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Os Irmãos Karamabloch

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Os Irmãos Karamabloch

Livro Ótimo - 1 opinião

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Autor: Arnaldo Bloch

Editora: Bloch

Assunto: Memórias

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 339

Ano de edição: 2008

Peso: 570 g

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Ótimo
Marcio Mafra
31/05/2009 às 15:08
Brasília - DF

O autor trabalhou Na revista Manchete durante seis anos, de 87 à 93, quando a empresa de sua família já andava mal das pernas. Nessa ocasião ele foi trabalhar npo jornal O Globo. A vida de qualquer um dos Bloch daria um livro. O titulo que o autor adotou para seu livro "Os Irmãos Karamabloch" era a maneira cômica e carinhosa como o jornalista Otto Lara Resende se referia aos imperadores da familia Manchete. A figura maior de toda a familia é Adolpho Bloch. O livro é escrito de forma muito criativa e inteligente, mas por vezes a narrativa se mostra crua e nua quando relata as fraquezas e os negócios escusos de alguns familiares. Dos três importantes imperadores da mídia brasileira, sobre os quais já se escreveu biografia ou as memórias - Roberto Marinho, Assis Chateaubriand, Arnaldo Bloch - Os Irmãos Karamabloch é, de longe, o melhor livro, porque além de mais verdadeiro, é menos fantasioso que os demais. Talvez, menos mentiroso.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da ascensão e queda do império da família Bloch, judeus ucranianos que disputaram a hegemonia da comunicação com outros dois reis, Assis Chateaubriand e Roberto Marinho. Os Bloch foram uma potência gráfica, jornalística e editorial com a Revista Manchete, A Radio Manchete e a Editora Manchete. Adolpho Bloch foi o seu maior personagem.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

 A primeira edição anunciava um olimpo de repórteres e colaboradores, em que reinavam semideuses das letras como Rubem Braga, Otto Maria Carpeaux, Antonio Callado, Joel Silveira, Orígenes Lessa, Marques Rebelo, Manuel Bandeira, Cyro dos Anjos, Lygia Fagundes e toda a mineirada de primeira linha (Drummond, Sabino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara). O próprio Drummond escrevia na estréia, e o crítico de arte Pietro Maria Bardi aprontava um barraco ao dizer que a maior obra-prima da arte moderna era um quadro do poeta Menotti del Picchia.
No corpo de reportagem, o respeitadíssimo fotógrafo Jean Manzon, em parceria com Rui Pena, acompanhava a rotina do Congresso e o desencanto do "zé-povinho" quando ia à casa legislativa pedir por seu futuro. Na abertura do texto, uma advertência: "O pior Congresso é melhor que nenhum".
Ao lado do expediente, num editorial intitulado "Um momento, leitor" e assinado "A diretoria" (leia-se Adolpho), é anunciado o paradigma editorial que orientaria as décadas seguintes: "Em todos os números daremos páginas em cores, para que essas cores se ponham sistematicamente a serviço da beleza do Brasil e das manifestações de seu progresso".
Ao folhear o número 1, o Zeide, já bem doente, gostou dessa profusão de cores brotando da névoa de preto-e-branco.
"Uma beleza."
É o que se podia dizer também da capa da segunda edição, tão bela quanto distante dos fatos: o perfil de um papagaio em plano fechado, sob o título "Os bichos também choram". Dentro, um longo ensaio fotográfico do mesmo Manzon trazia lágrimas de crocodilos, cobras em pranto e hipopótamos em crise existencial, entre demais agruras da alma animal.
A edição seguinte, cuja capa era ilustrada com razoável grau de cafonice belissimamente impressa, trazia como chamada principal "Uma fantasia de cores", que correspondia a um ensaio de poucas linhas sobre os "Sonhos de uma noite de verão" e uma batelada de desenhos. Na seqüência, Manchete foi aparecendo nas bancas com atrações tais como o fardão de Oswaldo Cruz, as lembranças de carreira de Maria della Costa, a evolução da saia rodada para o biquíni em alternância com o talento dos cronistas.
Tanta beleza e leveza, contudo, nem de longe faziam frente às enxurradas de O Cruzeiro nas bancas e a sua proporção de anúncios. Se, por um lado, Manchete se impunha como um fato de mercado, nem por isso provocava filas ou enchia o cofre. Os encalhes, necessários para a revista se fazer mais conhecida, se acumulavam com o passar dos meses, mas o corpo da revista não engrossava em publicidade e mesmo as colaborações de peso começavam a rarear.
De forma que, lá pelo número 17, um Bóris renascido das cinzas irrompeu no mezanino da Frei Caneca: "Adolpho, você está demitido!".
O caçula encarou-o com o olho que precedia os grandes acessos, mas o jerico não se intimidou e mandou chumbo grosso.
"Não era nem para você ter nascido."
Adolpho despencou-lhe em cima e, com as mãos em gancho, visou a jugular. Do pátio da oficina os funcionários assistiam, paralisados, ao embate na diretoria.
"Sou seu irmão!", implorou Bóris, quando o ar começou a faltar.
Arnaldo veio em socorro, escorregou, bateu com o ombro na quina de uma mesa. De súbito, Adolpho largou a garganta, enojado da carne mole e fria, úmida e peluda, como a de uma galinha velha. Correu para o banheiro e vomitou o almoço.
"Bóris morreu!", gritaram.
Mas quem estava mesmo para morrer, já instalado no leito da Cinco de Julho, era o patriarca, que da confusão nada sabia. À véspera do passamento, anunciado para a primeira quinzena de fevereiro de 1953, os três varões e o sobrinho Oscar, que já despontava na diretoria, levaram-lhe o caderno central da edição seguinte de Manchete, que ainda estava sendo impressa.
Na mesma edição, Henrique Pongetti (que passara a assinar todos os editoriais que abriam a revista) de última hora escreveu um emocionado necrológio, em que citava a casa da Cinco de Julho como coração da família. Segundo Pongetti, Joseph, em vez de morrer, "parava".
Homens de trabalho como ele, que viveu muito tempo para ter tempo de realizar uma porção de coisas, não morrem: param. Parar é exato. Não se diz que morreu uma velha máquina gasta nas suas peças essenciais. Parou.


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Arnaldo Bloch é um dos convidados para a Flip 2009. Ele participa da mesa 3, com Tatiana Salem Levy e Sérgio Rodrigues com o tema Verdades Inventadas. Por isso comprei Os Irmãos Karamabloch, seu último e mais significativo livro.


 

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