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Os Vestígios do Dia

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Os Vestígios do Dia

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Kazuo Ishiguro  

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: José Rubens Siqueira

Páginas: 285

Ano de edição: 2016

Peso: 245 g

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Excelente
Marcio Mafra
01/07/2020 às 16:54
Brasília - DF
"Os Vestígios do Dia" é um livro mais que sensacional. O autor ganhou o Nobel de Literatura não foi à toa.
Narrado na primeira pessoa, Kazuo Ishiguro conta seus trinta anos de trabalho como mordomo de Lord Darlington, enquanto viaja uma semana pelo interior da Inglaterra.
O roteiro que ele organizou para a viagem, com o automóvel emprestado pelo seu novo patrão, o milionário americano Mister Farraday é genial.
Durante o trajeto, Stevens vai rememorando os seus anos de trabalho, mistura muito bem o afeto silencioso que dedicava a governanta Miss Kenton ,
e também a admiração que tinha de seu pai, de quem herdou a vocação de bem servir.
Também, na narrativa situada no meio da primeira e segunda guerra mundial, o leitor fica sabendo da política dos aliados e dos nazistas.
Quem tinha poder ou influência, quem era rico, quem negociava e quem traía.
Sobram confidências sobre pessoas, políticos, governos, governantes e membros das elites da época.
“Os Vestígios do Dia” é um livro imperdível.

Marcio Mafra
01/07/2020 às 00:00
Brasília - DF
A Historia do mordomo inglês Stevens que trabalhou durante 30 anos na mansão do lorde Darlington. Ao final destes 30 anos a mansão foi vendida para um milionário americano, o senhor Farraday. Farraday lá pelo ano 1956, convence o velho Stevens a tirar uma semana de férias e lhe empresta o automóvel para Stevens passear pelo interior da Inglaterra. Stevens então fez um roteiro passando por diversas cidades até chegar no local onde residia Miss Kenton, caprichosa governanta, que trabalhou sob as ordens dele, quando a mansão ainda pertencia ao Lorde Darlington.
Marcio Mafra
01/07/2020 às 00:00
Brasília - DF
A conferência de 1923 foi o ápice de um longo projeto de Lord Darlington. Com efeito, olhando em retrospecto, percebe--se com clareza que ele estava se encaminhando para aquele ponto uns três anos antes. Pelo que me lembro, ele inicialmente não havia se preocupado muito com o tratado de paz celebrado ao final da Grande Guerra, e acho justo dizer que seu interesse surgiu não tanto de uma análise do tratado em si, mas antes da amizade com Herr Karl-Heinz Bremann. Herr Bremann visitou Darlington Hall pela primeira vez logo depois da guerra, ainda vestindo seu uniforme de oficial, e era evidente para qualquer observador que ele e Lord Darlington haviam estabelecido uma forte amizade. Aquilo não me surpreendeu, uma vez que se percebia de imediato que Herr Bremann era um cavalheiro de grande decência. Depois de deixar o Exército alemão, ele tornou a visitar Darlington Hall a intervalos bastante regulares nos dois anos seguintes, e era impossível ignorar a deterioração algo alarmante que ia sofrendo de uma visita para outra. Suas roupas foram ficando cada vez mais pobres, a silhueta mais magra, um ar assombrado surgiu em seus olhos e, nas últimas visitas, passava longos períodos olhando o espaço, alheio à presença de Lord Darlington - e, às vezes, mesmo ao fato de terem se dirigido a ele. Eu concluiria que Herr Bremann estava sofrendo de alguma doença séria, não fossem algumas observações feitas à época por Lord Darlington, garantindo-me que não se tratava disso. Deve ter sido por volta do final de 1920 que Lord Darlington fez a primeira de uma série de viagens a Berlim, e lembro-me do profundo efeito que aquilo teve sobre ele. Depois de seu retorno, um ar pesado de preocupação pairou à sua volta durante dias, e me lembro de que, uma vez, respondendo-me se hàvia gostado da viagem, ele afirmou: "Perturbadora, Stevens. Profundamente perturbadora. É muito depreciativo para nós tratar assim um adversário derrotado. Um total rompimento com as tradições deste país". Mas há outra lembrança a esse respeito que ainda trago muito viva na memória. Hoje, não há mais mesa no grande salão de banquetes, e aquela sala espaçosa, com seu teto alto e magnífico, serve como uma espécie de galeria para Mr. Farraday. Nos dias de Lord Darlington, porém, o salão era solicitado com regularidade, assim como a grande mesa que o ocupava, a acomodar trinta ou mais convidados. De fato, o salão de banquetes é tão espaçoso que, quando a necessidade exigia, podiam-se acrescentar outras mesas à já existente, o que permitia instalar ali quase cinquenta pessoas. Em dias normais, é claro, Lord Darlington, como faz Mr. Farraday, tomava suas refeições na atmosfera mais íntima da sala de jantar, que é ideal para acomodar até doze pessoas. Mas, naquela noite de inverno que agora lembro, a sala de jantar estava fora de uso por alguma razão, e Lord Darlington estava jantando na vastidão do salão de banquetes com um convidado solitário - acredito que Sir Richard Fox, um colega dos tempos do Ministério das Relações Exteriores. Você sem dúvida haverá de concordar que uma das situações mais difíceis para servir um jantar é quando só há duas pessoas à mesa. Eu preferiria servir apenas uma, ainda que um estranho. Pois quando há dois à mesa, mesmo que um deles seja seu próprio patrão, fica mais difícil encontrar aquele equilíbrio entre a atenção e a ilusão de ausência que é essencial para servir bem. É nessa situação que raramente nos livramos da suspeita de que nossa própria presença está inibindo a conversação. Naquela ocasião, boa parte do salão estava às escuras, e os cavalheiros sentavam-se lado a lado no meio da mesa - larga demais para permitir que se sentassem frente a frente -, sob a área de luz projetada pelas velas e pela lareira crepitando defronte. Decidi minimizar minha presença permanecendo na sombra, muito mais longe da mesa do que normalmente me posicionaria. Evidentemente, essa estratégia apresentava a clara desvantagem de que, quando avançava para servir os dois cavalheiros, meus passos ecoavam muito antes de eu chegar à mesa, chamando a atenção para minha aproximação da maneira mais aparatosa; mas tinha também o grande mérito de tornar minha pessoa apenas parcialmente visível, quando estava parado. E foi imóvel assim, na sombra, a certa distância de onde os dois cavalheiros se encontravam, no meio das fileiras de cadeiras vazias, que ouvi Lord Darlington falar de Herr Bremann, a voz calma e suave como sempre, mas ressoando com certa intensidade entre aquelas grandes paredes. "Era meu inimigo", estava ele dizendo, "mas sempre se comportou como cavalheiro. Nos tratamos com decência durante seis meses de bombardeios recíprocos. Era um cavalheiro fazendo seu trabalho, e eu não guardava nenhum ressentimento em relação a ele. Eu disse a ele: 'Olhe aqui, somos inimigos agora e vou combater você com todas as minhas forças. Mas quando esta história infeliz terminar, não seremos mais inimigos e vamos tomar um drinque juntos'. O triste é que esse tratado está me transformando em mentiroso. Quer dizer, eu disse a ele que não seríamos inimigos quando tudo terminasse. Como encará-lo agora e dizer que no fim das contas a gente continua sendo inimigo?" E foi um pouco depois, na mesma noite, que Lord Darlington disse com alguma gravidade, sacudindo a cabeça: "Lutei na guerra para preservar a justiça neste mundo. Pelo que entendi, não estava participando de uma vendetta contra a raça alemã." E quando hoje se ouve falar sobre Lord Darlington - quando se ouve todo tipo de especulação boba sobre seus motivos, como acontece tanto hoje em dia, fico contente de relembrar o momento em que ele disse aquelas palavras sinceras no salão de banquetes quase vazio. Quaisquer que sejam as complicações decorrentes do rumo tomado por Lord Darlington ao longo dos anos seguintes, jamais duvidarei de que aquilo que se encontrava na origem de todos os seus atos era um desejo de ver "justiça neste mundo".

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Marcio Mafra
01/07/2020 às 00:00
Brasília - DF
Em outubro ou novembro de 2017 comprei “Não Me Abandone Jamais” e “Os Vestígios do Dia” porque o seu autor, Kazuo Ishiguro havia ganhado o Nobel de Literatura. Um Nobel pode não ser bom, mas jamais será péssimo ou ruim. Curioso é que ao ter noticias do Nobel 2017, imaginei que Kazuo fosse japonês da gema. É não. Nasceu em Nagasaki, mas aos 5 anos de idade foi pra Inglaterra e....virou britânico.

 

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