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Trappo

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Trappo

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Autor: Cristovão Tezza

Editora: Rocco

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 195

Ano de edição: 1995

Peso: 235 g

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Ótimo
Marcio Mafra
07/09/2009 às 17:03
Brasília - DF

Cristovão Tezza comete com o Trapo a difícil mágica de escrever mais de um livro de sucesso. Trapo é isso. Uma história de "eu profundo" as vezes raso, em que os personagens secundários Professor Antônio, e a dona de pensão Izolda, ficam todo o tempo na frente do roteiro. A leitura é daquele tipo que alterna cada capítulo e no final - muito bom por sinal - junta os cacos da história. Mas ao longo do romance, Trapo preside todas as ações, sem se afastar nem um capítulo de sua condição de personagem principal. Coisa de escritor com e maiúsculo. Muito bom. Vale a leitura que é rápida, simples e gostosa, embora Trapo esteja morto desde o início da história.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Trapo, que escrevia muito, era desprezado pela família, apaixonado por Rosana, morava na pensão de Izolda onde se suicidou. Izolda levou a montanha de papel escrita por Trapo para que o professor Manuel publicasse um livro, sobre a vida do Trapo.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um cochicho muito antigo: - Trapo, é você? - Sou eu, Rosa. Vagarosamente a janela se abre e eu entro na escuridão. Já estamos colados num beijo trêmulo de línguas, temos duas mãos e o desejo do mundo, e sinto - ó delicia! - o rosto tépido na minha face fria. Não conseguimos dizer nada por bastante tempo, e sorrimos, e nos olhamos sem nos ver, e nos ansiamos, e nos alegramos e nos angustiamos e nos tocamos e nos sentimos e nos colamos abraçados e nos separamos de novo para de novo nos vermos e devagar as formas reaparecem no escuro, primeiro os olhos, depois riscos vagos de noite e pele, depois um brilho de lábios, uma sugestão de dentes e nos apertamos de novo, com força, e temos vontade de chorar um choro que expulse todos os demônios - Eu te amo. - Psss ... Não precisa dizer. E rimos, quase escandalosos. - Psss ... Meu querido. Pensei que não viesse. Não tenho vontade de dizer nada, mas digo: - E se o Rei acordar? - Não acorda. E a porta está trancada. Vou acender o abajur. Ela se afasta, um vulto silencioso e agitado e feliz, cabelos e coração que voam. De repente nos vemos. Rosa é uma túnica transparente, e os cabelos soltos, e os seios, e um corpo que é um pequeno rio, e Rosa é a forma e o conteúdo e a alma e o mundo inteiro que eu desejo, se eu morresse agora eu. Súbito, ansiedade: estou sujo, envelhecido e envilecido, Rosa não terá nunca correspondência em mim. Mas ela me faz esquecer e estende os dois braços, os dois braços soltos, dois braços de mar em ondas suaves que me envolvem e me puxam e de novo somos um polvo só e andamos grudados pelo quarto como robôs malucos e caímos na cama um sobre o outro, outro sobre um, finalmente lado a lado e damos risadinhas reprimidas, nunca que ninguém no mundo saberá desse amor. - Tire a roupa, seu bobo. Vestido a gente parece coisa. - Tire você Quero te olhar. Ela me desabotoa, a cavalo na minha barriga: - Eu te amo. - Eu ... - Psss! O teu coração, como bate. Embolamos e rolamos e beijamos e alisamos e enfiamos as unhas e gememos. Eu chamo ela: - Venha! Debaixo do cobertor! Na escuridão nos procuramos e damos risadas feito bichos enrolados. O bico do seio na minha boca parece uma frutinha. De repente ela fica muito séria e está toda trêmula, recém-nascida na beira de um rio gelado, e cochicha em pedaços, com dor e vontades e uma ânsia que se esparrama pelo corpo encolhido, devagar se abrindo: - Venha venha venha Trapo venha ... Ah meu Deus do Céu minha lua cheia meu sonho da madrugada minha música musa mamãe! Minha tarazinha ancestral minha chuva no telhado pé de alface lisa minha puta angustia do coração meu medo pavoroso de ficar sozinho minha tainha recheada meu futuro minha confusão na cabeça meu salto para o infinito morte constelação estrela fogo água ar eco e trilhas caverna explosões minha paz. - Agora me beije. Ela me beija cinco mil vezes, os dedos mastigam, ainda estou dentro de Rosa. - Eu queria ficar grávida. - Não tem medo do Rei? - Que o Rei que nada, Trapo. Agora a vida é nossa. Falta um filho. - Vai amanhecer. Ela me esmaga. - Não vá. Não vá embora. Fique aqui. - Amanhã eu volto. - Eu te amo. - Mais do que eu te amo? - Mais. Seja lá quanto você me ame, eu te amo o dobro. O triplo. O quadruplo. Eu te amo. - Esta amanhecendo. - Meu querido. - Não chore. Eu fico triste. - Tá bem. Prometo. Ela morde o lábio para não chorar mas o soluço rompe em meio a urn riso fujão, lágrima e riso. - Até amanhã, Trapo. - E se não der ... E se ... Agora sou eu quem chora. Pulo as grades do Castelo, reencontro o asfalto da João Gualberto debaixo de uma cerração pesada e de um amanhecer esbranquiçado, relutante. Caminho lentamente com as mãos frias no bolso, sentindo o metal da Magnum, lágrimas nos olhos e uma sensação de humanidade. Já há sinais de uma cidade acordando, latas raspando o chão, gritos, motores, ecos do amanhecer. O ar frio queima as narinas. De algum modo - é o que pareço entender neste início de sol - estou conseguindo romper o cerco.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Cristovão Tezza e Mário Bellatin eram convidados da Mesa 9, para falar de “Eu profundo e outros Eus”, na Flip, em julho de 2009. Antes da Flip comprei todos os livros que encontrei do Tezza. Curiosamente, na mesma ocasião, não encontrei livros do Bellatin, no mercado de usados.


 

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