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A Eternidade e o Desejo

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A Eternidade e o Desejo

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Autor: Inês Pedrosa

Editora: Britannica

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 177

Ano de edição: 2008

Peso: 325 g

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Bom
Marcio Mafra
05/06/2009 às 15:24
Brasília - DF

A Eternidade e o Desejo é livro absolutamente inédito na sua arquitetura. A Inês Barbosa, narrando na primeira pessoa, propositadamente mistura ficção e autobiografia. Neste sentido o efeito é bom. Inês desenvolve sua história de paixão. Amor e desejo por seu amigo Sebastião, através de um roteiro que incluiu a visita a igrejas e museus da cidade de Salvador. Nesse ponto a autora imprime outra força à narrativa. Essa força, trajada de estranho viés, pretensiosamente cultural ou intelectual é representada por enormes citações dos famosos, porém antiguíssimos sermões que o Padre Antônio Vieira, vociferava nos púlpitos das igrejas da Bahia. Nada mais desatualizado, nem despropositado. Foi uma forçação de barra, como se o leitor tivesse vivido no tempo do Brasil-Colônia. A história perde o rumo na entrada de personagens como Emanuel ou das descrições de igrejas históricas e cultos de religiões afro descendentes. Fica a sensação de escritor estreante, imaturo. Sobra verborragia, falta objetividade e emoção. É uma leitura tosca, inclusive com a mistura da escrita de Portugal com a do Brasil. Isso pode ser bonitinho graficamente. Para o leitor é uma chateação.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história de Clara, professora portuguesa, atingida por tiros, em Salvador, Bahia, que eram dirigidos contra o homem que estava em sua companhia. Ficou cega. Retorna a Portugal e volta, anos depois, em companhia de Sebastião, amigo que lhe empresta a visão, e por quem se apaixona....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Tenho uma história para te contar, Clara. Não sei porque te quero contar esta história, talvez alimente a esperança de te seduzir através de um enredo. Nunca tive de trabalhar para seduzir ninguém, Clara, não sei como se faz. Sinto-me A Mulher Que Escreveu a Bíblia criada pelo Moacyr Scliar, conheces? Não? Vitória. Finalmente consigo ganhar-te um ponto, um livro que tu não leste - tu, a anticompetitiva, a rapariga indiferente a estatutos que não perde uma oportunidade de exibir uma leitura a mais. Ou pensas que o meu amor por ti me impede de ver os teus defeitos? Amo-te prega a prega, amo o teu mau humor como o teu riso, as tuas apatias e entusiasmos, o teu corpo desmoronado pelo cansaço, amo as tuas falhas e as tuas injustiças - falas tanto de eternidade e nem percebes que é este o amor eterno, o amor que não cede às fendas, aos detritos, aos buracos do tempo. Pois a tal mulher do romance do Scliar era feia como uma trovoada e apaixonou-se pelo rei Salomão, que nem olhava para ela. Possuía, porém, o dom da escrita, e arranjou maneira de o seduzir através da narrativa sagrada, que escreveu com todo o fogo da sua exaltação erótica. Mas eu não tenho o dom dessa mulher, e tu, como o rei Salomão, és mais sensível ao toque do texto do que à aventura da história. Nem sei se é uma história, o que tenho para te contar. É uma coisa. Um momento objecto. Um episódio que recordo como completamente íntimo e completamente exterior. Eu estava lá e não era eu. Deixara de saber quem era eu. Não sei se te conte. Insistes. Repito que não sei se te conte para que tu insistas. Perguntas-me se é um segredo, respondo-te que mais ou menos. Ris-te. Dizes que és toda ouvidos para o mais ou menos. Na noite do meu doutoramento organizei uma grande festa num hotel sobre a praia, a cinquenta quilómetros de Lisboa. Separara-me há pouco tempo, mas fiquei amigo da minha ex, e ela também foi. Por isso evitei contactos visíveis com a namoradita que tinha na altura. Uma ex-aluna, apostas - e apostas bem, Clara. A irresistível atracção pelo embasbacamento da juventude, aqueles olhos que aterram sobre nós como se possuíssemos a verdade e a luz, sem perguntar nada, sem exigir nada. E também o inebriante perfume da carne fresca - que julgamos poder contagiar-nos, mas que só acentuará o cravo de melancolia no nosso corpo já puído pelos anos. Contra-atacas de imediato, cáustica: - Oh, puidíssimo, sem dúvida. Vais continuar à pesca de elogios, ou vais deixar-te dessas banalidades - sem dúvida inebriantes - e contar a história? Claríssima, querida, nem sei porque insisto neste jogo de sedução tão infantil, tão desesperado - quero-te demasiado. Devia querer-te menos para que me quisesses alguma coisa. Mas não sei. Pensei que se te mostrasse a minha alma, a fragilidade dessa maquineta invisível que nos move o corpo, talvez... Mas não sei. - Conta - ordenas-me. - Deixa-te de merdas e conta, Sebastião. Conto-te. A jovem procurou-me no meu quarto. Depois de fazer amor com ela senti de súbito uma vontade fortíssima de possuir uma outra, uma professora convidada, mais velha do que eu, que conhecera há dias. Não gostarás do verbo possuir, bem sei, mas é aquele que melhor define o meu ímpeto daquela noite. De facto, percebera que ela também se sentia muito atraída por mim. Deixei a minha namorada a dormir e fui ter com essa outra. Era como se tentasse saturar-me de corpos de mulher. Desaparecer no fundo delas. Fazer com que elas desaparecessem no fundo de mim. Provar que era o maior garanhão do mundo. Sei lá o que é que eu queria, Clara. A professora abriu-me a porta, levou-me para a cama, e foi uma noite de sexo absolutamente sublime


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Inês Pedrosa era uma das convidadas da Flip 2008. Generosamente saudada pela critica, leitores e flipianos em geral, como jovem e promissora escritora portuguesa. Impossível não comprar o seu livro.


 

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