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Eu Falar Bonito Um Dia

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Eu Falar Bonito Um Dia

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: David Sedaris

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Crônica

Traduzido por: Bruno Gomide

Páginas: 245

Ano de edição: 2008

Peso: 315 g

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Ruim
Marcio Mafra
13/06/2009 às 18:42
Brasília - DF

Todo autor que comparece à Flip tem, pelo menos, um bom trabalho publicado. No caso do David Sedaris deve ter sido o seu livro anterior "De Veludo Cotelê e Jeans", porque as crônicas do "Eu Falar Bonito Um Dia" são um porre do começo ao fim. Tanto a primeira parte do livro, onde as crônicas se situam na juventude do autor, como as escritas na França, onde foi viver com o seu namorado, Hugh Hamrick. São simplesmente chatas, sem graça, chulas e sem originalidade. Não vale a leitura.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Crônicas sobre a vida do autor, quando morava nos EUA, seguidas de outras quando David foi morar na França e escreve sobre dificuldades com o idioma francês.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Meu pai gosta de falar de dinheiro. Gastar não lhe interessa nem um pouco, em especial à medida que envelhece. Ele prefere dinheiro enquanto conceito e com freqüência emprega termos como anuidade ou fiduciário, palavras definitivamente não listadas no dicionário de entretenimento despreocupado. Me dá um sono danado, mas, ainda assim, quando ele fala, finjo escutar, ao menos porque parece a coisa madura a se fazer. Quando meu pai fala de finanças com meu irmão, Paulo corta dizendo: "Que se foda o papo de bolsa, compadre, num tô investindo em merda nenhuma". Isso raramente encerra a palestra sobre economia, mas meu irmão ganha pontos de bônus por externalizar corajosamente seu desinteresse, bem do jeito que meu pai faria se alguém fosse encurralá-lo e falar de budismo ou da volta do tamanco. Os dois são abruptos inapeláveis. É uma qualidade que meu pai admira tanto que é capaz de ignorar a xingação por completo. "Esse Paul", diz ele, "eis aí um cara que sabe se comunicar." Quando as palavras lhe fogem, o Galo é conhecido por se comunicar com os punhos, os quais, embora rápidos e sólidos, não são maiores do que um par de tangerinas. Com um metro e sessenta e cinco, ele é mais baixo do que eu, forte, mas não exatamente intimidante. Quando fez trinta anos, comemoramos o Natal na casa de Lisa, minha irmã mais velha. Paul chegou com umas horas de atraso, com as palmas lanhadas e um olho roxo. Tinha havido algum entrevero num bar, mas os detalhes eram esparsos. "Um merda me disse para sair da porra da frente dele, daí eu disse 'foda-se, cara de porra'." "E depois?" "Depois ele se virou e eu me estiquei e soquei ele atrás da porra do pescoço." "O que aconteceu depois?" "Que porra você acha que aconteceu depois, sacana? Corri feito o diabo e o escroto me alcançou na porra do estacionamento. Era todo parrudo, todo malhado e o caralho. O escroto queria ver sangue e ele arregaçou o meu cu." "Quando ele parou?" Meu irmão tamborilou os dedos na mesa por uns instantes antes de dizer "Imagino que parou quando decidiu parar com a porra" . A dor física havia passado, mas Paul se incomodava que seu rosto estivesse "todo torto e fodido para a porra dos feriados". Isso dito, ele refugiou-se no banheiro com o kit de maquiagem da minha irmã Amy e voltou para a mesa com dois olhos roxos, o segundo desenhado com rímel. Isso parecia agradar-lhe, e ele usou suas equimoses combinadinhas pelo resto da noite. "Você se deu conta daquele olho roxo falso?", perguntou meu pai. "Esse cara devia fazer maquiagem para filmes. Tô dizendo, o garoto é um verdadeiro artista." Diferentemente de nós, o Galo sempre teve o apoio e o incentivo de papai. Com o sonho da faculdade oficialmente morto, ele mandou meu irmão para a escola técnica, esperando que ele pudesse adquirir interesse em computadores. Passadas três semanas do semestre, Paul caiu fora, e meu pai, convencido de que a perícia para cortar grama do meu irmão beirava a genialidade, botou-o no ramo do paisagismo. "Eu o vi em ação, e o que ele faz é estabelecer uma padronagem e botar a mão na massa!" Por fim meu irmão caiu no ramo de lixamento de pisos. Trabalho duro, mas ele desfruta da satisfação que acompanha um salão de jogos bem-acabado. Zeloso, chamou sua firma de Pisos de Madeira do P Bobo. P Bobo é o nome que ele teria escolhido se fosse um astro de rapo. Quando meu pai sugeriu que a palavra bobo poderia afugentar alguns fregueses de classes mais altas, Paul considerou mudar o nome para Pisos de Madeira da Porra do P Bobo. O trabalho o põe em contato com encanadores e carpinteiros de cidades como Bunn e Clayton, homens que dão conselhos de namoro tais como "Se ela tem idade para sangrar, tem idade para dar". "Tem idade para quê?", pergunta o meu pai. "Ah, Paul, esse não é o tipo de gente com que você tem que se juntar. O que você está fazendo com caipiras assim? O objetivo é melhorar. Conheça uns intelectuais. Leia um livro!" Depois de todos esses anos, papai nunca entendeu que nós, seus filhos, tendemos a gravitar exatamente em torno das pessoas sobre as quais ele passou a vida nos alertando. A maioria de nós saiu da cidade, mas meu irmão permanece em Raleigh. Estava lá quando mamãe morreu e ainda, anos depois, continua a ajudar papai a sofrer: "O passado já era, compadre. Do que você precisa agora é uma porra duma xereca". Enquanto eu e minhas irmãs consolamos de longe, Paul é aquele que chega à casa paterna no dia de Ação de Graças oferecendo-se para preparar pratos gregos tradicionais nos trinques. É fato que ele uma vez preparou uma bandeja de torta spanakopita usando o óleo spray Pam no lugar de manteiga derretida. Ainda assim, contudo, pelo menos ele tenta. Quando um furacão fez estragos na casa do meu pai, meu irmão correu até lá com uma grelha a gás, três isopores cheios de cerveja e um enorme Tonel Que-se-Foda - um balde de plástico cheio de balas quebra-queixo e barrinhas de guloseimas. ("Quando uma cagada te deixar triste, é só ligar o 'foda-se' e mandar pra dentro uma porra de doce.") Faltou luz por quase uma semana. O quintal estava praticamente desprovido de árvores, e a chuva passava pelas dezenas de buracos vazados no teto. Foi um período difícil, mas os dois agüentaram firme, com meu irmão pondo sua pequena mão machucada no ombro do meu pai e dizendo: "Sacana, tô aqui pra te dizer que tudo vai dar certo. Vamos sair dessa merda, seu escroto, espera só".


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

David Sedaris era um dos palestrantes da mesa temática "Conversa de Botequim", na Flip de 2008, em Paraty, RJ. Irônico, perspicaz e muito observador, fez muito sucesso e foi aplaudido pelos leitores e jornalistas presentes, por isso comprei o Eu Falar Bonito Um Dia.


 

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