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O Filho Eterno

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O Filho Eterno

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Cristovão Tezza

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 222

Ano de edição: 2007

Peso: 285 g

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Excelente
Marcio Mafra
31/10/2008 às 17:54
Brasília - DF


O Filho Eterno é excelente até no título. Uma extraordinária e muito inteligente mistura entre a realidade e o romance. Cristovão Tezza escreve com estilo e talento sobre o seu filho e seu personagem. Vezes é autobiográfico e vezes não. Genial, porque o autor, assim como o personagem, é escritor; ambos têm um filho com Síndrome de Down; os dois ainda compartilham outros aspectos da vida, como a atividade de professor e a torcida pelo Atlético Paranaense. Leitura fácil. Final não previsível.



Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de um escritor e poeta que, aos 28 anos de idade, recebe a notícia de que seu primeiro filho, Felipe, que acabara de nascer, tem a síndrome de Down.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A criança estaria no berçário, uma espécie de gaiola asséptica. que o fez lembrar do Admirável mundo novo: todos aqueles bebês um ao lado do outro, atrás de uma proteção de vidro. etiquetados e cadastrados para a entrada no mundo. todos idênticos, enfaixados na mesma roupa verde. todos mais ou menos feios. todos amassados. Sustos respirantes. Todos imóveis de uma fragilidade absurda, todos tábula rasa. cada um deles apenas um breve potencial, agora para sempre condenados ao Brasil....

....Qual era mesmo o seu filho? - aquele ali. Mostrou a enfermeira solícita e ele sorriu diante da criança imóvel buscando um ponto de convergência. Alguma coisa de fora que o tocasse súbita, como um dedo de um anjo......

....presença era também um nascimento às avessas, porque agora, talvez ele imaginasse, expulso do paraíso, estou do outro lado do balcão - não estou mais em berço esplêndido, não sou eu mais que estou ali, e ele riu, quase bêbado, a garrafinha vazia, inebriado do cigarro que não parava de fumar, naqueles tempos tolerantes. Como quem, prosaicamente, apenas perde um privilégio, o da liberdade....

...Ele sacode a cabeça: eu estou enlouquecendo...

.. os pais não são o problema; os pais são a solução.....

.... e o escritor volta ao seu fusca já derrotado pelo ridículo do próprio gesto, a alma desabando a zero e ele tentando se agarrar a alguns fiapos de argumento que justifiquem nem mais o que fez, mas a merda da sua vida, com sua engrenagem torta de absurdos. Não tem tempo de pensar. Súbito, percebe que seu filho passa a gritar "puta", com uma eficácia articulatória que a fonoaudióloga foi incapaz de arrancar dele, a quem quer que esteja ao lado de sua janela motorista ou passageiro, na seqüência de engarrafamentos daquela avenida. O pai estaciona o carro no primeiro espaçc vago, respira fundo, volta-se para o banco de trás e tenta explicar ao filho que ele não deve fazer aquilo....


  • Cristovão, o otimista

    Autor: José Castello

    Veículo: Revista Eu Fim de Semana 17/18/19/20 de fevereiro de 2012

    Fonte:

     

    Cristovão, o otimista

    Por José Castello | Para o Valor, de Curitiba

     

    Guilherme Pupo/Folhapress / Guilherme Pupo/FolhapressTezza: "Sou um otimista quanto ao futuro da literatura e sobre o sentido que ela pode assumir nesse novo tempo. Sendo realista, dá para dizer que tudo melhorou"

     

    Um pessimismo discreto atinge o espírito de muitos de nossos melhores escritores. Sentem-se deslocados em um mundo dominado pelas imagens virtuais. Sentem-se antigos e lentos em um universo no qual a tecnologia se expande em ritmo atordoante. Sentem-se sozinhos em um momento dominado pela informação instantânea e pela rede asfixiante da web. Parece não restar muito espaço para a literatura. Aquela que se vê apenas como entretenimento descartável ainda se ilude na competição com o cinema, com os sites da internet e com os seriados transnacionais. Mas, para os escritores que têm a literatura como um destino - e mesmo como salvação -, o mundo nunca esteve tão adverso.

    Não, porém, para Cristovão Tezza. Desde o sucesso, que ele define como "inesperado", com "O Filho Eterno" (Record, 2007), romance que arrebatou todos os prêmios mais importantes da literatura brasileira no ano seguinte, Tezza, que sempre foi um otimista, se tornou mais otimista ainda. Às vésperas dos 60 anos, que completa neste ano, sua aposta na literatura é total. O sucesso de vendas do romance lhe deu independência, permitindo que abandonasse precocemente o cargo de prestigiado professor de língua portuguesa na Universidade Federal do Paraná. A literatura, que já era parte importante de seu mundo, se transformou quase em seu mundo inteiro.

    O otimismo alastrou-se do mundo pessoal para sua visão da literatura. "Sou um otimista quanto ao futuro da literatura e sobre o sentido que ela pode assumir nesse novo tempo", diz, contrariando os temores daqueles para quem a ficção tende a se tornar um adorno ou uma mania de intelectuais obsoletos. Admite que, com a chegada da internet, houve uma mudança drástica em todo o sistema de produção, distribuição e venda do livro. "É muita coisa para pensar, desde o desaparecimento das livrarias de rua até o advento dos leitores digitais." Mas onde muitos veem um grande perigo para a literatura ele continua a ser otimista e enxerga uma oportunidade. "Sendo realista, dá para dizer que tudo melhorou."

    Vive uma rotina de "funcionário público de si mesmo". É metódico, segue horários fixos para escrever e leva uma vida caseira

    Mesmo a proximidade dos 60 anos não o abate. Avalia: "Ficar velho tem algumas vantagens. Uma delas é não perder tempo com aquilo que não tem importância". Considera-se, hoje, "um funcionário público de si mesmo". Mantém sua produção literária sob controle. É metódico. Sai pouco de casa e rejeita compromissos fora da área literária, como, por exemplo, convites para escrever peças de teatro ou fazer adaptações para o cinema.

    É verdade que o sucesso de "O Filho Eterno" desorganizou, um tanto, sua vida diária, de tendência introvertida e silenciosa. "A mudança maior foi sair da universidade e passar para este mundo selvagem aqui fora", diz, revelando a permanência de um temperamento tímido, que nem o sucesso perturbou. Passou a viajar muito - no início, praticamente toda semana. Chegou a fazer palestras na Austrália. Mas não perdeu o controle de si: esperou que passasse a fase das vitórias e das falsas esperanças e, logo que pôde, se trancou de novo em seu apartamento de classe média em Curitiba para fazer o que mais gosta de fazer, aquilo que considera seu destino: ler e escrever.

    Cristovão Tezza tem uma fé inabalável no presente. Gosta de ter um bom computador, mantém-se sintonizado com o que há de melhor no cinema e na música, mas não se deixa seduzir por modismos ou novidades. Mantém um site na web, que tem hoje uma média de 150 visitas diárias, para divulgar seu trabalho, e é tudo.

    "Não tenho perfil no Facebook e assemelhados, não produzo nem persigo tuíteres e não mantenho blogs." Preserva-se: a literatura é um lugar a ser defendido. Mais que isso: esconde-se. Mesmo depois de se tornar um autor de grande projeção nacional, e mesmo com o sucesso internacional, mantém-se o mesmo sujeito pacato, que gosta de receber só amigos muito próximos para tomar uma sopa, feita por sua mulher, Beth, beber uma boa cerveja ou assistir pela TV por assinatura a uma partida do Atlético Paranaense - e sofrer, sofrer como um menino. Não frequenta bares da moda, não faz parte de grupos literários, tampouco aceita a quebra inútil de sua rotina - chão sólido de onde sua obra provém.

    Ag%C3%AAncia%20Iconographia  Drummond: na formação de Tezza foi valiosa a leitura da poesia do mineiro.

     

    Não exagera, mas também pouco esconde, quando fala de si e de seu trabalho. Olhando para trás, Tezza considera que sua literatura tem duas origens: as "leituras disparatadas" que fez ao longo da vida, de um lado, campo de puro acaso e desordem; e seu interesse pelo ensaio, pela história e pela teoria literária, de outro - seu lado "professor". A propósito, seu próximo romance, que ele só deve começar a escrever em 2013, se chamará "O Professor" e talvez trate desses aspectos mais rígidos e controlados de sua personalidade.

    Observando seu passado, encontra Tezza só alguns poucos momentos de verdadeira ruptura: o nascimento, em 1980, de um filho com síndrome de Down - "modificou o meu texto e os meus temas" - e cuja história resultou em "O Filho Eterno"; e mais para trás: o fim da vida comunitária, que experimentou com entusiasmo até os 25 anos. A eles soma, ainda, sua saída da universidade, em 2009. Ao longo dessas rupturas decisivas, mas isoladas, conservou duas vertentes inabaláveis: o amor por sua mulher, Beth, e a obsessão pela escrita. "Sempre consigo arranjar um canto da casa e separar um tempo do dia para a literatura", conta. "Tenho um miolo mais ou menos intocável, que é a atividade de escrever."

    Mesmo em paz com o presente, Tezza tem suas recaídas saudosistas. Lamenta, por exemplo, que a expansão da internet tenha significado a morte das antigas cartas, que sempre marcaram as relações entre os escritores e foram peças tão importantes na vida de críticos e biógrafos. "Hoje é praticamente impossível organizar em livro a correspondência de escritores", lembra. "Ninguém mais escreve cartas." Ao longo da vida, cultivou dois grandes correspondentes, grandes amigos até hoje: o linguista curitibano Carlos Alberto Faraco e o historiador e professor de literatura paulista João Roberto Faria, que foi seu orientador no doutorado da Universidade de São Paulo (USP). Lamenta que a intensa correspondência que manteve com os dois não se repita. É verdade que se diz um apaixonado pelo "hábito da solidão". Mas mesmo a solidão tem um limite.

    Em suas horas solitárias de leitor, reveza "fases ficcionais" com fases "não ficcionais". Avalia: "Estou numa fase 'não ficcional' de minha vida". Tem lido os historiadores, como Eric Hobsbawn e Orlando Figes, e biografias de escritores, como Dante, Shakespeare e Dostoiévski. Continua a ser o leitor eclético e não metódico ("não professoral") que sempre foi.

    Bloomberg  Coetzee: atualmente, Tezza considera o Nobel sul-africano "o mais denso prosador contemporâneo"

     

    Em sua formação de prosador, por exemplo, e isso embora jamais tenha sonhado em se tornar poeta, foi muito valiosa a leitura da poesia de Carlos Drummond de Andrade e de T.S. Eliot. A ficção, sabe Tezza, vem de onde menos se espera. Nos momentos em que é um leitor, o escritor deve experimentar de tudo. Um escritor não pode ter dogmas. Mas, é claro, Tezza traz no espírito, ainda hoje, as marcas das leituras de formação - Dostoiévski, Faulkner, Graciliano, Cortázar. Alguns romances, como "Lord Jim", de Conrad, "O Estrangeiro", de Camus, "O Senhor das Moscas", de Golding, e "O Deserto dos Tártaros", de Buzzati, jamais deixaram de se agitar dentro dele, como se nunca terminasse realmente de lê-los. Essas influências permanecem, se entranham e não nos abandonam.

    Na maturidade, encontrou dois autores "absolutamente impactantes": o suíço Thomas Bernhard e o sul-africano J.M. Coetzee - "que considero o mais denso prosador contemporâneo". Bernhard, ele avalia, "é mais 'monolítico': em uma página parece que você tem a obra inteira, mas ela é um nocaute inesquecível". Já em Coetzee, ele vê "um envolvimento que se faz por camadas sobre camadas de sentidos, numa troca sutil de sugestões com o leitor, tudo em torno de um mundo duro e, parece, angustiantemente sem pressa". Resume assim sua paixão pela literatura do mestre sul-africano: "É prosa literária em estado puro".

    Alguma coisa dessa "dureza" de Coetzee aparece, a seu modo, no próprio Cristovão Tezza. Vê-se como um escritor "que remou, teimoso, contra a corrente de seu tempo". Afirma mais: que sempre foi, por instinto, "um antipós-moderno". Essa solidão intelectual combina com sua condição existencial: vê-se como "um autoexilado em Curitiba". Embora catarinense, adotou, desde muito cedo, o Paraná. O silêncio de Curitiba lhe permite a rotina de "funcionário público de si mesmo". É metódico, segue horários fixos para escrever, leva uma vida caseira e sem grandes sensações. Isso só lhe trouxe vantagens. "Minha relação com a literatura sempre foi razoavelmente boa. Saio de um livro e entro no outro - tenho feito isso faz mais de 30 anos."

    Nem o período de esquecimento que amargou depois do grande sucesso de "Trapo", romance de 1988, fez vacilar seu otimismo ou o levou a desejar ser outro. Cristovão Tezza gosta de ser Cristovão Tezza. É um homem realista, que leva um dia a dia pragmático em torno da família e não se permite grandes aventuras financeiras ou existenciais. Esse "realismo pessoal" talvez explique, em parte, o realismo que rege sua ficção, ela também baseada em acontecimentos reais que envolvem homens de vida concreta e comum.

    Admite que a vida de professor, que levou por longos anos, marcou sua concepção da literatura. "Minha maneira de pensar a ficção não veio propriamente da ficção, mas do ensaio, da leitura de história e da própria teoria literária - ou de uma mistura de tudo isso." Durante muitos anos - outro reflexo, quem sabe, do disciplinado professor -, sempre escreveu as primeiras versões de seus livros em cadernos que ele mesmo fabricava. Só a partir de "O Filho Eterno" adotou, em definitivo e desde a primeira linha, o computador.

    Tezza é, acima de tudo, um homem centrado em si e nos seus. A literatura é, para ele, algo tão caseiro quanto um jantar em família ou uma brincadeira com o filho Felipe. Sabe que a literatura - como a vida - envolve tanta dor e sofrimento quanto alegria e prazer, e por isso a tem como seu centro pessoal. Conhece bem os paradoxos da vida. Quanto a si mesmo, considera-se "um homem desligado e objetivo". A contradição não o assusta, ao contrário, só o leva a amar ainda mais a existência. E por isso, provavelmente, a vida, bruta, incoerente, mas insubstituível, esteja no centro de sua ficção.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Arlete Mendes, carinhosa amiga, no Natal de 2007 me presenteou dois livros: O Filho Eterno e Caos Calmo.


 

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