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O Palacio do Desejo

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O Palacio do Desejo

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Autor: Nagib Mahfuz

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: José Augusto de Carvalho

Páginas: 462

Ano de edição: 1996

Peso: 465 g

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Bom
Marcio Mafra
17/10/2004 às 15:56
Brasília - DF

O Palácio dos Desejos, é um livro da Trilogia do Cairo. Começa com o despertar da família Abd al-Gawwad para os anos 20 e o conflito entre os ideais islâmicos, os sonhos pessoais e a realidade da vida. O romance é uma narração que dá destaque ao brilho e o fascínio da cultura árabe e da religião islâmica. O autor, é um escritor de talento que sabe - como nenhum outro árabe - contar os segredos da alma e os que se escondem por detrás das portas, nos salões e nas alcovas dos palácios. Num país onde as tradições - sociais, políticas, econômicas, culturais e religiosas - comandam o comportamento das famílias, a casa de classe média da família al-Gawwad é também um lugar se confronto entre a nova e as velhas gerações. Palácio dos Desejos é envolvente, mas também é cansativo, talvez pela característica cultural árabe, que salienta a abundância e a dramaticidade. O final não é evidente, mas não surpreende.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da família Abd al-Gawwad, sua submissa esposa, quase escrava, casada muito jovem com o dono da casa. A extravagância dos filhos. A beleza das filhas muito assediadas para casamentos.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Ele tirou do bolso uma carta que havia recebido na antevéspera de seu amigo Hussein Sheddad na qual este último o informava de que ele e seus dois amigos Hassan Selim e Ismail Latif tinham voltado de férias, e o convidava, ao mesmo tempo, a ir encontrar-se com os três na casa do primeiro, para onde o suares o estava levando agora... Ele lançou sobre a carta um olhar sonhador, cheio de gratidão, de ternura, de adoração e de devoção, não somente porque seu remetente era o irmão de sua adorada, mas porque pensava que ela havia sem dúvida permanecido num lugar ou outro da casa, antes que Hussein a enviasse, e que, em tais condições, era possível que os belos olhos de Aída a tivessem visto por acaso, de passagem, ou ainda que seus dedos finos a tivessem tocado por uma razão ou por outra, até mesmo maquinalmente. Já lhe bastava presumir que a carta tinha estado num lugar que envolvera seu corpo, abrigara sua alma, para que ela assumisse o status de um símbolo sagrado que provocava nele os mais ardentes arroubos. Ele começou a reler a carta pela décima vez, quando seus olhos pararam nesta frase: Chegamos ao Cairo no dia 1.° de outubro à noite, o que, em outros termos, significava que, havia já quatro dias, ela honrava, sem que ele soubesse, a capital com sua presença! Como é que ele pôde ficar sem saber de nada? Como pudera não adivinhar essa presença, seja: por instinto, seja por uma secreta intuição dos sentidos ou da mente? Como é que a solidão, que o havia envolvido durante todo o verão, tinha podido estender mais sua sombra esmagadora por esses quatro dias benditos? Teria sua sensibilidade enfraquecido ao peso dessa tristeza contínua? Mas que importa? No momento, seu coração batia asas e sua alma se elevava num céu de felicidade... No momento, ele dominava o mundo do alto de um grande cume de onde, à semelhança dos espectros no cortejo, dos anjos, suas formas e seus contornos lhe apareciam mergulhados numa auréola de transparência e de luz. No momento, a embriaguez da vida, da alegria e da emoção aquecia seu ser... No momento - ou até mesmo agorinha! - a sombra da dor que nele se unia à alegria do amor, como o eco à voz, planava acima de sua cabeça... Um dia, no passado, no tempo em que nenhuma paixão florescia em seu coração, um suares o tinha levado por esse mesmo caminho, já. Ao encontro de quais sentimentos, de quais esperanças, de qual emoção, de qual indagação ia ele então? Ele não guardava dessa época ingênua senão uma vaga lembrança e, tanto ele dava ao amor todo o seu valor, quanto a negava para chorá-la a cada acesso de dor, exumando-a então dos limbos de seu pensamento nos quais, para se impor a ela com tanta força, este quase a tinha desterrado. Por isso ele estabelecia agora em si as marcas de sua vida, anotando ª A - "tal acontecimento ocorreu antes do meu amor por Aida"; D.A - "este outro aconteceu depois dele" ... O veículo parou em al-Wayliyya. Ele recolocou a carta no bolso e desceu, dirigindo-se para a rua dos Serralhos, com o olhar voltado para a primeira vivenda à direita, à beira do deserto de al-Abbassiyyê. Vista de fora, com seus dois andares, a casa dava a impressão de uma construção gigantesca. Com a fachada dando para a rua dos Serralhos, ela terminava por um vasto jardim plantado com grandes árvores que lançavam suas copas para além do muro cinzento de altura média que circundava o conjunto e desenhava um vasto retângulo que invadia o deserto que o limitava ao sul e a leste. O aspecto dessa residência habitava no seu espírito. Sua majestade o fascinava, os sinais de sua opulência o seduziam. Ele via em sua grandeza uma homenagem digna prestada ao seu proprietário. Avistava janelas fechadas, outras com as cortinas corridas, discernindo em seu aspecto discreto e recluso um como que símbolo da dignidade de sua bem-amada, de sua reserva, de sua inacessibilidade, de seu mistério. O jardim vasto e profundo como o deserto que se enterrava no horizonte vinha confirmar esse aspecto. Aqui e ali, a alta silhueta de uma palmeira recortava o céu, uma hera subia pelo muro, fontes de jasmim transbordavam o cume do muro, arrebatando seu coração com lembranças ligadas como frutas acima de suas cabeças, falando-lhe baixinho de paixão, de sofrimento e de adoração. Tudo isso tinha se tornado como que uma sombra dela, uma lufada de sua alma, um reflexo do seu rosto, concordando em espalhar - se tinha em mente que Paris fora uma terra de exílio para os ocupantes dessa casa - uma atmosfera de beleza e de sonho que satisfazia à elevação do seu amor, à sua santidade, ao seu orgulho, à sua aspiração ao desconhecido. Ao aproximar-se da entrada, viu, sentados num banco, como habitualmente o faziam no final da tarde, o porteiro, o cozinheiro e o motorista. Assim que chegou até eles, o porteiro levantou-se e disse-lhe: "Hussein Bei o espera no caramanchão." Ele entrou, sentindo de imediato um perfume de jasmim, de cravos e de rosas, tudo misturado, cujos vasos ficavam nos montantes da escada que levava para a grande varanda que se descortinava não longe do pórtico; depois, virou para a direita na direção de uma aléia lateral que separava a casa do muro e ia até a orla do jardim, passando pela varanda dos fundos.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

O Palácio dos Desejos, da coleção Mestres da Literatura Contemporânea, adquirimos quando fomos à S.Paulo, por ocasião do casamento do Gustavo e Patrícia, em 31 julho de 1998 Na porta de uma loja de bairro havia verdadeira montanha de livros, todos à R$ 5,00. Trouxemos um bocado de livros de "capa dura" na cor azul. Nesta oportunidade praticamos a mais legítima "cultura métrica", ou seja, quando se compra livro à metro, para enfeitar prateleira.


 

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