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Ressurreição

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Ressurreição

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Autor: Machado de Assis

Editora: Sedegra

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 162

Ano de edição: 1962

Peso: 330 g

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Bom
Marcio Mafra
18/09/2004 às 10:11
Brasília - DF

Machado de Assis estreou em 1872, exatamente com a publicação do romance Ressurreição. Se é tarefa difícil reconhecer um bom livro logo na primeira "investida", fácil, simples e sem muito esforço, é reconhecer um livro ruim Livro ruim não tem salvação. Diferente de mulher feia. Quando a mulher é feia, se disfarça e se diz que ela é simpática. Feiura literária, não tem jeito. É ruim e pronto. Todavia, por se tratar da maior celebridade da literatura nacional, fundador da Academia Brasileira de Letras, fica parecendo arrogância de leitor desclassificado dizer que livro do Mestre não é bom. H.Pereira da Silva, crítico mordaz do Machado de Assis, diz ao propósito do lançamento do "Ressurreição":


..."A imaturidade (ele tinha 32 anos na época) de Machado de Assis assinala a publicação de Ressurreição, que poderia ser mais expressiva, pois o seu autor já havia ultrapassado a casa dos trinta anos e se lançado nas letras com mais sucesso do que se julga hoje, escrevendo peças teatrais, contos poesias e traduções. A ficção, porém, não seria o gênero mais condizente com o analista de almas que teria sido, se o quisesse, um crítico literário dos mais profundos..." Ressurreição, no prefácio, traz a advertência do próprio autor, senão vejamos: "Não sei o que deva pensar deste livro; ignoro o que pensará dele o leitor. A benevolência com que foi acolhido um volume de contos e novelas, que há dois anos publiquei, me animou a escreve-lo. É um ensaio. Vai despretensiosamente às mãos da crítica e do público, que o tratarão com a justiça que merecer. A crítica desconfia sempre da modéstia dos prólogos, e tem razão......Venho apresentar-lhe um ensaio em gênero novo para mim, e desejo saber se alguma qualidade me chama para ele, ou se todas me faltam......mas, quem tem vontade de aprender e fazer alguma, prefere a lição que melhora ao ruído que lisonjeia." Na época o Machado de Assis estava longe - duramente longe - da consagração. Amadurecido, nenhum outro espírito seria tão crítico quanto ele. Mas isso depois dos quarenta anos...Na mesma época, ninguém poderia prever que sete anos após, esse mesmo escritor escreveria algumas obras-primas da literatura nacional.


Ressurreição é um livro sem audácias, sem lances emocionais, quase água morna. Nem quente nem fria. Porém, decorridos 132 anos de sua publicação, só o fato de não ter desaparecido na poeira do tempo, lhe confere um lugar de destaque na literatura nacional, que abriga muita bobagem escrita.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Lívia, viúva cobiçada, amada por Felix e por quase todos os outros personagens homens. No entanto é honesta e bonita. Quando a viúva ingressa num mosteiro para viver os seus últimos dias.......

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

No dia seguinte, logo cêdo, Viana foi à casa do médico. Não ia almoçar com êle; ia convidá-lo para jantar. - Faço anos hoje, disse o parasita, e quisera ter à mesa alguns amigos, poucos. O senhor é dos primeiros, não pode faltar. - Não faltarei, respondeu Félix. Viana emitiu em seguida algumas idéias a respeito da maneira por que encarava um jantar de anos. Não devia compreender senão amigos íntimos, por ser festa do coração, alegria doméstica, em que tudo o que não falasse a língua da amizade seria estrangeiro ou talvez inimigo. Não bastava gôsto para a escolha de tais amigos; era preciso jeito e sagacidade para discernir os que se prendiam pelo afeto dos que aderiram pelo costume. Esqueceu-lhe o principal; esqueceu lhe dizer que, no seu ponto de vista, um jantar de anos era também um jantar a juros. Félix aceitou o convite com sofreguidão; esperava um pretexto para voltar à casa de Lívia. Pungia-o ainda o ciúme, mas a irritação passara, e em lugar dela nascera o desejo de ver restabelecida a harmonia antiga, não por ato de vontade própria, mas por uma completa justificação da amada. Com tais sentimentos saiu de casa. Lívia estava à janela quando o viu chegar; foi recebê-lo no patamar da escada que dava para o jardim. Ao apertar-lhe a mão, entre triste e risonha: - Era eu que devia perdoar-lhe, disse; mas seria ofender o seu orgulho. - O meu orgulho? Perdoar-me? Repetiu Félix. - Sim, disse ela fazendo um gesto afirmativo. Leu-lhe Félix no rosto tão sincera tranqüilidade, que estêve quase a aceitar a reconciliação, Hesitou algum tempo; deitou os olhos à sala, e viu atravessá-la na direção da escada a figura de Raquel. Então lembrou-lhe a semi confidência que esta lhe fizera, e amargamente respondeu à viúva: - Sejamos sérios. Lívia empalideceu. Quis responder alguma coisa, e não pôde; Raquel estava com êles. Pouco depois chegaram o coronel e D. Matilde; Meneses não tardou muito. Algumas pessoas mais completavam o pessoal da festa. A presença de estranhos constrangia a viúva e o médico; era forçoso ser alegre como os outros, e isso custava a ambos, mais ainda a ela que a êle. O jantar passou sem novidade de vulto. As pilhérias. Do coronel, e os brindes repetidos de Viana entretiveram a sociedade. Félix tentou seguir a corrente da alegria e logrou obtê-lo. Não reparava - ainda mal! - que a fronte da viúva parecia entristecer-se mais; seus olhos procuravam antes os de Meneses que os dela. Meneses tinha os seus embebidos nela. No fim do jantar Viana propôs que fôssem conversar na chácara. Meneses pediu que a filha do coronel tocasse primeiro uma melodia que lhe ouvira alguns dias antes. Raquel consentiu. A melodia era extremamente melancólica, e Raquel tocava-a com alma. O tom da música influiu nos ânimos; não havia só o simples silêncio da atenção, mas o recolhimento da tristeza. Em alguns dos convivas esta impressão era mais natural e foi mais pronta. O médico, entretanto, forcejava, não só por sacudir a estranha influência, como por afetar completa isenção de espírito. Luís estava em pé diante dêle, com os cotovelos fincados nos seus joelhos. Félix brincava-lhe com os cabelos e ambos sorriam um para o outro, como se fôssem os únicos estranhos à comoção geral Ora, no meio do absoluto silêncio da sala, apenas interrompido pelas notas sôltas e magoadas que os dedos de Raquel tiravam do piano, o filhinho de Lívia fêz esta singela pergunta ao médico: - Por que é que o senhor não se casa com mamãe? Lívia estremeceu. Raquel cessou de tocar e volveu rapidamente a cabeça para o grupo donde partira a voz. Dos outros convivas uns sorriam da inocente indiscrição do menino, outros observavam a viúva, ninguém reparava em Raquel. A filha do coronel deixou imediatamente o piano. Viana lembrou então o passeio da chácara. Todos aceitaram o alvitre e saíram da sala. A espécie de acanhamento que a pergunta do menino deixara em todos, para logo desapareceu de alguns. Lívia não saíra logo. A alguma distância repararam na falta dela, e Raquel propôs-se a ir buscá-la. Achou-a a abraçar e beijar o filho. Conquanto ela fôsse mãe extremosa, não havia razão imediata para aquela explosão de ternura. Raquel estacou sem compreender nada. A viúva olhou para ela aconchegando o filho ao coração. - Que queres? Perguntou. Raquel não respondeu. A pouco e pouco se lhe ia alumiando o espirito Olhou longo tempo para ela, como se à fôrça quisesse arrancar-lhe a explicação, que o seu coração pressentia. Enfim, pareceu adivinhar tudo. - Ama-o então? Perguntou ela com os lábios trêmulos. - Creio que o amei, respondeu Lívia baixando tristemente a cabeça. Se o espírito de Raquel não fôsse ainda o regaço da castidade, aquela confissão mentirosa da viúva, porque ela ainda amava, podia fazer-lhe nascer alguma desairosa. Suspeita. Mas Raquel não viu naquelas palavras mais do que um amor medroso e não compreendido. Sua eloqüente resposta foi apertá-la nos braços. Lívia apertou-a com fôrça. Era a primeira vez que o acaso lhe deparava uma confidente. Alteava-se-lhe o seio túmido de suspiros; duas lágrimas lhe romperam dos olhos e foram morrer na espádua de Raquel. O menino interrompeu essa doce efusão. Lívia respirou largamente, e beijando com ternura a moça, disse: - Vamos. Mas Raquel não se movia. Tinha os olhos postos nela, os lábios apertados, os braços pendentes. Lívia sacudiu-lhe brandamente os ombros. - Que tens? Disse. - Nada, suspirou Raquel. Lívia estremeceu. Súbito relâmpago lhe atravessou as sombras do espírito. Interrogou-a de novo, mas foi em vão, Então sentiu em si tôdas as energias do seu temperamento, e com um grito, que a cólera abafava, exclamou: - Ah!! Tu o amas também! Raquel não lhe respondeu. Se a viúva lhe houvera falado com brandura é provável que lhe fizesse plena confissão de seus sentimentos. Mas, às palavras coléricas de Lívia, a pobre moça começou a tremer. - Tu o amas também! Repetiu Lívia com voz surda e concentrada. Raquel curvou o corpo, pôs as mãos em atitude de súplica, e murmurou com voz trêmula: - Perdão! Pairou nos lábios da viúva um sorriso sarcástico. Raquel repetiu ainda muitas vêzes a palavra perdão; mas a única resposta da sua rival foi pegar-lhe do braço e indicar-lhe a porta. - Vai ter com êle! Exclamou. Depois saiu arrebatada da sala. Raquel magoada pela violência do gesto da viúva, acompanhou-a com o olhar até à porta. Os olhos da corça ofendida não chamejavam ódio contra a leoa irritada.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Adquiri, de um vendedor porta-à-porta, a coleção de livros Machado de Assis, em janeiro de 1962, quando já recebia salário do meu primeiro emprego, no Banco Inco - Banco Industria e Comercio de Santa Catarina, agência da W-3 Sul, quadra 7, bloco B, loja 3, anos depois se chamou quadra 507. A coleção, comprada e paga em prestações mensais se compunha de 11 volumes. Foi editada pela Sodegra Sociedade Editora e Gráfica Ltda.: A Mão e a Luva, Quincas Borba, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Helena, Contos 1º e 2º Volume, Esaú e Jacó, Iaiá Garcia, Ressurreição e Memorial de Aires.


 

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