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Todos os Homens São Mortais

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Todos os Homens São Mortais

Livro Excelente - 2 comentários

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Autor: Simone de Beauvoir

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Romance

Traduzido por: Sergio Millet

Páginas: 393

Ano de edição: 1983

Peso: 460 g

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Excelente
Elias Marinho
25/04/2013 às 19:30
Santa Maria - DF
Um dos melhores livros que li no último ano, foi uma adorável realização descobrir a fantástica Simone de Beauvoir. Há tempos que este nome vaga por minha cabeça como alguém da qual eu deveria ler. A começar por seu nome que é bastante sedutor, segundo que já sabia ser ela uma escritora de renome internacional. O livro foi excepcional, confesso que de inicio a historia não seduz, pois começa com um homem quase contemporâneo que era simplesmente suspeito e que desperta a atenção de uma bela mulher. Esta mulher passa então a ser sua companheira para entender quem era aquele homem de hábitos tão estranhos.
A medida que este homem, Fosca, revela que é um homem com mais de 5 séculos, você mergulha em uma estória fantástica, repleta de experiências, muitos amores, guerras, passando por diversos países em diferentes épocas e se sente na pele de um homem imortal como assim imagino eu, queria a autora.
É emocionante, pois você absorve a dor e o desespero do Fosca em desejar a morte e ela não vir. Chegamos ao absurdo de torcer para que ele morresse e assim compreendemos que a vida não deve ser breve, porém tem que ser finita, ainda que tentemos por nossos artifícios enganar os sinais de velhice e prolongar nossa estada aqui, o que de fato determina um sentido para nossa existência é que ela acabará, para isto empreendemos nossos projetos. Quando não há mais esta certeza, chegamos a mesma conclusão do Fosca, todas as empresas são vãs.

Excelente
Marcio Mafra
13/11/2004 às 22:46
Brasília - DF


Simone de Beauvoir, existencialista e feminista de carteirinha, mulher de Jean Paul Sartre, ficou famosa no mundo todo porque logo após o fim da segunda guerra mundial, escreveu um livro "Le Deuxième Sexe" que tratou da desmistificação da fragilidade das mulheres. Era um apelo intelectual para que as mulheres fossem consideradas pessoas e não enfeites submissos aos homens. Depois, já famosa escreve o espetacular "Todos os homens são mortais" onde conta a vida do Conde Fosca que bebe um elixir da longa vida. Daí ele passa a viver o seu tormento por ser imortal. Passa de geração em geração, de povo em povo e nunca morre. É a imortalidade escrita com muito talento. O personagem principal passa o tempo dos mortais combatendo a ambição, o poder, a imortalidade, o prazer e o destino. O final é emocionante, embora existencial. Mais que sensacional. Sensacionalíssimo.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história do conde Fosca, que era imortal.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

No momento em que a questão da Constituição ia ser apresentada tivemos a decepção de ser obrigados a dissolver a Dieta: Francisco I, furioso com o malogro de suas ambições ao trono imperial, preparava-se para nos declarar guerra; motins tinham explodido na Espanha, e Carlos precisava partir para Madri. Pediu-me que ficasse junto de seu irmão Fernando, a quem confiara o governo da Alemanha. A condenação de Lutero não acalmara a agitação que reinava em todo o Império. Os monges abandonavam os conventos e espalhavam-se através dos campos, pregando doutrinas heréticas. Bandos armados formados por estudantes, operários, aventureiros, incendiavam as casas dos padres, as bibliotecas e as igrejas. Nas cidades nasciam novas seitas mais fanáticas do que a de Lutero e motins eclodiam. Em cada aldeia havia profetas que convidavam os camponeses a sacudir o jugo de seus príncipes e via-se aparecer nos campos o estandarte das antigas revoltas: uma flamula branca em que se achava pintado um sapato de ouro cercado de raios luminosos e com a divisa: "Quem quiser ser livre caminhe para este sol". - Não há razão para inquietação - disse Fernando. Bastará um punhado de soldados para que tudo entre na ordem novamente. - Na desordem – disse eu – Essa pobre gente tem razão: há necessidade de reformas. - Que reformas? - É o que cumpre estudar. Eu não esquecera o massacre dos tecelões de Carmona. E quando ambicionara ter o mundo nas mãos, meu primeiro desejo fora modificar-lhe a economia. Ora nunca a distribuição da riqueza se revelara tão desacertada. As mercadorias afluíam às nossas portas, o mundo inteiro abria-se ao comércio e nossos navios traziam preciosas cargas de todos os recantos da terra; e, no entanto, a massa de camponeses e pequenos comerciantes era mais pobre do que em qualquer outra época.


  • Universo de Icone Feminino Ganha Vida Nova

    Autor: José Castello

    Veículo: Caderno Eu Final de Semana - Jornal Valor Economico

    Fonte:

     Uma pergunta trivial, mas sutil, resume o mistério que sempre envolveu a escritora francesa e feminista Simone de Beauvoir (1908-1986). O que ela escondia com seu famoso turbante? A jornalista parisiense Madeleine Chapsal escreveu, certa vez, que duas coisas definiam Simone: seu turbante e seu ar de enfado. Por que usava aquele turbante? "Seria para parecer menos feminina ou para melhor realçar a sua bela testa de intelectual?", Madeleine pergunta. Que significado tinham os cabelos que ela se recusava a exibir?

    Quando lançou, em 1949, o célebre "O Segundo Sexo" - cuja reedição inaugura série de nove relanaçamentos da autora pela Nova Fronteira-, Simone afirmava que as mulheres viviam uma situação de esquartejamento, incapacitadas de conciliar os vários aspectos de sua vida diária. Era um massacre. Como se elas jamais pudessem despir o uniforme feminino. Talvez o turbante fosse uma estratégia de Simone para rebelar-se contra esse uniforme.
    Escreveu seu livro na esperança de que as mulheres parassem de "fingir que eram elas mesmas" - isto é, se limitassem a encenar, como num palco, o papel que os homens lhes destinavam. A mulher, para Simone, não passava de um personagem do misticismo masculino, de uma invenção do homem. Era dessa invenção que ela devia se despir para, livre do olhar do outro, chegar a si. Mas Simone também recusava a mística feminina - aquela que vê a mulher como especial ou sensível. Queria-a simplesmente humana. Parte desse universo beauvoiriano é reconstruído pela atriz Femanda Montenegro no espetáculo "Viver sem Tempos Mortos", baseado em cartas e textos da escritora, em cartaz em São Paulo.
    O turbante de Simone não era, portanto, algo que a encobria, ou sob o qual se escondia. Ao contrário, era o sinal de uma diferença, um ato (e não um peso). Simone de Beauvoir partia do princípio de que as mulheres estavam encurraladas. Viviam para cumprir papéis, para desempenhar scripts - não lhes sobrava espaço para cultivar segredos. São os segredos que definem a singularidade, que fazem alguém existir. No máximo, elas podiam dedicar-se aos melosos "diários fernininos". Maneira tola de encenar o misticismo feminino que Simone, firme, sempre recusou.
    Na vida de Simone de Beauvoir o sentimento feminista aparece no mesmo momento em que o encanto pela religião declina. O primeiro esboço desenhou-se quando, ainda jovem, passou a ler, secretamente, livros destinados "aos homens" - Emile Zola, Guy de Maupassant, Anatole France -, autores considerados perigosos para uma mulher. Notável percurso: para chegar ao feminino, Simone teve, primeiro, que se desviar dos rituais do feminino. Aí, talvez, o turbante - ornamento que, entre os hindus reforça as convicções e a força interna - comece a fazer sentido.
    O desejo de escrever surgiu aos 15 anos. Era uma vontade de salvação, "substituía Deus", disse. Escrever tornou-se, desde cedo, uma maneira de existir, e não uma profissão. Logo começou a ler Claudel, Valéry, Proust, Gide. Começou, também, a escrever um "diário íntimo", muito diferente das confissões aguadas das mocinhas; um diário no qual a escdta era resistência. Para não ser a mulher que estava destinada a ser, Simone precisava escrever. Desde cedo, vida e escdta se entrelaçam.
    Quando começou a estudar filosofia, Simone logo se incomodou com a "voz impessoal" da maior parte dosfilósofos. Também Jean-Paul Sartre - com quem ela viveu uma relação amorosa que durou 40 anos - reclamava que quase nunca conversavam com ele sobre literatura. Sartre admirava Flaubert, para ele uma prova de que a literatura era, antes de tudo, "uma feroz tomada de posição". Influenciada pelo companheiro, Simone de Beauvoir fez da escrita uma maneira de viver e, da vida, um caminho para as palavras.
    Para Simone, escrever era falar pessoalmente aos outros - como se estivesse em uma mesa de bar ou em um banco de jardim. Era assim que lia os grandes escritores: como se eles redigissem mensagens exclusivamente a ela destinadas. A ideia de escrever "O Segundo Sexo" veio-lhe no dia em que percebeu que, sempre que lhe perguntavam quem era, se sentia obrigada a dizer: "Sou uma mulher".
    Homens não se apresentam dizendo: "Sou um homem". Para Simone, ser mulher mudava tudo, pois a elas se destinava outro tipo de formação; delas se esperava, também, que habitem outro imaginário - como se vivessem em outro mundo. Ainda assim, bastou que lançasse seu livro para que a acusassem de ressentimento contra os homens.
    Simone nunca separou a vida da escrita. Disse certa vez: "Quando me vem uma ideia, escrevo um ensaio". Por certo, quando escrevia um ensaio, algo em sua vida também se modificava. Essa sincronia se tornou não só um estilo, mas uma concepção da existência. Muitos consideram, em consequência, que a literatura de Simone é excessivamente pessoal; que, no fundo, ela escondia um culto do eu e não passava de uma manifestação de vaidade. Ela não transigia: "Escrever sobre mim é a maneira que mais me convém para falar aos outros sobre eles próprios".
    Também a criticaram porque, apesar das teses feministas, teve sua vida misturada à de Sartre. Dizia-se que Simone o consultava em excesso e se submetia. Ela se defendia. "Não somos a mesma pessoa, mas temos as mesmas recordações." "O Segundo Sexo" provocou reações furiosas de muitos homens. Diziam que o livro mostrava que ela não passava de uma diluidora do existencialismo sartriano. Os mais insensíveis o leram como um "Sartre para moças".
    Simone criticava, com contundência, a naturalização do corpo masculino. O mundo seria "naturalmente" masculino, enquanto a mulher - com seu grande furo - não passaria de uma desviante. Simone jamais deixou que essas ideias a paralisassem; ao contrário, com elas - fazendo do veneno alimento - fortaleceu-se. Seu livro fundou o feminismo moderno. Logo a acusaram de glacial, ninfomaníaca, lésbica, frígida. No avesso desses ataques, a força do livro se evidenciou.
    Mulher, desejou desvendar, em "O Segundo Sexo", as particularidades da condição feminina. Idosa, em "A Velhice", livro de 1970, enfrentou os clichês do envelhecimento. Suas inquietações pessoais se tornaram, sempre, reflexões gerais. Escrever, para Simone, não era, em definitivo, o reino do eu. Um de seus grandes temas sempre foi a ambiguidade, que desenvolveu em "A Moral da Ambiguidade". Não seria o turbante justamente a marca do ambíguo? Que cabelo ali se escondia? Feminino? Masculino? O turbante não cobre o rosto, mas o cérebro. Éda ambiguidade do pensamento que Simone de Beauvoir sempre tratou.
    Fez da literatura uma forma inventiva de autobiografia. Quando falamos de Simone de Beauvoir, de qual Simone falamos - da que existiu ou da que escreveu? Deixou-nos uma resposta: "Escrever é seguir o ditado de uma espécie de ditafone que todos carregamos dentro da cabeça".
Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em outubro de 2004, iniciamos uma busca no HD de nossa memória, dos melhores livros que já lemos e que - por motivos diversos - não se encontram em nossas prateleiras. Sabe-se que o principal e mais importante motivo do desaparecimento de livro é - simplesmente porque é bom. Ninguém pede emprestado livro ruim. Livro bom some logo, tanto por empréstimo como por esquecimento. Assim iniciamos visitas "virtuais" aos sebos onde os "desaparecidos" podem ser comprados por módicos reais. Num desses passeios foi recuperado esta magnifica história do homem que não morria.


 

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