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Profanação

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Profanação

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Ruy Fabiano

Editora: A Girafa

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 253

Ano de edição: 2005

Peso: 330 g

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Bom
Marcio Mafra
08/08/2005 às 11:20
Brasília - DF

O Rui Fabiano é bom de muita coisa.Bom de texto, de enredo, de estilo e de cultura. O Profanação, nem tanto. É uma novela ambientada em tempos recentes, mais exatamente no ocaso do governo do ditador General João Figueiredo. A trama é uma mistura, inteligente, de política, com jornalismo - ligado ao seu indefectível mundo do poder, sexo, prestígio, drogas, dinheiro - e misticismo. Todavia, o resultado da trama não é dos melhores. Na maioria das ações, o leitor percebe o desenvolvimento e, principalmente, o desfecho de cada ato. Fica sem graça. Muitos capítulos, se lidos separadamente, são bons ou muito bons, o mesmo não acontece quando são lidos no todo. É como se a parte fosse melhor que o todo. Algumas tiradas são excelentes, como....." quando quiser conquistar alguém, meu caro, busque atingir o ego. É um ponto tão ou mais sensível que o bolso. O ego, meu caro, é o clitóris da alma...." ...."vou lhe dizer uma coisa: contento-me com as sobras. Sou um profissional do troco....." Mas, no conjunto, ou, no contexto, o livro não é bom. É "marromenos". Quase todo jornalista que escreve bem, acaba pensando que tem talento de escritor.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Gregório Pedra, mercador das palavras, que vende a alma ao diabo e a retoma.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A primeira reunião no escritório de consultoria e lobby de Juvenal Serra, no Setor Comercial Sul, começou pontualmente às sete da manhã. Lá, estavam todos: além de mim, Serra e Urtigas, o deputado Edísio Almeida, o senador Lúcio Fera e o professor Fagundes Silva (formado pela Escola Superior de Guerra e amigo íntimo de alguns militares multiestrelados). Todos em impecáveis ternos, gravatas de seda importadas, pastas de couro, canetas Mont Blanc etc. Esse visual fazia parte da ecologia política de então. Mesmo não sendo usado, era obrigatoriamente exibido. O poder, afinal, gravita em torno de símbolos, grifes e etiquetas. Tudo ali é aparência. A princípio, todos estavam solenes, exibindo respeitabilidade, tipo intelectual-homem-de-bem. Coube a Juvenal Serra, com cruel descaro, quebrar o clima cerimonioso: - Bem, minha gente, ninguém aqui é criança e todos, portanto, sabem que não há propósito cívico algum nesta reunião. Estamos aqui para conspirar. Permitam-me a franqueza: todos aqui somos putas-velhas em busca de poder. Portanto, relaxem, porra! Nada de formalidades; aqui, ninguém é "senhor"; todo mundo é "você" e cá estamos, afinal de contas, para uma coisa muito simples: bolar truques para o nosso candidato, antes que o outro o faça. A melhor defesa é o ataque e o bom político é o que se antecipa às sacanagens do adversário. Não pensem que há como escapar: a vida é um ato de sacanagem. E a política nada mais é que a sacanagem científica, sistematizada. Portanto, vamos lá: a sessão está aberta. Alívio geral. A descontração foi tal que desviou o sentido do encontro. Em vez de séria reunião de sábios e doutos para decidir os destinos da nação, instalou-se uma roda de conversa fiada. Fumava-se muito. - Viu só o que disse o Tancredo? "O país está à beira do abismo". Originalíssimo! - Ora, nós somos o abismo, esse é o nosso habitat natural. - Viu o Ulysses? "O país está fazendo piquenique na boca de um vulcão". - É a declaração favorita dele, desde a Revolução de 30. - Parece que há um contrato entre ele e essa frase... - É promessa. - E o Herbert Levy? Banqueiro, só anda em carros estragados, de terceira mão. Tem pesadelos diários com a guerra civil e a revolta dos miseráveis e tem pânico de usar carros novos e ser identificado como rico. Nos seus delírios, tropas de famintos e desdentados descem das cidades-satélites, sitiam e estupram o Lago Sul e o Plano Piloto. - Está tão preocupado com a pobreza no Brasil que ontem chegou a dar uma esmola. A família quer interná-lo. A análise evoluía por aí afora, numa linguagem que mantinha o padrão estabelecido na fala inicial do anfitrião. Às 10 horas, o texto, com as conclusões daquela doura assembléia, deveria estar nas mãos de Urtigas, levado por Serra. Às oito e meia, encerrava-se o papo. Era quando eu entrava em cena. Tinha que produzir em torno de 30 a 50 linhas, resumindo as recomendações da patota. O detalhe é que, pelo menos na estréia, inexistiam recomendações. O que passou a acontecer é que, no espaço de uma hora e meia, acabava sobrando para mim a responsabilidade que, em tese, deveria ser de todos. Produzia eu mesmo os conselhos, as frases espirituosas, as análises, que procurava extrair da conversa fiada dos doutores. "Será que alguém vai ler isso?", pensava. A seguir, ia à sala de Juvenal, que conversava animadamente sobre negócios com algum dos integrantes da assessoria informal, e entregava o trabalho. Um dos dois lia o texto em voz alta, para o exame do parceiro e, após aprová-lo, com eventuais acréscimos ou supressões, encerrava o assunto secamente. - Até amanhã, meu caro. Havia mais um detalhe naquilo tudo: embora nada de ilícito houvesse no tal conselho de sábios, ele deveria ser mantido em absoluto e completo sigilo. No momento em que a imprensa detectasse a existência daquele encontro diário, ele perderia o sentido. - Somos uma célula clandestina da campanha - resumiu Juvenal. Sequer os mais chegados assessores do candidato conheciam o grupo. E isso gerou situações engraçadas. Certo dia, produzimos uma frase de efeito para a campanha: "Vamos resolver o Brasil". Um deputado a proferiu da tribuna. E passou a repeti-la a cada instante. Um comentarista político de um jornalão atribuiu a frase à assessoria paulista do candidato, elogiando seus PhDs. Uma noite, eu e Juvenal fomos ao Gaf, após o fechamento do jornal. Encontramos Melchíades, que integrava a assessoria formal do candidato. Ele já tomara alguns uísques, o que o deixava loquaz e cioso de suas prendas intelectuais, que julgava desconsideradas pela truculência da campanha, provocando-lhe constantes crises existenciais. O álcool restituía-lhe momentaneamente a confiança. Acompanhado de amigos, sorvia deliciado o elogio do jornalão à frase. E procurava explicar, em tom didático, como chegara àquele achado: - O segredo é a síntese. Vejam bem: todos dizem que o Brasil é um imenso problema. Mas o povo quer saber mais; quer saber o que os candidatos vão fazer com esse problema. Aí, depois de muito pensar, acabei sacando esta frase tão simples, mas que diz tudo: "Vamos resolver o Brasil". Pronto: não é preciso dizer mais nada. Parece simples, mas, por trás, há toda uma longa e paciente elaboração intelectual. Pode não parecer, mas há muito de Kant nisso tudo. Juvenal foi de um cinismo efusivo: - É sua essa frase, Melchíades? Porra, cara, parabéns! Achei genial. Sinceramente, parabéns! - Ora, assim você me encabula.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

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