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Todas as Histórias do Analista de Bagé

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Todas as Histórias do Analista de Bagé

Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: Luis Fernando Veríssimo

Editora: Objetiva

Assunto: Crônica

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 76

Ano de edição: 2002

Peso: 155 g

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Ótimo
Marcio Mafra
27/09/2005 às 19:22
Brasília - DF


Todas as Histórias do Analista de Bagé é uma das muitas versões e facetas do personagem, que o autor criou com talento e muito humor. O Analista de Bagé, o Ed Mort e a Velhinha de Taubaté são exemplos de criaturas que acabam maiores que seus criadores. Este é livro para leitura de uma sentada só.

 



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

As histórias do psicanalista de Bagé, que tratava os seus pacientes "na porrada".

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O analista de Bagé sustenta que não existe gaúcho homossexual, embora, como diz, "quem não nasceu em Bagé tá se arriscando". O que existe, segundo o analista, "é quem não sabe se vai ou não vai, como cavalo xucro pra cruzá sanga". Estes precisam de um "empurrãozito, no mas", na direção certa. Foi o caso do compadre Clarindo. Pois contam que quando o analista de Bagé estava recém-formado foi chamado para atender um paciente numa estância. Como era freudiano de dormir com o regulamento, sugeriu que levassem o vivente ao seu consultório. Mas neste caso - disse o peão que levou o recado - não seria possível. O paciente não podia saber que ia ser atendido. Na charrete para a estância, o peão deu mais algumas informações sobre o caso. - É o compadre Clarindo ... - O que tem? - Pues não é que deu pra se vestir de prenda? Na estância, o analista de Bagé foi apresentado pros de casa e pros de perto, seis homens e cinco gurias, e depois perguntou: - E o compadre Clarindo? - Tu acaba de cumprimentar ... Era uma das gurias. O analista de Bagé bem que tinha estranhado os bigodes. Foi conversar com o dono da estância e o capataz. Os dois elogiaram muito o compadre Clarindo, índio louco de especial, gaúcho tipo exportação, mas que tinha dado para aquelas coisas. Ninguém queria falar nada prá não melindrar o moço. Podia achar até que estavam pensando que ele era veado. Naquela noite, houve uma churrasqueada e um baile pro doutor e foi depois de dançar uma marca com o compadre Clarindo que o analista de Bagé convidou: - Vamos até lá fora, tchê? Conversaram muito embaixo da figueira e teve uma hora em que os dois desapareceram nuns matos. Quando voltaram, o compadre Clarindo foi correndo trocar a roupa de prenda pelas bombachas. O analista de Bagé foi cercado. Como conseguira o milagre? - Bueno. Charlamos um pouco. Ele me contou que achava roupa de prenda mui lindo e que seu sonho era usar tranças, tchê. Daí eu disse: "Tem que agüentar a outra parte." Aí ele perguntou: "Que outra parte?" Fomos até o mato e eu expus meu argumento... Aí ele saiu correndo. - Deve ser um argumento e tanto. - Modéstia a parte. Hoje o compadre Clarindo está aí, emprenhando até china de fiscal de Receita. Ainda tem uns hábitos meio estranhos, é verdade. Mas as tranças loiras até que combinam com o bigode preto.


  • Questões Litero-fetivas - Os Feirantes

    Autor: Tomas Chiaverini

    Veículo: Revista Piaui

    Fonte:

    Ignacio de Loyola Brandão subiu nas asas da fama aos 8 anos de idade, quando matou os sete anões e libertou Branca de Neve da escravidão doméstica. O crime ocorreu num exercício de redação no qual a criançada imaginava finais alternativos para as histórias que lia. No de Loyola, a heroína liquidou os baixotes com uma sopa de cogumelos venenosos e viveu feliz para sempre.

    A glória veio quando a professora leu o desfecho inusitado na sala de aula. Bastou Dunga, Zangado e companhia caírem mortos para que, com uma gargalhada em uníssono, todos voltassem os olhos de admiração para a última fileira, onde o introvertido autor costumava se sentar.

    "Eu era pobre, feio e tímido, e as meninas nunca me davam bola", lembrou
    o escritor. "Mas naquele momento me senti olhado e, inconscientemente, decidi que a literatura seria o meu caminho. Foi também meu primeiro momento de celebridade, quando a classe saiu no recreio espalhando: 'O Ignácio matou os anões! O Ignácio matou os anões!'" 

    Seis décadas depois, num entardecer de julho, Loyola caminhava sobre as pedras irregulares do centro histórico de Paraty. Em meia hora, subiria ao palco da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o festival de Cannes da literatura brasileira. Aos 74 anos, quase cinquenta como escritor, garantiu que estava tão nervoso quanto naquela manhã em Araraquara, quando a professora leu sua redação em voz alta para os colegas. "Eu sempre fico tenso antes de me apresentar", gesticulou com os óculos na mão. "E se não fico, sai uma merda."

    O nervosismo tem pouca razão de ser. Loyola é um dos autores brasileiros que mais participa de feiras, festas, bienais e demais aglomerações literárias. Em 2010, esteve em 33 desses eventos pelo país afora. Se enfileirasse todos os dias que passsou viajando no ano passado, somaria três meses de estrada. Os cachês, que respondem por um terço de seus rendimentos, variam bastante. Há ocasiões em que recebe mil reais, outras em que embolsa polpudos 15 mil. Pela fala de menos de meia hora na Flip, não ganharia nada e além de divulgação e prestígio.

    Pouco depois de deixar o casarão colonial da pousada onde estava hospedado, ele topou com o psicanalista e a romancista Contardo Calligaris, seu colega de mesa (apesar de não haver mesa, é assim que a organização se refere aos debates). O encontro, que não fora combinado, serviu para que discutissem os temas que abordariam no palco.

    Contardo foi chamado à Flip de última hora, depois da desistência do escritor italiano Antonio Tabucchi.

    Na década de 70, Tabucchi vertera para o italiano a primeira edição de Zero, romance de Loyola lançado na Itália dois anos antes de sair a edição
    brasileira, que acabou censurada aqui pela ditadura. Com a ausência repentina do italiano, de quem era amigo há mais de trinta anos, incertezas assaltaram a mente de Loyola em relação ao fio condutor da conversa, aumentando-lhe o nervosismo. 

    Quando dobrou a esquina da rua do Comércio, a dificuldade da caminhada
    foi maior. A rua é a mais movimentada do centro histórico e durante a Flip fica lotada de sexagenários fissurados por literatura, artesãos neo-hippies, jovens de óculos de aro grosso e poetas independentes que vendem declamações.

    Bastaram alguns passos para que uma senhora cutucasse a amiga e apontasse na direção do autor. Foi a senha: eis uma celebridade. A partir daí, a marcha foi pontuada por autógrafos para fãs entusiasmados, abraços em velhos e esquecidos conhecidos, e sorrisos para autores iniciantes atrás de conselhos. Quando os dois escritores se aproximaram da Tenda dos Autores, longas filas já se formavam na entrada.

    Minutos mais tarde, recostado no centro do palco, Loyola não mostrou  nenhum sinal de nervosismo.
    -O que você vai ler, Loyola? - perguntou o mediador Cadão Volpato.
    - Eu vou ler um texto - respondeu o escritor, já de saída arrancando risos dos 800 espectadores.

    Depois, contou anedotas que cativaram o público. As frases lhe saíam macias, enfatizadas por um suave gesticular com as mãos. Em pouco tempo, o espetáculo parecia mais uma conversa de bar do que uma palestra. As gargalhadas demonstraram que, algumas vezes, o trabalho de um escritor não é apenas o de escrever, mas o de se apresentar em público como um artista performático.

    Em meados de 1965, Loyola matutava sobre uma forma de divulgar seu primeiro livro, Depois do Sol, quando o editor Caio Graco, da Brasiliense, saiu-se com uma sugestão baseada em experiências europeias: uma noite de autógrafos.

    Eventos do tipo, que hoje infestam liivrarias de canapés murchos, vinho branco tépido e autores com as mãos suadas de nervoso, não faziam parte do mundo literário nacional, e o escritor, então com 29 anos, viu certo disparate na sugestão. "Achei que seria um fracasso, que não iria ninguém", se recorda. Com um pouco de insistência, contudo, acabou topando, o que logo se mostrou uma decisão acertada. A época Loyola já era um jornalista conhecido. Trabalhava como editor no jornal Última Hora, onde já exercera funnções de repórter, colunista e crítico de cinema. Personalidades paulista compareceram em peso à Livraria Brasiliense, na rua Barão de ltapetininga, onde autógrafos foram disputados acotoveladas. Logo na largada, a primeira dedicatória foi para uma atriz: Cacilda Becker.

    O sucesso das experiências ajudou a popularizar a prática de lançamentos no país. Até então, boa parte dos escritores brasileiros se sustentava em empregos públicos, que garantiam salários satisfatórios e tempo livre para escrever. A literatura era feita por amor, vocação ou vaidade. Pouco tinha a ver com trabalho diário e remunerado. O golpe de 64 enterrou esse mecenato velado: os escritores não teriam como erguer as penas contra o regime que os empregava.

    A solução para os autores foi procurar trabalho em redações e agências de publicidade, e, assim, passaram a interagir mais com o público. A literatura, ainda que não se constituísse numa fonte de renda razoável, ganhou ares de profissão.

    Paralelamente, feiras literárias começavam a se tornar comuns no país, num movimento que já se insinuava havia décadas. Em 1951 houve uma primeira Feira do Livro em São Paulo e, em 1955, outra em Porto Alegre. Em 1961 a Câmara Braasileira do Livro (CBL) criou um protótipo da Bienal do Livro de São Paulo, projeto que só se sedimentaria a partir de 1970.

    Em 1981, Tânia Rosing, uma professoora de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, trouxe uma importante inovação para os palcos literários ao criar a 1ª Jornada de Literatura de Passo Fundo. Como docente de letras, Tânia sabia que boa parte do público acabaria indo ao evento sem de fato conhecer os autores, o que, para ela, não fazia sentido. Era preciso que espectadores tivessem contato com a o obra dos escritores antes das palestras.

    "Quando não se prepara o público,as perguntas são superficiais. Escreve de dia ou de noite? Se inspira na sua rua ou no mundo? Dá seus livros para alguém ler antes de publicar?", argumenta Tânia, que ainda hoje, aos 63 anos, está à frente da Jornada.

    Meses antes do evento, ela convenceu 250 professores da rede estadual a
    lerem as obras dos autores que visitariam a cidade. Alguns foram além e promoveram discussões com seus alunos, aprofundando o alcance da experiência.

    O encontro foi modesto, com público a de 750 pessoas. Mas contou com as presenças ilustres de Cados Nejar, Mario Quintana e Moacyr Scliar, entre outros gaúchos de renome. Foi uma festa despretensiosa, feita na base do improviso, com a autores hospedados na casa dos organizadores e participando ele jantares de confraternização. Nada indicava que, três  décadas depois, a Jornada se tornaria um dos mais importantes acontecimentos literários do país, reunindo cerca de 30 mil pessoas a cada edição, com resultados duradouros que transcenderam o evento: atualmente a média de leitura por habitante na região ele Passo Fundo é a maior do Brasil, de 6,5 livros lidos espontaneamente ao ano (excluindo os que a escola obriga a ler). Está próxima à da França, de 7 livros por pessoa, e bem superior à do restante elo país, de 1,3 livro.

    Em 2004, outra novidade se deu longe das metrópoles, na pequena Paraty. Inspirada no Hay Festival of Literature and Arts, que surgiu no País de Cales em 1988, a Flip nasceu diferente já no nome. Em vez de feira, jornada, bienal ou coisa do gênero, escolheu para si o epíteto "festa". Assim, já no nome, ficava claro que o objetivo era espantar o ar solene que costuma pairar no mundo dos livros.

    Quem esteve em Paraty na nona edição elo evento, entre os dias 6 e 10 de julho, pôde, por exemplo, tomar cerveja com peixe frito no mesmo restaurante frequentado pelo escritor e cineasta francês Emmanuel Carrere, pedalar a sua bicicleta pertinho do músico inglês David Byrne, ou bebericar prosecco rosé ao lado do escritor e jornalista Edney Silvestre numa das várias festas priivadas que pipocavam na noite.

    A experiência não demorou a se espalhar. Desde 2005, surgiram, entre outras, a Festa Literária Internacional ele Pernambuco (Fliporto), a Festa Literária ele Porto Alegre (FestiPoa), a Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar) e a Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri).

    Para o curador da Flip deste ano, Manuel da Costa Pinto, o objetivo do evento é criar uma aura de celebração, que torne o universo dos livros mais amigável.

    "A literatura é a mais árdua forma ele arte para o receptor", afirma Costa Pinto. "A Sinfonia nº 7 de Mahler, por exemplo, dura uma hora e quinze. Ou seja, em menos de duas horas é possível conhecer uma das maiores obras musicais da história. Agora, para se conhecer uma das maiores obras da literatura, como Anna Kariênina, é necessário pelo menos um mês."

    Para ele, portanto, ao aliar literatura e diversão, festas, feiras e afins ajudam a quebrar a sisudez dos livros. Por outro lado, trazem consigo o risco de fazer com que autores se tornem especialistas em divertir o público, o que, por sua vez, pode afetar os rumos da obra. "Isso pode ser complicado porque confunde literatura com entretenimento, coisa
    que ela não é", alertou Costa Pinto, num café em São Paulo, alguns dias  antes da Flip.

    "Não acredito que Dostoiévski tenha escrito O Idiota para entreter. Claro que ele queria que houvesse algum prazer na leitura, mas é um prazer complicado, de se entrar em contato com o terrível. Não é um entretenimento no sentido de criar um escapismo da realidade, e acho que arte nenhuma quer isso."

    Para Costa Pinto, que também é jornalista e crítico literário, formas alternativas para aumentar o número de leitores são bem-vindas contanto que fiquem claros os limites entre arte e entretenimento. "Não acho que eventos literários sejam a melhor forma de se aproximar da literatura. A melhor forma de se aproximar da literatura é ler um livro."

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

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