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Raízes do Brasil

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Raízes do Brasil

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Sérgio Buarque de Holanda

Editora: Nova Aguilar

Assunto: Sociologia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 1866

Ano de edição: 2002

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Excelente
Marcio Mafra
15/07/2005 às 17:37
Brasília - DF

Raízes do Brasil, livro de 206 páginas, contidas no volume 3, da coleção Intérpretes do Brasil. Começa na pagina 899 até 1091. Mesmo publicado em 1936, ainda hoje, o Raízes do Brasil figura como um extraordinário livro de história, acessível ao jornalista, ao estudante, ao sociólogo ou a quem queira tomar conhecimento das raízes da nação e do povo brasileiro. Seu livro está na categoria dos livros de Mestre, como Euclides da Cunha, Oliveira Viana, Caio Prado Junior, Florestan Fernandes e Gilberto Freyre, para citar apenas os mais votados, entre os historiadores e sociológicos de nome e sobrenome. Trata com inteligência e argúcia da colonização das Américas, comparando as diferenças entre os colonizadores de Portugal e Espanha. Conta que está na origem colonial a frouxidão das instituições e a pequenez social dos brasileiros. Ao longo do livro, ele analisa a influência rural na formação econômica da sociedade validando o conceito de que "as cidades eram dependentes do negócios agrícolas." Também estuda a abolição da escravatura e suas influências econômicas e sociológicas no suprimento da mão-de-obra nas lavouras. Depois, completa seu extraordinário ensinamento, no sentido de que as revoluções políticas ou militares nunca fizeram grande diferença porque sempre resultaram num processo que serve aos interesses tanto dos "vencidos" como dos "vencedores." É um livro que analisa bem a identidade nacional, na qual apresenta a essência do homem brasileiro, pelo conceito do “brasileiro cordial”. Livro de mestre.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

“Raízes do Brasil”, é a obra mais célebre de Sérgio Buarque de Holanda,historiador e pai da sociologia brasileira, onde ele explica as origens dos problemas nacionais e as raízes da nação. Descreve o homem brasileiro como um “ser cordial”, que age pelo coração e pelo sentimento, preferindo as relações pessoais ao cumprimento das leis.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Persistência da Lavoura de Tipo Predatório.É significativo o testemunho de um observador norte-americano, R. Cleary, que, durante os últimos vinte e poucos anos da monarquia brasileira, exerceu sua profissão de médico em Lajes, Santa Catarina, tendo imigrado em conseqüência da Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Em obra ainda inédita, cujos manuscritos se encontram na Library of Congress, em Washington, oferece Cleary o seguinte depoimento acerca dos colonos alemães em São Leopoldo que, afirma, nada trouxeram de novo ao país adotivo e se limitaram a plantar o que os brasileiros já plantavam e do mesmo modo, primitivo e grosseiro: Conheci um irlandês em Porto Alegre que tentou introduzir o uso geral do arado entre os alemães. Não obteve o menor resultado, pois os colonos preferiam recorrer a enxadas ou pás e, na grande maioria dos casos, a simples cavadeiras de pau, com o que abriam covas para as sementes. Este último pormenor requer explicação: nossos próprios trabalhadores rurais ficarão sem dúvida estarrecidos se eu lhes disser que a lavoura aqui é feita, em geral, com o auxílio de enxadas, mais raramente de pás - e isso mesmo onde o lavrador é suficientemente esclarecido para resistir ao hábito corrente, que consiste em fazer abrir as covas com auxílio de um simples pedaço de pau, a fim de nelas se colocarem as sementes. É verdade, como acima se disse, que alguns, muito poucos, se socorrem de pás; estas, porém, não passam de pobres sucedâneos para o grande símbolo da civilização, a última palavra de Tubalcain (o salvador do mundo) que é o arado. De então para cá, a aquisição de técnicas superiores, equivalente a uma subversão dos processos herdados dos antigos naturais da terra, não caminhou na progressão que seria para desejar. Pode-se dizer que o desenvolvimento técnico visou, em geral, muito menos a aumentar a produtividade do solo do que a economizar esforços. Por outro lado, é inegável, entretanto, que, vencida a etapa inicial e pioneira, onde aqueles processos primitivos se apresentam quase como uma fatalidade, os descendentes dos colonos alemães ou italianos se mostraram, em regra, mais bem dispostos do que os luso-brasileiros a acolher as formas de agricultura intensiva fundadas sobre métodos aperfeiçoados. Essas observações colocam-nos em face de um problema que toca de perto a matéria aqui tratada. Por que motivo, no Brasil, como aliás em toda a América Latina, os colonizadores europeus retrocederam, geralmente, da lavoura de arado para a de enxada, quando não se conformaram simplesmente aos primitivos processos dos indígenas? No curso do presente trabalho procurou-se indicar como à escassa disposição dos imigrantes ibéricos para as lides agrícolas se deve, em grande parte, semelhante situação. Mas o fato de os colonos europeus de outras procedências não se mostrarem, apesar de tudo, muito mais progressistas nesse particular do que os portugueses e espanhóis indica que, ao lado do motivo mencionado, deveriam militar no sentido de atual regressão outros e ponderáveis fatores. O assunto constituiu objeto de um cuidadoso inquérito do Dr. Herbert Wilhelmy que, publicado na Alemanha durante os anos da guerra, não chegou a encontrar a repercussão merecida. Mostra-se nesse trabalho como o recurso às queimadas deve parecer aos colonos estabelecidos em mata virgem de uma tão patente necessidade que não lhes ocorre, sequer, a lembrança de outros métodos de desbravamento. Parece-lhes que a produtividade do solo desbravado e destocado sem auxílio do fogo não é tão grande que compense o trabalho gasto em seu arroteio, tanto mais quanto são quase sempre mínimas as perspectivas de mercado próximo para a madeira cortada. Opinião ilusória, pensa Wilhelmy, pois as razões econômicas em que se apóia este ou aquele método de trabalho não dependem apenas dos gastos que se façam necessários para seu emprego. Muito mais decisivo seria o confronto entre o rendimento de um hectare preparado por outros processos. E semelhante confronto revela, por exemplo, que "a colheita do milho plantado em terra onde não houve queimada é duas vezes maior do que em roçados feitos com auxílio do fogo". Além de prejudicar a fertilidade do solo, as queimadas, destruindo facilmente grandes áreas de vegetação natural, trariam outras desvantagens, como a de retirar aos pássaros a possibilidade de construírem seus ninhos. E o desaparecimento dos pássaros acarreta o desaparecimento de um importante fator de extermínio de pragas de toda espécie. O fato é que, nas diversas regiões onde houve grande destruição de florestas, a broca invade as plantações de mate e penetra até à medula nos troncos e galhos, condenando os arbustos a morte certa. As próprias lagartas multiplicam-se consideravelmente com a diminuição das matas. Seja como for, os colonos alemães, que há sessenta anos empregaram recursos menos devastadores do que as queimadas, tiveram de acomodar-se, finalmente, ao tradicional sistema brasileiro, pois - diz um depoimento da época - revolvendo-se o solo para arrancar as raízes, sobem à superfície corpúsculos minerais que entravam o crescimento das plantas. Uma vez efetuado o desbravamento inicial, nada impediria o emprego do arado, que os colonos deviam conhecer de seus países de origem. Tal não se deu, entretanto, salvo em casos excepcionais. E o único desses casos excepcionais que pôde registrar é o dos menonitas canadenses e russos de ascendência alemã, que entre 1927 e 1930 se estabeleceram nas campinas do Chaco paraguaio. Estes não só vieram com firme deliberação de praticar a lavoura de arado sobre grandes extensões, como ainda, e por motivos de fundo religioso, se mostraram adversos ao sistema das queimadas. A ponto de se terem recusado a admitir a possibilidade, quando esta surgiu mais tarde, de uma transferência para as áreas florestais brasileiras do estado de Santa Catarina. Duas causas explicam suficientemente, para Wilhelmy, a persistência dos métodos mais primitivos de lavoura nas colônias alemãs do Sul do Brasil. A primeira está em que essas colônias se acham distribuídas, em sua maioria, ao longo da região serrana e ocupam encostas de morro, em direção aos vales. A própria conformação do terreno proíbe, nesses casos, o emprego do arado. Por outro lado, parte dos colonos instalados em planícies acabou lavrando suas terras à maneira européia. Mas nem todos. Muitos permaneceram e ainda permanecem fiéis à enxada e somente à enxada. A razão está - é esta a segunda causa invocada para explicar a persistência dos processos primitivos - em que a experiência de vários lavradores mostrou como o emprego do arado é muitas vezes contraproducente em certas terras tropicais e subtropicais. Muitos colonos, dos mais progressistas, tiveram de pagar caro por semelhante experiência, como sucedeu, por exemplo, aos de Nueva Germania, núcleo fundado em 1887, no Norte do Paraguai. Destes, os que não se arruinaram precisaram voltar à lavoura de enxada e não tencionam mais abandoná-la, pois estão plenamente convictos de que um solo florestal pode ser destruído não só pelo fogo, mas também pelo arado. Tais malogros não deveriam interpretar; se, todavia, como um convite à inércia e à persistência de hábitos rotineiros, mas ao exame prévio das peculiaridades de cada solo, antes de se introduzirem aperfeiçoamentos na técnica agrária. As mencionadas experiências parecem indicar apenas que o trabalho do arado se toma prejudicial quando a relha revolve tão profundamente o solo que chega a sepultar a tênue camada de húmus sob terras pobres, isentas de microrganismos e, em geral, das substâncias orgânicas necessárias ao desenvolvimento das plantas cultivadas. Estudos efetuados em outros continentes tendem a corroborar as observações feitas por Sapper e Wilhelmy na América tropical. Assim, quando uma grande fábrica de tecidos de Leipzig tratou de promover em Sadani, na África Central, plantações de algodão segundo métodos modernos, utilizando para isso arados que lavravam a terra numa profundidade de 30 a 35 centímetros, a conseqüência foi um imediato e desastroso decréscimo na produtividade. Reconhecida a causa do insucesso, passou-se a praticar uma aradura de superfície, com os melhores resultados. Como explicar, no entanto, que os jesuítas, nas suas missões do Paraguai, tenham introduzido, desde o começo, e, com bom êxito, a lavoura de arado? A razão deveria estar em que os arados trazidos pelos espanhóis para suas possessões americanas lavravam, em geral, a pouca profundidade. Sapper informa-nos que, nesse ponto, não se distinguiam muito da tadla ou arado de pé dos antigos quíchuas: a criação mais avançada da técnica agrária da América pré-colombiana. Sua vantagem estava em que, num mesmo prazo, lavravam áreas duas e três vezes, maiores. Por uma descrição datada de meados do século XVIII sabemos que os toscos arados de madeira usados nas missões jesuítas penetravam no solo apenas um quarto de vara e, sem embargo, tudo quanto ali semeavam crescia bem. Cresceria melhor e daria frutos mais copiosos, sustentava o padre Florian Paucke, julgando certamente segundo padrões europeus, se, à maneira dos arados de ferro, cortassem mais fundo e revolvessem a terra "como ocorre em nossos países alemães". A América portuguesa mal chegaram esses e outros progressos técnicos de que desfrutaram os índios das Missões. A lavoura entre nós continuou a fazer-se nas florestas e à custa delas. Dos lavradores de São Paulo dizia, em 1766, D. Luís Antônio de Sousa, seu capitão-general, que iam "seguindo o mato virgem, de sorte que os Fregueses de Cutia, que dista desta Cidade sete léguas, são já hoje Fregueses de Sorocaba, que dista da dita Cutia vinte léguas". E tudo porque, ao modo dó gentio, só sabiam "correr trás do mato virgem, mudando e estabelecendo seu domicílio por onde o há".


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Judith e Marco Aurélio Cerqueira, me presentearam no aniversário de 2004, com a coleção de história, Intérpretes do Brasil, em três bem nutridos volumes.


 

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