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Afogado

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Afogado

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Junot Diaz

Editora: Record

Assunto: Contos

Traduzido por: Drown

Páginas: 172

Ano de edição: 1998

Peso: 230 g

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Ótimo
Marcio Mafra
06/11/2009 às 16:43
Brasília - DF


Junot Díaz não ganhou o Pulitzer à toa. O prêmio lhe foi atribuído após a publicação do romance A Fantástica Vida Breve de Oscar Woo. Afogado foi seu livro de estréia. Estréia com brilho, estilo e conteúdo, apesar de ser um livro de contos. Os textos guardam uma tênue ligação entre si, o que confere unidade ao Afogado. A escrita alterna violência e desprendimento, frustração e alegria para contar histórias de um mundo no qual as crianças vivem em famílias cujos pais imigram - quase sempre sinônimo de fuga - para qualquer país, e abandonam família e filhos, que acabam criados por mães determinadas, fortes e muito valentes, que lutam sozinhas por si mesmas e por seus filhos. Díaz, com muito talento e conteúdo tumultua a linha de cor e a vergonhosa subserviência dos imigrantes. Também não embranquece a negrice da cultura latina. Usa uma linguagem única, que não dispensa as gírias dominicanas, africanas ou americana. Leitura tipo metralhadora, boa, barulhenta e rápida.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Dez contos - médios e longos - que narram histórias dos bairros de Santo Domingo na República Dominicana e também das violentas comunidades urbanas de Nova Jersey.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O Beto vivia falando de como o pai dele ficava vendo aqueles filmes no meio do dia, sem dar a mínima pros filhos, que passavam o tempo todo na cozinha, levando horas pra cozinhar um pote de arroz com gandules. O Beto se sentava perto do pai e nenhum dos dois dizia nada, exceto pra rir quando alguém tomava uma esporrada no olho ou na cara. Nós já tínhamos visto uma hora do filme novo, alguma vaina que parecia que tinha sido filmada no apartamento ao lado, quando ele pôs a mão no meu calção. Que merda cê pensa que tá fazendo?, perguntei, mas ele não parou. A mão dele era seca. Eu mantive os olhos na televisão, assustado demais para olhar. Gozei imediatamente, sujando o forro de plástico do sofá. Minhas pernas começaram a tremer e, de repente, eu quis ir embora. Ele não me disse nada quando saí, só ficou sentado olhando pra tela. No dia seguinte ele telefonou, e ao escutar a voz dele eu fiquei calmo, mas não quis ir ao mall nem a qualquer outro lugar. Minha mãe sentiu que alguma coisa estava errada e ficou me incomodando pra saber o que era, mas eu mandei ela embora e disse que era pra me deixar sozinho, porra! O meu velho, que estava em casa, de visita, se levantou da cama pra me acalmar com um bofetão. A maior parte do tempo eu ficava no porão, apavorado de acabar como um anormal, um veadinho de merda, mas ele era meu melhor amigo e naquela época isso me interessava mais do que qualquer outra coisa. Foi só isso que me tirou do apartamento e me levou até a piscina. Ele já estava lá, o corpo pálido e lânguido debaixo d’água. Oi, disse ele. Estava começando a ficar preocupado com você. Não há nada pra se preocupar, eu disse. Nós nadamos e não conversamos muito, e depois ficamos olhando uma turma de Skytop tirar a parte de cima do biquíni de uma garota boba o suficiente pra andar ali sozinha. Devolve, disse ela se cobrindo, mas os garotos começaram a berrar, segurando o sutiã bem acima da cabeça da menina, os lacinhos reluzentes balançando alto o bastante pra ficar fora do seu alcance. Quando eles começaram a puxar os braços dela, ela foi embora, e deixou-os experimentando a peça em cima dos seus peitos planos. Ele pôs a mão no meu ombro e minha pulsação foi um código sob sua palma. Vamos, disse. A menos que você não esteja se sentindo bem. Estou me sentindo bem, eu disse. Como os pais dele trabalhavam a noite, muitas vezes nós ficávamos de donos do lugar até as seis da manhã seguinte. Nós sentamos diante da televisão dele, nas nossas toalhas, suas mãos alisando meu abdome e coxas. Se você quiser, eu paro, ele disse, e eu não reagi. Depois que acabei, ele pôs a cabeça no meu colo. Eu não estava nem dormindo nem acordado, mas preso em algum lugar entre os dois, oscilando lentamente pra frente e pra trás, do jeito que as ondas levam a sujeira até a praia. Dali a três semanas ele estava indo embora. Ninguém pode me tocar, ele continuou dizendo. A gente ia visitar a universidade e eu ia ver o quanto o campus era bonito, com todos aqueles estudantes indo do alojamento pras salas de aula. Eu pensei no quanto os nossos professores do colegial gostavam de amontoar a gente na sala de descanso deles toda vez que um ônibus espacial ia ser lançado da Flórida. Um professor, cuja família tinha duas escolas primárias batizadas com seu nome, nos comparava com os ônibus. Uns poucos de vocês vão conseguir. São os que entrarão em órbita. Mas a maior parte de vocês só vai arder e se consumir. Indo a lugar nenhum. E deixava cair a mão sobre o tampo da escrivaninha. Eu já podia me ver perdendo altitude, desaparecendo, a Terra se estendendo lá embaixo, dura e brilhante. Meus olhos estavam fechados e a televisão estava ligada, quando a porta da entrada abriu de repente, ele deu um pulo e eu quase cortei o pau fora lutando com meu calção. É só o vizinho, disse ele rindo. Ele estava rindo, mas eu estava dizendo que se foda e botando minha roupa.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Junot Díaz era convidado da Flip 2009, por isso comprei Afogado, seu único livro que encontrei nos sebos. Ao final ele não compareceu à Flip. Segundo declarou sua agente, Nicole Aragi, "Junot anda completamente extenuado com as viagens que tem feito após a premiação e está jogando a toalha: cancelou, na mesma tacada, idas à Polônia e à Palestina." Verdadeiros ou não, os motivos que levam os autores recusar convite muitas vezes são divertidos e dizem respeito à personalidade de cada um. Em 2008, o mesmo Junot disse que não podia vir porque tinha “um casamento na Itália”.


 

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