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Os Campos de Honra

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Os Campos de Honra

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Jean Rouaud

Editora: Record

Assunto: Romance

Traduzido por: Moacir Werneck de Castro

Páginas: 172

Ano de edição:

Peso: 220 g

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Ótimo
Marcio Mafra
18/09/2004 às 09:15
Brasília - DF

Campos de Honra é um livro bastante incomum, pois o autor revela talento e muito estilo ao transformar em poesia as situações mais simples do cotidiano. Com doses de bom humor, Jean Rouaud fala sobre a vida, a morte, os sonhos e as tristezas de uma família numa história que se materializa através das lembranças do narrador. Este livro recebeu o Prêmio Goncourt 1990. Vale o que pesa.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Campos de Honra fala sobre a vida, a morte, os sonhos e as tristezas de uma família numa história que se materializa através das lembranças do narrador

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Rémi foi o primeiro a se preocupar. Espiou o padre Bideau através de sua cortina e chamou-o na hora em que ia entrando na igreja. O padre confirmou não ter visto a tiazinha aquela manhã. "Esse idiota" segundo Rémi - não achava aquilo nada estranho, "pois ela andava sempre saracoteando por aí." Rémi era organista titular e único. Com suas tiradas anticlericais, indenizava-se dos serviços gratuitos que prestava à paróquia, uma maratona hebdomadária: três missas mais as vésperas, no domingo, e a cada manhã durante a semana, a missa das sete, ao que se somavam as cerimônias dos vivos e dos mortos. A marcha nupcial de sua autoria era famosa, muito solicitada. Ficava aborrecido quando os jovens noivos preferiam aquela coisa pomposa, dizia, de Mendelssohn. Se lhe pediam para assegurar a parte musical de uma cerimônia à qual não estava obrigado por contrato, bastava implorar um pouco, nunca recusava. Contrariava-se com isso. Anunciava que na próxima vez Bideau e seus acólitos teriam de ir até a porta de sua loja fazendo soar as ferraduras, mas na próxima vez o que se ouvia era: "Obrigado, senhor Rémi, sabemos que podemos contar com o senhor." Esse desaparecimento da tia o incomodava. Gostaria de se abrir com mamãe, mas não se sabia como abordá-la. Falava-se a ela como com os surdos-mudos, dirigindo-se à pessoa do lado. Perguntava-se como vai sua mãe, e mamãe ali a dois metros, no exílio, muito longe. Levou anos para se reintegrar ao mundo dos vivos. Rémi acabou se decidindo, com o reforço de sua mãe. Estávamos como de costume na cozinha, a única peça que realmente ficava aquecida no inverno. Além de fazermos lá as refeições, era onde brincávamos, brigávamos, fazíamos os nossos deveres - ou nada, o mais das vezes. Ao nos ver os quatro abatidos na nossa infelicidade recente, a velha Mathilde teve uma tal expressão de pena que compreendemos que o nosso caso era ainda mais grave do que imaginávamos. Rémi, desculpando-se por incomodar, pediu rapidamente notícias nossas, passou por alto a resposta e foi logo à razão de sua visita: tínhamos visto a tia aquela manhã? É verdade, ela não passou por aqui. Essa ausência não era de preocupar? Era, sem dúvida, mas não se sabia onde situar a inquietação. Afinal de contas titia, na sua perpétua brincadeira de esconde-esconde, sempre caprichava em reaparecer no momento exato em que nos alarmávamos com o seu sumiço. Mas Rémi queria tirar a coisa a limpo e, como não reagíamos, propôs efetuar um reconhecimento até a casinha dela, meio escondida pelos arbustos do jardim. A expedição se pôs em marcha na alameda, por entre moitas de roseiras cujos galhos mortos se entrelaçavam sobre o caramanchão, Rémi à frente, com seu passo irregular, seguido de Mathilde e mamãe vestidas de preto e também de Pirro, seu spaniel louco, que tinha saltado a barreira, apesar de mais de um metro de altura, entre os jardins. Rémi desconfiava que pudesse haver algum perigo, pois disse às crianças que ficassem para trás. Ao chegar diante da casa, tentou dar uma espiada pela janela, mas as cortinas estavam fechadas, donde deduziu que a tiazinha estava lá dentro. Então mandou que voltássemos e logo, como não nos mexíamos ante o silêncio de mamãe, que ficássemos a distância. A porta não abria. Restava quebrar um vidro à -altura da maçaneta. Mathilde já se abaixava apanhando uma pedra, que deu ao filho, mas Rémi, meticuloso como de costume, relojoeiro que gostava do trabalho bem-feito, teve um movimento de recuo e mandou-a buscar um diamante na gaveta superior esquerda de sua mesa de trabalho. As prebendas eram com Mathilde. Rémi atirou longe a pedra. Pirro, que raramente compreendia o que dele se esperava, disparou, de barriga arrastando no chão, e a trouxe na boca. Não devia ser hora de brincadeira, porque levou um tapa no focinho.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Este exemplar, da coleção Mestres da Literatura Contemporânea, foi comprado quando estivemos em S.Paulo, por ocasião do casamento do Gustavo com Patrícia, em 31 julho de 98. Na porta de uma loja de bairro havia verdadeira montanha de livros, todos à R$ 5,00. Trouxemos um bocado de livros de "capa dura" na cor azul. Nesta oportunidade praticamos a mais legítima "cultura métrica", ou seja, quando se compra livro a metro, para enfeitar prateleira. "Campos de Honra" fez parte da compra pelo título, uma vez que desconhecíamos completamente o autor e o livro.


 

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