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Esaú e Jacó

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Esaú e Jacó

Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: Machado de Assis

Editora: Sedegra

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 246

Ano de edição: 1962

Peso: 405 g

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Ótimo
Marcio Mafra
18/09/2004 às 11:06
Brasília - DF

Esaú e Jacó, é o último ou penúltimo livro que Machado de Assis escreveu. Somente o talento do grande escritor poderia, ao final de sua vida - quando as emoções e sentimentos e a tolerância das pessoas são mais pacificadas - escrever um romance de rivalidade, desentendimento, oposição e contrariedade. Os personagens, Pedro e Paulo são os gêmeos filhos de Agostinho e Natividade. Eles de desentendem desde criancinhas. Quando adultos um é do partido Republicano (a favor da república) e o outro do partido conservador (a favor da monarquia). Um estudava Direito e o outro estudava Medicina. Também disputavam a mesma namorada, o que resultava num conflituoso de triângulo amoroso. Outro personagem, um idoso aposentado - o Conselheiro Aires - pessoa de outra história, outro livro machadiano, entra em cena e nem sempre consegue a trégua entre os gêmeos. Até quando eleito parlamentares, os gêmeos se contrapõem politicamente, até que se tornam inimigos irreconciliáveis e implacáveis. Ótimo livro.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Esaú e Jacó reflete - inteligentemente - a história da proclamação da república. Começa com a subida ao morro do Castelo de Natividade e Perpétua que foram consultar a cabloca e termina.....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Não escreveria êste capítulo, se êle fôsse propriamente das encomendas, mas não é. Tudo são instrumentos nas mãos da Vida. As duas saíram de casa, uma lépida, a outra melancólica, e lá foram a escolher uma quantidade de objetos de viagem e de uso pessoal. D. Cláudia, pensava nos vestidos da primeira recepção e de visitas; também ideou o do desembarque. Tinha ordem do marido para comprar algumas gravatas. Os chapéus, entretanto, foram o principal artigo da lista. Ao parecer de D. Cláudia, o chapéu da mulher é que dava a nota verdadeira do gôsto, das maneiras e da cultura de uma sociedade. Não valia a pena aceitar uma presidência para levar chapéu sem graça, dizia ela sem convicção, porque intimamente pensava que a presidência dá graça a tudo. Estavam justamente na loja de chapéus, rua do Ouvidor, sentadas, os olhos fora e longe, quando a verdadeira matéria dêste capítulo apareceu. Era o gêmeo Paulo que, chegara pelo trem noturno, e sabendo que elas andavam a compras, viera procurá-las. - O senhor! Exclamaram. - Cheguei esta manhã. Flora tinha-se levantado, com o alvorôço que lhe deu a vista inesperada de Paulo. Êle correu a elas, apertou-lhes as mãos, indagou da saúde, e reconheceu que pareciam vender saúde e alegria. A impressão era exata; Flora tinha agora uma agitação, que contrastava com o abatimento daquela triste manhã, e um riso que a fazia alegre. - Tive sempre notícias das senhoras, que mamãe me dava, e Pedro também, às vêzes. Da senhora, continuou êle falando a D. Cláudia, recebi duas cartas. Como vai o doutor? - Bem. - Ora, enfim, cá estou! E Paulo dividia os olhos com as duas, mas a melhor parte ia naturalmente para a filha. Pouco depois era todo e pouco para esta. D. Cláudia voltara à escolha dos chapéus, e Flora, que então opinava de cabeça, perdeu êste último gesto. Paulo sentou-se na cadeira que um empregado lhe trouxe, e ficou a olhar para a moça; falavam de coisas mínimas, alheias ou próprias. Tudo o que bastasse para os reter disfarçadamente na contemplação um do outro. Paulo viera o mesmo que fôra, o mesmo que Pedro, sempre com alguma nota particular, que ela não podia achar claramente, menos ainda definir. Era um mistério; Pedro teria o seu. D. Cláudia interrompia-os, de vez em quando, a propósito da escolha; mas, tudo acaba, até a escolha de chapéus. Foram dali aos vestidos. Paulo, não sabendo da presidência, estimou esta casualidade para os acompanhar de loja em loja. Contava anedotas de S. Paulo, sem grande interêsse para Flora; as notícias que lhe dava acêrca das amigas. Eram mais ou menos dispensáveis. Tudo valia pelos dois interlocutores. A rua ajudava aquela absorção recíproca; as pessoas que iam ou vinham, damas ou cavalheiros, parassem ou não, serviam de ponto de partida a alguma digressão. As digressões entraram a dar as mãos ao silêncio, e os dois seguiam com os olhos espraiados e a cabeça alta, êle mais que ela, porque uma pontinha de melancolia começava a espancar do rosto da moça a alegria da hora recente. Na rua Gonçalves Dias indo para o largo da Carioca, Paulo viu dois ou três políticos de S. Paulo, republicanos, parece que fazendeiros. Havendo-os deixado lá, admirou-se de os ver aqui, sem advertir que a última vez que os vira ia já a alguma distância. - Conhecem? Perguntou às duas. Não, não os conheciam. Paulo disse-lhes os nomes. A mãe talvez fizesse alguma pergunta política, mas deu por falta de um objeto, advertiu que o não comprara, e propôs voltarem atrás. Tudo era aceito por ambos, com docilidade, apesar do véu de tristeza, que se ia cerrando mais no rosto da moça. Aquelas encomendas tinham já um ar de bilhetes de passagem, não tardava o paquête, iam correr às malas, aos arranjos, às despedidas, ao camarote de bordo, ao enjôo de mar, e àquele outro de mar e terra, que a mataria, com certeza, cuidava Flora. Daí o silêncio crescente, que Paulo mal podia vencer de quando em quando e contudo ela estava bem Com êle, gostava de lhe ouvir dizer coisas sôltas, algumas novas, outras velhas, recordações anteriores à partida daqui para S. Paulo. Assim se deixaram ir, guiados por D. Cláudia, quase esquecida dêles. No meio daquela conversação truncada, mais entretida por êle que por ela, Paulo sentia ímpetos de lhe perguntar, ao ouvido, na rua, se pensara nêle, ou, ao menos, sonhara com êle algumas noites. Ouvindo que não, daria expansão à cólera, dizendo-lhe os últimos impropérios; se ela corresse, correria também, até pegá-la pelas fitas do chapéu ou pela manga do vestido, e, em vez de a esganar, dançaria com ela uma valsa de Strauss ou uma polca de ... Logo depois, ria dêstes delírios, porque, a despeito da melancolia da moça, os olhos que ela erguia para êle eram de quem sonhou e pensou muito na pessoa, e agora cuida de descobrir se é a mesma do sonho e do pensamento. Assim lhe parecia ao estudante de Direito; pelo que, quando êle desviava o rosto, era para repetir a experiência e tornar a ver-lhe os olhos aguçados do mesmo espírito crítico e de livre exame. Quanto ao tempo que os três gastaram nessa agitação de compras e escolhas, visões e comparações, não há memória dêle, nem necessidade. Tempo é propriamente ofício de relógio, e nenhum dêles consultou o relógio que trazia.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Adquiri, de um vendedor porta-à-porta, a coleção de livros Machado de Assis, em janeiro de 1962, quando já recebia salário do meu primeiro emprego, no Banco Inco - Banco Industria e Comercio de Santa Catarina, agência da W-3 Sul, quadra 7, bloco B, loja 3, anos depois se chamou quadra 507. A coleção, comprada e paga em prestações mensais se compunha de 11 volumes. Foi editada pela Sodegra Sociedade Editora e Grafica Ltda.: A Mão e a Luva, Quincas Borba, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Helena, Contos 1º e 2º Volume, Esaú e Jacó, Iaiá Garcia, Ressurreição e Memorial de Aires.


 

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