carregando

Aguarde por gentileza.
Isso pode levar alguns segundos...

 

Meio Sol Amarelo

Para usar as funcionalidades você precisa estar logado(a). Clique aqui para logar
Erro ao processar sua requisição, tente novamente em alguns minutos.
Meio Sol Amarelo

Livro Bom - 1 comentário

  • Leram
    1
  • Vão ler
    0
  • Abandonaram
    0
  • Recomendam
    0

Autor: Chimamanda Ngozi Adichie

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Beth Vieira

Páginas: 502

Ano de edição: 2008

Peso: 770 g

Avalie e comente
  • lido
  • lendo
  • re-lendo
  • recomendar

 

Bom
Marcio Mafra
06/06/2009 às 15:49
Brasília - DF

O título que Adichie adotou para seu livro é uma alusão à bandeira de um país que não conseguiu sua independência, mesmo com a guerra civil. Meio, no sentido de medida, de metade. A guerra civil da Nigéria, também chamada guerra de Biafra, é muito recente e durou mais de cinco anos, de 1967 à 1971. Neste cenário dantesco de miséria, injustiça, vilania, morte e traições a autora espalha suas duas personagens principais do Meio Sol Amarelo, irmãs gêmeas, Olanna e Kainene, membros de uma família rica e importante da elite da Nigéria, que vão para a cidade de Nsukka. Como numa saga, entram mais e mais personagens, um criado, quase escravo, um jornalista inglês, um revolucionário nigeriano, militares e muitos membros dos governos. A história navega pelos conflitos pessoais e de estado, que acabou por matar mais de um milhão de pessoas não só pelas ações bélicas propriamente ditas, mas também pela fome e pelas doenças. O romance, por vezes fica meio confuso, porque se centra mais na guerra, trazendo o caos, passado e atual, a nação, a lealdade e a traição para a discussão dos personagens, e por outras vezes, foca mais o drama pessoal dos personagens, tratando sobre questões de amor, emoções, desejos e atribuições. Vale a historia mais destreza da autora que consegue mesclar ficção e verdade. O final é pobre, talvez triste, assim como é pobre e triste o resultado de uma guerra.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A saga de Olanna, Odenigbo, seu criado Ugwu, e Kainene - irmã gêmea de Olanna - com seu amante o jornalista inglês Richard Churchill, durante a guerra da Nigéria, em meio às injustiças, misérias, egoísmos e grandezas humanas.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Na tarde seguinte, Richard sentou-se na cama, nu, olhando para Kainene. Acabara de fracassar de novo. "Desculpe. Acho que eu fico excitado demais", disse ele. "Quer me passar um cigarro?", pediu ela. O lençol sedoso salientava a magreza angulosa de seu corpo nu. Ele acendeu para ela. Ela sentou na cama, os bicos escuros dos seios retesados com o frio do ar-condicionado, e virou a cabeça, ao soltar a fumaça. "Vamos dar um tempo", disse ela. "E há outras maneiras." Richard sentiu uma rápida onda de irritação contra si, por aquela inutilidade molenga, e contra ela, por aquele sorriso semizombeteiro e por dizer que havia outras maneiras, como se ele fosse permanentemente incapaz de fazer as coisas do modo tradicional. Ele sabia o que podia ou não fazer. Sabia que podia satisfazê-la. Só precisava de tempo. Mas já começava a pensar em certas ervas, ervas poderosas para a masculinidade, sobre as quais se lembrava de ter lido em algum lugar, e que os homens africanos tomavam. "Nsukka é um pequeno trecho de poeira no meio do sertão, a terra mais barata que eles puderam comprar para construir a universidade", disse Kainene. Era espantosa a facilidade com que mergulhava numa conversa mundana. "Mas talvez seja perfeita para você escrever seu livro, não acha?" "E." ''Você pode gostar e resolver ficar." "Posso." Richard entrou de novo debaixo do lençol. "Mas o que me agrada mesmo é que você vai estar em Port Harcourt, e eu não terei de vir até Lagos para a gente se ver." Kainene não disse nada, fumando com tragadas uniformes, e, por um momento aterrador, ele se perguntou se ela não estaria prestes a dizer que pretendia acabar com tudo assim que deixasse Lagos, e que, em Port Harcourt, encontraria um homem capaz de desempenhar. "Minha casa vai ser perfeita para os nossos fins de semana", disse ela, por fim. "É monstruosa. Meu pai me deu no ano passado, como parte do dote, acho eu, um chamariz para o tipo certo de homem querer se casar com a filha feia. Tremendamente europeu, pensando bem, já que nós não temos dotes, temos só o preço da noiva." Ela apagou o cigarro. Ainda não tinha terminado de fumar. "Olanna disse que não queria uma casa. Não que ela precise de uma. Guarde as casas para a filha feia." "Não diga isso, Kainene." "Não diga isso, Kainene", imitou-o Kainene, se levantando. Ele queria puxá-la de volta para a cama. Mas não se mexeu; não dava para confiar em seu corpo e não agüentaria decepcioná-la de novo. Às vezes, achava que não sabia nada sobre ela, e que nunca seria capaz de entendê-la. Entretanto, outras vezes, deitado a seu lado, tinha a sensação de estar inteiro e a certeza de que jamais sentiria falta de mais nada. "Por falar nisso, pedi a Olanna para apresentá-lo a seu amante revolucionário", disse Kainene. Ela arrancou a peruca e, com seu cabelo curtinho todo trançado, o rosto parecia mais jovem, menor. "Ela namorava um príncipe hauçá, um sujeito meigo e agradável, só que ele não tinha nenhuma das ilusões amalucadas dela. E esse Odenigbo se vê como o próprio freedom fighter. Ele é matemático mas passa o tempo todo escrevendo artigos para os jornais, falando sobre sua própria marca mal-costurada de socialismo africano. Olanna adora isso. Eles não parecem perceber a piada que é o socialismo, no fundo." Ela pôs a peruca de volta e começou a escová-la; o cabelo encaracolado, repartido no meio, ia até o queixo. Richard gostava das linhas limpas de seu corpo esguio, da magreza do braço erguido. "O socialismo até que poderia funcionar na Nigéria, se fosse feito da maneira correta, acho", disse ele. "No fundo é tudo uma questão de justiça econômica, certo?" Kainene bufou. "O socialismo jamais funcionaria com o povo ibo." Ela manteve a escova suspensa no ar. "Ogbenyealu é um nome muito comum para meninas, e sabe o que quer dizer? 'Para Que Não Se Case com Homem Pobre.' Carimbar isso numa criança na hora em que nasce é capitalismo com C maiúsculo." Richard riu e achou ainda mais divertido porque ela não riu; simplesmente voltou a escovar o cabelo. Ele pensou na próxima vez em que daria risada com ela, e na seguinte. Pegava-se pensando com freqüência no futuro, mesmo antes de o presente terminar. Levantou-se e sentiu-se tímido quando ela olhou para seu corpo nu. Talvez a falta de expressão no rosto de Kainene servisse para esconder sua repugnância. Richard vestiu a cueca e abotoou a camisa às pressas. "Eu deixei a Susan", falou sem pensar. "Estou na pensão Princewill, em Ikeja. Vou pegar o resto das minhas coisas na casa dela antes de ir para Nsukka." Kainene o encarou e ele viu surpresa em seu rosto, depois algo mais, mas não tinha muita certeza do que era. Seria espanto? "Na verdade, nós nunca tivemos um relacionamento de fato", disse ele. Não queria que ela pensasse que tinha feito isso por sua causa, não queria que ela começasse a se fazer perguntas sobre o relacionamento deles. Não ainda. "Você vai precisar de um empregado", disse ela. "O quê?" "Um empregado em Nsukka. Vai precisar de alguém para lavar sua roupa e limpar a casa." Ele ficou momentaneamente confuso com a falta de lógica no diálogo...." "Um empregado? Eu me viro muito bem sozinho. Já vivi sozinho muito tempo." "Vou pedir a Olanna para encontrar alguém", disse Kainene. Puxou um cigarro da cigarreira, mas não acendeu. Pôs o cigarro na mesa-de-cabeceira e foi abraçá-la, um aperto trêmulo dos braços. Richard ficou tão surpreso que não a abraçou de volta. Ela nunca se aproximara tanto assim dele, a menos que estivessem na cama. Só que também não parecia saber o que fazer do abraço, porque recuou rápido e acendeu o cigarro. Ele pensava nesse abraço com freqüência, e, a cada vez, tinha a sensação de uma muralha desabando.


Nenhuma informação foi cadastrada até o momento.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Na Flip de 2008, em Paraty, no Rio de Janeiro, a primeira mesa de escritores, sob o tema Guerra e Paz, começou com dois africanos, o angolano Pepetela e a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Eles explicaram como as guerras, guerrilhas e violência influenciaram a literatura africana. Não havia como não comprar o livro da encantadora Adichie.


 

Receber nossos informativos

Siga-nos:

Baixe nosso aplicativo

Livronautas
Copyright © 2011-2019
Todos os direitos reservados.