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Anos 60

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Anos 60

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Luiz Carlos Maciel

Editora: L&pm

Assunto: Costumes Brasileiros

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 120

Ano de edição: 1987

Peso: 155 g

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Ótimo
Marcio Mafra
18/09/2004 às 17:49
Brasília - DF

Anos 60, talvez o melhor livro do Maciel, que era um jornalista do Pasquim nos idos dos anos 60, abrange um assunto a cada ano da década. É leitura leve, despida de pose literária, boa como crônica de fim de tarde. O mais interessante é que o autor, embora tenha trabalhado muito tempo na prateada TV Globo, não virou um "herói" da mídia, como Caetano, Gil, Roberto Carlos, Rita Lee e outros menos votados. Para conhecer um bom ponto de vista dos anos 60, vale a leitura.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Um balanço dos anos 60, contados e vividos pelo jornalista Luiz Carlos Maciel.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Minha geração viveu um interesse intenso e aparentemente profundo pela arte política, que se estendeu por toda a década de 60, pelo menos. Os termos "arte política" são, aqui, uma maneira de falar, para resumir. Na época preferíamos dizer arte empenhada, arte comprometida ou arte engagé. A palavra francesa tinha origem na teoria estética que melhor expressava os nossos sentimentos: a existencialista, de Jean-Paul Sartre, e seu conceito de engagement. A motivação era de ordem ética. A pedra angular do existencialismo era a radical liberdade da existência humana. A fórmula fundamental de que "a existência precede a essência" negava qualquer norma, modelo ou paradigma moral. Somos livres para fazer qualquer coisa, mas nossos atos livres criam um conteúdo a posteriori, o que estabelece a exigência ética. Se somos radicalmente livres, isso significa apenas que somos totalmente responsáveis por tudo que fizermos, inclusive as obras de arte. Nossa liberdade, portanto, só tem sentido no compromisso, ou engagement, e paradoxalmente o artista mais livre é, em conseqüência, o artista engagé. Sartre expressou o condicionamento fundamental da liberdade humana e a necessidade essencial de compromisso, que ele implica no conceito de situação. A liberdade é sempre" situada ", limitada pelas circunstâncias externas, e algumas situações extremas, que Sartre chama de "situações-limite", têm a virtude dramática de revelar com nitidez a exigência ética, inseparável da liberdade. O teatro sartreano é, por causa disso, um teatro de situação, e em "O que é literatura?" (Situations I) Sartre argumenta brilhantemente pela necessidade de engagement do escritor de seu tempo que, afinal de contas, ainda é o nosso. A " situação" que condiciona a liberdade é comum a todos os homens, não só os escritores e artistas; é o conjunto de circunstâncias concretas, objetivas, de sua vida material. Em outras palavras: a situação sartreana é, antes de mais nada, a situação política. Portanto, o compromisso que Sartre reclama do escritor e dos artistas em geral é, antes de mais nada, um compromisso político. Para nossa geração, o engagement, exigido pela consciência ética, era político. Sentíamos que a situação miserável de milhões de brasileiros nos obrigava a comprometer nossos sentimentos e nossa razão, ou seja, nosso trabalho e nossa arte. A principal preocupação era a de que esse compromisso degenerasse em submissão partidária e a arte, a atividade cultural em geral, se reduzisse a mera propaganda. Muitos setores políticos de esquerda já preconizavam, há tempos, uma arte política, subordinada aos interesses populares, mas isso, para nós, era uma distorção inaceitável. Queríamos uma estética rigorosa, inflexível mesmo, como correlato indispensável da seriedade de nossa ética. Esse debate doutrinário feriu-se em alguns dos movimentos artísticos mais importantes da geração, como - para ficar na área dos espetáculos - o Teatro de Arena, de São Paulo, e o Cinema Novo. Ele também era uma das questões centrais nas teorizações dos Centros Populares de Cultura que começavam a se multiplicar por todo o país quando veio o golpe de 1964. Essa fidelidade irrestrita à verdadeira concepção de arte, no contexto de uma participação política de tipo passional, explica bastante o fascínio exercido por Bertolt Brecht, por exemplo, nos jovens intelectuais terceiro-mundistas. Brecht realizava o aparente milagre de ser, ao mesmo tempo, um comunista e um artista de primeira classe. Estava ao lado do povo sem renunciar aos valores mais sofisticados de nossa cultura e nossa civilização. Pouco antes do golpe de 1964, era preciso esclarecer se a arte empenhada havia, afinal, se revelado como arte popular, no sentido de arte criada a partir do ponto de vista político do proletariado, simplesmente, de maneira que seu fundamento passasse a ser, agora, infra-estrutural, histórico, e não mais apenas ético, erguido sobre a liberdade individual, como no momento anterior. Não foi possível. Vinte anos de repressão obstinada praticamente eliminaram essas questões de nossa vida cultural. A realidade teve de ser encarada de outros ângulos, através de outros prismas, mais sutis, para que a ação em geral e a criação em particular continuassem a ser possíveis. O processo cultural em curso nos anos 60 sofreu, assim, uma interrupção brusca que o obrigou a fluir por outros canais, inventados ao sabor dos acontecimentos. A arte, a criação, a liberdade - essas três palavras são, no fundo, sinônimos - são irreprimíveis. Entretanto, a repressão não é a única arma do sistema, ou do ego individual. Ambos, sistema e ego, também empregam a assimilação estratégica, com finalidades incisivas de deturpação. Esta, aliás, é a postura que caracteriza o atual regime brasileiro, conforme ficou demonstrado, por exemplo, pela presença de Celso Furtado no Ministério da Cultura. Nos anos 60, poder nenhum queria nos assimilar para deturpar, esse risco não corríamos. Nossas questões eram outras. Queríamos que o povo tomasse consciência e que a justiça triunfasse - objetivos desaparecidos do panorama contemporâneo -, mas não admitíamos o dogmatismo estreito, o sectarismo cego, a burrice. Nossa limitação era a de não ter ainda percebido que a "situação" sartrena não é apenas política, mas psicológica, ou seja, espiritual. Hoje isso nos parece óbvio, mas não nos parecia nos anos 60. Tem que se viver e aprender - esta é a lei


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Sem nenhum registro especial.


 

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