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O Reino e O Poder

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O Reino e O Poder

Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Gay Talesse

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Pedro Maia Soares

Páginas: 558

Ano de edição: 2000

Peso: 885 g

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Bom
Marcio Mafra
21/09/2003 às 16:08
Brasília - DF

A dinastia dos Ochs, judeus alemães, que emigraram para Nova York lá pelo ano de 1845, para fundar, 50 anos depois, em 1896 o New York Times é narrada - com estilo e elegância - por um dos expoentes do "novo jornalismo", Gay Talese, que foi seu editor. Em 1896, quando Adolph Ochs comprou o Times por 75 mil dólares, o jornal dava prejuízo Quando ele morreu, 39 anos depois em 1935 o jornal já era a mais rentável indústria de comunicação do mundo e uma invejável potência que influenciava governos, congressistas e, de resto, toda a sociedade americana. Como todo reino, o New York Times tinha muitos feudos, onde se disputava - e ainda se disputa, palmo a palmo, o poder. Foi com a consolidação da potência do NYT que se evidenciou no mundo ocidental "o quarto poder". O autor conta os bastidores de muitas reportagens e notícias de impacto, como os bombardeios dos americanos sobre a população civil, durante a Guerra do Vietnã. Talese também destaca muito as relações do jornal com o poder político e os governos dos EUA. O livro não é de simples leitura, pelo contrário, às vezes é cansativo pelo detalhismo com que o autor desenha a atmosfera da redação e da direção do NYT. Através do Reino e o Poder, se tem uma boa aula de história dos EUA e de sociologia do seu povo. O livro, embora muito bem escrito e traduzido, peca pela falta de emoção, coisa que só os escritores sabem transmitir, escrevendo.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história - e as intrigas - do mais famoso jornal do mundo o New York Times. Um empreendimento familiar do século XIX, que no seculo XX, se tornou uma das empresas mais influentes dos Estados Unidos.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

o casamento de Marilyn Monroe e Joe DiMaggio em janeiro de 1954 não era uma notícia importante para o Times, mas era notícia, e um breve relato da cerimônia estava previsto para a página 21, acompanhado de uma fotografia do casal. Randolph tinha várias imagens para escolher, porém elas pareciam todas essencialmente as mesmas: o casal, recém-casado, posando abraçado para os fotógrafos de San Francisco na calçada diante da Prefeitura. Randolph rotineiramente pegou uma foto da pilha, marcou-a para um corte de duas colunas e separou-a para submeter depois ao curral, que examina todas as fotos antes de mandá-las para o Departamento de Arte. A fotografia mostrava Marilyn Monroe com a cabeça para trás e a boca levemente aberta e DiMaggio com os lábios franzidos e os olhos fechados. Não parecia haver nada de vulgar ou excepcional na foto - pelo menos foi o que Randolph pensou, assim como Theodore Bernstein e os outros editores que a examinaram. Na manhã seguinte, Randolph não ficou menos surpreso do que dezenas de outros jornalistas da casa ao saber que a foto causara "grande agitação" no escritório do publisher e que Randolph não era mais o editor de fotografia do Times. De início, não conseguiu acreditar, nem seus colegas, que a boca aberta da sra. Monroe, sugerindo um beijo de língua, iria ferir tanto a sensibilidade de Arthur Hays Sulzberger ou de Iphigene Sulzberger, ou de quem quer que tivesse registrado uma objeção no escritório do publisher. É verdade que havia um duplo padrão no que dizia respeito a sexo no Times, ou seja, ao mesmo tempo em que se constituía no excesso tradicional de muitos dos mais proeminentes repórteres, editores, executivos e zeladores do santuário do jornal "a bebida é a perdição do Herald Tribune, o sexo é a maldição do Times", dizia um velho ditado -, era igualmente verdade que os hábitos pessoais dos Timesmen raramente, se tanto, manchavam a pureza do próprio jornal, que continuava comparativamente vitoriano. Os repórteres jovens que escrevem sobre educação sexual, controle da natalidade ou desvios sexuais são advertidos de antemão sobre ser "clínico demais", e sabe-se que alguns editores apagavam com aerógrafo os genitais de cães antes de imprimir suas fotos e dissimulavam o decote de sopranos rechonchudas. Mas, por outro lado, a foto de Marilyn não era apelativa - estava com um discreto vestido preto -, ela e DiMaggio estavam casados e não parecia desapropriado publicar um beijo levemente apaixonado de casamento no jornal do sr. Ochs. Ou pelo menos assim pensava Randolph. De qualquer forma, ele estava fora do cargo de editor de fotografia. Não ficou amargurado ou furioso com a decisão de Sulzberger, que lhe foi transmitida por Catledge - apenas surpreso. Cadedge parecia profundamente constrangido com o incidente. Perguntou a Randolph mais de uma vez se tinha levado outras fotos do casamento ao curral; se tivesse, a escolha então seria deles e Cadedge poderia espalhar a culpa e permitir que seu amigo continuasse no cargo de editor. Randolph, porém, respondeu que apresentara apenas a foto que fora publicada. Estava disposto a assumir toda a responsabilidade. Cadedge garantiu a Randolph que seu salário não seria cortado; ele simplesmente seria transferido como copidesque para a editoria nacional, do outro lado da sala de redação. Havia no jeito de Cadedge um sinal de que cuidaria de Randolph, que se saíra bem, depois que as coisas tivessem esfriado. Dois anos depois, Cadedge soube que uma vaga seria aberta no Departamento de Esportes: o redator da coluna "Bosque, Campo e Rio", que estava nessa função havia dezenove anos, tinha pedido demissão para aceitar um importante posto administrativo num grande balneário das Bahamas. Cadedge pensou então que Randolph poderia assumir a coluna, que trazia consigo um grande orçamento e a liberdade de viajar pelo país para caçar, pescar e escrever sobre isso para o Times. Randolph ficou encantado com a oferta e, se havia algum jornalista ideal para essa missão, era ele: sua coluna logo se tornou uma das mais lidas do jornal. Não era tanto seu conhecimento do campo ou sua experiência de pescador ou caçador que distinguia seu texto; na verdade, era quase o oposto. Randolph não era um grande pescador, nem tinha sorte e, embora fosse bom atirador, não era excepcional. Ele era igual a milhões de outros homens que caçam e pescam simplesmente porque gostam e, em particular, apreciam fugir de uma cidade barulhenta e perambular pelo mato ou relaxar num bote. Eis o início de uma típica coluna de Randolph: O único problema com esta história é que não é uma mentira. Isso é péssimo, porque poderia elevar perceptivelmente o nível lamentável das mentiras de pescador que, tomadas de um modo geral, são coisas insignificantes. Trata-se do único departamento em que a pesca não progrediu. Uma pesquisa realizada por sete doutores de filosofia durante quatro anos e endossada por três bispos provou que nenhuma boa mentira de pescador foi escrita desde Moby Dick... Admitia-se na redação do Times que John Randolph tinha o emprego mais mole do jornal. Era o único pago para se divertir. Suas colunas vinham de lugares ensolarados e quentes no inverno e de lagos refrescantes durante o verão. Nas viagens mais longas e interessantes, costumava levar a esposa, não só porque gostava de sua companhia, mas também porque sem ela ficava quase incapacitado. Atrapalhava-se com a geringonça mais simples, fosse um abridor de latas ou um acendedor, e, às vezes, se enfurecia. Estava sempre distraído, deixando quase todos os chapéus que teve e alguns sobretudos em trens. Fazia buracos de cigarro na maioria de seus ternos, jamais preenchia canhotos de cheques e certa vez, quando estava pescando, sua caixa de apetrechos saiu flutuando e afundou. Dirigia muito mal, por causa de sua distração, e precisava de um motorista e gerente pessoal, funções desempenhadas por sua esposa. Adorava queixar-se dos "rapazinhos da tevê", odiava todos os comerciais, mas ficava hipnotizado diante deles e depois reclamava em voz alta para a mulher: "Jean, não compre isso". Cínico em relação à política, achava que todos os políticos eram corruptos de uma forma ou de outra. Ficava impaciente com teorias e "preciosismo" intelectual, mas admirava com reverência honrarias e pesquisas acadêmicas (um leitor de Oxford era a criatura mais fascinante que podia imaginar) e ficou magoado e desapontado quando sua filha, Belden, que era muito inteligente, ao se eleger para Phi Beta Kappa, não conseguiu tomar posse. Randolph era incapaz de citar cinco bons romancistas ou dramaturgos contemporâneos, mas era fascinado por Shakespeare, Cervantes, Gibbon e Twain. Sua coluna no Times tinha entre seus leitores habituais muitas figuras literárias; uma delas, o romancista Vance Bourjaily, escreveu em um de seus livros que fora pela leitura da coluna de Randolph no Times que "percebi pela primeira vez que é possível escrever sobre caça com inteligência e delicadeza, com igual amor pelos animais caçados e pelas loucuras daqueles entre nós que os caçam". Randolph não sabia nem se importava com o que estava acontecendo na música contemporânea; adorava ópera, Verdi em particular; sempre dizia que queria que tocassem a "Marcha triunfal" da Aída em seu funeral. Não foi atendido. Morreu de câncer no pulmão em 1961, num hospital de Massachusetts. Escrevera a coluna no Times durante cinco anos e logo outro jornalista preencheu seu lugar na página de esportes. Randolph passou as últimas semanas de sua vida sentado numa cama de hospital, mantido vivo por respiração artificial e drogas milagrosas, até que não sobrava mais do que o invólucro seco de um homem. As drogas faziam-no transitar da consciência para a semiconsciência. Falar deixava-o exausto; ouvir, um pouco menos. Então falava pouco e esperava a morte junto com sua família e amigos, mas, a certa altura, olhou para o canto e disse para sua filha: "Belden, pegue meu caniço". Ela teve de dizer que o caniço não estava ali. Ele olhou para ela um pouco confuso e fechou os olhos, mostrando-se extremamente cansado. Depois suas mãos se moveram por trinta segundos talvez, não da maneira aleatória com que os drogados mexem as mãos, e sim com alguma coordenação que, de início, sua filha não entendeu. Então, a repetição de seus movimentos tornou óbvio o que fazia: ele estava lançando o anzol.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Gay Talese foi um muito famoso jornalista do Times de Nova York, que lá pelos anos 70 resolveu expor a falsa moralidade dos americanos e escreveu A Mulher do Próximo, Thy Neighbor's Wife no original. Escreveu, também, o O Reino e O Poder, falando do New York Times. Gay é um dos convidados da Flip que se realizará em Paraty em julho de 2009. Comprei logo seus dois livros mais conhecidos, nos sebos da estantevirtual.com.br


 

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