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A Cidade e as Serras

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A Cidade e as Serras

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Autor: Eça de Queiroz

Editora: Itatiaia

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 531

Ano de edição: 1962

Peso: 890 g

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Ótimo
Marcio Mafra
20/09/2004 às 12:56
Brasília - DF

A Cidade e as Serras, foi desenvolvido a partir da idéia do conto Civilização, datado de 1892. É um romance onde o autor ironiza a civilização, valorizando a natureza. Jacinto de Tormes, urbanóide deixa a cidade e vai para as serras, lugar tosco e sem conforto, mas onde ele encontra a felicidade.



A Ilustre Casa de Ramires, é o segundo e longo conto do livro. Eça faz duas narrativas simultâneas e as desenvolve para, ao final, entrelaçar a vida dos dois personagens principais: o fidalgo Gonçalo Mendes Ramires, e o seu antepassado Trutesindo Mendes Ramires, que era escritor e escreve o livro A Torre de D. Ramires onde o personagem defende a casta familiar até as últimas conseqüências.



O Mandarim e um conto onde o diabo aparece vestindo smoking, em companhia de fantasmas, numa trama exótica, quase de realismo fantástico. Teodoro comprova que o crime compensa, porque lhe proporcionou grande riqueza, mas ao longo do tempo, foi-se tornando infeliz, a tal ponto que o retorno à vida medíocre de hóspede da pensão de dona Augusta parece-lhe a maneira de conseguir tranqüilidade e paz de espírito, após a sua espetacular viagem à China.



Três histórias geniais, construídas pela inteligência, graça, humor e talento do Eça de Queiroz, que fluem com facilidade. òtimas.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Três histórias: Primeira: Jacinto, que nasceu num palácio com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival, faz a sua travessia da cidade para as serras. Segunda: A vida do fidalgo Gonçalo Mendes Ramires, personagem principal e de Trutesindo Mendes Ramires, seu antepassado. Terceira: A história do Mandarim começa com uma figura declaradamente romântica: o Diabo.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A Ilustre Casa de Ramirez

Era no castelo de Santa Irenéia, naquele dia de agôsto em que Lourenço Ramires caíra no vale de Canta-Pedra, mal ferido e cativo do Bastardo de Baião. Pelo almocadém dos peões, que, com o braço varadô por uma chuçada, voltara em desesperada carreira ao castelo, já Tructesindo Ramires conhecia o desventuroso desfêcho da lide. - E neste lance o tio Duarte, no seu poemeto do Bardo, com um lirismo mole, mostrava o enorme rico-homem gemendo derramadamente através da sala de armas, na saudade dêsse filho, flor dos cavaleiros de Riba-Cavado, derrubado, amarrado numas andas, à mercê da gente de Baião... Lágrimas irrepresas lhe rebentam, arfa o arnês co soluçar ardente!... Ora, levado no harmonioso sulco do Tio Duarte, também êle, nas linhas primeiras do capítulo, esboçara o velho abatido sôbre um escanho, com lágrimas reluzentes sôbre as barbas brancas, as duras mãos descaídas como as de lânguida dona - enquanto que nas lajes, batendo a cauda, os seus dois lebreus o contemplam numa simpatia ansiada e quase humana, Mas, agora, êste choroso desalento não lhe parecia coerente com a alma tão indomavelmente violenta dq avô Tructesindo. O tio Duarte, da casa das Balsas, não era um Ramires; não sentia hereditariamente a fortaleza da raça: e, romântico plangente de 1848, inundara logo de prantos românticos a face férrea de um lidador do século XII, de um companheiro de Sancho, porém, devia estabelecer os espíritos do senhor de Santa Irenéia, dentro da realidade épica. E, riscando logo êsse descorado e falso comêço de capítulo, retomou o lance mais vigorosamente, enchendo todo o castelo de Santa lrenéia de uma irada e rija alarma. Na sua lealdade sublime e simples Tructesindo não cuida do filho - adia a desforra do amargo ultraje. E o seu esfôrço todo se comete a apressar os aprestos da mesnada, para correr êle sôbre Monte-Mor, e levar às senhoras infantas os socorros de que as privara a emboscada de Canta-Pedra! Mas quando o impetuoso rico-homem com o Adail, na sala de armas, regia a ordem da arrancada - eis que os esculcas, abrigados do calor de agôsto nos miradouros, enxergam ao longe, para além do arvoredo da Ribeira, coriscos de armas, uma cavalgada subindo para Santa Irenéia. O vílico, o gordo e azafamado Ordonho, galga arquejando aos eirados da tôrre albarrã - e reconhece o pendão de Lopo de Baião, o seu toque de trompas à mourisca, arrastado e triste no silêncio dos campos. Então arqueia as cabeludas mãos na bôca, atira o alarido: - Armas, armas! Que é gente de Baião. Besteiros. Às quadrelas! Homens em chusma às levadiças da cárcova! E Gonçalo, coçando a testa com a rama da pena, rebuscava ainda outros verídicos brados, de bravo som afonsino - quando a porta da livraria abriu cautelosamente, através daquele perro rangido que o desesperava. Era o Bento, em mangas de camisa: - O senhor doutor não poderia descer cá baixo à cozinha? Gonçalo embasbacou para o Bento, pestanejando, sem compreender: - À cozinha?.. - É que está lá a mulher do Casco a levantar uma celeuma. Parece que lhe prenderam o homem esta tarde. . . Apareceu aí por baixo de água, com os pequenos, até um de mama. Quer por fôrça falar com o senhor doutor. E não se cala, lavada em lágrimas, de joelhos com os filhos, que é mesmo uma Inês de Castro! Gonçalo murmurou - "que maçada!" E que contrariedade! A mulher, numa agonia, entre gritos, arrastando os filhos suplicantes até ao portão da tôrre! E êle, nas vésperas da sua eleição, aparecendo a tôdas as freguesias enterneci das como um fidalgo desumano!. .. - Atirou a pena furiosamente: - Que maçada! Dize à criatura que me deixe, que se não aflija... O senhor administrador amanhã manda soltar o Casco. Eu mesmo vou a Vila-Clara, antes do almôço, para pedir. Que se não aflija; que não aterre os pequenos... Corre, dize, homem! Mas o Bento não despegava da porta: - Pois a Rosa e eu já lhe dissemos... Mas a mulherzinha não acredita, quer pedir ao senhor doutor! Veio por baixo de água. Até um dos pequenitos está bem doentinho, ainda não fêz senão tremer... Então Gonçalo, sensibilizado, atirou à mesa um murro que tresmalhou as tiras da novela: - Ora, se uma cousa destas se atura! Um homem que me quis matar! E agora, por cima, é sôbre mim que desabam as lágrimas, e as cenas, e a criança doente! Não se pode viver nesta terra! Um dia vendo casa e quinta, emigro para Moçambique, para o Transval, para onde não haja maçadas... Bem; dize à mulher que já desço.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Eça de Queiroz é autor que importa, por isso adquiri, de um vendedor porta-à-porta, a coleção Eça de Queiroz, em janeiro de 1962, quando já recebia salário do meu primeiro emprego em Brasília, no Banco Inco - Banco Industria e Comercio de Santa Catarina, agência da W-3 Sul, quadra 7, bloco B, loja 3, que anos depois se chamou quadra 507. Na época era comum comprar livros em prestações mensais, diretamente das editoras, através de vendedores domiciliares. A coleção, comprada e paga em prestações mensais se compunha de O Primo Basilio, O Conde de Abrantes, Alves & Cia, A Cidade e as Serras, Os Maias, A relíquia, A Capital e o Crime do Padre Amaro


 

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