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O Baile da Despedida

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O Baile da Despedida

Livro Excelente - 1 opinião

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Autor: Josué Montello

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 390

Ano de edição: 1992

Peso: 465 g

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Excelente
Marcio Mafra
07/05/2005 às 16:30
Brasília - DF


Este é um livro que faz jus à designação de Mestre que se atribui ao Josué Montello. O Baile da Despedida é a história que se origina numa reportagem sobre o "Baile da Ilha Fiscal", realizado numa ilha - minúscula e muito conhecida - que se localiza na entrada da Baia da Guanabara. Catarina Arantes, jovem muito bonita, nascida em São Luis do Maranhão viajou para o Rio de Janeiro, convidada que fora para comparecer àquela que foi considerada a última festa da monarquia. Na ocasião viveu um romance com um tripulante do navio Almirante Cockrane, que era um dos homenageados do baile da Ilha Fiscal. A essa festa compareceram mais de 6 mil convidados. O rico vestido que Catarina Arantes usou para ir ao baile é um dos focos da história. Vale a leitura. O livro é genial. É excelente.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Catarina Arantes terá sido efetivamente convidada para o Baile da Ilha Fiscal?...

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Afinal, depois de quase um mês num quarto de hotel, eis-me novamente no meu canto, na minha sala, no meu ambiente, aquele em que tudo me é familiar, mesmo as plantas da varanda e os retratos das amigas. Estas últimas, sobretudo. E como estão mesmo sorrindo (sempre tive o cuidado de fotografá-las assim), todas como que se alvoroçam, felizes com o meu regresso. Mesmo a Nora, hoje em São Paulo, no convento das carmelitas. Quase todas associadas às imagens de meu leito revolvido. Nora, a exceção. Só não encontrei o canário belga, na sua gaiola. Coitado, estava velhinho. Já o era quando a Ellen me fez presente dele, no próprio dia em que voltou para Londres. A Ellen que sempre verei com os olhos molhados a me dizer, ainda segurando a gaiola: - Quando ele cantar, faça de conta que sou eu que estou cantando. De fato, foi isso que fiz. Agora, pendente do gancho, a gaiola vazia torna mais vazia a varanda sobre a rua. Outro canário que eu puser ali não terá o mesmo trinado feliz. Nas manhãs de sol, não era ele, era o sol que cantava, e eu via a Ellen, muito loura, olhos imensamente azuis, uns salpicos de sarda no lugar das olheiras, sempre que o trinado vinha até a minha mesa, com seus gorjeios prolongados. Coitada da pobre da faxineira, com sua voz rouca e seu buço azulado, sempre a enxugar as mãos enxutas na barra do avental: - Ai, senhor doutoire. Coitadito do bichinho. Dava-lhe a comidinha na mão e ele punha em mim os olhos tristes. Mais de uma vez senti que o pobrezinho me dizia, com saudades do senhor doutoire: "Até parece que ele não vai voltaire, Matilde. Ai, Jesus." É o que estou lhe dizendo. Parecia gente o canarinho. Semana passada, não lhe ouvindo a cantoria, vim até a varanda. E chorei, senhor doutoire. Chorei. Creia o senhor. Ao ver o bichinho quieto, no chão da gaiola, com o olhinho entreaberto, duro, danei-me a chorar, como se tivesse perdido alguém de minha família. Sim senhor. Procurei consolá-la: - É o destino de todos nós, Matilde. Mais dia, menos dia. E ela, concordando, já de olhos enxutos: - Lá isso é verdade. É. O senhor doutoire tem razão. Mas que dói, dói. Em compensação, veja as plantinhas. Felizes. Viçosas. Até a violeteira deu flor. Linda. Parece que estava adivinhando. Ontem, não estava assim. Hoje, com o senhor doutoire de volta, veja como ficou. Em festa. Abriu toda. Até ontem, sem saber ao certo se o senhor doutoire estava mesmo voltando, todo mundo andava aflito. De repente o telefonema do doutoire Castrio to a me prevenir que o doutoire ia chegar. Creia o senhor: cheguei a bailar. E olhe que o maldito reumatismo não se tem cansado de me castigar. Aperta-me as panturrilhas, reativa-me a bursite, acorda-me as entranhas. Mas tudo isso, louvado seja Deus, sumiu de repente, só com o papelzinho do aviso do doutoire Castrioto, confirmando a boa notícia de que ontem mesmo o senhor ia chegar. E baixando os olhos, como encabulada: - Achou tudo bem no apartamento, senhor doutoire? Limpinho? Bem espanadinho? Isso é o que se quer. E olhe que o apartamentinho está espelhando. Fiz o que pude. Deus é testemunha. Paguei-lhe o ordenado, dei-lhe o avental rendado que havia trazido de São Luís, e mais o jogo de mesa, e ela sorriu, resplandeceu, mostrando o leque de rugas do canto dos olhos: - Não era preciso, senhor doutoire. Mas o dou to ire não se emenda. Deus lhe acrescente. Tudo em ordem, à minha volta. Os espelhos limpos, a mesa limpa, a cama espaçosa com o edredom e as fronhas, as cortinas esvoaçando ao vento da praia, as molduras de prata dos retratos reluzindo sobre os móveis da sala e do quarto, os tapetes sacudidos, os quadros na posição correta, em perfeita ordem os livros das duas estantes. E ao ver a Matilde parada, perto da porta, mãos unidas, submissa, a alongar para mim os olhos vivos, despachei-a: - Pode ir. E obrigado por tudo. Saiu de costas, inclinando a cabeça grisalha. E antes de voltar-se para ir embora: - Deixei a correspondência no quarto, perto da cama, para o senhor doutoire ler quando se deitar. Já eu tinha visto o despropósito, tomando todo o assento da poltrona orelhuda, ao pé da janela sobre o pátio, com as cartas, as revistas, os livros, numa babel postal que de longe me atordoou. A noite bem dormida, depois de todo um longo dia de viagem extenuante, novamente na minha cama, no meu quarto, sob a vigilância da Virgem do Rosário, última lembrança de minha mãe, preparou-me para esta luz macia, levemente rósea, e que me fez admirar a manhã que se expandia lá fora, sobre o mar, a corda de montanhas, os edifícios, a Urca, o Pão de Açúcar, a faixa de asfalto da avenida ao pé da varanda, reforçando em mim o gosto de voltar para casa. Já ontem, ao chegar, vim até a varanda, e olhei a curva da cidade iluminada. De pronto me lembrei da Nadine, na véspera, na última noite em São Luís, e que me dizia, nua, sentada na cama: - Deixe eu ir com você. Juro que não dou trabalho. Se precisar de mim, me chame. Eu vou correndo. Se não precisar, eu sei me virar. Só quero que me leve. E como me estendeu as mãos suplicantes, pude ver-lhe a cicatriz no punho esquerdo, de lado a lado, como um traço firme e profundo a revelar-lhe o desespero. E eu, segurando-lhe a mão: - Que foi isto? - Já quis me matar. Minha vontade é ter minha casa, meu canto, minhas coisas, e sou o que sou. A voz triste acentuou-lhe a beleza de ébano, como nunca vi em outra mulher, mesmo nas adolescentes esguias do norte da África com as quais compartilhei o susto de muitas noites, ao tempo do confronto dos exércitos aliados com as forças de Rommel. Os mesmos seios rijos. A mesma curva harmoniosa da cintura. A mesma sensualidade frenética que, por um momento, me fez hesitar se a traria mesmo comigo. De modo evasivo, não querendo prometer nem recusar, conseguira dizer-lhe, buscando-lhe os olhos implorativos: - De lá, eu te escrevo. Não te prometo nada. Espera eu te escrever. Se for possível, eu te chamo. E te dou a passagem. Se não for, fica sabendo que tens em mim um amigo. Ela alongou o corpo, fez que eu me deitasse sobre ela. E tudo quanto sabia fazer, fez. Buscando em mim as mais secretas fontes de energia, até que ela e eu ficamos imóveis, como esvaziados de nós mesmos, na lassidão total da carne apaziguada. No aeroporto, ao desembarcar, quem foi que vi, ao pé da escada do avião? O infalível Castrioto (já com a viatura à minha espera), e a quem indaguei, ainda espantado, como soubera que eu viria naquele vôo, se não dera a quem quer que fosse o menor aviso. E ele, sorridente, por baixo da aba do chapéu de feltro, torcendo a ponta do bigode: - No dia em que eu, dono de Nossa Revista, não souber a hora e o vôo em que chega um amigo como tu, passo a revista adiante, e vou tratar de cantar em outra freguesia.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Durante viagem de férias à S.Luis do Maranhão, por volta de 86, levei o livro Os Tambores de São Luis.Foi pura coincidência lê-lo na cidade que serviu de pano de fundo para a história do livro. Naquela ocasião, pude ver, conhecer e sentir diversos dos ambientes descritos na história do romance, incluindo os nomes de algumas ruas e logradouros do atual centro histórico da cidade. Esta coincidência, além de um acontecimento inédito, foi uma experiência muito curiosa porque se somaram à indiscutível qualidade do romance, os cenários da "vida" dos personagens do livro. Anos depois, comentava a coincidência da leitura e da viagem de férias com o Rafael, quando constatamos que o livro havia desaparecido de nossa casa. Depois, no ano de 1999, no dia do aniversário do Rafa, passávamos por uma livraria e lá encontramos esta coletânea. Compramos a coletânea por não encontrar "Os tambores.." Assim, numa tacada só, mataram-se oito coelhos com uma só cajadada. Daí a dedicatória: "Para o Rafael no seu aniversário de 99. Marcio." Em setembro de 2008, quando fazia uma revisão geral nos registros da bibliomafrateca para colocá-la na internet, constatei a falta do volume que possuia os oito romances enfeixados num só livro. A solução foi voltar a comprar cada um dos livros, por isso O Baile da Despedida está aqui. Viva o sebo.


 

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