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A Peste

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A Peste

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Albert Camus

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: Valerie Rumjanek

Páginas: 269

Ano de edição: 1966

Peso: 305 g

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Ótimo
Marcio Mafra
18/09/2004 às 12:47
Brasília - DF

A Peste é um livro meio lá, meio cá, pois fica a meio caminho entre a história e o romance. Mas é a repetição do talento brilhante de Albert Camus, Nobel de literatura de 1957. Tema forte, atravessa todo o livro - os efeitos da política autoritária e bruta do nazismo. Tema emocionante também grassa a narrativa - o tormento dos amantes separados, o exílio do amor. Tema existencial traspassa o romance - a peste é um poder, uma deusa desconhecida que vem desempenhar seu papel desumano. A morte, por vezes, é abordada como um horror. O sentido da vida é uma abordagem existencialista, sem contar a alusão à liberdade de imprensa, quando o personagem, jornalista Rambert, foi proibido de sair da cidade. Como pano de fundo A Peste mostra que a perspectiva da morte modifica a postura do homem, seus valores, crenças, perdas e ganhos. O romance se desenvolve em Oran, cidadezinha interiorana da Argélia. Sua população vive a rotina das pequenas cidades, onde o trabalho é a principal e quase a única atividade. Mesmo em Oram existem os ricos que vivem para acumular fortuna. De repente a rotina é abalada quando ratos agonizam por toda a cidade. Logo depois, a morte atinge moradores. Estupefação geral com as mortes cuja causa é desconhecida. O avanço da doença, transforma-se em horror porque ninguém está livre da peste bubônica. Livro bom.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de uma aldeia atingida pela peste bubônica vira uma alegoria, transformando-se a peste numa deusa chamada A Peste, que chega à cidade de Oran para impor seus mandos, desmandos e destruição. Uma de suas primeiras vítimas é Rambert, jovem jornalista, que por azar, se encontrava na cidade pestilenta e foi separado de seu amor.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

No entanto, onde uns viam a abstração, outros viam a verdade. De fato, o fim do primeiro mês de peste foi obscurecido por uma recrudescência acentuada da epidemia e um sermão veemente do padre Paneloux, o jesuíta que assistira o velho Michel no princípio da doença. O padre Paneloux já se havia distinguido por colaborações freqüentes no boletim da Sociedade de Geografill de Oran, onde suas reconstituições epigráficas constituíam autoridade. Mas conquistara um auditório mais vasto que o de um especialista ao fazer uma série de conferências sobre o individualismo moderno. Mostrara-se, então, defensor ardoroso de um cristianismo exigente, igualmente distanciado da libertinagem moderna e do obscurantismo dos séculos passados. Nessa ocasião, não poupara duras verdades ao seu auditório. Daí a sua reputação. Ora, por volta do fim do mês, as autoridades eclesiásticas da nossa cidade decidiram lutar contra a peste pelos seus próprios meios, organizando uma semana de preces coletivas. Estas manifestações da piedade pública deviam terminar no domingo com uma missa solene, sob a invocação de São Roque, o santo atacado pela peste. Nessa ocasião, tinham dado a palavra ao padre Paneloux. Há uns quinze dias que este se arrancara aos seus trabalhos sobre Santo Agostinho e a Igreja africana, que lhe haviam granjeado um lugar à parte na sua ordem. De temperamento fogoso e apaixonado, aceitara com determinação a missão de que o encarregavam. Muito antes desse sermão, já se falava dele na cidade e marcou, à sua maneira, uma data importante na história deste período. A semana de preces foi seguida por um público numeroso. Não é que em tempos normais os habitantes de Oran sejam particularmente piedosos. No domingo de manhã, por exemplo, os banhos de mar fazem séria concorrência à missa. Não era também que uma súbita conversão os tivesse iluminado. Mas, por um lado, com a cidade fechada e o porto interditado, os banhos não eram possíveis, e, por outro lado, eles encontravam-se num estado de espírito bem singular em que, sem terem admitido no fundo de si próprios os. Acontecimentos surpreendentes que os atingiam, sentiam efetivamente que algo, é óbvio, mudara. No entanto, muitos continuavam a esperar que a epidemia parasse e que eles fossem poupados, com as suas famílias. Por conseqüência, não se sentiam ainda obrigados a nada. A peste nada mais era para eles do que uma visita desagradável que havia de partir um dia, já que tinha vindo. Assustados, mas não desesperados, não chegara ainda o momento em que a peste lhes surgiria como a própria forma da sua vida e em que esqueceriam a existência que até agora tinham podido levar. Em suma, estavam na expectativa. No que se refere à religião, como a muitos outros problemas, a peste tinha-lhes dado uma singular atitude de espírito, tão afastada da indiferença como da paixão que bem podia definir-se pela palavra "objetividade". A maior parte dos que seguiram a semana de preces poderia ter feito sua a frase que um dos fiéis havia proferido diante do doutor Rieux: "De qualquer maneira, mal não pode fazer." O próprio 'Thrrou, depois de ter anotado nos seus cadernos que os chineses, em casos semelhantes, vão tocar tambor diante do gênio da peste, observava que era absolutamente impossível saber se, na realidade, o instrumento se mostrava mais eficaz que as medidas profiláticas. Acrescentava apenas que, para decidir a questão, seria preciso estar informado sobre a existência de um gênio da peste e que a nossa ignorância sobre este ponto tornava estéreis todas as opiniões que se pudesse ter. De qualquer modo, a catedral da nossa cidade esteve quase cheia de fiéis durante toda a semana. Nos primeiros dias, muitos habitantes ficavam ainda nos jardins de palmeiras e romãzeiras que se estendem diante do pórtico, para ouvirem a maré de invocações e de preces que refluíam até as ruas. Pouco a pouco, com o auxílio do exemplo, os mesmos ouvintes decidiram-se a entrar e a mesclar uma voz tímida aos responsos da assistência. E, no domingo, uma multidão considerável invadiu a nave, transbordando até o adro e os últimos degraus da escadaria. Desde a véspera, o céu tinha-se toldado, a chuva caía pesadamente. Os que estavam do lado de fora tinham aberto os guarda-chuvas. Um cheiro de incenso e de molhado flutuava na catedral quando o padre Paneloux subiu ao púlpito. Era de estatura mediana, mas robusto. Quando se apoiou ao rebordo do púlpito, apertando a madeira entre as mãos grandes, não se via nele senão uma forma espessa e negra, encimada pelas manchas de duas faces rubicundas sob os óculos de aço. Tinha uma voz forte, apaixonada, que alcançava longe, é, quando atacou a assistência com uma única frase veemente e martelada: "Irmãos, caístes em desgraça, irmãos, vós o merecestes", a assistência se tumultuou. Logicamente, o que se seguiu não parecia estar de acordo com este exórdio patético. Só a seqüência do discurso fez compreender aos nossos concidadãos que, por um hábil processo oratório, o padre tinha dado de uma só vez, como um golpe que se desfecha, o tema de todo o seu sermão. Logo depois desta frase, Paneloux citou o texto do Êxodo relativo à peste no Egito e disse: ''A primeira vez que este flagelo aparece na história é para atacar os inimigos de Deus. O faraó opõe-se aos desígnios eternos e a peste o faz então cair de joelhos. Desde o princípio de toda a história, o flagelo de Deus põe a seus pés os orgulhosos e os cegos. Meditai sobre isto e caí de joelhos." A chuva redobrava lá fora, e esta última frase, pronunciada no meio de um silêncio absoluto, que se tornou ainda mais profundo pelo crepitar da tempestade sobre os vitrais, ressoou com tal inflexão que alguns ouvintes, depois de um segundo de hesitação, deixaram-se deslizar da cadeira para o genuflexório. Outros julgaram que era necessário seguir o exemplo, de tal modo que, de vizinho a vizinho, sem outro ruído que não fosse o ranger de alguma cadeira, todo o auditório se encontrou logo ajoelhado. Paneloux endireitou-se então, respirou profundamente e continuou, num tom mais veemente: "Se hoje a peste vos olha, é porque chegou o momento de refletir. Os justos não podem temê-la, mas os maus têm razão para tremer. Na imensa granja do universo, o flagelo implacável baterá o trigo humano até que o joio se separe do grão. Haverá mais joio que grão, mais chamados que eleitos e esta desgraça não foi desejada por Deus. Por longo tempo, este mundo compactuou com o mal, repousou na misericórdia divina. Bastava arrepender-se, tudo era permitido. E para se arrependerem, todos se sentiam fortes. Chegado o momento, o arrependimento viria por certo. Até lá, o mais fácil era deixar-se levar; a misericórdia divina faria o resto. Pois bem! Isto não podia durar. Deus, que durante tanto tempo baixou sobre os homens desta cidade o seu rosto de piedade, cansado de esperar, desiludido na sua eterna esperança, acaba de afastar o olhar. Privados da luz de Deus, eis-nos por muito tempo nas trevas da peste!" Na sala, alguém soprou como um cavalo impaciente. Depois de uma curta pausa, o padre continuou, num tom mais baixo: "Lê-se na Lenda Áurea que no tempo do rei Humberto, na Lombardia, a Itália foi devastada por uma peste tão violenta que os vivos mal chegavam para enterrar os mortos. Esta peste castigava sobretudo Roma e Pavia. E um anjo bom apareceu visivelmente, dando ordens ao anjo mau, que trazia uma lança de caça, ordenando-lhe que batesse nas casas. E tantas vezes quantas uma casa recebia pancadas, tantos mortos havia que dela saíam." Paneloux estendeu aqui os dois braços curtos na direção do adro, como se mostrasse alguma coisa por detrás da cortina móvel da chuva. "Meus irmãos", disse com força, "é a mesma caçada mortal que hoje prossegue nas nossas ruas. Vede-o, esse anjo da peste, belo como Lúcifer e brilhante como o próprio mal, erguido acima dos vossos telhados, empunhando a lança vermelha à altura da cabeça, designando com a mão esquerda uma das vossas casas. Neste mesmo instante, talvez, o seu dedo estende-se para a vossa porta, a lança ressoa sobre a madeira: mais um instante e a peste entra em vossa casa, senta-se no vosso quarto e espera o vosso regresso. Ela está lá, paciente e atenta, segura como a própria ordem do mundo. Essa mão que ela vos estenderá, nenhum poder humano, nem sequer, sabei-o bem, a vã ciência humana, pode fazer com que a eviteis. E, batidos na eira sangrenta da dor, sereis repelidos como a palha. " Aqui, o padre retomou, com mais amplidão ainda, a imagem patética do flagelo. Evocou a imensa lança volteando por cima da cidade, atacando ao acaso e erguendo-se de novo, ensangüentada; espalhando, enfim, o sangue e a dor humana "para as sementeiras que preparariam às searas da verdade". Ao fim deste longo período, o padre Paneloux parou, com os cabelos caídos sobre a fronte, o corpo agitado por um tremor que as mãos comunicavam ao público, e prosseguiu, mais surdamente, mas em tom acusador: "Sim, chegou a hora de refletir. Pensastes que vos bastaria visitar Deus aos domingos para ficardes com os vossos dias livres. Pensastes que algumas genuflexões pagariam suficientemente o vosso desleixo criminoso. Mas Deus não é fraco. Essas atenções espaçadas não bastavam à sua ternura devoradora. Ele queria ver-vos mais tempo, é a sua maneira de vos amar, que é, a bem dizer, a única maneira de amar. Eis por quê, cansado de esperar a vossa vinda, deixou que o flagelo vos visitasse, como visitou todas as cidades do pecado desde que os homens têm história. Sabeis agora o que é o pecado, como o souberam Caim e seus filhos, os de antes do Dilúvio, os de Sodoma e Gomorra, Faraó e Jó e também todos os malditos. E, como esses o fizeram, é um olhar novo que lançais sobre os seres e as coisas, desde o dia em que esta cidade fechou os seus muros em torno de vós e do flagelo. Sabeis agora, finalmente, que é preciso chegar ao essencial. Um vento úmido infiltrava-se agora na nave e as chamas dos círios curvavam-se, crepitando. Um cheiro espesso de cera, tosses, um espirro, chegaram até o padre Paneloux, que, voltando à sua exposição com uma sutileza que foi muito apreciada, prosseguiu com a voz calma: "Muitos dentre vós, bem o sei, perguntam a si próprios, não. Sem razão, aonde quero chegar. Quero fazer-vos chegar à verdade e ensinar-vos a vos regozijar, apesar de tudo o que vos disse. Passou o tempo em que os conselhos, uma mão fraterna, eram os meios de vos guiar para o bem. Hoje, a verdade é uma ordem. E o caminho da salvação é uma lança vermelha que vos aponta e vos conduz. É aqui, meus irmãos, que se manifesta, enfim, a misericórdia divina, que colocou em todas as coisas o bem e o mal, a cólera e a piedade, a peste e a salvação. Este mesmo flagelo que vos aflige, vos eleva e vos mostra o caminho.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este exemplar, da coleção Mestres da Literatura Contemporânea, adquirimos quando fomos à S.Paulo, por ocasião do casamento do Gustavo com Patrícia, em 31 julho de 98 Na porta de uma loja de bairro havia verdadeira montanha de livros, todos a R$ 5,00. Trouxemos um bocado de livros de "capa dura", na cor azul. Nesta oportunidade praticamos a mais legítima "cultura métrica", ou seja, quando se compra livro a metro, para enfeitar prateleira.


 

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