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Hilda Hilst Crônicas - Cascos & Carícias

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Hilda Hilst Crônicas - Cascos & Carícias

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Não Consta Autor

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Crônica

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 332

Ano de edição: 2018

Peso: 950 g

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Ótimo
Marcio Mafra
25/04/2020 às 22:38
Brasília - DF
Fiquei surpreso com este livro de crônicas. Segundo depoimentos comentados durante a Flip, Hilda Hilst passou a escrever crônicas publicadas no Caderno C, do jornal Correio Popular, da cidade de Campinas, SP. As crônicas versavam sobre política, morte, Deus e sexo, numa linguagem popularesca e até grotescas. Escrevia assim porque durante 50 anos fez literatura séria e não era lida, nem reconhecida pela crítica. Foi o quanto bastou para a cronista ser conhecida e discutida em roda de botequim, a partir de 1992. As crônicas escandalizavam leitores de jornal e também alguns críticos. Das 132 crônicas que compõem o livro, a intitulada “Banqueiros, Editores e Pinicos” foi a que mais gostei. Não conheci a “literatura seria” mas conheci parte da revolta e tristeza de Hilda Hilst pela dificuldade de viver de literatura, sem apoio, sem prestígio, sem dinheiro embora escritora talentosa e transgressora. A escritora faleceu em 4 de fevereiro de 2004. O livro é muito bom.

Marcio Mafra
25/04/2020 às 00:00
Brasília - DF
132 Crônicas de autoria de Hilda Hilst publicadas entre 1992 e 2004, em jornais ou revistas da época.
Marcio Mafra
25/04/2020 às 00:00
Brasília - DF
Banqueiros, Editores e Pinicos Aos setenta e nove anos e perneta, ela matou a pinicadas (golpes de pinico) o velhote (seu marido), quando ele se jactava de antigas façanhas sexuais, enquanto ela apenas mancava solitária pela casa. Onde foi isso? Na aldeia de Mókroie? Em Londres, gente! Há duas semanas atrás. Que vitalidade! Que altaneria! E que rabugice! Se fosse comigo, aos setenta e nove, eu apenas anotaria, quase sucinta, no meu diário: John, ontem à noite, contou-me deliciosas aventuras e acho que fez muito bem, porque convenhamos, com o meu coto é difícil manter-me no coito em equilíbrio. Aos setenta e nove gostaria de laquear um pouco. É bom ser estranho e velho. Que menina medonha! É sua filhinha, é? E esse é seu marido? Ahhh ... então é por isso! coitaaaada! E talvez colocasse um balde na cabeça à guisa de chapéu, como aquela baronesa lza von Fretag von Loringhoven, que também enfeitava a cara com selos ... e morava o mesmo bairro onde moravam Henry Miller e June. Eu andaria com o meu balde e desenharia lindas borboletas na minha cara, aqui mesmo, na minha torre de capim. E vou dizer muitas verdades a alguns, principalmente àquele meu amigo banqueiro, riquíssimo (aliás acho que vou dizer agora), a quem pedi que editasse meu livro como brinde, no seu banco, e ele disse: - Você é mesmo boba, Hilda, ninguém mais lê poesia ... Eu disse: mas você era tão sensível e gostava tanto de poesia e é filho de um poeta ... Ele: agora eu só sou sensível depois das nove da noite. E eu deveria ter dito a ele o que vou dizer agora: e se eu te chupar a bronha depois das nove da noite, te sensibiliza e você edita? Só que aos setenta e nove ia ser melhor porque eu estaria sem dentes ... Ah, banqueiros, meus amigos, caixão não tem gaveta, viu? Ah, o que eu tenho visto de avareza e hostilidade quando estamos na dureza! Como é triste ser avarento quando se é velho e rico! Ou só como é triste ser avarento! E como é sórdido ser avarento com os poetas. E agora vou terminar com um poema porque já estou espirocando de ódio em relação a banqueiros e editores e a crônica foi pras picas. P.S. Querem saber? Acho que a velhota fez bem. E já vou comprar o meu pinico. ninguém vai notar uma velhota aos sessenta e três entrando no banco ou na editora com um pinico na sacola. Enquanto faço o verso, tu decerto vives. Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue. Dirás que sangue é o não teres teu ouro E o poeta te diz: compra o teu tempo Contempla o teu viver que corre, escuta O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo. Enquanto faço o verso, tu que não me lês Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala. O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas: "Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas." Irmão do meu momento: quando eu morrer Uma coisa infinita também morre. É dificil dizê-lo: MORRE O AMOR DE UM POETA. E isso é tanto, que o teu ouro não compra, E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto Não cabe no meu canto." (segunda-feira, 8 de março de 1993)

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Marcio Mafra
25/04/2020 às 00:00
Brasília - DF
A FLIP 2018 - Festa de Literatura Internacional de Paraty, de 2018 homenageou a escritora, cronista e poeta Hilda Hilst (1930-2004). Se a memória não me trai, nunca li nada de autoria da homenageada. Embora eu não tenha comparecido àquela Flip, comprei o livro “Hilda Hilst 132 Crônicas: Cascos & Carícias e outros Ensaios” para tentar conhecer um pouco da vida literária dela.

 

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