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Uma Mulher Vestida de Silêncio - Maria Thereza Goulart

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Uma Mulher Vestida de Silêncio  - Maria Thereza Goulart

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Autor: Wagner William

Editora: Record

Assunto: Biografia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 643

Ano de edição: 2019

Peso: 1.200 g

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Excelente
Marcio Mafra
25/04/2020 às 22:22
Brasília - DF
“Uma Mulher Vestida de Silêncio”, abrange 82 anos (1936-2018) e revela a vida pessoal de Maria Thereza Goulart, que se mistura à face política do país.
A luta e o sofrimento da viúva do Presidente João Belchior Marques Goulart, mais conhecido como Jango, vai de seu nascimento em 23 de agosto de 1936, até o ano de 2018.
Atualmente a Sra. Goulart, aos 84 anos, vive no Rio de Janeiro.
Jango foi eleito Vice Presidente duas vezes.
A Constituição vigente na época estabelecia a eleição separada para o Presidente da República e o Vice.
Na primeira vez, em 3 de outubro de 1955 Jango concorreu pelo PTB e venceu a eleição com 36,1% dos votos. O Presidente eleito foi Juscelino Kubitschek, do PSD, que governou de 31/1/1956 a 31/1/1961 com Jango na Vice Presidência.
Na segunda vez, o Presidente eleito foi Jânio da Silva Quadros, do partido PTN, eleito com 48,26% dos votos. Jango, o marido de Maria Thereza foi eleito vice, com 36,1%.
Jânio Quadros renunciou a Presidência da República, com pouco mais de 7 meses de governo e João Goulart tornou-se o Presidente.
Maria Thereza, com apenas 20 anos de idade, casou com Jango e passou a exercer as mínimas atribuições de mulher de Vice. Depois, com 24 anos tornou-se primeira dama.
Ela viveu as dores da Presidência de, 7/9/1961 até a deposição do marido em 1/4/1964 pela declaração de vacância do cargo, em face do Presidente Jango Goulart encontrar-se em lugar incerto e não sabido. A declaração de vacância se deu em sessão do Congresso Nacional, às 2h40 de 2 de abril de 1964, lida pelo Presidente do Congresso Nacional, Senador Auro de Moura Andrade.
Jango se exilou no Uruguai, onde permaneceu até sua morte, em 5 de dezembro de 1976.

Nos 12 anos de exílio, foi acompanhado por sua mulher em todos os momentos.
Virginiana, detalhista e exigente, Maria Thereza que foi capa das maiores revistas nacionais e internacionais, de repente, faz as malas às pressas e embarca com 2 crianças num avião que decolou para o Uruguai de uma pista improvisada na Granja do Torto, em Brasília.
Esta e outras atribulações da trajetória de Maria Thereza Goulart são descritas minuciosamente na biografia. A mulher que, depois do Golpe de 1964, virou alvo de pesadas campanhas difamatórias, teve de encontrar força e altivez para reconstruir a vida ao lado da família no exílio no Uruguai.
Ao longo das 643 páginas do livro, divididos em 25 capítulos, intitulados com o talento do autor, pelos versos de Jobim e Vinicius de Moraes na canção “A Felicidade”.
Qualquer leitor interessado na recente vida política do Brasil classifica a leitura de “Uma Mulher Vestida de Silêncio”, como um livro importante e valioso, tanto pelo valor do testemunho vivo e histórico, como pelo valor humano. Emocionante. Excelente.

Marcio Mafra
25/04/2020 às 00:00
Brasília - DF
Biografia de Maria Thereza Goulart, com sua vida detalhada ao longo de 82 anos, ou seja de seu nascimento em agosto de 1936 até o recente 2018. Ela que vivia discretamente, sempre dedicada ao esposo e aos filhos, enquanto seu marido exercia a vice-presidência nos governos de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e de Jânio Quadros (março-agosto 1961). Quando Jânio renunciou ao seu mandato, João Belchior Marques Goulart, após um acordo político, assumiu a Presidência da República. Maria Thereza, que rivalizava em beleza e elegância com as primeiras damas Jacqueline Kennedy dos EUA e Grace Kelly, do Principado de Mônaco, com apenas 24 anos de idade, inesperadamente passa da vida familiar para o agitadíssimo centro social do Brasil, exercendo fascínio e marcando época por sua beleza. Atualmente (abril de 2020) Maria Thereza reside no Rio de Janeiro, e alterna com a residência de Porto Alegre ou de Montevidéu, Uruguai.
Marcio Mafra
25/04/2020 às 00:00
Brasília - DF
Que sufoco louco A gaúcha Ieda Maria Vargas havia garantido que jamais se esqueceria da gentil recepção oferecida pelo presidente e pela primeira-dama logo após ela ter vencido o concurso de Miss Universo 1963. Famosa em todo o mundo, e mostrando mais fibra e caráter que vários homens públicos. Ieda teve a coragem de ir ao Uruguai convidar pessoalmente Jango e Maria Thereza para serem padrinhos de seu casamento com José Carlos Athanázio. O convite foi aceito, porém João Vicente substituiria o pai. Abril de 1968. Maria Thereza voltava ao Brasil. A reação do governo militar sobre a liberação ou não de sua entrada no país continuava imprevisível. Para festas de casamento, pelo jeito, não haveria objeção, mas seria bom que ela continuasse atenta. Após cinco anos de exílio, sua popularidade se mantinha alta. A revista Manchete de 13 de abril destacou que Maria Thereza, com João Vicente, "muito crescido e bonito", ao seu lado, foi aplaudida à entrada da Igreja de São José, em Porto Alegre. Aos repórteres, aproveitou para fazer uma provocação pelo que aconteceu durante o casamento do irmão. Maria Thereza não esquecia: "É sempre bom, no exílio, receber atenção de amigos ( ... ) Nestas horas, uma palavra toma contornos excepcionais. Nem todos cultivam a amizade dos que não têm poder." A reportagem revelava que ela permaneceria por apenas quarenta 40 horas, "anunciadas ao desembarcar" (sim, fora novamente interrogada). Questionada pelos Jornalistas sobre a volta definitiva ao Brasil, Maria Thereza foi direta: "Meu marido decidirá a oportunidade. Enquanto isso, cultivamos nossas saudades." Na bolsa de apostas das redações do país, era barbada que Ieda Maria Vargas, vestida de noiva, seria a capa da edição da Manchete. Não foi. Naquela semana, um fato fez o Brasil tremer: milhares de estudantes saíram às ruas do Rio de Janeiro para sepultar o jovem Edson Luís, morto em um confronto entre estudantes e a Polícia Militar. Era essa a foto da capa. Outros catorze flagrantes ilustravam a reportagem. Uma delas mostrava dezenas de cartazes ao lado do corpo de Edson Luís: "Eis a democracia podre"; "Os assassinos pagarão pelos seus crimes! Custe o que custar!"; "Aqui está o corpo de um estudante morto pela ditadura". Na sequência, a revista mostrava a série de manifestações estudantis que tomava conta do mundo. Suécia, Bélgica, Estados Unidos, Alemanha, Tchecoslováquia, Itália, Inglaterra e, claro, a França, cujos movimentos se tornariam símbolo da onda que escancarava o terror para a classe média brasileira. Em coro, a multidão gritava: "Morreu um estudante. Podia ser seu filho!" A ditadura estava de olho. Nos estudantes, no país e em Iango. No Brasil, o presidente Costa e Silva, que substituíra Castello Branco, não daria sossego às ações da Frente Ampla. Dedicou-se a montar uma escalada para destruí-la de vez. Impediria Lacerda de aparecer na TV. Ameaçaria Juscelino, que já tivera de prestar depoimentos em vários inquéritos, de ser mais uma vez convocado para depor. Por fim, no dia 5 de abril de 1968, o ministro Gama e Silva simplesmente baixou a Instrução nº 117, que proibia a divulgação de notícias e declarações de atividades da Frente Ampla. Jango ficaria arrasado. Acabava sua esperança de voltar a fazer política. A sucessão de notícias ruins parecia um aviso. Ele precisava se cuidar. Em meados de 1968, sofreu um novo distúrbio cardíaco. Jango quis então que Euryclides Zerbini o examinasse. Sua rede de amigos levou o convite até o cirurgião. Zerbini chamou o colega Siguemituzo Arie para ajudá-lo. Disse a ele que viajariam ao Uruguai para realizar uma palestra. Somente quando desembarcou em Montevidéu, Arie soube o que iriam fazer. Apesar desses cuidados para manter a discrição, Zerbini chegou ao Uruguai cercado pela imprensa local. Em maio, o cardiologista havia realizado o primeiro transplante de coração da América Latina, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). Zerbini e Arie foram do aeroporto para o hospital. Devidamente vigiados pelo serviço secreto brasileiro, os médicos brasileiros levavam um equipamento que não existia no Uruguai. Mais que uma conversa - nada além do que Jango esperava de qualquer médico -, Zerbini desejava realizar uma série de exames no seu difícil paciente. Seria feita uma cineangiocoronariografia, um procedimento invasivo que verificava o funcionamento das válvulas e do músculo cardíaco, detectando se havia obstrução nas artérias. Depois do exame em Iango, o equipamento seria doado e instalado definitivamente no Ospedale italiano Umberto I, que ficava próximo ao Parque Batlle. Para a realização do procedimento médico, Zerbini se acertou com a administração do Umberto I. Porém, seria necessário que o paciente concordasse em, primeiramente, entrar em um hospital. Foi preciso muito esforço de Maria Thereza, João Vicente e Denize para convencê-lo. O pavor de Jango resultou em um desmaio logo após ter feito um exame de sangue antes do procedimento. Se houvesse necessidade, Zerbini e Arie estavam preparados para realizar uma intervenção cirúrgica. O resultado da cineangiocoronariografia revelou que Jango sofrera uma cardiopatia isquêmica (diminuição do fornecimento de sangue para o coração, provocada pelo entupimento das artérias). Zerbini indicou a Jango a clínica do Hospital Cardio-thoracique et Vasculaire Louis Pradel, em Lyon, onde seria atendido por um dos melhores cardiologistas do mundo, o médico francês Roger Froment. Zerbini passou as orientações que Jango estava cansado de ouvir. Deveria parar de fumar e de beber, mudar a alimentação e seu ritmo sedentário, além de trabalhar menos. Receitou-lhe um remédio vasodilatador sublingual. A conclusão de Zerbini deixou Jango desanimado. Apesar do seu estado de saúde, não mudaria seus hábitos imediatamente. Em vez de marcar logo uma consulta em Lyon - sabia que teria de passar por vários obstáculos para deixar o Uruguai -, preferiu seguir a tática do doente que foge do hospital acreditando que assim poderia se curar. Na mesma época da visita de Zerbini, um macabro boato chegou à imprensa brasileira. Maria Thereza não reagiu, apenas sorriu ao ser procurada por jornalistas. Não desdenhava da notícia. Era um riso nervoso. A novidade do momento dizia que ela teria sido “assassinada por motivos políticos". Uma nota publicada no Correio da Manhã com a manchete "Maria Teresa mais viva do que nunca" trazia um surreal desmentido: "(Maria Thereza) declarou aos jornalistas que nunca foi vítima de atentado de espécie alguma quando vivia no Brasil e que, no Uruguai, “ainda menos espera que isso venha a acontecer". Ainda estavam apenas na metade de 1968. Viriam outras tristezas. Mais um grande amigo, destruído pela saudade, iria arriscar-se em um improvável retorno. Darcy Ribeiro, assim como Waldir Pires, não suportou o exílio. Aproveitou-se de um erro técnico no processo de julgamento que o condenou a três anos de prisão e conseguiu um habeas corpus, concedido pelo STF, para voltar ao Brasil em outubro. Essa frágil condição não dava qualquer esperança para outros brasileiros. Sentindo-se profundamente desolado, Darcy classificou o exílio de "frustração, chateação e obsessão".' Em uma época sem lei, Darcy deveria saber que um habeas corpus não significava muito. Seria preso no Brasil pouco depois. As outras notícias que vinham de lá, trazidas por Talarico, não eram melhores. Jango estava novamente impedido de negociar seus bens e o Exército continuaria mantendo soldados nas suas fazendas.' Nesse mesmo mês, enquanto a ditadura militar esmagava o que sobrava de democracia no Brasil, a manchete mundial era bem mais leve. Jango, Maria Thereza, João Vicente e Denize voltavam a pé de um almoço no restaurante Malecón e pararam em frente a uma banca para comprar revistas. Nos jornais, a manchete era o casamento de Jacqueline Kennedy com Aristóteles Onassis. Surpresos, João Vicente, Denize e Maria Thereza comentaram a notícia. Jango ficou calado. Mesmo assim, ela puxou conversa com o marido: - Jango, o que tu achas desse casamento? O político respondeu: - Não sei não, Teca. Do ponto de vista do povo americano, essa união não será bem-vista pela maioria dos eleitores do Partido Democrata. Apesar de sua política externa desfavorável ao Brasil, Kennedy é um símbolo. Não sei se esse casamento será bem recebido por eles. - Ô Jango, tu só pensas em política. Eu estou perguntando sobre Jacqueline. Ela tem que seguir com a vida e tem o direito de se casar de novo, não achas? - E tu, Teca, se eu morrer por aqui, tu vais te casar de novo? - Jango, tu não sabes conversar. Eu acho que ela tem todo o direito de se casar e ser feliz. E olha que o Onassis é um coroa charmoso. - É, Teca, ela vai ter muito tempo para navegar. O Onassis é um grande armador e, com essa jogada, ele se tornará novamente bem-vindo com sua frota nos Estados Unidos,"

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Marcio Mafra
25/04/2020 às 00:00
Brasília - DF
Poucos dias após a inauguração da cidade, juntamente com minha família, aos 16 anos de idade cheguei em Brasília vindo de Florianópolis, no dia 9 de maio de 1960. Alguns dias depois, em 16 de maio de 1960, conheci pessoalmente o Presidente Juscelino Kubitschek, durante a solenidade da aula inaugural do Caseb. Juscelino era um ídolo nacional, líder democrático, carismático, no auge de sua boa fama e no último ano de seu exitoso mandato. Jânio Quadros, como sucessor de Juscelino assumiu a presidência em 31 de janeiro de 1961. João Goulart, que tinha sido vice de Juscelino, foi eleito vice-presidente de Jânio Quadros. Na época, os candidatos concorriam separadamente, em votação direta, aos cargos de Presidente e Vice-Presidente. Em 4 de junho de 1961, aconteceu uma eleição extraordinária quando Juscelino Kubitschek foi eleito senador por Goiás, pelo (PSD). O slogan de sua campanha: “Goiano é bom pagador. JK pra senador”. Quando Jânio Quadros renunciou em 25 de agosto de 1961, o Senador Juscelino deu total apoio à posse do vice-presidente João Goulart, que foi vetada pelos ministros militares. Juscelino não concordava com a implantação do regime parlamentarista no país, como fórmula conciliatória para garantir a posse de Goulart. Votou contra o projeto durante a sessão realizada no Senado, no dia 2 de setembro. Mesmo assim, o projeto de Emenda Constitucional nº 4 foi aprovado pelos parlamentares, passando o Brasil ao regime parlamentarista, quando Goulart iniciou seu governo no dia 7 de setembro de 1961. Tancredo Neves foi eleito Primeiro Ministro. Já nessa época, me interessei bastante pela vida política nacional. Daí me senti completamente envolvido com o Governo Jango e depois com a tomada do poder pelo golpe militar de 1964 até 1985. Seguiu-se a eleição indireta de Tancredo e do Vice Sarney. Tancredo Neves faleceu e Sarney assumiu a Presidência. O Presidente José Sarney, em 28 de junho daquele ano, convocou a Constituinte que demorou até 5 de outubro de 1988, para ser proclamada. Após Sarney vieram novos Presidentes, cada um a seu tempo: Collor, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Itamar e agora Bolsonaro. Quem viveu intensamente toda essa história política, jamais deixaria passar em brancas nuvens o livro “Uma Mulher Vestida de Silêncio – A Biografia de Maria Thereza Goulart”, que comprei em maio de 2019 e acabei de ler quase um ano depois.

 

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