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Cais da Sagração

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Cais da Sagração

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Autor: Josué Montello

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 322

Ano de edição: 1981

Peso: 375 g

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Bom
Marcio Mafra
07/05/2005 às 16:25
Brasília - DF

Felipe Lindoso é um antropólogo e editor de livros. Diz que não existe "o melhor livro". Melhor livro pra quem? Melhor livro é aquele que as pessoas querem ler. Isto tanto vale para um Shakespeare, como para um simples livro popular. E conclui: "...O bom leitor é aquele que tem prazer na leitura, seja por razões de ordem estética simplesmente, seja pelo prazer em aprender alguma coisa...." Pois bem, embora o Josué Montello seja um craque dos romances, este seu Cais da Sagração foi lido, sem nenhum prazer. O conto parece uma repetição de personagens, de tema, de lugar e de coisas. O final do livro é absolutamente previsível. São ruins as histórias do Mestre Severino, do Padre e da Vanju. Ao terminar a leitura de Cais da Sagração o leitor ficará sabendo tudo sobre os velhos barcos, movidos à vela, mas, certamente, não terá gostado do livro.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A paixão do mestre Severino.....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Lourença espantou-se ao ver a luz do dia dentro do quarto. Com esforço, sentindo o corpo machucado, ergueu a cabeça, levantou o busto, apoiando-se nos magros braços esticados, procurou com os pés descalços o seu par de chinelos por cima da esteira, os olhinhos contraídos tentando ajustar-se à refulgência do sol. Ao longo de sua longa vida, não se recordava de ter acordado tão tarde. Que horas seriam? Pela intensidade da luz, não saberia dizer ao certo. Dez horas? Meio-dia? - Não, não pode ser - resmunga, com ar de riso. De pé, sentiu um pouco de tontura, amparou-se no punho da rede, esperou que a vista clareasse. Em seguida, apura o ouvido aos rumores circundantes. Um carro de boi chia pesadamente na areia da rua, uma janela bate com estrondo ao vento da manhã, o corrupião do alpendre redobra o seu canto. Ao dar o primeiro passo, ainda com a mão segurando a rede, a velha diz alto: - Pedro volta. Eu sei que ele volta. - Sim, há de voltar, com o favor de Deus, de Santa Luzia e de Nossa Senhora dos Navegantes. A Comadre Noca viu nas cartas, de noite, na mesa da varanda, o barco regressando. Se ela viu, por que haveria de duvidar? Deus é grande, Lourença, e não vai te faltar. As cartas da Comadre Noca estão velhas, ensebadas, puídas nas bordas, porém não deixam de contar a verdade, sob a invocação de São Cipriano. E só assim pudeste dormir toda a santa noite, depois de pitar, no vaivém da rede, o teu cachimbo de taquari comprido. Agora, andando no quarto, repetes que o Pedro volta, e tua voz é trêmula, uma voz assustada. Como deixar de ter medo, se o teu menino está num barco frágil, no meio do mar alto, levado pelo avô doente? - Deus olha por ele. Antes de alcançar a porta .que abre para o corredor, Lourença pára, aproxima as sobrancelhas. Não estaria sendo ingrata? - Eu só tenho falado no Pedro. E Mestre Severino? É meu homem, passei quase toda a vida com ele, não ia querer agora que o meu velho me faltasse. Quando peço pelo Pedro, peço também por ele. Deus sabe disso. Arrastou os pés nas tábuas do chão, saiu ao corredor, olhou na direção da sala. Tem uma vaga lembrança de haver levantado à noite para passar a chave na porta da rua. Levantou mesmo? Ou estará ficando broca? E a Comadre Noca? Teria passado a noite ali? E já teria ido embora? - Coitado do Padre Dourado. Não diz mais coisa com coisa. Será que eu também vou ficar assim? Deus me livre e guarde. Velha, vá lá. Mas velha caduca, isso não. Vai até o começo do corredor, resvala o olhar pela sala. A porta está fechada, estão fechadas as janelas da rua. Pelo leque de vidro que encima as esquadrias, entra a claridade da manhã alta: feixes de luz doirada caem no chão, por eles sobe e desce uma nuvem de poeira. O retrato da Vanju, meio apagado pelo tempo, olha-a do retângulo de sua moldura desbotada. - Deus te fale na alma - suspira a velha. O sofá de palhinha, que só foi lustrado uma vez, tem um braço caído, reclamando conserto. Das duas cadeiras de braços que compunham o grupo, só resta uma, de palhinha amarela, quase preta. Contra a parede fronteira, no vão das janelas, o espelho comprido, de moldura doirada, último capricho da Vanju, já não recolhe a luz circundante, embaciado, coberto de manchas. Os bibelôs antigos, que Mestre Severino trazia das viagens, acabaram-se todos, até mesmo o barco de vidro que parecia com o Bonança. Lourença resvala sobre tudo o seu olhar nostálgico, abre uma das janelas, torna ao corredor. De repente pára, apalpa os bolsos da saia, à procura da caixa de fósforos. Tê-la-ia deixado ao pé da rede, em cima da esteira, junto ao cachimbo? Mas ali, sobre a esteirinha de piaçaba, ela não está. Onde a teria deixado? Só então se recorda de que, antes de deitar, acendeu uma vela para Santa Luzia e espetou-a no castiçal de cobre em cima da cômoda. Sempre arrastando os chinelos surrados, com a fofa impressão de que amanhecera com os pés inchados, ei-la que se aproxima da cômoda. Logo dá com os olhos na caixa de fósforos, ao pé do castiçal desfigurado pela cera derretida. Recolhe-a, demora o olhar manso na imagem de Santa Luzia, franzindo a testa. Não é que ia começar o dia sem rezar? - Isso nunca me aconteceu - resmunga. Nesse momento, no retângulo do espelho sobre a cômoda, um rosto magro, engelhado, de maçãs salientes, rugas fundas, boca murcha, move também os lábios secos, arremedando-a. Lourença tira o olhar da imagem, concentra-o no semblante devastado que também a observa, um fitando o outro, como no jogo do sizo. Seria mesmo seu aquele rosto alastrado de pés-de-galinha, olhos empapuçados, os cabelos grisalhos escondendo as orelhas? É seu, sim. Pobre Lourença! Vem-lhe à tona da boca um riso leve e doloroso, que lhe repuxa em ricto o canto dos lábios, ao mesmo tempo que, à sua frente, o outro rosto também sorri, com o mesmo trejeito amargo.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Durante viagem de férias à S.Luis do Maranhão, por volta de 86, levei o livro Os Tambores de São Luis.Foi pura coincidência lê-lo na cidade que serviu de pano de fundo para a história do livro. Naquela ocasião, pude ver, conhecer e sentir diversos dos ambientes descritos na história do romance, incluindo os nomes de algumas ruas e logradouros do atual centro histórico da cidade. Esta coincidência, além de um acontecimento inédito, foi uma experiência muito curiosa porque se somaram à indiscutível qualidade do romance, os cenários da "vida" dos personagens do livro. Anos depois, comentava a coincidência da leitura e da viagem de férias com o Rafael, quando constatamos que o livro havia desaparecido de nossa casa. Depois, no ano de 1999, no dia do aniversário do Rafa, passávamos por uma livraria e lá encontramos esta coletânea. Compramos a coletânea por não encontrar "Os tambores.." Assim, numa tacada só, mataram-se oito coelhos com uma só cajadada. Daí a dedicatória: "Para o Rafael no seu aniversário de 99. Marcio." Em setembro de 2008, quando fazia uma revisão geral nos registros da bibliomafrateca para colocá-la na internet, constatei a falta do volume que possuia os oito romances enfeixados num só livro. A solução foi voltar a comprar cada um dos livros, por isso Cais da Sagração está aqui. Viva o sebo.


 

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