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Retrato do Brasil

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Retrato do Brasil

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Autor: Paulo da Silva Prado

Editora: Nova Aguilar

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 1383

Ano de edição: 2000

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Ótimo
Marcio Mafra
14/07/2005 às 14:57
Brasília - DF

Retrato do Brasil, livro de 104 páginas, contidas no volume 2, da coleção Intérpretes do Brasil.


Inicia na pagina 2 e vai até a 99.


O que mais destaca no "Retrato do Brasil" é a convicção do autor que o homem brasileiro é pessimista. Silva Prado "pinta seu quadro" com as cores da tristeza, do imobilismo, da fatalismo, características vez ou outra atribuída aos portugueses. Assim o autor começa o seu livro: ..." Numa terra radiosa vice um povo triste..." Paulo Prado provocou muito impacto na época da publicação do Retrato do Brasil porque foi o primeiro intelectual a dizer (e escrever) que "o Brasil era a terra da preguiça, dos feriados, do amanhã, do tenha paciência, do carnaval, da palavra não cumprida, da vida contemplativa." A sensualidade, a lascívia, a luxúria e libidinagem aparece em todo o texto. A leitura é leve. O tema bastante pesado.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Retrato do Brasil é um quadro de autor impressionista da alma brasileira, com cores densas, sensuais, fortes e vibrantes, pintado no ano de 1928.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Dos três nomes de destaque na história da colonização, só o de Jerônimo de Albuquerque é de família e crônica conhecidas. Dos outros dois não sabemos quando e como aportaram a nossas praias. Náufragos, desertores, degredados? Nesse mistério são, entretanto, simbólicos: representam o insinuante domínio do branco sobre a indiada que o acolhia no engano dos primeiros encontros. Contêm em embrião quase todos os elementos da sociedade posterior. Era ainda o período idílico e heróico, em que o colono aqui chegava isolado no individualismo da época, e misturava-se com o indígena de quem aprendia a língua e adotava os costumes. Havia, porém, falta completa de mulheres brancas. Das diferentes expedições que percorreram no primeiro quartel do século XVI o litoral da colônia, em nenhuma se assinala a presença de casais ou de mulheres solteiras. Este fato, que se verifica também em algumas regiões do Prata, dá uma feição especial à conquista e povoamento do Brasil. A concubinagem tornou-se uma regra geral, trazendo como resultado a implantação da mestiçagem na constituição dos tipos autóctones que povoaram desde logo esta parte do Novo Mundo. O clima, o homem livre na solidão, o índio sensual, encorajavam e multiplicavam as uniões de pura animalidade. A impressão edênica que assaltava a imaginação dos recém-chegados exaltava-se pelo encanto da nudez total das mulheres indígenas. A própria carta de Caminha diz bem a surpresa que causou aos navegadores o aspecto inesperado das graciosas figuras que animavam a paisagem. Em meio dos grupos pitorescos que apareciam nas praias, andavam entre eles três ou quatro moças bem "novinhas e gentis, com os cabelos muito pretos e compridos pelas espáduas; e suas vergonhas tão altas e tão cerradinhas, e tão limpas de cabeleiras que, de as muito bem olharmos não se envergonhavam", escrevia Pero Vaz. E acrescenta que "uma daquelas moças toda tingida de fundo acima... E certo tão bem-feita e tão redonda, e sua vergonha (que ela não tinha) tão graciosa que muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhes tais feições, envergonhavam, por não terem as suas como ela". Trinta anos mais tarde ainda outro cronista se extasia diante da beleza das mulheres do Brasil "mui formosas, que não hão nenhuma inveja às da Rua Nova de Lisboa". Depois dos longos dias continentes da travessia, o mundo novo, com essas aparições gentis, devia ser certamente o paraíso. Explica-se assim que da frota de Cabral cinco tripulantes desertassem atraídos pela visão de uma existência edênica, além dos degredados que na praia deixou o almirante, e que em alto choro assistiram à partida das naus em caminho das índias. Cerca de um século mais tarde confessa o francês Simão Luís, das Confissões da Bahia, que com dez anos de idade fugira do navio em que chegara ao Brasil, internando-se com o gentio no sertão desconhecido. A extrema mocidade de muitos desses emigrantes é um traço característico da época e da gente. Como esse obscuro Simão Luís, Cortez embarcara para a América aos 19 anos de idade; Cieza de León, aos 13, e Gonçalo de Sandoval, capitão de Cortez, apenas tinha 22. Estácio de Sá, entre nós, já era governador aos 17 anos, segundo uma informação jesuítica. À sedução da terra aliava-se no aventureiro a afoiteza da adolescência. Para homens que vinham da Europa policiada, o ardor dos temperamentos, a amoralidade dos costumes, a ausência do pudor civilizado - e toda a contínua tumescência voluptuosa da natureza virgem - eram um convite à vida solta e infrene em que tudo era permitido. O indígena, por seu turno, era um animal lascivo, vivendo sem nenhum constrangimento na satisfação de seus desejos carnais: "Tomam tantas mulheres quantas querem, e o filho se junta com a mãe, e o irmão com a irmã, e o primo com a prima, e o caminhante com a que encontra: vivem secundum naturam" - escrevia Vespucci a Lorenzo dei Mediei. Voltava-se à simples lei da natureza, e à fantasia sexual dos aventureiros, moços e ardentes, em plena força, prestava-se o gentio. Um dos mais sagazes observadores do século, Gabriel Soares de Sousa, escrevia, referindo-se aos tupinambás: Do contato dessa sensualidade com o desregramento e a dissolução do conquistador europeu surgiram as nossas primitivas populações mestiças. Terra de todos os vícios e de todos os crimes. Segundo o próprio testemunho dos escritores portugueses contemporâneos, a imoralidade dos primeiros colonos era espantosa, e excedia toda medida. Nessa terra [escrevia o padre Manuel da Nóbrega"] há um grande pecado, que é terem os homens quase todos suas negras por mancebas, e outras livres que pedem aos negros por mulheres, segundo o costume da terra, que é terem muitas mulheres. E estas deixam-nas quando lhes apraz, o que é grande escândalo... Três anos mais tarde dizia o mesmo jesuíta ao rei de Portugal: Já que escrevi a V.A. a falta que nesta terra há de mulheres com que os homens se casem e,vivam em serviço de Nosso Senhor, apartados dos pecados em que agora vivem, mande V.A. muitas órfãs, e se não houver muitas, venham de mistura delas e quaisquer, porque são tão desejadas as mulheres brancas cá, que a quaisquer farão cá muito bem à terra, e elas se ganharão, os homens de cá apartar-se-ão do pecado. Dos 'bandeirantes paulistas escrevia Montaya: "las mujeres de buen parecer, casadas, solteras ó gentiles, el duerlo tas ,encerrâba consigo en um aposento, con quien pasaba las noches al modo que un cabrón en un curral de cabras". No mesmo século, testemunhava o padre Simão de Vasconcelos: "Os costumes dos portugueses, moradores que então se achavam nestas vilas, vinham a ser quase como os dos índios; porque sendo cristãos, viviam a modo de gentios; na sensualidade, era grande a sua devassidão, amancebando-se ordinariamente de portas adentro com as suas mesmas índias, ou fossem casadas ou solteiras." Cento e tantos anos mais tarde ainda dessa lascívia brutal, monstruosa e desenvolta, se queixava o padre João Daniel, ajuntando que os homens dela usavam "sem temor de Deus nem do pejo". Não era um vício excepcional na história da conquista da América. Conhecemos o harém que seguia o exército de Cortez, composto de 20 raparigas, todas "sefíoras y hijas de principales". Os conquistadores espanhóis do século XVI viviam num regime de poligamia muçulmana. Todo soldado ou encomendero tinha o seu gineceu em que reunia pelo menos três mulheres. No Paraguai e no Prata se elevava freqüentemente a 20 o número dessas concubinas, seguindo os exemplos de Irala, Vergara, Nufio de Chaves e outros do Sul do continente. Nem pareçam entre nós suspeitas as informações que a respeito nos vêm dos padres da Companhia, sempre em luta com os colonos. Os arquivos da Torre do Tombo forneceram os preciosos documentos da Primeira visitação do Santo Ofício às partes do Brasil, de 1591-1592. É um quadro impressionante do começo de sociedade que era a Bahia nesse findar de século. É também no segredo inquisitório a mostra minuciosa e completa das mais baixas paixões, que só parece devam existir na decadência das civilizações. Grande número dessas confissões, 45 em 120, referem-se ao pecado sexual. Na população relativamente escassa da cidade do Salvador e do seu recôncavo a repetição dos casos de anormalidade patológica põe claramente em evidência em que ambiente de dissolução e aberração viviam os habitantes da colônia. São remóis, franceses, gregos, e a turba mesclada da mestiçagem - mamalucos, curibocas e mulatos - trazendo ao tribunal da Inquisição os depoimentos dos seus vícios; sodomia, tribadismo, pedofilia erótica, produtos da hiperestesia sexual a mais desbragada, só própria em geral dos grandes centros de população acumulada. Sodomita, esse vigário de Matoim, de 65 anos, cometendo atos desonestos com mais de 40 pessoas, ou esse outro clérigo, Frutuoso Álvares, "homem velho que já tem as barbas brancas", pederasta passivo, assim como o cônego Bartolomeu de Vasconcelos, apaixonado pelos negros de Guiné; e o sodomita incestuoso Bastião de Aguiar, menor de 16 anos que se ajuntava com o irmão mais velho e com um bacharel de artes, natural do Rio de Janeiro; e Lázaro da Cunha, mamaluco, que vivera cinco anos entre os tupinambás, "despido e tingido", praticando com as índias o pecado nefando; e o cristão-novo Diogo Afonso, encontrando-se com o seu cúmplice Fernão "pelos campos e ribeiras"; e João Queixada, morador em casa do governador D. Francisco de Sousa e que dormia em Lisboa com os pajens do deão da Sé. Tríbade, essa famosa Felipa de Sousa, que conhecia como uma Safo parisiense a arte de "falar muitos requebros e amores e palavras lascivas melhor ainda do que se fora um rufião à sua barregã" e que conseguiu penetrar, para saciar o vício, num mosteiro de monjas; tríbade também Luísa Roiz, que perseguia na sua fúria as negras da cidade. Pedófilo, o cônego Jácome de Queirós, deflorador de uma pequena mamaluca de seis anos, que vendia peixe pelas ruas; sacrílego erótico, Fernão Cabral de Taíde, que queimara viva uma escrava índia, grávida, e escolhera a igreja de Jaguaripe para os seus ajuntamentos e que diante de uma repulsa declarava, "trocendo os bigodes", que isso tudo eram "carantonhas", que uma bochecha d'água lavava; culpado de bestialidade, Heitor Gonçalves, confessando que sendo menino, de 8 a 14 anos e pastor de gado, "nesse tempo dormira carnalmente por muitas vezes em diversos tempos e lugares com muitas alimárias: ovelhas, burras, vacas, éguas etc." e afinal, notável pela sua posição social, o capitão Martim Carvalho, tesoureiro de rendas, amancebado publicamente com um jovem que o acompanhava nas entradas pelo sertão. Esse, tão escandaloso, que fora recambiado para o Reino por pecado de sodomia. Em meio dessas "sujidades", como dizia Gabriel Soares, chega a destacar-se pela sadia normalidade de suas proezas amorosas Domingos Fernandes, por alcunha o Tamacuana, mamaluco bandeirante de Pernambuco, companheiro de Antônio Dias Adorno, e que simboliza toda a sua época, meio bárbaro, meio civilizado, tatuado de urucu e jenipapo, venerador do Papa das "santidades" gentílicas mas "contendo no seu coração a fé de Cristo", tudo por fingimento, dizia, "para enganar aquela gente" e trazê-la consigo para a escravidão. Contentou-se em desvirginar duas afilhadas menores e viver, à moda dos selvagens, com seu harém de cinco ou seis mulheres que a indiada lhe oferecia no sertão. O vício e o crime não eram, porém, privilégio das camadas inferiores e médias das povoações coloniais nesse fim do século XVI. O francês Pyrard de Laval, que esteve no Brasil nos primeiros anos do século seguinte, conta uma anedota que lança alguma luz sobre a vida íntima da boa sociedade da época. Andava ele passeando pela cidade "vestido de seda à portuguesa e à moda de Goa, que é diferente da dos portugueses de Lisboa e do Brasil", quando se aproximou uma escrava, negra de Angola, trazendo um recado de alguém que desejava falar-lhe. Depois de alguma hesitação e por curiosidade, aceitou o convite "para ver em que isto dava". "Ela fez-me dar", narra Pyrard, "mil voltas e rodeios por umas ruas escusas, o que a cada passo me punha em grande terror, e quase em resolução de não passar mais avante, mas ela me dava ânimo e tanto fez que me levou a um aposento mui belo e grande, bem mobiliado e guarnecido, onde não vi mais ninguém senão uma jovem dama portuguesa, que me fez mui bom agasalhado, e me mandou logo aprestar uma mui boa refeição; e vendo que o meu chapéu não era bom, ela com a sua própria mão me tirou da cabeça, e me deu outro novo de lã de Esganha com uma bela presilha, fazendo-me prometer que tornaria a visitá-la, e da sua parte me favoreceria, e me daria gosto em tudo o que pudesse. Não faltei à promessa, e ia visitá-la, freqüentemente enquanto lá estive..."3 Dezenas de anos mais tarde, em 1685, pelo Brasil apareceu o espanhol Francisco Correal, autor de Viagens às lndias Ocidentais, referindo coisas interessantes sobre a mesma cidade do Salvador. "As mulheres", diz o castelhano, "são menos visíveis que no México, devido ao imenso ciúme dos maridos; mas são tão libertinas que para satisfazerem as suas paixões põem em prática toda a casta de estratagemas (...) Se a precaução dos maridos não impede as intrigas de suas mulheres, a dos pais não evita que as mães prestem seus caridosos socorros às filhas, logo que ficam núbeis. É mesmo muito vulgar as mães indagarem das filhas o que elas são capazes de sentir aos 12 ou 13 anos de idade e incitá-las a fazer tudo o que possa embotar os aguilhões da carne. As virgindades estão em leilão na cidade do Salvador e alcançam elevados preços, porquanto são colhidas muito cedo..." Em Santos aconteceu-lhe aventura igual à de Pyrard (o que fez Alfredo de Carvalho duvidar da sua autenticidade). Somente, aos encontros amorosos ia o espanhol disfarçado em padre.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Judith e Marco Aurélio Cerqueira, me presentearam no aniversário de 2004, com a coleção de história, Intérpretes do Brasil, em três bem nutridos volumes.


 

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