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Fora de Série

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Fora de Série

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Morris West

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: A B Pinheiro de Lemos

Páginas: 350

Ano de edição:

Peso: 395 g

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Bom
Marcio Mafra
07/09/2005 às 08:57
Brasília - DF

Morris West surgiu no Brasil, pela publicação do Advogado do Diabo. Todos envolvendo ciúmes, guerras, chantagens, crimes, sexo, dinheiro e poder. O Advogado do Diabo foi um grande sucesso, um ótimo livro. Fora de Série, como todos os demais títulos de West, são literatura de mimeógrafo, ou seja reprodução mal feita. Mimeógrafo é assim: reproduções nem sempre muito nítidas da primeira cópia. Fora de série é um livro chato.




Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Maxwell Mather, um historiador norteamericano, que vivia sustentado por mulheres velhas e ricas, no melhor estilo do cafetão de luxo. Ele teve a chance de ficar milionário e se ver livre da sua vidinha submissa, negociando telas do pintor Rafael....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A recepção na hora do almoço na Tor Merla foi muito menos exuberante do que a ocorrida no Gallodoro. As mulheres da casa estavam ausentes, havia menos criados à vista. A villa dava uma impressão de abandonada, o interior mudara. Havia menos quadros nas paredes, os móveis eram escassos. Ele foi recebido por Cláudio Palombini, primo Marcantonio e um jovem que nunca vira antes, apresentado como Avvocato Stefano Stefanelli. Cláudio desculpou-se. - Pode ver o que está acontecendo. Reduzimos as despesas onde é possível. Mesmo assim, estamos comendo o que a propriedade dá, pagando os salários da cozinheira Mather pediu permissão para cumprimentar os criados. Encontrou-os calorosos, mas hesitantes. Também farejavam o vento do campo de batalha. Apenas dois o abraçaram, Matteo, o mordomo, e Chiara, a criada pessoal de Pia, enrugada como uma ameixa seca, mas ainda combativa e ressentida. - Era diferente quando a signora estava viva e você ainda morava aqui. Mesmo quando ela estava morrendo, ainda havia alguma coisa para se rir. Agora, é como um cemitério depois da meia-noite. Mather beijou-a e afagou seu rosto, depois foi se juntar aos outros à mesa do almoço. A comida ainda era boa. O vinho da propriedade estava ótimo. Cláudio insistiu para que não falassem de negócios antes das frutas e queijo. Só então abriu as negociações. - É evidente que precisamos de alguém para representar nossos interesses e efetuar pesquisas ativas à procura das peças de Rafael. É também evidente que você possui certas qualificações importantes para isso. E estaria, como disse, disposto a aceitar um contrato. - Este contrato. - Mather pôs o documento na mesa. - E somente este. Leiam à vontade, não há pressa. Tomarei mais um café, se me permitem. O documento tinha apenas meia dúzia de páginas, mas dez minutos passaram antes que alguém levantasse a cabeça para fazer um comentário. O advogado foi o primeiro a falar: - Se me perdoa, Sr. Mather, isto parece... permita dizê-lo...um documento muito arbitrário. - E é mesmo. - Mather era a suavidade em pessoa. - Também é inegociável. - Posso perguntar por quê? - Claro. Primeiro: a descoberta dos Rafaéis e sua devolução à família Palombini é, na melhor das hipóteses, um empreendimento altamente especulativo. Segundo: nas atuais circunstâncias, os Palombini não podem assumir nenhum centavo do custo. Terceiro: depois que meu artigo for publicado, no início do próximo mês... um artigo de que foram informados com ampla antecedência... haverá uma autêntica corrida do ouro no mercado de arte. Quarto: estarei negociando numa selva, com animais muito evoluídos. Preciso de toda proteção que puder obter. - Aceitamos tudo isso sem questionamento - disse Cláudio Palombini. - Mas nosso advogado acha que certas premissas devem ser definidas, como preliminares para o contrato... - Ele tem o direito de pedir isso, eu tenho um direito igual de recusar. Posso chamar a atenção para os termos de abertura do contrato? "O referido Max Mather não faz afirmações de competência, conhecimento especial, qualificações ou circunstâncias especiais relacionadas com a tarefa que assume. Não faz nenhuma solicitação para que este contrato seja aceito por outras partes. Não oferece outras garantias além do melhor esforço, cujas despesas serão assumidas inteiramente por ele." Parece-me bastante claro, senhores. - Está mesmo muito claro - disse primo Marcantonio. - Mas estaria disposto a responder a algumas perguntas a respeito? - Não. - Mather foi taxativo. - Porque quaisquer respostas que eu desse poderiam ser encaradas como uma alegação e sujeitas à interpretação que quisessem lhes atribuir no futuro. Cláudio sentiu-se ofendido. - Acha que somos tão implacáveis assim? - A história me diz que são, Cláudio - respondeu Mather, com um sorriso. - Não os culpo. Não deveríamos discutir a respeito. Mas há séculos que vocês são mercadores, brigando por barganhas. Não mudam. Não há razão para que mudem. Mas eu seria um idiota se oferecesse a mão e deixasse que a mordessem. - Está exagerando, Max. - Estou? Deixe-me lembrar-lhe de que tive de brigar com você para conseguir uma enfermeira dia e noite para Pia. E tive de batalhar para conseguir uma visita diária do médico... Vocês jogam duro. Muito bem, eu sei disso. Portanto, é o único acordo que farei com vocês. É aceitar ou recusar... Darei um pulo até a torre. Podem me comunicar a decisão quando eu voltar. O passeio até a torre foi um erro. Trouxe um fluxo vertiginoso de lembranças: Pia lhe oferecendo a primeira liberdade do domínio, Pia prisioneira da doença, sua própria fuga, com os Rafaéis escondidos na bagagem, suando frio em cada minuto da viagem até a Suíça. Quando retomou à casa, Cláudio ofereceu-lhe um conhaque e propôs algumas correções ao contrato. - Achamos que quinze por cento é muito alto, levando-se em consideração os milhões envolvidos. - Nada feito. Se alguém está na posse ilegal dos quadros, essa pessoa tem de ser pressionada e paga. Dez por cento é a oferta normal das seguradoras. E eu também tenho de ser pago por meu trabalho. Se acham que podem conseguir mais barato, sairei de cena e deixarei que cuidem de tudo sozinhos. - Está bem, ficam os quinze. Mas tem de haver um prazo para sua procuração. - Quanto tempo sugere? - Se não conseguir nada até o final de junho, estamos liquidados... três meses. - Por outro lado, se eu apresentar resultados, mesmo que a devolução das obras ainda tenha de ser efetuada, poderão obter uma extensão dos banqueiros. Quero nove meses... até o final do ano. Cláudio olhou para o advogado, que assentiu. - Muito bem, nove meses. - Pela primeira vez, Cláudio Palombini sorriu e perguntou: - E agora pode nos dizer quais são as nossas possibilidades, Max? - Vamos assinar o contrato primeiro. - Mather continuou intransigente. - E depois lhes direi. Com o contrato no bolso, ele sentiu-se melhor e pior, como um paciente com febre, oscilando entre calafrios e suores. a contrato o manteria fora da prisão. Não poderia ser acusado de posse ilegítima, operação fraudulenta ou apropriação indébita. Até que seus honorários fossem pagos, permanecia na posse indiscutível e incontestada dos Rafaéis. Por outro lado, estava obrigado a agir. Não podia se retirar de uma situação que estava maculada na fonte. Enquanto voltava à cidade, num carro alugado que ameaçava se desmontar a qualquer instante, Mather especulou por que a situação o perturbava tanto, por que uma consciência social, adormecida por tanto tempo ao ponto de ficar quase atrofiada, despertara para se tornar uma companheira tão ativa e incômoda. Depois, do nada, surgiu a lembrança do pai, pálido e murcho com o câncer que finalmente o matara, sentado à janela de seu quarto, olhando para o tom castanho-avermelhado da paisagem de outono. Estava se explicando, suplicando por uma compreensão tardia. - Eu sabia o que sua mãe precisava. Sabia o que ela queria para nós. Para mim, no entanto, o preço era alto demais. Implicava uma traição ao único bem integral que possuía... eu mesmo. Não podia enfrentar isso. Não podia suportar me contemplar no espelho todos os dias e ver um estranho... ou talvez uma imagem dupla, nunca sabendo o que era o quê... Era o símile da imagem dupla que o atormentava agora. O Max Mather refletido nos olhos de suas mulheres não era o todo dele, mas a imagem que elas escolhiam. As imagens de Berchmans e Liepert também eram diferentes e igualmente ilusórias... Agora ele teria de voltar a Zurique e encarar Gisela, ver seus olhos se iluminarem quando lhe dissesse que o contrato fora assinado... e depois? A pergunta ainda continuava sem resposta quando ele chegou ao hotel. Parou na recepção e pediu que reservassem passagens de avião para Zurique, em seu nome e de Niccolo Tolentino. Ligou para Guido Valente e convidou-o para jantar. Depois, tirou as roupas, tomou um banho quente e cochilou irrequieto até a hora de sair. Guido Valente, guardião dos manuscritos da Biblioteca Nacional, estava num ânimo feliz. Regozijou-se com a boa sorte do amigo Niccolo, que viajaria para os Estados Unidos. Ele também iria, embora não na mesma ocasião, num programa de intercâmbio da Associação Americana de Bibliotecas. Ficaria baseado em Washington, mas viajaria para muitos lugares, estudando os métodos bibliotecários americanos, suas técnicas mais novas de estocagem e recuperação. Esperava não estar velho demais para se beneficiar da experiência; mas a chegada de uma nova secretária no escritório o convencera de que a luxúria ainda era uma possibilidade feliz. Ele indagou por Anne-Marie, solícito. Poderia, apenas poderia, chegar a tempo para a inauguração da galeria. Agora, tinha uma boa notícia para seu velho amigo Max. Graças à generosidade de uma certa marchesa, uma dama americana há muito casada com um italiano, uma borsa, uma bolsa de estudos, fora instituída na biblioteca, para estudiosos americanos com pós-graduação. A quantia era substancial, os termos se enquadravam na disciplina de Max. Teria o maior prazer em recomendar o velho amigo para a bolsa. O fato de que esse mesmo amigo proporcionara à biblioteca o arquivo Palombini pesaria de maneira considerável. E então? Max Mather ficou comovido. Prometeu pensar muito a respeito e responder o mais depressa possível. Guido devia compreender que ele tinha diversas opções em aberto e que se encontrava num momento crítico. Era tão crítico que achava que precisava de mais vinho. Niccolà Tolentino concordou. Antes de beber, no entanto, ele também tinha um anúncio a fazer. Refletira muito sobre o tipo de presente que deveria dar a seu velho amigo Max. Finalmente chegara a uma decisão. Tirou do bolso uma caixa pequena, em que havia, aninhado numa camada de papel de seda, um retângulo de cobre, onde estava gravada a cabeça de um menino. - Isto, meu caro Max, é a primeira gravação que fiz. A cabeça é de meu irmão, que morreu na guerra. Dou a você porque é como meu irmão, franco e generoso. E aqui embaixo... - Ele levantou a placa. - ...há gravuras numeradas de um a cinco, que fiz especialmente para você. - Bravo! - Guido Valente assoou o nariz vigorosamente. É o que lhe digo sempre, Max, você é um homem muito amado! Max Mather, tendo tomado muito vinho, descobriu-se à beira das lágrimas; enquanto o diabrete em seu ombro comentava, sardônico: "Se eles soubessem, irmãozinho! Ah, se eles soubessem.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

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