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Os Tambores de São Luis

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Os Tambores de São Luis

Livro Excelente - 2 opiniões

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Autor: Josué Montello

Editora: José Olympio

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 486

Ano de edição: 1978

Peso: 595 g

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Excelente
Rafael Mafra
20/11/2005 às 16:08
Brasília - DF

No histórico, pode-se ver que ganhei esse livro em fevereiro de 99. Ganhei junto com um livrinho do Calvin, O Amor é Fodido, Retrato de Dorian Gray. Seu volume gigante e páginas fininhas me levaram a optar por ler todos primeiro, antes desse. Acabou que li todos e quando comecei "Tambores", deixei de lado. Só retomei agora, em 2005, já morando na minha casa. E nem esses 6 anos ouvindo críticas do meu pai por não ter lido essa obra-prima, diminuíram o valor do livro. A primeira coisa que destaca no livro é a linguagem escorreita e a capacidade descritiva do autor. Vai passando a história e isso fica em segundo plano. A capacidade narrativa, no ir e vir do passado em simples pensamentos é plena, absoluta, maestral. A opção por contar a história de forma remissiva, que não deixa de ser um capricho, poderia tornar o livro confuso, chato, masturbação literária. Mas não. Montello vai e volta quando quer, deixando sempre em suspense o que aconteceu em seguida e tornando o tempo presente um mero acessório do restante da obra e o único parâmetro para saber que a história de se aproxima do fim. A história é extensa, passa cuidadosamente por 70 anos de vida do protagonista. Protagonista bem descrito, denso, complexo e coerente com seu passado, com seus antepassados, com o contexto. O contexto também se abre à medida que os horizontes do protagonista se ampliam, saindo de um microcosmo de casa-grande e senzala, para o Brasil no final do séc. XIX. Obrigatória aula de história e de literatura.


Excelente
Marcio Mafra
07/05/2005 às 15:05
Brasília - DF


Um livralhão. A história acontece como num "flash back". Só os grandes escritores conseguem este efeito. Nos filmes é um efeito banal, questão de técnica. Em livro é questão de competência e estilo. Damião sai de sua casa e vai até a casa de sua bisneta, Biá, na Rua da Gamboa, para o nascimento de seu trineto. Todo o romance se passa durante esse trajeto. Ótimo livro. Ótima leitura, ótimo estilo, ótima trama, ótimo escritor. Melhor ainda se durante a leitura, o leitor estiver em viagem de férias em São Luis do Maranhão. Os tambores de São Luis é obra prima do Mestre Josué Montello.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Damião vai à casa de sua bisneta, para o nascimento de seu trineto

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Damião foi a última pessoa a deixar o cemitério. Até o fim esperou que os coveiros batessem a terra da sepultura. Zonzo, com a sensação de que tudo agora lhe faltaria, sentia-se preso ao chão, no atordoamento que o deprimia. E foi com esforço, de olhos turvos, que se desprendeu dali, seguindo os três coveiros, que se encaminhavam na direção da capela. Ia de ca1reça baixa, indiferente ao canto das cigarras nas casuarinas, os ombros caídos, a cabeça protegida pelo chapéu preto, que lhe escondia o cabelo ainda curto. Na volta da alameda, já perto do portão, deu com a Genoveva Pia, que esperava por ele, envolta no' seu. velho xale esfiapado nas bordas, os pés nas sandálias escuras, um pente no cabelo. Ela caminhou ao seu lado, de fisionomia consternada, o pescoço duro, como se equilibrasse na cabeça o seu tabuleiro de doces. E foi só depois de transpor o portão que a velha lhe falou: - A vida é assim mesmo. A gente se consome, 'luta daqui, vira dali, e aí vem a morte e dá a sua cacetada na cabeça do coitado. Não adianta chorar. A vida é de Deus. Suspirou alto, sem alterar o passo na calçada estreita. E puxando pela memória, com o pensamento no defunto: - Conheci a mãe dele, a Bárbara dos Santos, preta como eu, escrava do Quim Barateiro, um português já véio, com idade de ser pai dela. A Bárbara, muito novinha, apareceu de barriga, e teve a criança na casa do Quim, com a Zeferina Rezadeira, que foi escrava da mãe de minha Sinhá. O menino nasceu com o pescoço grosso do pai. E mais pra preto que pra branco; Ele ainda era pequeno quando o pai morreu. Na hora de abrir o testamento do Quim Barateiro, a Bárbara tava forra e o fio também. Tava também escrito que uma parte do dinheiro dele era pra educar o menino pra padre, no Seminário do Ceará, ou então em Portugal. Passou tempo, e um belo dia apareceu aqui no Maranhão um morenão escuro, metido na batina, de coroa aberta, falando muito. Quando ele passava na rua, todo mundo parava pra ver. Foi eu oiar pro padre e vi logo que era o fio do Quim Barateiro. Conheci pelo pescoço. Já a Bárbara tinha morrido. Não passou muito tempo, um jorná daqui, desses que insulta todo mundo, chamou ele de Padre Tracajá. E Padre Tracajá ele ficou pro resto da vida. Se ocê não me fala, cadê que eu me lembrava mais que o nome dele era Policarpo? Aposto que até Deus, lá em riba, só tá chamando ele de Padre Tracajá. Por uns momentos, ouvindo a velha falar, Damião havia esquecido o morto, para se interessar por seu passado. De pronto caiu em si, restituído à consternação que o deprimia, e lembrou o préstito fúnebre descendo a Rua Grande, depois a Rua do Passeio, com a multidão silenciosa acompanhando a carreta que levava o ataúde. À frente do cortejo, ia o próprio Bispo, precedido pelo sacristão de cruz alçada. Damião soubera da morte do padre já manhã alta, quase meio dia, por um recado de Dona Bembém, trazido pelo Bento Silva. Aproveitou-lhe o carro e correu para o Largo de Santiago, acabando de vestir-se pelo caminho. Na véspera, pelo fim da tarde, na sua primeira saída à rua depois que o velho o tirara da cadeia, tinha ido vê-lo. Achara-o mais magro, as faces muito encovadas, a respiração curta, e dele ouvira que, tão pronto melhorasse, iria queixar-se do Cabo Machado ao chefe de Polícia. Caso este não tomasse uma providência enérgica, daria um jeito de falar ao Presidente da Província, ainda que fosse preciso apelar para os bons ofícios do Senhor Bispo. Porém Damião, já restituído à sua serenidade, com as marcas da navalha cobertas pelo cabelo ainda curto, insistira com ele para que se esquecesse do episódio. . E o velho, com firmeza, depois de reprimir um acesso de tosse: - Temos de pensar nos outros negros. Teu caso serviu para que eu visse a extensão dos abusos que se praticam na Polícia. E vou denunciá-los do púlpito, no meu primeiro sermão. Já não faria mais o seu sermão. E Damião, sentado ao lado do Bento Silva, no desconforto da boléia, relutava em admitir que não iria mais encontrá-lo na sua rede da varanda, com o cigarrinho no canto da boca, alguns livros no chão juntamente com a bengala. Quando desceu no Largo de Santiago, teve a surpresa de ver a casa fechada, só entreaberta a. porta da rua, sem qualquer aparato de velório. E na calçada da rua, antes de empurrar a porta, ouviu de um vizinho que o corpo do padre tinha sido levado para a igreja da Conceição, já fazia algum tempo. - Eu devia ter ido mais cedo levar o aviso de Dona Bembém - justificou-se o Bento Silva. - Mas tive de atender um freguês na Jordoa, e me atrasei um pouco. Na casa quieta, por onde foi entrando com ar espantado, Damião só encontrou a velha Calu, sentada na cadeira de balanço junto ao vaso do tinhorão, a bengala atravessada no regaço, uma expressão de júbilo nos olhinhos pregueados.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Durante viagem de férias à S.Luis do Maranhão, por volta de 86, levei o livro Os Tambores de São Luis.Foi pura coincidência lê-lo na cidade que serviu de pano de fundo para a história do livro. Naquela ocasião, pude ver, conhecer e sentir diversos dos ambientes descritos na história do romance, incluindo os nomes de algumas ruas e logradouros do atual centro histórico da cidade. Esta coincidência, além de um acontecimento inédito, foi uma experiência muito curiosa porque se somaram à indiscutível qualidade do romance, os cenários da "vida" dos personagens do livro. Anos depois, comentava a coincidência da leitura e da viagem de férias com o Rafael, quando constatamos que o livro havia desaparecido de nossa casa. Depois, no ano de 1999, no dia do aniversário do Rafa, passávamos por uma livraria e lá encontramos esta coletânea. Por isso tem a seguinte dedicatória: "Para o Rafael no seu aniversário de 99. Marcio." Em setembro de 2008, quando fazia uma revisão geral nos registros da bibliomafrateca para colocá-la na internet, constatei a falta do volume que possuia os oito romances enfeixados num só livro. A solução foi voltar a comprar cada um dos livros, por isso Os Tambores de São Luis está aqui. Viva o sebo


 

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