagnon soltando-o e retomando sua marcha. - Mas, assim mesmo, é todo ele. Esse orgulho! Just sentiu o coração bater mais forte que minutos antes, quando pulava, espada na mão. Tinha uma vontade louca de saber, de afastar os escrúpulos e fazer as perguntas que o consumiam, mas a palavra orgulho... - A última vez que o vi - disse o almirante com um ar pensativo -, foi em Veneza, em casa de Paul Manuce, filho de Alde, que recuperou a tipografia do pai. Foi em 1546, eu voltava da Hungria onde havia lutado contra os turcos. - E ele? - deixou escapar Just que não agüentava mais. - Vê como você é muito curioso quando o assunto lhe interessa? - disse Villegagnon lançando-lhe um olhar de esguelha. - Seu pai estava a caminho de Roma, para onde fui pouco tempo depois. Mas ele estava a serviço dos Médicis, enquanto eu era um homem dos Strozzi. Por pouco não lutamos um contra o outro. Eis a verdade, compreende? - Sim - respondeu Just. - Bem, não, não compreende nada. Eles haviam chegado ao limite dos coqueiros e o alinhamento dos cepos, saindo da areia cinza, evocava um cemitério de tumbas monumentais. Villegagnon parou. - Não sabe como admirei esse homem... O gigante continuava abraçado às espadas e ao avental de couro. - Cheguei à Itália há trinta anos e, acredite, estava imbuído das velhas tradições de nossa cavalaria onde o homem é destruído pelas vigílias e as orações, cheio de cicatrizes, e não se cuida nada. Meu primeiro choque eu tive em Florença, quando vi o David de Michelangelo e o Batismo de Cristo de Sansovino. Assim, apesar da tradição de Adão, a idéia de Deus estava sempre presente no homem e bastava cultivá-la. O homem idealmente belo, obra-prima de seu criador, o homem de bem que se distingue nas armas e nas artes, o homem bom, calmo, sereno, elegante, senhor de si, podia tornar-se um ideal. Para seguir seus pensamentos, Villegagnon olhava ao longe, na direção de uma longínqua nuvem redonda, imóvel no céu. - O segundo choque tive quando conheci seu pai. Pois eu jamais vi ninguém que tivesse chegado tão perto dessas perfeições, a ponto de quase as atingir. Ele pareceu de repente voltar a si e olhou para Just. - Digo quase porque mesmo assim ele não deixava de ter defeitos, como os acontecimentos seguintes deviam provar. Mas isso é outra história. Por ora, quero lhe dizer simplesmente isso: seja no que for que você tenha acreditado, não tenho nada a ver com seu embarque para as Américas. Em algumas frases, contou-lhe o que sabia das nebulosas manobras de família que redundaram em sua partida para Clamorgan. - E agora, para responder à pergunta que você está louco para me fazer mas que seu orgulho não deixa, ouça .esta simples verdade: não encontrará seu pai aqui, pois ele não está aqui, nem jamais esteve e jamais estará. - Por que nos mentiu? - exclamou Just que ficara furioso ao ter confirmados seus pressentimentos e não tinha como desafogar a raiva senão em Villegagnon. - Retire essa palavra, sim? - esbravejou o almirante. - Eu apenas escolhi o momento adequado para lhe anunciar a verdade. Tivesse eu feito isso no barco, você teria apenas o espetáculo do mar para consolá-lo. Agora, olhe à sua volta. Villegagnon abriu os braços e mostrou de sul a norte toda a extensão suntuosa da baía com seu luxuriante pousio de florestas e toda a majestade de seus morros. - Você tem à sua frente a França Antártica. Tudo está por construir, tudo está por conquistar. Depois, inclinando o comprido nariz para o rapaz, acrescentou: - Tudo é seu. - Ele morreu? - perguntou Just. -Sim. O ar abafado já subia da mata com o vento sul e grandes andorinhas-do-mar brancas. Just olhou para o continente. O mistério que se misturava a essas escarpas de floresta dissipara-se como um vapor. As cores estavam mais nítidas e mais cruas. Ainda que fossem povoados de vida, esses espaços de agora em diante pertenciam à solidão. Villegagnon virara-se para não ver as lágrimas dele e talvez para dissimular as suas. Em seguida, após um abraço, brusco e desajeitado, afastou-se. - Vá trabalhar e antes de anoitecer passe para pegar o Commentariolus de Copérnico. Just olhou desaparecer o grande vulto encurvado, um tanto empenado. Ficou um momento idiotizado, escutando estupidamente o marulho chiado das pequenas ondas. Just sentia com espanto que, após ter conseguido de uma hora para outra tantas novas razões para querer partir, também de uma hora para outra perdera a vontade de fazê-lo...


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Comprei este livro, por ter lido alguma crítica favorável e quando verifiquei que o autor, Jean-Cristophe Rufin havia ganho o "Prêmio Goncourt de Literatura", na França, em 2001.


 

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