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O Sapo e o Príncipe

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O Sapo e o Príncipe

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Autor: Paulo Markun

Editora: Objetiva

Assunto: Ciencia Politica

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 374

Ano de edição:

Peso: 650 g

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Bom
Marcio Mafra
22/08/2005 às 13:05
Brasília - DF

Este é o mais recente livro sobre a política brasileira, assim como Fernando Henrique e Lula são os presidentes mais recentes do Brasil. Suas histórias pessoais e políticas, guardam muitos fatos em comum que, por vezes, se misturam e confundem. Na narrativa a história de FHC e de Lula, como todas as histórias, trata as diferenças, as semelhanças, as verdades, os fatos, os mitos e até os apelidos superficiais, como sapo e príncipe. O livro registra fatos importantes da história - mais e menos recente - do País, com foco nas duas figuras políticas, que se destacaram na resistência à ditadura militar. Além disso, traça um painel dos bastidores da política brasileira, tornando-se peça indispensável para se entender as trajetórias da guinada à esquerda dos nossos últimos dois governos. O Paulo Markum, como jornalista é muito bom. No Sapo e o Príncipe, o autor juntou, pesquisou e condensou muitos fatos e histórias com competência e inteligência, que resultou num livro de excelente conteúdo. Entretanto, faltou o estilo que confere a leveza e o bom gosto pela leitura. O Sapo e o Príncipe é uma mistura de história, biografia e memórias.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Personagens, fatos e fábulas do Brasil contemporâneo. Os erros, acertos, vitórias, retrocessos, "sapeadas e príncipadas" da geração que chegou ao poder no Brasil, no período de 1994-2004. Narra a trajetória de duas personagens da vida política brasileira nas últimas décadas: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A filha de Lula nasceu às sete da manhã do dia 8 de março de 1974. Junto com sua irmã Maria, ele foi ao hospital, pagou as despesas do parto e depois registrou a criança com o nome escolhido pela mãe. Lurian, mescla de Lula e Miriam. Segundo Maria, o irmão quis pagar inclusive pensão para Miriam, que não aceitou e acabou impedindo o contato de Lula com Lurian, assim que a criança completou seis meses. Depois de sete meses de namoro, Lula e Marisa casaram-se no civil, num dia de semana. Um almoço para dona Lindu e os padrinhos foi a discreta comemoração. Na foto, o sorriso dele é do tamanho do bigode largo, maior até que o sorriso de Marisa, em seu conjuntinho lilás. Lula assumiu Marcos, o enteado de três anos, como se fosse seu filho legítimo. Marisa continuou trabalhando na secretaria da escola e, nove meses após a cerimônia, nasceu Fábio Luiz, o primeiro filho do casal. Perto do fim do mandato sindical, a fábrica em que Paulo Vidal trabalhava mudou para Mauá. Legalmente, ele não poderia nem continuar filiado a um sindicato de outro município, e assim anunciou que não disputaria novamente a presidência. Duvidando que a decisão fosse para valer, a oposição de esquerda continuou a discutir em segredo a formação de outra chapa. Lula reuniu-se com esse pessoal várias vezes, de modo quase clandestino. Num dos encontros, o medo era tamanho que, quando um carro parou diante do portão, os mais afobados concluíram que era a polícia e deitaram no chão. Um dos presentes chegou a sacar um revólver, antes de ficar claro que se tratava de um táxi desembarcando um passageiro. Na mesma época, Lula conversou com Emílio Maria de Bonfante, ex-comandante da Marinha Mercante e dirigente do clandestino partido Comunista Brasileiro, no qual atendia pelo codinome de Ivo. Num banco de praça, diante da Igreja Matriz de São Bernardo, os dois fingiram que liam jornal, enquanto comentavam a situação do sindicato e do país. Lula detestou a experiência e desabafou depois com o irmão: - Frei Chico, eu não tenho a minha mãe na zona, porra! Nem meu pai é corno!... Eu vou ficar fazendo reunião assim? Não tem essa não, Frei Chico, de agora em diante, quem quiser fazer reunião comigo é pública e não tem segredo. Pouco antes das eleições, ele constatou o quanto, nos momentos críticos, a atitude do presidente podia ser decisiva. Para garantir uma presença maciça dos metalúrgicos numa assembléia, o sindicato ameaçou cortar a assistência médica de quem não comparecesse. Com isso, 11 mil metalúrgicos foram ao sindicato, em clima de guerra. Mas quando todos esperavam que Vidal conclamasse os trabalhadores a entrarem em greve, ele fez um discurso "vaselina", na definição de Lula, empurrando o comando da reunião para o advogado do sindicato, Almir Pazzianoto, que devolveu como num sem-pulo: - Olha, não é o advogado quem tem que resolver, quem tem que resolver são vocês. A diretoria do sindicato tem que tomar uma posição! Resultado: adeus greve. As conversas com a oposição não evitaram a disputa, mas a chapa da situação, tendo Lula como candidato a presidente e Vidal como secretário, recebeu 92% dos votos. No intervalo entre a eleição e a posse, o Dieese - Departamento lntersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos - realizou vários seminários para reformular os métodos de trabalho do sindicato. O projeto incluía reuniões pilotadas pela educadora e pedagoga Lourdes Maria Coelho Barelli, conhecida como lurdinha, esposa do diretor técnico da instituição, Walter Barelli. Para melhorar o relacionamento entre os diretores e construir a confiança do grupo, lurdinha usou a técnica do psicodrama pedagógico. Numa das sessões, pediu a Paulo Vida! que representasse, sem palavras, seu papel no sindicato, usando todo o grupo para construir uma espécie de estátua. Segundo lurdinha, na representação, o presidente em fim de mandato assumiu a atitude de um super-homem. Minutos depois, Vida! transpirava abundantemente. Já Lula guarda outra lembrança daquela simulação: - (...) ele mandou toda a diretoria ficar com a mão no joelho, todo mundo ficou meio de quatro e ele subiu em cima e ficou com as mãos abertas assim, como se tivesse acima de todo mundo. E logo em seguida fui eu. E aí a pergunta é a seguinte: «O que você acha, qual é o papel do presidente do Sindicato, como é que você se vê? Como é que você vê o presidente do Sindicato?" E aí eu talvez até porque não soubesse outra coisa, peguei todo mundo que estava lá, todo mundo deu a mão, ficamos todos de mãos dadas, abraçados. Para mim, o sindicato significava aquilo. Significava a união dos trabalhadores e o papel do presidente era ser um a mais. Para Lula, o exercício elucidou ainda qual deveria ser o verdadeiro papel de um dirigente sindical: em vez de ir às repartições, cuidar da burocracia, deveria percorrer as portas de fábrica, mantendo contato com os operários. Para a burocracia, bastava contratar um funcionário. - Essa foi uma descoberta, eu diria, fantástica, foi como descobrir a roda, ou seja, nós descobrimos que estávamos errando. No dia 19 de abril de 1975, um sábado, diante do governador Paulo Egydio Martins, de Marisa, grávida de Fábio, de dona Ledo e de dez mil pessoas, Lula tomou posse como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Ao fazer seu pronunciamento, tremia tanto, que Marcelo Gatto, presidente dos metalúrgicos de Santos e seu vizinho na mesa oficial, precisou segurar as folhas do discurso. Redigido pelo advogado do sindicato, Maurício Soares de Almeida, o texto estava repleto de termos que Lula jamais usaria, como "jungidos" e "comezinhos". No campo das idéias, dava uma no cravo, outra na ferradura, como era praxe naquele momento em que a abertura política ainda era uma promessa do general Ernesto Geisel. A certa altura, afirmava: - O momento da história que estamos vivendo apresenta-se, apesar dos desmentidos em contrário, como um dos mais negros para os destinos individuais e coletivos do ser humano. De um lado, vemos o homem esmagado pelo Estado, escravizado pela ideologia marxista, tolhido nos seus mais comezinhos ideais de liberdade, limitado em sua capacidade de pensar e se manifestar. E no reverso da situação, encontramos um homem escravizado pelo poder econômico, explorado por outros homens, privado da dignidade que o trabalho proporciona, tangido pela febre do lucro, jungido ao ritmo louco da produção, condicionado por leis bonitas mas inaplicáveis, equiparado às máquinas e ferramentas. Em 1973, Fernando Henrique Cardoso conheceu Lula, que acompanhava Paulo Vidal numa visita ao Cebrap. FHC não se recorda nem mesmo do que foi discutido naquele primeiro encontro e o bigodudo diretor de Previdência Social dos metalúrgicos de São Bernardo não despertou sua atenção. Quatro anos antes, FH C fora aposentado compulsoriamente, junto com outros 218 pesquisadores e professores da USP, todos atingidos pelo AI-S. Fernando Henrique dirigia um Volkswagen azul rumo ao campus da USP para ver o novo endereço da Faculdade de Filosofia, quando soube pelo rádio do carro que fora aposentado com base no AI-5, em abril de 1969. Na entrada do campus, foi parado pela polícia. Estava sem documentos, mas o policial liberou-o depois de examinar seu talão de cheques. Apesar dos convites para lecionar em Nanterre e em Yale, FHC resolveu ficar no Brasil e retomar um antigo projeto. Já em 1966, no Chile, ele, Carlos Estevam Martins e Vilmar Faria imaginavam criar um centro de pesquisas na USP ou fora dela. Em 1968, chegaram inclusive a realizar reuniões para discutir o assunto no Brasil. A aposentadoria compulsória de vários deles acelerou o processo e, no dia 3 de maio de 1969, 27 intelectuais criaram o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, Cebrap. A presidência foi entregue a Cândido Procópio Ferreira Camargo, especialista em religião, educação e movimentos sociais, e a sede, estabelecida num casarão na rua Bahia, no bairro de Higienópolis. A partir de uma indicação do professor Bolívar Lamounier, que também fora aposentado, mas não figurava entre os fundadores do Cebrap, o grupo procurou a Fundação Ford, em busca de recursos. A alternativa gerou polêmica entre os pesquisadores, divididos entre os que não queriam aceitar dinheiro de uma fundação norte-americana - entre eles Octávio lanni e Florestan Fernandes - e os que perguntavam se havia outra alternativa. Os pragmáticos ganharam a parada quando a Fundação ofereceu 145 mil dólares ao Centro, sem estabelecer qualquer exigência quanto ao tipo de pesquisa que deveriam desenvolver. Mas a embaixada norte americana não gostou da idéia e o diretor da Usaid, William Ellis, deu um recado claro a Peter Bell, representante da Fundação no Brasil: - Se você sabe o que é bom para a sua carreira, aconselho-o a ficar fora disso. Como a ameaça velada não deu resultado, Bell foi procurado por um agente da CIA, que lhe apresentou um maço de recortes. O dossiê demonstraria as atividades subversivas de Fernando Henrique Cardoso, na tentativa de impedir o financiamento. Apesar disso, a ajuda foi mantida. O Cebrap também conseguiu apoio entre empresários como José Mindlin e Celso Lafer e políticos como Paulo Egydio Martins e Severo Gomes. O primeiro escalão do Centro era composto por sete renomados cientistas sociais ligados à USP, cinco deles oriundos do famoso seminário sobre Marx. Com uma produção de qualidade, o Cebrap tornou-se um caldeirão de idéias e seus membros mantiveram-se como referências no campo acadêmico e entre os jornalistas. Uma das atividades regulares eram os chamados mesões - as reuniões em que se debatiam temas específicos, como a situação da economia. Malan tornou-se um assíduo freqüentador dos mesões do Cebrap. Ele continuava trabalhando no Ipea, onde esboçou um solitário e limitado protesto diante do AI -5: encerrou sua colaboração no desenvolvimento do Programa de Desenvolvimento Econômico e Social, por achar que não teria sentido submeter um trabalho sério a um Congresso que acabara de ser manietado pelo governo. O protesto não impediu nem retardou a conclusão do programa, mas reforçou o projeto de Malan de sair do país. Em meados de 1969, atendendo a um convite do economista Albert Fislow, ele foi para a Universidade de Berkeley. Voltou ao Brasil três anos depois, reassumiu o cargo no Ipea, passou a freqüentar as reuniões do Cebrap e engalfinhou-se publicamente com um dos mais próximos colaboradores do ministro Delfim Netto, o professor Carlos Geraldo Langoni. Numa série de artigos, réplicas e tréplicas, Malan procurou provar que a distribuição de renda não era uma decorrência automática do crescimento econômico capitalista, como pretendia seu adversário: - Um sistema capitalista não tem qualquer tendência para - automaticamente - redistribuir renda de forma não regressiva. Que isto se tenha dado em vários países avançados é um fato, porém em grande parte associado à organização sindical, à institucionalização do conflito político e às influencias pluralistas sobre o aparato do Estado. Fernando Henrique conciliava o trabalho no Cebrap com uma crescente atuação política. Fazia palestras e conferências pelo país afora e escrevia ensaios e artigos, mais tarde compilados em várias obras. Entre 1969 e 1970, deu aulas no México e na Suíça e, em 1972, lecionou por um mês no Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.


  • CABEZA DE VACA PAULO MARKUN COMPANHIA DAS LETRAS

    Autor: LMF

    Veículo: Folha de São Paulo

    Fonte: Livro com recomendação AA+ da Folha de SãoPaulo, caderno Cultural de 23/12/2009

    Desde 2009 Cabeza de Vaca está em minha lista. O jornal Folha de São Paulo, edição de 23/12/2009 recomendava o livro, com a seguinte reportagem:

    CABEZA DE VACA PAULO MARKUN COMPANHIA DAS LETRAS

    Livro com recomendação AA+ da Folha de SãoPaulo, caderno Cultural de 23/12/2009

    O jornalista Paulo Markun cotejou a obra do conquistador espanhol d. Alvar Núñez, o Cabeza de Vaca, "Naufrágios e Comentários", alias pioneira da literatura de viagens, com os depoimentos das testemunhas ouvidas em processos judiciais para refazer a saga desse contemporâneo menos conhecido de Cristovão Colombo e Fernão de Magalhães, entre outros, mas não menos corajoso. O fidalgo, que não ficou imune a ferimentos e doenças tinha muita sorte: sobreviveu a três naufrágios, atravessou, descalço, parte dos atuais EUA e México e veio parar no Brasil, onde tomou posse de Santa Catarina. Logo, porém, partiu a pé para o Paraguai em busca de uma misteriosa serra de prata. Tem muito mais, mas só lendo o livro, o 12º de Markun. LMF Folha S. Paulo +_AA 24/12/2009

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Adriano Oliveira me presenteou este livro, com a seguinte dedicatória: Ao Amigo Márcio. Após uma quarta feira de sapos, novamente os príncipes se sobressaíram. Divirta-se. Adriano, 12/5/05

Fiquei em grande dúvida: Terá sido o Adriano, meu amigo, atingido pelo espírito presenteiro das pessoas no transcurso do Dia das Mães de 2005. Será que ele me considera uma mãe ? Ocorreu-me, também, que na quarta feira, dia 11, Adriano - como eu - por dever de ofício assistiu a reunião da Diretoria da CDL. Será que ele considera os diretores Príncipes, Sapos ou Mães ?


 

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