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Mongólia

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Mongólia

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Bernardo Carvalho

Editora: Companhia das Letras

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 187

Ano de edição: 2005

Peso: 280 g

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Ruim
Marcio Mafra
06/06/2009 às 15:36
Brasília - DF

Bernardo Carvalho, festejado guru da literatura brasileira dos anos 90, escreveu diversos livros, entre eles "O Sol se Põe em S.Paulo" que é um livro complicadinho e muito chato, porque livro não é coisa de intelectual, artista, filósofo ou correlatos. Livro é coisa de leitor. Assim, tem autor que escreve pelo prazer de escrever bonito. Geralmente, vira uma merda, ainda que um grande sucesso de crítica. Mongólia é assim. Aliás, Mangólia tem a mesma estrutura ficcional do romance Nove Noites, também do Bernardo Carvalho. Em Nove Noite o autor conta a história de um antropólogo que se enforcou durante uma viagem pelo “interiorzão” do Brasil. Este enforcamento corre paralelamente à vida de um menino se transformou num escritor e que escreve uma história onde reconstrói a trajetória ou o caminho que o antropólogo palmilhou na ocasião de seu suicídio. Mangólia é parecido. Um fotógrafo, por motivos excêntricos some na Mangólia, nos confins da China. Esta história está umbilicalmente ligada à história de um diplomata, servidor quase rebelde do Itamaraty, que - contra a sua vontade - foi designado para descobrir o paradeiro do fotógrafo. No meio do caminho não tinha uma pedra, mas tinham diários. Ambos os personagens - o diplomata e o fotógrafo - como menininhos pré-adolescentes tinham o hábito de anotar tudo no "meu querido diário". Os diários constituem-se em argumentos mais que suficiente para a imaginação do Bernardo Carvalho, misturar e tirar diversos coelhos dessa cartola. A leitura não flui porque é entremeada por uma complexa combinação de nomadismo, budismo e comunismo, alternando tempestades de areia e de neve. O autor é muito mais que bom. Ruim é a história de Mongólia. Se a história não é boa, o livro também não é.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de um jovem fotógrafo que se perdeu, ou fugiu, para a Mangólia, ligada na história de um diplomata, funcionário do Itamaraty, que - contra a sua vontade - foi designado para descobrir o seu paradeiro, nos confins da China. Ambos deixaram um diário

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A repressão recrudesceu em 1935. Houve novas prisões, novas execuções e novas deportações para a Sibéria. Em 1937, os comunistas fizeram um banho de sangue. No total, segundo Ganbold, cerca de trinta mil lamas foram presos pela polícia secreta, executados sumariamente ou enviados para campos na Sibéria, onde desapareceram para sempre. Setecentos e cinqüenta mosteiros foram pilhados, queimados e demolidos. Apenas os monges mais jovens, e de baixo escalão, foram poupados. No auge da repressão, os grandes lamas de Teriatiin Khuree e da região foram confinados, às centenas, no templo de Buyandelgeruulekh, em Tsetserleg, segunda cidade mais importante do centro do país, depois de Ulaanbaatar, e morreram sufocados ou pisoteados uns pelos outros. Teria sido o destino provável de Dorj Khamba, de Ariin Khuree, se não tivesse conseguido escapar na primavera de 1937, seguindo até Gobi-Altai, onde Suren, a jovem monja que ele havia possuído três anos antes, o guiou pelo deserto e pelas montanhas, para fora do país. A monja careca não entrou em detalhes sobre o reencontro entre o velho lama em fuga e a gelemma que lhe servira de instrumento sexual no seu caminho para a iluminação em Ariin Khuree. Também não conhecia o percurso que fizeram até a fronteira com a China e que teria se mantido secreto por razões óbvias, de segurança. Sabia apenas que Suren vinha dos arredores de T6gr6k, nos montes Altai, no limite do deserto, e supunha que Dorj Khamba a tivesse encontrado por aqueles lados. Afinal, ela nunca o tinha visto, propriamente falando, embora tivesse sido possuída por ele. Mas o principal, como era típico entre os mongóis, a monja careca deixou para contar por último. No meio do caminho, guiado pela ex-gelemma entre as montanhas e o deserto, o velho lama teria tido uma visão: Narkhajid lhe aparecera para revelar que a repressão comunista nunca conseguiria acabar com o budismo na Mongólia. A força não seria capaz de destruir a religião. Em algum lugar entre os montes Altai, o deserto e a fronteira da China, a deusa vermelha que bebe sangue teria revelado ao monge a única coisa capaz de varrer o budismo da face da Terra, o verdadeiro inimigo e o ponto fraco da religião, o que devia ser mais temido, evitado e combatido, o antídoto do budismo, o Antibuda. A revelação, assim como o exato local em que ela ocorrera, teria sido transcrita pelo velho lama e entregue a alguém de sua confiança, talvez um monge de algum mosteiro da região, e mantida em segredo por todos esses anos. Foi só o que disse a monja careca de Narkhajid Süm antes de desaparecer de novo, como havia aparecido, sem explicar como conhecia a história, correndo para dentro do prédio em construção. Ganbold não podia dizer ao certo em que momento a idéia tomou conta do rapaz brasileiro. O fato é que, dois dias depois de ouvir a história de Suren e Dorj Khamba, ele já tinha mudado de planos e tentava convencer Ganbold a levá-lo aos montes Altai. Estava obcecado pela idéia de descobrir e fotografar o lugar exato em que o velho lama teria visto o Antibuda, em 1937, enquanto tentava fugir dos comunistas. Achava que podia fazer um livro com uma série de fotos de paisagens. Já tinha até o título - O Antibuda, justamente -, mas nenhuma outra pista além do que dissera a monja. Foi quando os dois se desentenderam. Ganbold se recusou a compartilhar do delírio infantil do brasileiro e o obrigou a cumprir o que estava programado. Acompanhou-o até o aeroporto e o deixou na fila do controle de passaportes, depois de já terem despachado as malas. Saiu dali desonerado. Não podia imaginar que o rapaz não tivesse tomado o avião. E, quando descobriu, já era tarde. Ele estava indo para Gobi-Altai com Purevbaatar. "Nós procuramos por todo o museu nem que fosse uma referência, uma foto que nos comprovasse a existência de Dorj Khamba e a veracidade da história que a monja nos contou. Mas não achamos nada. Não há nenhum vestígio de nenhum Dorj Khamba em lugar nenhum", disse Ganbold ao Ocidental, quando já saíam do Museu em Memória das Vítimas da Perseguição Política. Ganbold o acompanhou até o cibercafé que agora era mantido no térreo da sede do antigo Partido Comunista, ao lado do hotel, onde se despediram. O Ocidental disse que precisava abrir seus e-mails, queria ver se havia alguma mensagem, mas no fundo tinha outras prioridades. Começou naquela mesma tarde uma pesquisa sobre as origens e os significados de Narkhajid. E, no final do dia seguinte, já tinha descoberto que a deusa vermelha era uma variação de um mito feminino do hinduísmo tântrico, que por sua vez fora apropriado pelo budismo tibetano, provavelmente a partir do século VII, e associado a traços do xamanismo e do animismo locais, sobretudo no que se refere aos aspectos demoníacos. Na verdade, a única coisa que encontrou sobre Narkhajid propriamente dita foi uma foto do mosteiro de Ulaanbaatar. Demorou a entender que a deusa tinha outros nomes. A maior dificuldade era a variedade de versões e de iconografia. Desviou a sua busca para sites budistas e aí, aos poucos, por associação de imagens, descobriu um parentesco entre ela e as dez Mahavidyas, ou divindades femininas do hinduísmo tântrico. Narkhajid era uma variação e um desdobramento da deusa autodecapitada Chinnamasta ou Chinnamunda. E no budismo tibetano dos kagyupa era chamada de Vajrayogini. Não dava para saber ao certo qual das representações tinha dado origem à outra. Narkhajid não era precisamente uma deusa, mas uma entidade e um meio para atingir a iluminação, um instrumento da prática iogue. Simbolizava o autocontrole e a repressão da energia sexual para convertê-la em meio de alcançar o Nirvana ou na concentração e auto-anulação necessárias ao guerreiro às vésperas da batalha. Nela, o sexo estava ligado à morte; a criação e a destruição eram uma coisa só. A morte alimentava a vida. O culto de Narkhajid era considerado perigoso e envolvia a prática sexual. Mais que uma deusa, e como tudo no budismo, ela era uma projeção da mente humana.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Ali por abril ou maio, pouco antes da Flip 2007, dez entre dez jornais festejavam o Bernardo Carvalho. Alguns chegaram a dizer que "Bernardo Carvalho" deveria ser declarado o melhor escritor brasileiro da atualidade. Tremeu o céu, a terra e o inferno, além do purgatório, em dezenas de mausoléus de famosos membros da Academia Brasileira de Letras. Quem disse isso foi um cara chamado Lucas Murtinho, comentarista do Blog "Bonjour La France". Durante o tempo que precede a Flip, assim como o tempo em que ela se realiza, leitores são acometidos de literatice, virose que os deixam abestalhados e intoxicados, sujeitando-os ao amolecimento cerebral, podendo advir sérias conseqüências do tipo quebra, arqueamento ou rachaduras da conta corrente e do cartão de crédito. Esta virose provocou a compra de três títulos do festejado autor, que, surpreendentemente não foi à Flip.


 

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