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Solo de Clarineta - 2º Exemplar

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Solo de Clarineta - 2º Exemplar

Livro Bom - 1 opinião

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Autor: Érico Veríssimo

Editora: Globo

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 323

Ano de edição: 1976

Peso: 845 g

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Bom
Marcio Mafra
01/11/2004 às 13:36
Brasília - DF

Solo de Clarineta é um livro de memória do Veríssimo, que tem início com um enfarte, em Porto Alegre. Logo depois ele viaja para Portugal. Aí descreve uma longuíssima, enfadonha e aborrecida viagem a Portugal. Depois de ler o livro o leitor fica conhecendo até as pedras, os buracos, a cor das paredes, as ruas e os postes de todas as vilas e cidades de Portugal. Sem contar a descrição de cada auditório onde o autor foi homenageado, bem como o numero de convidados, a relação das autoridades e os autógrafos concedidos. De certa forma, o leitor sente-se constrangido, com cara de intelectualoide arrogante, ao considerar o livro do Érico Veríssimo uma chatice, porque ele é um ícone da literatura brasileira.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

História da última parte da vida do Erico Verissimo.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Na primeira tarde em que dei autógrafos numa das principais livrarias de Lisboa, formou-se - contaram-me depois - uma fila do comprimento de dois quarteirões. Meu editor, radiante, fumava seu cachimbo de tabaco aromático e cronometrava o meu trabalho. Ao cabo de meia hora sussurrou-me ao ouvido: "O meu amigo está autografando uma média de oito livros por minuto". Impossível! - pensei - pois eu escrevia em cada volume que me era apresentado, o nome completo de seu dono, e muitos havia que usavam, além do nome de batismo, três e até mesmo quatro apelidos de família. Além disso, eu quase sempre trocava algumas palavras com cada leitor ou leitora. A sessão durou mais de três horas. Interessou-me agudamente a variedade de gente que me apareceu com um, dois ou mais romances de minha autoria para serem autografados. Procurei saber a profissão de cada um. Verifiquei que passavam por mim pessoas de todas as idades, desde adolescentes até senhoras e senhores idosos. Desfilaram diante da mesa à qual eu estava sentado comerciários, estudantes, bancários, membros das profissões liberais, operários, datilografas, motoristas de táxi (lembro-me principalmente de um que me perguntou quanto devia pagar-me pelo autógrafo), militares, homens de negócio. Alguns me faziam perguntas comovedoras. "O Erico V'rissimo vai continuar a história da menina Clarissa?" - Um gordo cidadão de bela calva lustrosa queria saber se o Capo Rodrigo Cambará existira na vida real ou era "um produto da imaginação de V. Ex.a". Houve um momento em que me apareceu uma senhora já grisalha, de fisionomia simpática, elegantemente vestida. Quando lhe perguntei o nome, ela respondeu que era a baronesa de São Mamede. Estendeu-me a mão, que apertei, soerguendo me da cadeira. Nunca em minha vida eu tinha autografado um livro para uma baronesa. A essa dama seguiram-se um funcionário público ainda na ativa e um outro aposentado, cujo nome era João Batista Cardoso Moreira de Azevedo e Cunha. Ufa! Souza Pinto tocou-me de leve no ombro. "Já anoiteceu. Se está cansado, podemos deixar o resto para outro dia." Respondi que, enquanto houvesse um cristão naquela fila, eu ficaria. E de repente me veio, vagamente desconcertante, a impressão de que estivera todo aquele tempo a assinar cheques sem fundo, enganando aquela boa gente, e que por isso estava sendo procurado por essa espécie de Interpol que muitos de nós trazem dentro de si mesmos, e que nos persegue de modo implacável, como no meu caso particular. Possivelmente um desses agentes secretos agora me esperava à porta, para me algemar. Houve, em outros dias, mais duas longas tardes de autógrafos, em diferentes livrarias. A uma delas compareceram uma filha e uma bisneta de Camilo Castelo Branco. À outra, a filha de Guerra Junqueiro, que trouxe para Mafalda uma braçada de gladíolos. E então eu vi e ouvi num relâmpago de memória meu pai recitando Os Simples no seu escritório de nossa perdida casa de Cruz Alta. Nosso quarto no Tivoli estava sempre cheio de flores e cestos de frutas, além de outros presentes - em geral objetos de arte popular - enviados por leitores de nós desconhecidos. Era bastante grande a quantidade de cartas que me chegavam de várias localidades de Portugal. Numerosas eram também as visitas que recebíamos no hotel de representantes de associações literárias. A todas essas eu sentia uma canseira boa e agradecida. O vago-simpático às vezes me dava pequenos sustos, mas dum modo geral á saúde ia bem. Luís Fernando saía por Lisboa em suas andanças solitárias, livre de quaisquer compromissos sociais. Mafalda mantinha-se firme a meu lado, e seus conselhos me foram muito úteis em várias instâncias daqueles dias passados em terras lusitanas. Com sua intuição feminina ela sabia farejar o "perigo", isto é, descobrir num convite ou sugestão de aparência inocente uma armadilha oficial para me envolver e comprometer, afastando-me da Oposição. O escritor português que insistia para que eu visitasse o Secretário de Informação continuava no seu assédio, aparecendo nos lugares e horas mais improváveis. Duma feita veio sentar-se à nossa mesa, no hotel, quando começávamos a tomar o café da manhã. Amável e melífluo como sempre - e o diabo do homem era insinuante! - repetiu a sugestão. "Meu caro" - respondi - "será que preciso dizer-lhe claramente por que não quero nada com o seu governo, nem com o de Franco ou o da União Soviética?" Ele se calou, contrafeito, e passados alguns segundos mudou de assunto. Durante todos aqueles dias nosso agradável e fácil convívio com os Souza Pinto e com Jorge de Sena continuou. Tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente Mécia, a admirável Mécia, esposa de Jorge e mãe de seus numerosos filhos. Fizemos a melhor camaradagem com Antônio Luís, filho único dos Souza Pinto, um menino simpático e sensível, de seus doze anos, e ao qual Mafalda e eu logo nos afeiçoamos. Decidi um dia que já tínhamos o direito de nos considerar "amiguinhos de infância". Ele aceitou a idéia. E é ainda assim que nos tratamos até hoje, passados quase dezesseis anos. Na conferência que fiz na Universidade Clássica de Lisboa, a convite de sua faculdade de Medicina, fui apresentado ao público por um professor salazarista. O salão em forma de anfiteatro estava atopetado de estudantes. Iniciei a conferência mas tive de calar-me dentro do primeiro minuto por causa do ruído das vozes de protesto de pessoas que não tinham conseguido entrar no auditório, por falta de espaço. Restabelecida a calma, falei sobre o Brasil, sua juventude, seu povo, seu futuro, a construção de Brasília e as perspectivas de desenvolvimento cultural e econômico que eu via para meu país. No diálogo que se seguiu à palestra, um jovem universitário me perguntou: "A que atribui V. Ex.a a presente crise da literatura portuguesa?" Respondi de imediato: "À. Censura, meu filho. Sem liberdade não pode existir plena criação literária ou artística. Um outro estudante ergueu-se e objetou: "Mas que fazer quando um escritor não tem ética?" Repliquei: "Ora, mais tarde ou mais cedo ele se destruirá por suas próprias mãos". O rapaz voltou à carga: "Permita V. Ex.a que lhe diga que isso não me parece estar acontecendo no mundo em que vivemos. Os romances que mais se vendem hoje em dia, os famosos best selers, são em geral pornográficos, negativistas, prejudiciais ao público em geral e à juventude em particular". Argumentei: Está bem. Meu amigo. Você propõe a censura como solução para controlar, digamos assim, a 'ética' de cada escritor. .. Mas diga-me uma coisa: quem é que vai controlar a "ética" do governo ditatorial que exerce essa censura? Nem sempre ou, antes quase nunca os mais capazes e decentes são os que tomam o poder nos regimes de força. E preste atenção ao que lhe vou dizer. Prefiro que dois ou doze mil romancistas considerados sem ética por um governo de Direita ou Esquerda continuem a publicar livremente suas obras a ter de suportar esses regimes que atentam contra as liberdades civis, que se avocam o direito de pensar pelo povo e que, mantidos pelo terror policial, encorajam a delação e fazem vista grossa às torturas de presos políticos. Já leu o 1984 de George Orwell? Não? Pois leia. Leiam-no todos." Inumeráveis foram os coquetéis e jantares com que nos homenagearam sociedades literárias e gente de imprensa em Lisboa. Nessas ocasiões os discursos eram sempre muitos. Não preciso repetir que não tenho o menor talento ou gosto oratório. Considero-me um tipo mais gráfico do que oral. Ao cabo de certo tempo todas as imagens, metáforas e adjetivos de meu pobre almoxarifado lingüístico que eu poderia usar, com referência a Portugal, esgotaram-se. E em mais duma conjuntura fiquei na situação aflitiva dum sonho que tenho periodicamente, em que me vejo e ouço discursar sem dizer nada, quero calar-me e não consigo, fico a equilibrar-me à beira dum abismo, mais consciente do que nunca de problemas de sintaxe, estilo e semântica - mas sempre amparado pela esperança de que, seja como for, vou sair bem da enrascada.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não me recordo de nenhum fato "histórico" desde livro, do qual temos dois exemplares. O outro tem o registro nº 345.


 

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