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O Primo Basílio, O Conde de Abranhos, Alves & Cia

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O Primo Basílio, O Conde de Abranhos, Alves & Cia

Livro Excelente - 1 opinião

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Autor: Eça de Queiroz

Editora: Itatiaia

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 566

Ano de edição: 1962

Peso: 915 g

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Excelente
Marcio Mafra
28/10/2004 às 11:09
Brasília - DF

Três histórias em livro grande. Todas muito boas.


A história do Primo Basílio é uma narrativa fina, bem-humorada, recheada de traições, vinganças, invejas e chantagens emocionais, bem típicas dos encontros e desencontros dos apaixonados


A do Conde de Abranhos é o puxa-saquismo magistral e ao mesmo tempo mesquinho presentes nas aventuras do secretário do conde, onde defeitos de caráter, como num passe de mágica, transformam-se em grandes qualidades morais. A história guarda uma certa similaridade com os políticos que ocupam as prefeituras e governos estaduais - Brasil afora.


A do Alves & Cia. É uma deliciosa história de sócios nos negócios, sócios no amor, recheada de ameaças, viagens, expulsões, reconciliações, heranças, dinheiro, duelos, viuvez, casamentos e outras atitudes do gênero, próprias da época. Valem o que pesam. Excelentes.




Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este livro enfeixa três livros, três histórias grandes e bem distintas:

(1) A história do primo Basílio, que se envolveu com Luisa, seu primeiro amor, recém-chegado de Paris.

(2) O Conde de Abranhos é a história de um falso político, escrita por seu falso secretário.

(3) Alves & Cia é a história de Alves e Machado, que são sócios e durante uma festa de aniversário, o Alves vê a sua mulher, abraçada com o Machado e finge que não vê. O Machado, some da festa.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O Primo Basílio.

Desde que servia, apenas entrava numa casa sentia logo, num relance. A hostilidade, a malquerença: a senhora falava-lhe com secura, de longe; as crianças tomavam-lhe birra; as outras criadas, se estavam chalrando, calavam-se, mal a sua figura esguia aparecia; punham-lhe alcunhas - a isca seca, a fava torrada, o saca-rolhas; imitavam-lhe as trejeitos nervosos; havia risinhos, cochichos pelos cantos; e só tinha encontrado alguma simpatia nos galegos taciturnos, cheios de uma saudade morrinhenta, que vêm de manhã quando ainda os quartos estão escuros, com as suas grossas passadas, encher os barris, engraxar o calçado. Lentamente, começou a tornar-se desconfiada, cortante como um nordeste; tinha respostadas, questões com as companheiras; não se havia de deixar por o pé no pescoço! As antipatias que a cercavam faziam-na assanhada, como um círculo de espingardas enraivece um lobo. Fez-se má; beliscava crianças até lhe enodar a pele; e se lhe ralhavam, a sua cólera rompia em rajadas. Começou a ser despedida. Num só ano esteve em três casas. Saia com escândalo, aos gritos, atirando as portas, deixando as amas todas pálidas, todas nervosas ... A inculcadeira, a sua velha amiga, a tia Vitória, disse-lhe: - Tu acabas por não ter onde te arrumar, e falta-te o bocado do pão! O pão! Aquela palavra que é o terror, o sonho, a dificuldade do pobre assustou-a Era fina, e dominou-se. Começou a fazer-se "uma pobre mulher", com afetações de zelo, um ar de sofrer tudo, os olhos no chão. Mas roía-se por dentro; veio-lhe a inquietação nervosa dos músculos da face, o tique de franzir o nariz; a pele esverdeou-se-lhe de bílis A necessidade de se constranger trouxe-lhe o hábito de odiar; odiou sobretudo as patroas, com um ódio irracional e pueril!. Tivera-as ricas, com palacetes; e pobres, mulheres de empregados, velhas e raparigas, coléricas e pacientes; - odiava-as a todas, sem diferença.....

O Conde de Abranhos

Alípio Severo Abranhos nasceu no ano de 1826, em Penafiel, no dia de Natal. A Providência, por um símbolo sutil e engenhoso, fêz nascer no dia sagrado em que nasceu Jesus de Nazaré, aquele que em Portugal devia ser o mais forte pilar e o procurador mais eloqüente da Igreja, dos seus interesses e do seu reino. Muitas vezes o conde se comprazia em contar que nessa noite de 24 de dezembro de 1826, inverno que ficou na história pelas grandes neves que caíram, seus pais - segundo a tradição venerada na família - tinham armado um presépio, como era costume nesses tempos em que a boa-fé portuguesa amava a piedosa devoção dos altares íntimos. Ao centro do presépio, florido de muita verdura, entre os animais da narração evangélica, o Menino Jesus sorria, nos braços de uma Virgem, obra delicadamente trabalhada por Antão Serrano, o grande santeiro de Amarante. Em torno, ardiam as velas de cera; na cozinha, cantavam nas frigideiras os rojões da ceia; o lume de lenha úmida estalava jovialmente, e fora, na neve que caia, os sinos repicavam para a Missa do Galo - quando a mãe do conde subitamente.....

Alves & Cia

Eu moro à esquina do Largo do Pelourinho, justamente defronte do Arsenal. Já antes da guerra e dos nossos desastres, eu ali vivia, no segundo andar, à direita. Nunca gostei do sítio; sem ser bucólico, a minha ambição foi sempre habitar longe destes arruamentos tristes da Baixa, num bairro de mais ar e de mais horizonte, com um quintal, uma frescura de folhagem e alguns metros de terra, onde, num rumorejar de árvores, pudesse ter roseiras e acolher pássaros nas tardes de verão. Mas quando herdei de minha tia Petronilha, comprei esta casa, defronte do Arsenal. Estes prédios são, por causa das lojas e dos armazéns, casas de maior rendimento do que as dos outros bairros, e, como emprego de capital, um prédio na Baixa é mais vantajoso do que uma casa bonita em Buenos-Aires ou no bairro das Janelas-Verdes. Foi pelo menos o que me disseram proprietários experientes. De resto, eu tencionava alugar o prédio e ir habitar, com os meus, uma casinha pequena, alegre e fresca, que tinha apetecido para os lados do Vale-de-Pereiro. Mas quando vieram as nossas desgraças e o exército inimigo ocupou Lisboa, a necessidade de economia, os tempos tão difíceis, forçaram-me a abandonar esse plano de viver no campo; e ainda aqui estou, neste triste segundo andar do Largo do Pelourinho, defronte do Arsenal. Em ma hora vim eu para aqui. Porque creio que esta vizinhança do Arsenal me tem feito sentir com uma intensidade maior todas as amarguras da invasão. Os que vivem para Buenos-Aires, para as Janelas-Verdes, para Vale-de-Pereiro, sofrem decerto, dolorosamente, da presença de um exército estrangeiro em Lisboa. Ainda que o primeiro terror passou, que a cidade vai retomando pouco a pouco a sua fisionomia ordinária, que circulam as tipóias e as transways, pesa todavia a que quer que seja de doloroso sobre a cidade; o ar está carregado de qualquer cousa de sutil e opressivo, como uma atmosfera intolerável que circula nas praças, penetra nas casas, muda o gosto à água, faz parecer o gás menos claro, deposita na alma uma tristeza contínua, obcecante..


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Eça de Queiroz é autor que importa.

 


 

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