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Memórias de Adriano

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Memórias de Adriano

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Marguerite Yourcenar  

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Romance

Traduzido por: Martha Caderaro

Páginas: 334

Ano de edição: 1980

Peso: 390 g

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Excelente
Marcio Mafra
02/11/2004 às 21:59
Brasília - DF


O seu livro mais importante e best seller mundial é este Memorias de Adriano, publicado em 1951. É um romance histórico sobre as memórias do imperador Adriano, dividido em seis grandes capítulos, que começa com uma carta que ele escreve para Marco Aurélio, onde diz que está às portas da morte e por este motivo está vivendo intensamente cada dia que lhe resta. Depois fala de suas origens e de sua família. Mais adiante ele trata da vida política, onde aponta seus inimigos à quem atribuiu a responsabilidade dos problemas sociais do império. Em seguida fala de seu grande amor, Antinoo. É um livro excelente, não somente pelo seu estilo clássico e de notável erudição, como pela espetacular tradução da Martha Calderaro, que colocou a sua alma nessa versão do francês para o português Leitura fácil, que só deve ser iniciada quando o leitor puder "varar" a madrugada



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da vida e do mundo do Imperador Adriano é uma viagem alucinante pelos seus feitos, pelas suas paixões, pelos seus pontos de vista politico, filosófico, militar, ou como mandatário do grande império romano, narrado como uma auto biografia.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Canopo não passa de um cenário: a casa da feiticeira situava-se na parte mais sórdida dessa cidade do prazer. Desembarcamos sobre um estrado em ruinas. A feiticeira esperava-nos no interior, munida dos estranhos utensílios do seu ofício. Parecia competente; nada tinha das necromantes de teatro. Sequer era velha. Suas predições foram sinistras. Desde algum tempo, os oráculos só me anunciavam, onde quer que fosse, desgostos de toda especie, perturbações políticas, intrigas palacianas, doenças graves. Acredito hoje que influências humanas falavam através dessas bocas da sombra, algumas vezes para prevenir-me, freqüentemente para atemorizar-me. O verdadeiro estado de uma parte do Oriente exprimia-se mais claramente ali do que através dos relatórios dos nossos procônsules Acolhi as supostas revelacões com calma. Meu respeito pelo mundo invisível não ia a ponto de confiar em disparates divinos: dez anos antes, pouco depois de minha ascensão como imperador, ordenei que fosse encarcerado o oráculo de Dafne, perto de Antioquia, que me predisse o poder. Receava que dissesse a mesma coisa ao primeiro pretendente que lhe aparecesse. Mas é sempre desagradável ouvir falar de coisas tristes. Depois de haver feito o possível para nos inquietar, a adivinha propôs-nos seus serviços: um desses sacrifícios mágicos, em que as feiticeiras do Egito são especialistas, seria suficiente para que tudo fosse arranjado amigavelmente com o destino. Minhas incursões pela magia fenícia já me haviam feito compreender que o horror dessas praticas proibidas tem menos a ver com aquilo que nos mostram do que com aquilo que nos escondem: se não tivessem conhecimento do meu ódio aos sacrifícios humanos, ter-me-iam provavelmente aconselhado a imolar um escravo. Contentaram-se em falar de um animal doméstico. Tanto quanto possível, a vítima devia ter pertencido a mim: não podia tratar-se de um cão, animal que a superstição egípcia julga imundo; um pássaro teria sido mais conveniente, mas não viajo com um viveiro. Meu jovem companheiro propôs-me seu falcão. As condições estariam assim preenchidas: a bela ave fora presente meu, depois de o haver eu próprio recebido do Rei de Osroene. O menino alimentava-o pela sua própria mão; a ave era um dos raros bens a que era ligado. A princípio recusei; ele insistiu gravemente. Compreendi que atribuía a tal oferenda um significado extraordinário. Aceitei por ternura. Munido das instruções as mais minuciosas, meu correio Menécrates partiu a procura da ave nos nossos aposentos do Serapeu. Mesmo a galope, a corrida levaria pelo menos duas horas. Não se podia pensar em passa-las naquele pardieiro imundo da feiticeira. Lúcio se queixava da umidade do barco. Flegon encontrou uma solução instalamo-nos bem ou mal na casa de urna proxeneta, depois de tê-la feito desembaraçar-se do seu pessoal. Lúcio decidiu dormir; aproveitei o intervalo para ditar alguns despachos, e Antínoo estendeu-se a meus pés. O cálamo de Flégon rangia sob a lâmpada. Tocávamos na última vigília da noite quando Menécrates trouxe a ave, o guante, o capuz e a corrente. Retomamos ao tugúrio da feiticeira. Antínoo tirou o capuz do falcão, acariciou-lhe longamente a cabeça sonolenta e selvagem, e entregou-o à feiticeira, que iniciou uma serie de passos de magia. Fascinada, a ave readormeceu. Era importante que a vítima não se debatesse e que a morte parecesse voluntária. Coberta ritualmente de mel e essência de rosas, a ave inerte foi depositada no fundo de uma cuba cheia de água do Nilo. A criatura afogada assimilava-se a Osíris levada pela corrente do rio. Os anos terrestres do falcão acrescentavam-se aos meus no momento em que a pequena alma solar se unisse ao Gênio do homem pelo qual fora sacrificada. Esse Gênio invisível poderia, dali por diante, aparecer-me e servir-me sob aquela forma. As Iongas manipulações que se seguiram não foram mais interessantes do que uma preparação culinária. Lúcio bocejava. As cerimônias imitaram até o fim os funerais humanos: as fumigações e as salmodias arrastaram-se até o amanhecer. A ave foi encerrada num caixão cheio de substâncias aromáticas que a feiticeira enterrou diante de nós à beira do canal, num cemitério abandonado. Em seguida, a mulher acocorou-se sob uma árvore para contar uma a uma as peças de ouro da sua paga, entregues por Flégon. Regressamos ao barco. Soprava um vento singularmente frio. Sentado perto de mim, Lúcio puxava com a ponta dos dedos delgados as mantas de algodão bordado. Por polidez, continuávamos animadamente a trocar impressões acerca dos negócios e escândalos romanos. Antínoo, deitado no fundo do barco, apoiara a cabeça sobre meus joelhos e fingia dormir para se isolar daquela conversação que não o incluía. Minha mão deslisou na sua nuca, sob os cabelos. Nos momentos mais vazios ou mais ternos, eu tinha, assim, a sensação de ficar em contacto com os grandes objetos naturais, a densidade das florestas, o dorso musculoso das panteras, a pulsação regular das fontes. Mas nenhuma carícia atinge a alma. O sol brilhava quando chegamos ao Serapeu; os vendedores de melancia apregoavam sua mercadoria pelas ruas. Dormi até a hora da sessão do Conselho local, a que assisti. Soube mais tarde que Antínoo aproveitara-se daquela ausência para persuadir Chábrias a acompanhá-lo a Canopo. E voltou à casa da feiticeira.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em outubro de 2004, iniciamos uma busca no HD de nossa memória, dos melhores livros que já lemos e que - por motivos diversos - não se encontram em nossas prateleiras. Sabe-se que o principal e mais importante motivo do desaparecimento de livro é - simplesmente porque é bom. Ninguém pede emprestado livro ruim. Livro bom some logo, tanto por empréstimo como por esquecimento. Assim iniciamos visitas "virtuais" aos sebos onde os "desaparecidos" podem ser comprados por módicos reais. Num desses passeios foi recuperado o incomparável Memórias de Adriano.


 

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