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Guga Um Brasileiro

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Guga Um Brasileiro

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Autor: Gustavo Kuerten

Editora: Sextante

Assunto: Biografia

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 383

Ano de edição: 2014

Peso: 450 g

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Ótimo
Marcio Mafra
30/03/2020 às 23:20
Brasília - DF
“GUGA UM BRASILEIRO” embora o titulo possa parecer grandiloquente, o livro é muito bem escrito, e faz justiça a fama internacional granjeada pelo Guga. A "arquitetura" de capítulos foi bem pensada, coisa de profissional. de talento. Dificil saber se é merito da editora ou de Luis Colombini que foi o jornalista que tomou os depoimentos do biografado. Certamente de ambas as partes. Gustavo Kuerten, Guga, além de tenista famoso dentro e fora do mundo esportivo é de uma simpatia contagiante. Ademais ele descreve sua trajetória com notável modéstia, muita autenticidade, além de ter poupado os leitores não conhecedores do esporte, daquelas explicações técnicas tão monótonas e que só alguns entendem. Isso tornou a história leve, gostosa e de fácil leitura. Destaque para o lado humanista de Guga que também sobressai em quase todos os capítulos. Livro ótimo tanto para tenistas iniciantes, como para veteranos e para leitores iniciantes ou que curtem biografias.


Marcio Mafra
30/03/2020 às 00:00
Brasília - DF
Biografia do tenista profissional, com ênfase no esporte, mas com todo o envolvimento humanista do biografado. É uma auto-biografia, porém não foi escrita diretamente pelo Guga, que aparece como autor. O livro foi sendo eleborado através de depoimentos de Gustavo Kuerten ao jornalista e escritor Luís Colombini. Este é jornalista profissional, já tendo passado pela direção de redação da revista “Seu Sucesso” ale, de ter trabalhado nas revistas Veja, Viagem e Turismo, Você S/A. Em se tratando de biografia é necessário que o personagem seja o protagonista. É desta maneira que um catarinense desconhecido, cabeludo, simpático e surfista amador fez tremer as tradições do tênis internacional sempre muito contido e apreciadíssimo por torcedores da elite social e se tornou "história" do tênis, sagrando-se tri campeão em Roland Garros.
Marcio Mafra
30/03/2020 às 00:00
Brasília - DF
A BATALHA DOS SOBREVIVENTES A imensidão da proeza justificaria, mas a noite de celebração da vitória sobre Kafelnikov nas quartas de Roland Garros em 1997 não teve fogos, festa nem champanhe. Não fossem as exclamações de entusiasmo, as risadas fáceis e a euforia geral à mesa, seria o jantar de sempre na pizzaria Victoria, com muito macarrão e um pouco de refrigerante. Lá pelas tantas, comentei: - Puxa, seria muito legal se a mãe e a orna estivessem aqui... Larri, Rafa e Letícia se entreolharam. - Teu comentário acaba de estragar a surpresa. Elas estão vindo, Guga - Larri falou. Eu não sabia que, logo depois do fim da partida contra Kafelnikov, meu técnico e meu irmão conversaram sobre a conveniência disso. - Rafa, telefona para casa e chama o pessoal. - Mas, Larri, tu sabe como o Guga é emotivo. Ele pode se desconcentrar com a mãe e a orna aqui - falou meu irmão pragmático. - Liga lá, Rafa. O que tiver que ser será. Acabamos de matar um leão atrás do outro. O Guga fez mais do que qualquer um de nós podia imaginar. Ganhamos até do Kafelnikov, campeão do ano anterior. Estamos na semifinal. Elas, como tu, apostaram a vida toda para ver esse dia. Agora é hora da festa e as duas não podem ficar de fora. Dois dias separavam a vitória sobre Kafelnikov da partida contra o belga Filip Dewulf. A mãe e a orna conseguiram providenciar tudo e chegar a tempo. Paris durante Roland Garros é como Salvador ou Rio de Janeiro no carnaval, só tem hotel lotado. Larri conversou com o dono do Montblanc, que a essa altura já tinha virado meu torcedor desde criancinha. Sei lá que malabarismo o homem fez, mas desencavou um quarto para a mãe e a orna. Só faltava o Gui, meu irmão caçula, para eu me sentir realmente em casa. A mãe trouxe com ela alguns recortes de jornais brasileiros que me retratavam como revelação, fenômeno e a esperança do Brasil. Em quase todas as reportagens me tratavam como ídolo nacional! Eu não acreditava, não era possível que estivessem falando isso de mim. Ídolo era Pelé ou Senna; aquilo não se encaixava, não combinava comigo. Passei os dois dias treinando e definindo estratégia com Larri. Não era nada muito elaborado. O plano inteiro cabia em uma constatação e uma recomendação: - Cavalo, tu tá jogando muito. Repete o que fez até agora que este torneio é nosso. Nos cinco jogos até ali, eu era uma zebra azul e amarela. Na partida contra Dewulf, no entanto, pela primeira vez fui considerado favorito. Eu era o 66º do mundo, Dewulf, o 122º. Mas era inegável que o belga também estava na melhor semana da vida dele. Antes da nossa partida, venceu Fininho, o espanhol Alex Corretja e o sueco Magnus Norman, todos paradas duríssimas. Moral da história: eu e Dewulf éramos dois sobreviventes que não deviam estar ali no topo e, uma vez que chegaram, não queriam sair de jeito nenhum. Por mais que eu tentasse me manter meio zen, felicidade incontida demora a passar. Em cada dez minutos do meu dia, cabia alegria para dois carnavais. Nos treinos, pedindo café, andando na rua com a mãe e a orna, tomando banho, não tinha como escapar da sensação de euforia. Se eu havia vencido Kafelnikov, um cara que era melhor do que eu em tudo, o terceiro do ranking, campeão do ano anterior, agora ninguém me segurava, a taça era minha. Larri me alertava para não entrar num clima de já ganhou, o que afetaria minha concentração. Mas também tentava preservar minha empolgação, essencial naquele momento. Como ser máquina e humano ao mesmo tempo? - eis a questão. A rotina ajudava. Eu tomava café, almoçava, jantava, essas coisas que, perdendo ou ganhando, todo mundo faz todo dia. Treinava de manhã e de tarde, como sempre. A única novidade era que o assédio dos jornalistas havia aumentado. Tinha que dar entrevista coletiva em sala de imprensa lotada, com uns cinquenta repórteres, americanos, europeus, asiáticos, sul-americanos. Ninguém estava entendendo nada, o mundo precisava de uma resposta. De onde tinha saído aquela figura? Brasileiro era jogador de futebol, não de tênis. Eu respondia a todas as questões, quase sempre em tom de brincadeira. Nunca tinha passado por aquilo, não tinha nenhuma resposta pronta, então falava o que vinha na cabeça. Quando me perguntaram quem era meu ídolo no futebol, não hesitei: - Jacaré. Os repórteres internacionais não entenderam. Muitos jornalistas brasileiros também boiaram. "O artilheiro do Avaí, meu time em Santa Catarina", expliquei, e os caras não sabiam se.eu estava falando sério ou brincando, davam risada do meu jeito, simpatizavam comigo, só escreviam coisas legais a meu respeito. Impressionados pelo que eu vinha fazendo em quadra, alguns até diziam que estavam torcendo por mim. O estilo de jogo de Dewulf lembrava o de Kafelnikov, mas não tinha o brilhantismo do russo. Larri decidiu manter a estratégia da partida anterior: potência máxima desde o início para surpreender e passar por cima. Uma hora e meia antes do jogo, fomos aquecer para entrar em quadra fervendo. O tempo passou muito rápido. No vestiário, mal acabei de prender o cabelo com uma bandana azul e amarela que combinava com o uniforme quando Larri avisou que estava na hora. O primeiro set foi praticamente um passeio, 6-1 para mim. Controlei do início ao fim, uma execução perfeita da primeira parte do plano. No começo do segundo, continuei com o desempenho de um rolo compressor. Quebrei o saque de Dewulf e fiz 3-1. Mas aí uma série de fatores se juntou, me desconcentrei e a velha bobeira tomou conta de mim. Primeiro, começou a ventar, o que poderia ser uma vantagem para o guri de Florianópolis que aprendera a jogar em quadras nas quais, muitas vezes, dava tranquilamente para empinar pipa. Mas, àquela altura da minha carreira, vento atrapalhava, não só pela possibilidade de interferir na trajetória da bola. Como os meus golpes de maior potência dependiam de movimentos largos e longos, o vento afetava a precisão. Além disso, se o grau de exigência fosse maior, com um adversário estraçalhando o outro, é provável que eu continuasse exibindo um tênis de primeira linha. Mas, numa partida relativamente tranquila, sem aquela tensão que me incendiava, viajei, diminuí o ritmo, amoleci, comecei a errar uma atrás da outra. Dewulf aproveitou a brecha e se animou. Contando com o vento, minha bobeira e a crença de que o adversário não era indestrutível, Dewulf fechou o set e empatou o jogo. Um a um. Não me abalei. Estava seguro de que ia entrar de novo no compasso e voltar a jogar bem. A essa altura, já tinha aprendido que podia sair da enrascada com a mesma facilidade com que tinha entrado. Bastava passar uma borracha naquilo e começar o set seguinte do mesmo jeito que o primeiro. Com a lição na ponta da língua, fomos para o jogo. Sem me deixar distrair, soltei o braço. Mais uma execução perfeita da teoria. Venci fácil, fechando o terceiro set em 6-1. Só faltava mais um. Na plateia da quadra central lotada, as pessoas se espremiam, a maioria me incentivando com "Allez, Gugá". Era a quarta vez seguida que eu ouvia aquilo, e a cada vez o impacto era maior. Eu adorava, me fazia sentir em casa. O quarto set começou parelho, com um lado incomodando o outro. Depois de ter levado um caldo no set anterior, Dewulf não tinha muita opção. Com a faca no pescoço, ele tinha que vir para cima com tudo. O jogo subiu de nível. Forçando muito, batendo forte, acertando umas bolas difíceis, ele se mantinha à tona, acreditando que podia virar a partida. Empatamos em 3-3 em games. A partida tinha alcançado aquele patamar de que eu gostava, com o grau de dificuldade que me estimulava a ir além. Engatei a sexta marcha e acelerei. Pisando fundo, quebrei o saque dele e visualizei a reta final, 5-4 pra mim. Agora só faltavam quatro pontos e nada mais. Embalado, o saque era meu, a torcida do meu lado, nada de vento, tudo a favor. Mas aí a máquina voltou a ser humana. Com o coração disparado, novamente me vi às voltas com o mal que acomete nove em dez tenistas em momentos cruciais: a síndrome de finalização da partida. Eu tentava retomar o domínio da situação, sem muito sucesso. A situação era muito anormal, uma semifinal em Roland Garros na quadra central, mais de 10 mil pessoas gritando. A poucos passos da maior conquista da minha carreira, tremi nas bases, fiquei tenso pra caramba. Do outro lado da quadra, como tudo indicava que o jogo estava perdido, Dewulf relaxou. Sem o peso da responsabilidade nas costas, passou a arriscar, acertando bolas incríveis. Agarrando-se a um fio de esperança com uma mão e dando show com a outra, recomeçou a escalada. Quebrou meu saque e empatou em 5-5. Na mesma hora, perdi a compostura, comecei a gesticular, indignado com a derrapada. Não tinha como ser diferente. Era um soco no estômago e não consegui manter a tranquilidade. Comecei a falar sozinho, reclamando que estava com o jogo na mão e tinha colocado tudo a perder. Nem olhei para Larri, para não ficar mais perturbado. Ele devia estar com expressão de desespero, quase entrando em quadra para puxar minha orelha. Então vamos lá de novo. Dewulf sacou e fez 6-5. Era só o que me faltava, ficar em desvantagem no penúltimo degrau, dando oportunidade para o belga se animar mais. Eu precisava reverter aquele cenário. Na troca de lado, mordendo a toalha no banco, olhando para o céu, tive a presença de espírito de refletir um pouco: "O jogo está 2 a 1 para mim. Para de se preocupar com o cara, com o que ele vai fazer ou não. Se concentra no teu jogo. Entra lá e resolve." A pausa me fez bem. Saquei e empatei, 6-6. Fomos para o tie-break. Naquela hora, valia qualquer coisa para me sentir superior. Quando estava me ajeitando para recepcionar o saque, encarei Dewulf. Ele nem deve ter notado, mas aí, nessa encarada, eu percebi que o panorama tinha mudado. O belga já não estava relaxado nem confortável. O peso da responsabilidade tinha voltado, o cara estava nervoso e agora ia ser um salve-se quem puder. Sim, claro, óbvio, eu precisava me agarrar a isso e não soltar mais. Faltava menos para mim do que para ele. Voltei a ficar confiante. Começamos o duelo do tie-break com tensão total. Eu tinha decidido que ia manter a pressão, mas também procurando administrar mais, jogando no erro dele e esperando a chance certa de soltar o braço. Eu era senhor da situação e assim iria até o fim, tentando deixar claro para Dewulf que, se ele quisesse ganhar, ia ter que jogar o melhor tênis do mundo. E então, na hora H, ele derrapou e eu aproveitei. Finalizei a partida, derrotei o belga e carimbei o passaporte para a final de Roland Garros. Eu tinha feito o milagre do milagre do milagre. Mas, mesmo com a mãe e a oma na plateia, essa foi a comemoração mais contida de todas. É difícil explicar a razão. Antes minha impressão era que cada partida em Roland Garros começava e terminava em si mesma, uma conquista de cada vez, como sempre tinha sido na minha carreira. Mas a vitória sobre Dewulf, embora fosse a mesma coisa, soava diferente. A sensação era de ser parte de um processo, o pedágio para chegar ao verdadeiro jogo da o bom é que o adversário está sujeito às mesmas leis da física que você, mas, vira e mexe, ele saca esplendidamente a 210 quilômetros por hora. E aí você tem que devolver com potência, criatividade ou efeito, às vezes tudo junto, calibrando o golpe num micromilésimo de segundo, sinalizando que vai dar na direita e mandando na esquerda, simulando cruzada e desferindo paralela, pensando em umas trezentas variáveis enquanto salta que nem desvairado tentando acertar o golpe, fingindo que está tranquilo e confiante quando na verdade está em pânico e apavorado. Isso apenas na devolução. E a coisa ainda pode ficar muito pior se houver vento ou o piso for muito rápido. Na troca de bolas, mesmo numa tentativa muito bem executada, um acerto que atinge o alvo embute uma margem de erro de outros 20 centímetros. O adversário conhece os mesmos truques que você e, num dia inspirado, está decidido a usar todas as armas da mala e aí desfere voleio desconcertante, deixadinha humilhante, múltiplos efeitos, te deixando enlouquecido com tanta alternância de projéteis, alturas, forças, velocidades e ângulos diferentes. Então você tenta reagir, faz uma jogada de gênio, mas o oponente devolve de modo mais brilhante ainda e isso mexe muito com seus nervos. Para trucidar de vez a paz de espírito, no ponto seguinte você perde a chance, erra um golpe fácil, entrega de graça e aí a cabeça vira uma panela de pressão, pronta para explodir. Se o tenista não tiver a concentração de um monge budista e o sangue-frio de James Bond, o jogo acaba antes de terminar, ou às vezes até mesmo antes de começar. Quase todo torneio tem partida em que o cara entra em quadra derrotado, intimidado pelo oponente, o famoso peru que morre na véspera. Agora imagine transmitir tudo isso, de A a Z, do ace à zica, a um menino de 13 anos. Ensinar a bater na bolinha é simples. O complicado é fazê-lo jogar tênis de verdade, com tudo o que o esporte tem e pode ter, suas nuances e malícias, suas necessidades e exigências, sua psicologia e as sutilezas. Esse é o tamanho do desafio para alguém se tornar tenista profissional. Foi essa lição extraordinária que Larri Passos me ensinou. "Tênis é artesanato": eis a essência, a coluna vertebral da filosofia de Larri. "Cada um é de um jeito e não existem dois iguais."

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Marcio Mafra
30/03/2020 às 00:00
Brasília - DF
Alguém me presenteou este "Guga Um Brasileiro," com certeza no inicio de 2019. Lamentavelmente não anotei quando, nem quem me teria presenteado.. Sei que isso foi um descuido imperdoável de minha parte e uma indelicadeza total com a pessoa que teve o carinho de me presentear com um livro que eu não tinha lido e desconhecia a sua edição.. Tomara que eu tenha, pelo menos agradecido na ocasião em que recebí o livro..

 

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