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Iaiá Garcia

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Iaiá Garcia

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Autor: Machado de Assis

Editora: Sedegra

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 192

Ano de edição: 1962

Peso: 350 g

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Bom
Marcio Mafra
18/09/2004 às 12:59
Brasília - DF

Iaiá Garcia é o romance da transição. Após essa publicação, foi a vez de Esaú e Jacó, seguido de Memorial de Aires. Em seguida os fabulosos Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, que consagraram o autor como o mestre da literatura nacional, surgido nos anos de 1870-1890. Mesmo assim, o Iaiá Garcia não é lá grandes coisas. Não merece mais que uma rápida lida, mais para tomar conhecimento do que para apreciar.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia de Valeria, que manda seu filho para a guerra do Paraguai, no intuito de afasta-lo de um casamento contrário à sua vontade.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Jorge fez um gesto de enfado e mandou buscar um tílburi. Daí a uma hora parava à porta de Luís Garcia. Era tudo silêncio. Jorge deteve-se alguns instantes. Incerto sôbre o que convinha fazer. O perigo, se perigo houve, podia ter passado. E tôda a família estaria em repouso. Espreitou pela porta do jardim. E viu uma claridade frouxa, através de uma veneziana. Logo depois ouviu passos na areia. Era o Sr. Antunes que sentira parar o tílburi. - Meu genro está mal, disse o pai de Estela: teve esta manhã uma recaída e perto das oito horas cuidamos perdê-lo. Jorge entrou. Luís Garcia está prostrado; a febre ardia-lhe sinistramente nos olhos. De um lado e de outro do leito, viam-se a mulher e a filha, aparentemente quietas, mas gastando tôda a fôrça moral em suster a angústia que ameaçava fazer-se em lágrimas. - Que tem? Perguntou Jorge aproximando-se do enfêrmo. - Uma febrinha importuna, respondeu êle. A um sinal. Estela e Iaiá retiraram-se da alcova, onde só ficou Jorge. Mandando chamar o moço, Luís Garcia punha em execução um pensamento que lhe brotara no calor da febre. Ouviu do médico algumas palavras que lhe fizeram supor a probabilidade da morte; e, não tendo amigos nem parentes, e não querendo confiar a mulher e a filha ao sogro, lançou mão da pessoa que lhe pareceu ter a sisudez bastante e a influência necessária para as dirigir e proteger. - Seu pai foi amigo de meu pai, disse êle; eu fui amigo de sua família; devo-lhe obséquios apreciáveis. Se eu morrer, minha mulher e minha filha ficam amparadas da fortuna, porque o dote de uma servirá para ambas, que se estimam muito; mas ficam sem mim. É verdade que meu sogro, mas... Mas meu sogro tem outras ocupações, está velho, pode faltar-lhes de repente. Quisera pedir-lhe que as protegesse e guiasse; que fôsse um como tutor moral das duas. Não é que lhes falte juízo; mas duas senhoras sozinhas precisam de conselhos. .. E eu. Desculpe-me se sou indiscreto. Promete? Jorge prometeu tudo, com o fim de o tranqüilizar, porque Luís Garcia parecia excessivamente aflito com a idéia daquela eterna separação. O pedido afigurou-se-lhe singular; atribuiu-o à exaltação febril do doente. Soube depois que a vida de Luis Garcia dependia da primeira crise que fizesse a enfermidade, segundo havia declarado o médico. Eram quase quatro horas quando Jorge de lá saiu. Voltou às nove e achou o médico. A crise era esperada na tarde dêsse dia, e só então se poderia dizer se a vida do enfêrmo estava perdida ou salva. Foi o que o médico lhe repetiu, à porta do jardim, aonde Jorge o foi acompanhar. - Não obstante, concluiu o médico, êle tem outra doença que o deve matar dentro de alguns meses um ano ou ano e meio. - Coração? - Justamente. Esta notícia impressionou o moço. - Não será ilusão da medicina? Perguntou êle. O médico abanou a cabeça, e saiu. Jorge encaminhou-se para casa, mas teria dado apenas três passos, quando viu Estela que vinha ao seu encontro. A moça parou diante dêle. - Que lhe disse o médico? Perguntou. - Tem esperanças; logo de tarde poderá afiançar mais alguma coisa. - Só isso? - Só. - Não o desenganou? - Não. -Estela refletiu um instante. - Dê-me sua palavra, disse ela. - Jorge estendeu-lhe a mão, sôbre a qual Estela deixou cair a sua, não menos fria que pálida. - Sou amigo de seu marido, disse Jorge depois de alguns instantes; creia que êle pode contar com tôda a minha dedicação. Estela pareceu acordar do momentâneo torpor; atentou no moço, retirou a mão e respondeu com um simples gesto de assentimento. A alma subjugada tornara à natural atitude. Jorge viu-a entrar a em casa e ficou só alguns minutos, a recordar a revelação do médico, e a sentir que ao pé da tristeza que o pungia, havia alguma coisa semelhante a um sentimento egoísta e cruel. Entre a esperança e receio gotejaram algumas horas longas, até que a crise veio e passou, sem levar consigo a vida ameaçada. Na manhã seguinte a alegria foi tamanha em redor do enfêrmo, que êle viu claramente o perigo e a salvação. Nem a filha nem a mulher pareciam alquebradas do trabalho e da vigília; estavam frescas risonhas, ágeis, partindo entre si o pão da alegria, como haviam partido irmãmente o pão da angústia. Durante a moléstia e a convalescença, Jorge visitou-os uma vez por dia; e fôrça é dizer que, se por um instante houve em seu coração um impulso egoísta, tal impulso não se lhe repetiu depois; serviu ao doente com desinterêsse e lealdade. A família dêste mostrou-se-lhe agradecida. Luís Garcia recordou ao moço o pedido que lhe fizera na noite em que o mandara chamar, e recordou-lho, não só para lhe agradecer a aquiescência como para explicá-lo. Mas a explicação era difícil, porque êle cedera principalmente à aversão que lhe inspirava o sogro, em quem não tinha a mínima confiança; não obstante as meias palavras de que usou. Jorge entendeu tudo. A freqüência trouxe a necessidade. Levado pelas circunstâncias, Jorge acostumou-se às visitas e amiudou-as. No mês de setembro a pretexto de calor que ainda não fazia, transferiu a residência para a casa que tinha em Santa Teresa e que não ficava a longa distância da de Luís Garcia. Não havia que reparar no caso; sua mãe tinha o costume de passar ali três a quatro meses no ano. Demais nas últimas semanas êle começara a fazer-se menos visto e menos freqüentado. Podia facilmente passar a outra vida mais reclusa. Entretanto. Como essa mudança antecipada para Santa Teresa podia não ter em si mesma tôda a explicação razoável, Jorge buscou enganar-se a si próprio reunindo os elementos e lançando ao papel as primeiras linhas de um trabalho, que jamais devia acabar, mas que, em todo caso, legitimava a necessidade de repouso. Nos intervalos dêste é que visitava a casa de Luís Garcia, uma ou duas vêzes por semana. Aos domingos tinha sempre a jantar o Sr. Antunes, com quem jogava uma partida de bilhar. Tentou ensinar-lhe o xadrez mas desanimou ao fim de cinco lições. - Ah! Mas nem todos têm o seu talento! Exclamou triunfalmente o pai de Estela. Luís Garcia jogava o xadrez. Era o recreio usual entre êle e Jorge; outras vêzes saíam a passeio até curta distância. Luís Garcia aceitava de boa sombra essas distrações. Que não eram turbulentas nem cansativas, mas brandas e pausadas, como êle. Demais nem sempre eram distrações sem fruto. Jorge apreciava agora melhor as conversações que não eram puros nadas e os dois trocavam idéias e observações. Luís Garcia era homem de escassa cultura, sobretudo irregular; mas tinha os dons naturais e a longa solidão dera-lhe o hábito de refletir. Também êle ia à casa de Jorge cujos livros lia de empréstimo. Era tarde; já não estava moço; faltava-lhe tempo e sobrava-lhe fome; atirou-se sôfrego, sem grande método nem escrupulosa eleição; tinha vontade de colhêr a flor ao menos de cada coisa. E porque era leitor de boa carta, dos que casam a reflexão à impressão, quando acabava a leitura, recompunha o livro, incrustava-o por assim dizer, no cérebro; embora sem rigoroso método, essa leitura retificou-lhe algumas idéias e lhe completou outras, que só tinha por intuição. A necessidade intelectual de Luís Garcia contribuiu assim para tornar mais íntima a convivência, única exceção na vida reclusa que êle continuava a ter, ainda depois de casado. Jorge pela sua parte não desmentia até ali o bom conceito que o outro formava de suas qualidades; e a família viu lentamente estabelecer-se a intimidade e a estima entre os dois homens. Uma noite, saindo Jorge da casa de Luís Garcia, êste e a mulher ficaram no jardim algum tempo. Luís Garcia disse algumas palavras a respeito do filho de Valéria . - Pode ser que eu me engane, concluiu o céptico; mas persuado-me que é um bom rapaz. Estela não respondeu nada; cravou os olhos numa nuvem negra, que manchava a brancura do luar. Mas Iaiá, que chegara alguns momentos antes, ergueu os ombros com um movimento nervoso. - Pode ser, disse ela; mas eu acho-o insuportável.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Adquiri, de um vendedor porta-à-porta, a coleção de livros Machado de Assis, em janeiro de 1962, quando já recebia salário do meu primeiro emprego, no Banco Inco - Banco Industria e Comercio de Santa Catarina, agência da W-3 Sul, quadra 7, bloco B, loja 3, anos depois se chamou quadra 507. A coleção, comprada e paga em prestações mensais se compunha de 11 volumes. Foi editada pela Sodegra Sociedade Editora e Grafica Ltda.: A Mão e a Luva, Quincas Borba, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Helena, Contos 1º e 2º Volume, Esaú e Jacó, Iaiá Garcia, Ressurreição e Memorial de Aires.


 

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