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Populações Meridionais do Brasil

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Populações Meridionais do Brasil

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Autor: Oliveira Vianna

Editora: Nova Aguilar

Assunto: Sociologia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas:

Ano de edição: 2002

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Ótimo
Marcio Mafra
12/07/2005 às 14:30
Brasília - DF

Populações Meridionais do Brasil, livro de 291 páginas, contidas no volume 1, da coleção Intérpretes do Brasil.


Vai da pagina 897 à 1177.


O mais famoso livro de Oliveira Viana, escrito há quase 100 anos, sobre as populações rurais do centro sul do Brasil, por vezes é árida. Seca. Quase bruta. Juntamente com Euclides da Cunha, Gilberto Freyre, Caio Prado Junior , Oliveira Viana forma o conjunto dos mais importantes sociológicos que estudaram o homem brasileiro, seus anseios e seus costumes políticos, econômicos e sociais. A leitura carrega o espírito e a técnica literária da época em que foi escrito. Em alguns trechos o livro são cáusticos. Mas é um livro muito bom.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este livro é uma tentativa de aplicação de critérios "científicos" à interpretração de nossa história e ao estudo de nossa formação nacional.... ....já é possível distinguir, pelo menos três histórias diferentes: a do norte, a do centro-sul e a do extremo sul...limitei, intencionalmente, as minhas investigações às populações rurais.....quando nós tínhamos, cerca de 25 milhões de habitantes..... ....só assim saberemos quais as incapacidades a corrigir, quais as deficiências a suprir, quais as qualidades a adquirir.....  (Transcrito do prefácio, assinado pelo autor em 1918)

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Hoje ainda é proverbial a correção e o escrúpulo dos nossos matutos em questão de dinheiro. Mesmo os pobres e deserdados não desmentem a bela tradição de inteireza rural. Esta é que, ao tornar-se, com a Independência, classe dirigente, dá à administração do país esse feitio probidoso e honesto, que é a característica preexcelente do período imperial. Dessa pressão educadora do meio rural deriva também o sentimento da respeitabilidade. Certo, os elementos da nobreza peninsular, que em tão larga escala se incorporam, ao sul, à classe fazendeira, contribuem evidentemente para isso. Mas, não é menos sensível a colaboração do meio rural. De fato, a posição do grande senhor de engenhos é, de si mesma, um imperativo às atitudes dignas e respeitosas. Pela sua condição social, o grande senhor rural fica muito visível, muito em destaque em seu meio. Para ele convergem todos os olhares, e não há como dissimular-se ou esconder-se. Essa constante vigilância da sociedade não lhe permite condutas menos decentes, ou menos airosas; obriga-o moralmente a vestir a sua atitude sob maneiras discretas e contidas, sóbrias e moderadas de modo a manter, inquebrável, a linha da sua ascendência sobre os que o cercam. Nos arraiais, nos povoados, nas vilas onde chega, é para ele que se voltam as atenções do povo e as barretadas dos circunstantes. Dentro dessa atmosfera de respeito e veneração a sua atitude toma naturalmente os ares da dignidade e da prudência, mescladas de bonomia e paternalismo. Esse sentimento de decoro pessoal é peculiar à alta classe agrícola. O baixo povo rural não o possui. Ao contrário do que acontece com os camponeses peninsulares, pode-se dizer, de um modo geral, que não há, entre nós, nos campos, nas camadas inferiores, homens graves: o elemento mestiço, que prepondera na plebe rural,47 não prima de modo algum pela respeitabilidade. O tipo do "moleque" é perfeitamente característico. "Procedimento de moleque", "modo de moleque", "ar de moleque" - são expressões pejorativas, lançadas contra as pessoas de posição, que se não dão ao respeito. É, aliás, essa mestiçagem, tida como desprezível, de capadócios e moleques, assim em contato imediato com a nobreza fazendeira, outra causa, que reforça nesta a sua preocupação de decoro e severidade. Há ainda uma outra causa que explica a circunspeção habitual dos magnatas rurais: é a sua posição de chefe, posição de quem tem império sobre grande número de servidores. Esta causa, de ação meramente doméstica, não é menos eficiente; porque é diária e permanente. Na fazenda, há uma legião de trabalhadores, empregados, crias, mucamas, pardos, oficiais de ofícios manuais, negros de eito, negros de engenho, feitores, administradores, caixeiros. Para poder guardar uma perfeita ascendência heril sobre toda essa gente, o senhor rural é forçado a tomar sempre atitudes circunspectas e reservadas, a um tempo moderadas e imperativas. Nestas atitudes é que está o segredo de toda a sua força moral. Esses hábitos de reserva e severidade, impostos aos senhores rurais, acabam, afinal, por enformar inteiramente o seu caráter e, com isto, o nosso caráter nacional. Essa precoce e singular c!circunspeção da nossa gente não é senão uma resultante da sua profunda formação rural. Desde a nossa vida econômica à nossa vida moral, sentimos, sempre, poderosa, a influência conformadora do latifúndio; este é, na realidade, o grande medalhador da sociedade e do temperamento nacional. Esse sentimento de respeitabilidade se apura ainda mais com os títulos e as condecorações, que a metrópole, a princípio e, depois, o Império, conferem à nobreza rural. Na tranqüilidade agreste dos seus solares, esses barões e viscondes e marqueses sentem-se na obrigação de assumir modos e maneiras aristocráticas, condignas de sua alta posição: e tornam-se graves, porque a gravidade é para eles a atitude heráldica por excelência. O sentimento de independência, a hombridade, a altivez discreta e digna é também um dos nossos melhores atributos. Para a sua formação muito concorre a herança do sangue peninsular; mas, no nosso meio, as suas condições de cultura e desenvolvimento aumentam com o regime dos latifúndios. Os latifúndios dão à classe fazendeira uma fortuna imensa e um prestígio excepcional. Habituam-na, demais, a exercer um poder considerável sobre uma grande massa de homens. São, pois, escolas de educação da classe no sentimento do orgulho e no culto da independência moral. Criados na plena liberdade dos campos, acostumados a mandar e a ser obedecidos, esses grandes senhores não se podem afazer ao servilismo. Não está na sua índole a obediência do cortesão. São eles que fundam a monarquia: mas, o seu culto pelo monarca não chega nunca à servilidade. Leais e constantes ao Rei, sempre se conservam diante dele sem aulicismo, nem humildade; respeitosos, mas dignos; obedientes, mas hombridosos. O Marquês de Olinda, refletindo esse ambiente de altivez e hombridade, pondera em pleno Conselho de Estado: Os descendentes daqueles que sabiam desobedecer o Rei para melhor servir o Rei, são capazes de desobedecer v. Majestade para melhor servir o povo." E Zacarias, frente a frente ao monarca: "Não assino esse desacerto. Prefiro a demissão imediata. No trato com as outras autoridades, essa hombridade chega, às vezes, a tomar uma feição de rebeldia. É o caso dos caudilhos paulistas do II e I! séculos. Eles como se sentem humilhados na obediência e acatamento aos representantes do poder colonial. Tão vivazes e tamanhos são os seus sentimentos de autonomia e independência.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Judith e Marco Aurélio Cerqueira, me presentearam no aniversário de 2004, com a coleção de história, Intérpretes do Brasil, em três bem nutridos volumes.


 

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