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Se Eu Abrir Os Olhos Agora

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Se Eu Abrir Os Olhos Agora

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Edney Silvestre  

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 302

Ano de edição: 2018

Peso: 290 g

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Ótimo
Marcio Mafra
12/07/2020 às 16:47
Brasília - DF
“Se Eu Fechar os Olhos Agora”, conta a história da investigação de um crime, onde Paulo e Eduardo, dois garotos adolescentes que acharam o cadáver, são suspeitos do provável assassinato. Porém, o marido da vitima, um dentista, confessou o crime. Então, embora os garotos não fossem mais considerados suspeitos, resolveram investigar o crime por conta própria porque o dentista era um velho e muito fraco para ter assassinado sua mulher. Eles acabam se juntando a Ubiratan, idoso que não suportava injustiça e morador de um asilo. Os três são os personagens mais importantes do livro. Mas sobre o crime propriamente dito, aparecem outros suspeitos e diversas pessoas tem envolvimento no caso.
Como pano de fundo o romance discute temas sensíveis como sexo, abandono de pessoas, diferenças raciais, feminismo, machismo,religião e infidelidade.
Gostosas também são as tiradas de humor entre os personagens destacando as tiras de papel onde se anotavam palavras “difíceis”.
Este é um livro de sucesso, até porque virou minissérie na TV Globo muito tempo depois de editado.

Marcio Mafra
12/07/2020 às 16:47
Brasília - DF
A história de Paulo e Eduardo, jovens de 12 anos que encontram Anita, morta, bastante mutilada, muito perto do lago que costumavam frequentar para nadar e se divertir. Apavorados, sem saber direito o que fazer, foram à polícia para comunicar o achado. Ao relatar o caso na delegacia os garotos foram tratados como suspeitos. Pouco depois foram liberados porque o marido da vítima confessa o crime.
Marcio Mafra
12/07/2020 às 16:47
Brasília - DF
Chegaram correndo ao centro da praça onde o homem de cabelos brancos cochilava sentado em um banco próxi- mo ao coreto. Falavam depressa, engolindo algumas pala- vras, orgulhosos para contar suas descobertas e receosos de perderem o fio do raciocínio. Arfavam. - O senhor acertou - começou Paulo, a corda enro- lada em torno do ombro. - Ela não tinha pai. - Nem mãe. - Estava escrito lá: filha de pais desconhecidos. - E o registro foi feito pelas freiras do orfanato. - Do orfanato das meninas. Porque tem também um de meninos, aqui na cidade. Há freiras cuidando dos dois. Mas acho que são de ordem religiosa diferente das freiras do seu asilo. A roupa não é igual. A cor do uniforme delas ... - Ela não se chamava Anita! - interrompeu Paulo. - Quer dizer, a mulher com quem o doutor Andrade ... - Doutor Andrade é o nome do dentista. Francisco Cle- mentino de Andrade Gomes. - ... se casou. - E se chamava Aparecida dos Santos! - Maria Aparecida dos Santos! - Aparecida é que foi registrada em 1937 como filha de pais desconhecidos, pelas freiras do orfanato - acrescentou Eduardo. - Aparecida é que casou com Francisco Clementino de Andrade Gomes no dia 6 de junho de 1952. Maria Apa- recida dos Santos. Com o doutor Andrade. - Quando tinha quinze anos. O velho tirou do bolso do paletó um cigarro amassado metade já fumado, pôs na boca. De outro bolso puxou uma caixa de fósforos. Acendeu o cigarro, deu um trago. Soprou para o alto a fumaça. Em nenhum momento olhou para os meninos. - Quinze anos - repetiu Eduardo. - Era a idade de Aparecida quando ela se casou com o dentista. Tal como contaram para o senhor. - O dentista não casou com Anita nenhuma. - Ele se casou com Aparecida. - Não existe Anita! - Quer dizer: existiu ... - Porque Aparecida passou a ser chamada assim. - Chamada de Anita. - Dona Anita. - Mulher do doutor Andrade. Eduardo começara a se amolar com o silêncio do velho. - O senhor entendeu? - Ouviu? - perguntou Paulo, em tom mais alto. - Está ouvindo o que lhe dizemos? - A mulher assassinada tinha outro nome! - Aparecida! - gritou Eduardo. - Aparecida! Mais um trago no cigarro. A fumaça solta em sopro len- to. O olhar vago. Eduardo exasperou-se. - Eu quase quebrei a perna descendo pela corda. Podia ter quebrado a perna! As duas pernas! Podia estar aleijado, agora! - E eu? - Paulo, em desvantagem na ordem de in- fortúnios, procurou. - Tive que enfrentar ratos, sabiá? Ra- tazanas! Grandes! Muito grandes! Calou-se, ao notar que o velho balbuciava alguma coisa. Eduardo também percebera. - Em 1952 ... - ouviram-no dizer, muito baixo, sem olhar para eles - ... 0 dentista devia estar lá pelos quaren- ta, quarenta e muitos anos. A brasa do cigarro se aproximava dos dedos. Eduardo ia avisar, quando ouviu o velho dizer, um pouco mais alto: - Anita ... ou Aparecida ... tinha quinze ... Apagou a brasa na sola do sapato. - Que idade vocês têm? - Doze - respondeu Paulo, prontamente. - Vou fazer treze - vangloriou-se Eduardo. - Daqui a dez meses. - Eu faço antes. Em janeiro. - Só um mês antes. - Quarenta e oito dias antes! O velho olhou para eles. Ou apenas na direção deles? Disse: - Não faz sentido. - Sou mais baixo, mas sou mais velho - Paulo insis- tiu. - Ainda vou crescer. Meu irmão tem quase um metro e oitenta. Meu pai também. - Por mais mercenárias, por mais venais que essas reli- giosas fossem ... - o homem de cabelos brancos continuava falando baixo, de si para si. - Ainda assim, não faz sentido. - Do que o senhor está falando? - quis saber Eduardo. A caixa de fósforos foi novamente tirada do bolso. O ci- garro, um cotoco apenas, posto lá dentro e a caixa recolo- cada no paletó. - Como as freiras de um orfanato perrmtiram que uma ... Uma menina, de apenas quinze anos, se casasse com um homem de quase cinquenta? Nem em melodrama me- xicano vi um absurdo desse quilate. - O dentista era o pai dela?! - tentou Paulo. - E revelou o segredo para as freiras! - Eduardo so- mou à fantasia do amigo. - E se casaram para ela poder herdar a fortuna dele. Erguendo-se, o homem de cabelos brancos encami- nhou-se para o coreto. - Um homem solteiro até os quarenta e tantos anos - murmurava - se casa com uma menina de quinze ... Os dois meninos o seguiram. Tinham embarcado em um carrossel de hipóteses extravagantes. - O doutor Andrade era apaixonado pela mãe dela, aí a mãe dela morreu - disse Eduardo. - ... vive dez anos com ela, sendo traído constantemen- te, sem se incomodar com isso ... - O dentista matou a mãe dela - agora era a vez de Paulo. - Não! Matou o pai! E aí, por causa do remorso, casou com ela! - ... indiferente aos mexericos que toda a cidade fazia ... Paulo alterou sua hipótese: - O pai dela era um nazista! Eduardo aderiu: - E a mãe morreu no campo de concentração! - ... ignorando os comentários maldosos sussurrados pelas carolas ao entrarem de braços dados na missa de do- mlllgo ... - Ela era filha de uma freira com um padre! - ocor- reu a Paulo. - ... fingindo não perceber olhares debochados quan- do atravessava com ela esta praça, fazendo o footing aos domingos ... - Ela era a irmã mais nova dele! - Eduardo sugeriu. - ... dormindo sozinho à noite, na cama de solteiro ... - As freiras! Foram as freiras que assassinaram ela! - Paulo arriscou. - ... enquanto ela saía com outros homens. Sempre ho- mens mais velhos. - Ela era amante do padre, que era o amante das frei- ras! - tenteou Eduardo. Estavam dentro do coreto. Os meninos rodeavam o ve- lho, andando em círculos, acompanhando as voltas que dava. Parou. Eles continuaram a roda, atentos. - Do padre eu não sei. Mas que ela andou com o pre- feito, isso meus companheiros de bar me disseram. E com o dono da fábrica de tecidos. Com os fazendeiros. Com todos os homens poderosos da cidade. E sempre, sempre, muito mais velhos do que ela. Como se cada um fosse pas- sando para a mão do outro. Vocês viram tudo o que havia nas gavetas da casa do dentista? Eduardo não tinha certeza, mas achava que sim. - Foram ao quarto de empregada? Paulo contou que não havia e que o casal não tinha em- pregada doméstica. - Pegaram alguma coisa? Alguma joia? - A gente não é ladrão! - Não encontrei nenhuma joia - prosseguiu o velho, surdo ao protesto de Paulo. - Nada. Nem um anel, uma pulseira, uma medalha sequer. Disseram-me que ela não usava nada. Só a aliança. Como se explica que a mulher de um homem importante nao use joia? Um cordão, um brin- co, um broche que seja. E que não tenha empregada? - O marido era pão-duro? - arriscou Eduardo. - Mão de vaca! - Paulo concluiu. - Unha de fome! - Talvez. Ainda assim ... O velho não completou a frase. Correu os olhos pela pra- ça silenciosa. As sombras se- fundiam à silhueta das árvores centenárias, criando uma redoma escura, como se não hou- vesse mundo nenhum além delas. Finalmente perguntou: - Nenhum desses homens ricos deu nada para ela? Nem Paulo nem Eduardo sabiam o que dizer. Ou mes- mo se o velho esperava que respondessem. O mundo de aviltamentos e compensações a que se referia, só os adultos sabiam navegar. Até que outra pergunta ocorreu a Paulo e ele a fez ao homem de cabelos brancos: quem sabe ela não queria possuir nada?

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Marcio Mafra
12/07/2020 às 16:47
Brasília - DF
Edney Silvestre é um famoso jornalista e escritor. Recebeu diversos prêmios de literatura, inclusive um Jabuti no ano de 2010. Também participou como convidado da FLIP de 2019. Motivos suficientes para comprar dois livros do autor: Welcome To Copacabana e Se Eu Fechar os Olhos Agora.

 

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