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O Quarto K

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O Quarto K

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Mário Puzzo

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: A B Pinheiro de Lemos

Páginas: 459

Ano de edição:

Peso: 440 g

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Ruim
Marcio Mafra
07/09/2005 às 23:45
Brasília - DF

Reinventar o passado com objetivo de prever o futuro - literariamente falando - pode ser uma excelente idéia. No entanto, se o personagem da história for um Kennedy, o resultado pode ser um livro sem sucesso. Porque os Kennedys legaram ao mundo a imagem de cidadãos justos, ricos, honestos, políticos competentes, bonitos, charmosos, inteligentes, tolerantes e heróis - sendo-lhes incompatível o rótulo da agressividade, estupidez ou injustiça. O Quarto K conta a história do Kennedy, que se transformou num sujeito bruto, estúpido e agressivo, em face de sua filha ter sido vitimada pelo terrorismo. Esta história não colou num personagem Kennedy. Mario Puzo é um craque. O Chefão foi um ótimo best seller. Quarto K ficou longe disso.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Francis Xavier Kennedy, sobrinho de John, Robert e Edward, é eleito presidente dos EUA. O Presidente, que mantinha viva a lembrança do assassinato de seus tios, aciona todo o seu poder de retaliação, quando a sua filha é morta numa conspiração terrorista.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Antes de tomar sua decisão, a Vice-Presidente Helen Du Pray resolveu fazer a sua corrida diária. A primeira mulher a assumir a vice-presidência dos Estados Unidos tinha 55 anos e por qualquer padrão possuía uma inteligência extraordinária. Ainda era bonita, talvez porque, quando estava na casa dos vinte anos, uma esposa grávida e assistente do promotor distrital, tornara-se uma adepta da alimentação natural. Também se tornara uma corredora na adolescência, antes mesmo do casamento. Um namorado a levara para correr, oito quilômetros por dia, e acelerado. Ele citara a expressão latina "Mens sana in corpore sano" e traduzira para ela: - Se o corpo é saudável, a mente é saudável. Por sua indulgência ao traduzir e porque aceitava literalmente a verdade da situação - afinal, muitas mentes saudáveis haviam sido destruídas por um corpo saudável demais -, ela rompera o namoro. Mas também importante era a sua disciplina dietética, que dissolvia os venenos no organismo, gerava um alto nível de energia e proporcionava como bonificação um corpo espetacular. Seus adversários políticos diziam que ela não tinha paladar, mas isso não era verdade. Podia saborear um bom pêssego, uma pêra suculenta, o gosto picante de legumes frescos, e nos dias tenebrosos da alma, a que ninguém conseguia escapar, era capaz também de se deleitar com um pote cheio de biscoitos de chocolate. Tornara-se adepta da alimentação natural por acaso. No começo da carreira, como assistente do promotor distrital, processara o autor de um livro de dietas por alegações fraudulentas e injuriosas. Preparando-se para o julgamento, pesquisara o assunto, lera tudo no campo da nutrição, sob a premissa de que para determinar o falso precisava conhecer o que era verdadeiro. Condenara o autor, obrigara-o a pagar uma vultosa multa, mas sempre achara que tinha uma dívida com o homem. E mesmo como vice-presidente dos Estados Unidos, Helen Du Pray ainda comia frugalmente, e sempre corria pelo menos oito quilômetros por dia - dezesseis quilômetros nos fins de semana. Agora, no que podia ser o dia mais importante de sua vida, com a declaração para o impedimento do presidente aguardando sua assinatura, ela decidiu fazer uma corrida para clarear a mente. Sua guarda do Serviço Secreto tinha de pagar o preço. No começo, o chefe de sua segurança pensara que a corrida matutina não seria problema. Afinal, seus homens eram excelentes espécimes físicos. Mas a Vice-Presidente Du Pray não apenas corria bem cedo, através de bosques onde os guardas não podiam segui-la, mas também sua corrida de dezesseis quilômetros, uma vez por semana, deixava os agentes dispersos muito atrás, incapazes de acompanhar seu ritmo. O chefe se espantava pelo fato de que aquela mulher, na casa dos cinqüenta anos, fosse capaz de correr tão depressa. E por tanto tempo. A vice-presidente não queria que sua corrida fosse incomodada; afinal, era uma coisa sagrada em sua vida. Substituíra a "diversão", significando que substituíra a satisfação da comida, bebida e sexo, cujo prazer e ternura não haviam desaparecido de sua vida quando o marido morrera, seis anos antes. Ampliara as corridas e pusera de lado todos os pensamentos de um novo casamento; subira demais na escada política para se arriscar à aliança com um homem que poderia ser uma armadilha, com segredos ocultos para arrastá-la ao abismo. As duas filhas e uma vida social ativa eram suficientes, e tinha muitos amigos, homens e mulheres. Conquistara o apoio dos grupos feministas do país não com as lisonjas políticas vazias habituais, mas com uma inteligência objetiva e uma integridade rigorosa. Desfechara um ataque implacável contra os antiaborcionistas e crucificara em debates os porcos chauvinistas que sem risco pessoal tentavam legislar sobre o que as mulheres podiam fazer com seus corpos. Vencera essa luta e no processo subira ainda mais na escada política. Pela experiência de toda a sua vida, desdenhava as teorias de que homens e mulheres deviam ser iguais; celebrava suas diferenças. A diferença era valiosa num sentido moral, como uma variação na música é valiosa, como uma variação em deuses é valiosa. Claro que havia uma diferença. Ela aprendera de sua vida política, de seus anos como promotora, que as mulheres eram melhores do que os homens nas coisas mais importantes. E tinha estatísticas para provar. Os homens cometiam muito mais assassinatos, assaltavam mais bancos, eram mais perjuros, traíam mais os amigos e pessoas amadas. Como autoridades públicas, eram mais corruptos, como crentes em Deus eram muito mais cruéis, como amantes eram muito mais egoístas, em todos os campos exerciam o poder de forma mais implacável. Era muito mais provável que os homens destruíssem o mundo com a guerra porque temiam a morte muito mais do que as mulheres. Mas pondo tudo isso de lado, ela nada tinha contra os homens. Naquela quarta-feira, Helen Du Pray começou a correr assim que seu carro com motorista deixou-a à beira de um bosque, numa comunidade suburbana de Washington. Corria do documento fatídico que aguardava em sua mesa. Os agentes do Serviço Secreto espalharam-se um na frente, outro atrás, dois nos flancos, todos pelo menos a vinte passos de distância. Houvera um tempo em que ela se deliciava em obrigá-los a suar para acompanhar seu ritmo. Afinal, estavam todos vestidos por completo, enquanto ela usava apenas um traje de corrida, e eles ainda carregavam armas, munição e equipamentos de comunicação. Os agentes sofreram bastante, até que o chefe de sua segurança, perdendo a paciência, recrutara campeões de corrida de pequenas universidades, o que arrefecera um pouco o ânimo de Helen Ou Pray. Quanto mais ela subia na escada política, mais cedo se levantava pela manhã para correr. Seu maior prazer era quando uma das filhas corria em sua companhia. O que também proporcionava fotografias sensacionais nos jornais e revistas. Tudo contava. A Vice-Presidente Helen Oy Pray superara muitos obstáculos para alcançar um cargo tão alto. Obviamente, o primeiro era o fato de ser mulher, e depois, não tão óbvio, o de ser bonita. A beleza muitas vezes despertava hostilidade em ambos os sexos. Superara essa hostilidade com sua inteligência, modéstia e um profundo senso moral. E também recorrera a uma boa parcela de astúcia. Era um lugar comum na política americana que o eleitorado preferia homens bonitos a mulheres feias como candidatos aos cargos. Por isso, Helen Ou Pray transformara uma beleza sedutora numa beleza austera, ao melhor estilo de Joana d' Arc. Usava os cabelos louro-prateados bem curtos, mantinha o corpo esguio e infantil, camuflava os seios com costumes sob medida. Como ornamentos, usava uma fieira de pérolas e nos dedos apenas uma aliança de ouro. Uma echarpe, uma blusa rendada, às vezes luvas eram seus símbolos de feminilidade. Projetava uma imagem de mulher sóbria até que sorria ou ria, quando então sua sexualidade faiscava brilhante como um relâmpago. Era feminina sem ser provocante; era forte sem qualquer insinuação de masculinidade. Em suma, era o modelo ideal para ser a primeira mulher a assumir a presidência dos Estados Unidos. O que devia acontecer se assinasse a declaração em sua mesa. Agora ela se encontrava no estágio final da corrida, saindo do bosque e entrando numa estrada em que outro carro a esperava. Os agentes do Serviço Secreto se aproximaram, ela entrou no carro e seguiu para a mansão da vice-presidência. Tomou um banho de chuveiro e vestiu as roupas de "trabalho", uma saia austera e casaco, e partiu para seu escritório... e para a declaração à espera. Era estranho, pensou ela. Lutara durante toda a sua vida para escapar à armadilha de uma vida canalizada para um único propósito. Fora uma advogada brilhante enquanto criava duas crianças; empenhara-se numa carreira política, enquanto era feliz e fiel no casamento. Fora sócia de uma importante firma de advocacia, depois deputada, senadora, ao mesmo tempo em que se mantivera uma mãe devotada. Conduzira sua vida de maneira impecável, só para terminar como outra espécie de dona de casa, a Vice-Presidente dos Estados Unidos. Como vice-presidente, tinha de arrumar a casa para seu "marido" político, o presidente, e desempenhar tarefas subalternas. Recebia líderes de pequenas nações, integrava comitês imperantes de títulos pomposos, aceitava informações condescendentes, dava conselhos que eram aceitos com cortesia, mas que não mereciam uma consideração respeitosa. Tinha de repetir as opiniões e apoiar as decisões de seu marido político. Admirava o Presidente Francis Xavier Kennedy e sentia-se grata por tê-la escolhido como companheira de chapa, mas divergia dele em muitas coisas. Às vezes achava graça porque, como uma mulher casada, escapara à armadilha de uma parceria desigual, mas agora, no mais alto cargo político já alcançado por uma americana, as leis políticas tornavam-na subserviente a seu marido político. Mas hoje ela podia se tornar uma viúva política e sem dúvida não teria do que se queixar do seguro que receberia, a presidência dos Estados Unidos. Afinal, aquele "casamento" se tornara bastante infeliz. Francis Kennedy avançara depressa demais, com uma agressividade exagerada. E Helen Du Pray começara a fantasiar sua "morte" , como muitas esposas infelizes.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Nada para lembrar deste livro

 


 

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