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A Pornografia

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Livro Bom - 1 comentário

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Autor: Witold Gombrowicz

Editora: Nova Fronteira

Assunto: Romance

Traduzido por: Tati Moraes

Páginas: 236

Ano de edição: 1986

Peso: 280 g

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Bom
Marcio Mafra
30/05/2009 às 14:36
Brasília - DF

Este é um livro bom, mas é chato. Chato porque o autor é o principal personagem e narrador da história, o que sempre leva à confusão do que é ficção, delírio e realidade. Gombrowicz lida com as angústias e as inseguranças próprias da imaturidade e da adolescência. Contrapõe com a maturidade, malicia, existencialismo e sensualidade de adultos e mistura tudo, com pinceladas elegantes, e o purismo idílico da sociedade provinciana e rural do interior de seus país, a Polônia, onde ele, Witold Gombrowicz, tinha vivido antes de sua viagem para a América do Sul. As "vozes" da narrativa parecem que são de plástico, mas, paradoxalmente, têm o tom da carne, da sensualidade, da expressão facial e corporal, que por vezes acabam por ironizar e decompor o personagem, enquanto por outras são puras, compreensivas e generosas. O final do romance é surpreendente, de inesperada, mas compreensível guinada. O livro não tem nada de pornográfico como sugere o seu título, mas também não tem nada de cândido, puro, nem de leveza, ao contrário, a história se desenvolve com num viés passional duro e cru, ainda que bucólico. Mais parece uma história de nonsense de Kafkiniana.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A historia de Witold e Fryderik, dois amigos adultos, solteiros, que fazem uma viagem à zona rural, no interior da Polônia, no ano de 1943, no tempo da ocupação alemã. Eles visitam o casal de namorados, jovens e adolescentes, Karol e Henia e vão em busca de.....

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

No dia seguinte, Siemian compareceu ao almoço. Eu tinha acordado tarde e, quando desci, os outros estavam se sentando à mesa - foi o momento que Siemian escolheu para aparecer, de barba feita, perfumado e com os cabelos besuntados de pomada, um lenço no bolsinho do paletó. A aparição de um cadáver - não estávamos nós empenhados em matá-lo naqueles dois últimos longos dias? Entretanto, o cadáver com a graça e a desenvoltura de um oficial de cavalaria, beijou a mão da dona da casa e, tendo cumprimentado todo o mundo, começou a explicar que "a indisposição", que o retivera no quarto, quase desaparecera, que se sentia melhor, que estava farto de mofar sozinho no quarto quando "toda a família está reunida aqui". Hippo, pessoalmente, puxou-lhe uma cadeira, colocou-se um talher para ele, nossa cortesia voltou inalterada, e ele se sentou à mesa - tão superior e dominador como na noite de sua chegada. Trouxeram a sopa. Ele pediu um copo de vodca. Devia estar fazendo um esforço considerável: sua fala era cadavérica, seu mastigar cadavérico, seu beber cadavérico, arrancados com violência da sua onipotente apatia. "Ainda não tenho muito apetite, mas... Um pouco de sopa. Mais um copinho de vodca, se me permitem." Aquela refeição confusa, trespassada por um impulso subjacente, cheia de crescendos indomáveis e de significados opostos, ininteligível como um texto rebatido sobre outro texto! Alberto em seu lugar ao lado de Hênia - e sem dúvida ele devia ter conversado com ela e tê-la "conquistado pelo respeito", pois ambos se tratavam com as mais delicadas atenções, ela enobrecida e ele enobrecido, ambos nobres. Quanto a Frederico, mostrava-se como de costume conversador e atencioso, mas nitidamente empurrado para o segundo plano por Siemian que, imperceptivelmente, impunha a sua presença. Sim, bem mais do que quando da sua primeira aparição, sentíamo-nos dominados pela obediência e reduzidos a acolher com uma espécie de tensão interior o menor desejo que lhe ocorria como uma oração, mas ecoava em nossos ouvidos como uma ordem. Ciente de que era a sua angústia, que, por medo, se revestia de sua antiga superioridade, que estava morta e bem morta, eu observava aquele espetáculo como uma grande farsa! No começo, ele disfarçou seu estado de espírito sob uma simplicidade de oficial folgazão, um pouco temerário, mas logo seu azedume começou a ressudar por todos os poros, seu azedume e também a fria, apática indiferença, que eu já lhe notara na véspera. Sua fisionomia entristecia e enfeava a olhos vistos. Sentia erguer-se em seu íntimo uma contradição insuportável quando, movido pelo medo, tentava se reencarnar perante nós no antigo Siemian, que deixara de existir, temendo-o ainda mais do que a nós - o antigo Siemian, que não cabia mais na sua medida, "perigoso", habituado a dar ordens, a se servir dos homens, a fazê-los matarem-se uns aos outros. "Passe-me, por obséquio, esse limãozinho... Oh, obrigado!" - isso tinha uma ressonância familiar, um pouco bonacheirona e inofensiva - mas era agressivo e permeado, nas profundezas, de desrespeito pela existência alheia, e ele sentia seu medo transformar-se em algo aterrador. Eu sabia que Frederico devia estar especialmente receptivo a esse crescimento do pavor e do terror. Mas o jogo de Siemian nunca se teria tornado tão impetuoso se Karol, da outra ponta da mesa, não se houvesse unido a ele e não oferecesse à superioridade de Siemian o penhor de toda a sua pessoa. Karol tomava sua sopa, passava manteiga no seu pão - mas Siemian, instantaneamente, da mesma forma que na primeira noite, exercia sobre ele a sua influência. O rapaz sentia-se de novo sob o poder de um chefe. Suas mãos se tornaram militares, eficazes. Todo o seu ser imaturo se entregara de confiança nas mãos do chefe, num ato de dom e submissão - e se ele comia, era para servi-lo, se passava manteiga no pão, era com seu consentimento, e de pronto sua cabeça se submetera a Siemian pelos seus cabelos cortados rente, com um leve frisado acima da testa. Para tanto, ele não necessitara de palavras - simplesmente tornara-se assim - como quem muda sob uma outra claridade. Talvez Siemian não tivesse percebido imediatamente, mas aos poucos estabelecera-se entre ele e o rapaz uma ligação particular e aquela densa nuvem negra agressiva, carregada de soberania (que não mais era senão simulada), começou a procurar Karol para concentrar-se nele. Alberto assistia a isso, um Alberto sentado ao lado de Hênia, devidamente nobre. Um Alberto imbuído de justiça, exigindo amor e virtude. Fitava o chefe tornar-se mais sombrio pelo rapaz, o rapaz - pelo chefe. Ele, Alberto, devia obscuramente sentir que essa aliança cheia de animosidade se voltara antes de mais nada contra o respeito que defendia e que o defendia, pois o que nascia entre o rapaz e o chefe não era senão o desprezo, e sobretudo o desprezo pela morte. Se o rapaz se oferecia de corpo e alma ao chefe, à vida e à morte, não era porque o outro não temia morrer nem matar - o que lhe permitia dominar os outros? Aquele desprezo pela vida e pela morte arrastava atrás de si todas as outras possibilidades de depreciação, oceanos inteiros de desvalorização. E. a capacidade do desprezo do adolescente aliava-se à displicência superior e lúgubre do chefe - eles se afirmavam de forma recíproca, nenhum dos dois temendo a dor nem a morte, um por ser jovem, o outro por ser chefe. A situação era ainda mais tensa por repousar sobre dados artificiais - os fenômenos provocados artificialmente são sempre mais desenfreados -, pois Siemian não fazia mais do que representar - por medo e pelo desejo de escapar da morte. - O papel do chefe glorioso de outrora. E esse papel, que o adolescente transformava em verdade fazia-o sufocar, aterrorizava-o Frederico devia estar sensível (disso eu tinha certeza) ao violento acréscimo de tensão entre aquelas três pessoas, Siemian, Karol, Alberto, acréscimo que levava a prever uma explosão próxima. .. Ao passo que Hênia se curvava tranqüilamente sobre seu prato....."


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em fevereiro de 2009 a editora Nova Fronteira, editou - ou reeditou - livro do festejado e auto exilado (na Argentina) polonês Witold Gombrowicz. Todo o mundão literário falou no autor e no livro, razão de tê-lo comprado.


 

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