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Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Eduardo Bueno  

Editora: Anvisa

Assunto: História

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 207

Ano de edição: 2005

Peso: 1.165 g

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Excelente
Marcio Mafra
22/04/2009 às 11:50
Brasília - DF

Eduardo Bueno foi uma medida profilática e muito inteligente por parte da direção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Profilática porque ao contratar um excelente jornalista para contar a história da Anvisa, evitou a contaminação panegírica das publicações oficiais. O livro é uma preciosidade quase romântica, pois começa com a desembarque da família Real, no Rio de Janeiro, em 1808, ainda no tempo dos miasmas, chegando ao final do século 20, com o combate ao fumo, o surgimento dos genéricos, mas com gostosas menções sobre o Gelol, Pomada Minâncora, Sal de Andrews, Sal de Fruta Eno, o Biothônico Fontoura, seguido de perto pelo Merthiolate, a Emulsão de Scott. Vale muito, conhecer os regulamentos, as leis e portarias que eram criadas em cada epidemia que assolava o Brasil, bem como as dificuldades culturais para adoção de medidas sanitárias


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história da saúde no Brasil, desde o descobrimento até o surgimento e primeiros anos de atuação da Anvisa.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A revolta contra a vacina. Apesar das manobras solertes, em fins de 1903 a batalha contra a peste já fora virtualmente vencida. Mas isso estava longe de significar que Oswaldo Cruz tivesse ganhado a guerra contra as doenças epidêmicas. Na verdade, seus problemas estavam apenas começando. Sim, pois, apesar dos protestos contra a "violação dos lares" (no caso da febre amarela) e das falcatruas (na compra e venda de roedores), o combate aos mosquitos e a caça aos ratos tinham sido vistos basicamente como piadas. No dia 31 de outubro de 1904, porém, tão logo o Congresso aprovou, por pressão de Oswaldo Cruz, a chamada "Humana Lei", tornando obrigatória a vacina contra a varíola, um confronto de amplas dimensões irrompeu no Rio. Doença infecto-contagiosa surgida há mais de três mil anos na Índia ou no Egito, provocada pelo vírus Orthopoxvirus variolae, a varíola, como se viu na primeira parte deste livro, fora uma inesperada mas inestimável aliada dos europeus no processo de conquista e colonização do Novo Mundo. O problema é que, com o passar dos séculos, tornara-se uma inimiga da saúde pública nas grandes cidades fundadas pelos europeus na América. A enfermidade só atacava seres humanos e era transmitida pela respiração. Provocava febre, dores, tontura e, no segundo estágio, erupções na boca, na garganta e em todo o corpo. Era virtualmente fatal e quem sobrevivia ficava com marcas no rosto e no corpo - tornando-se "sarapintado de variadas cores", origem da palavra "varíola". Uma vacina, descoberta em 14 de maio de 1796 pelo médico inglês Edward Jenner, era capaz de evitar a doença e, com isso, a morte ou, no mínimo, muito sofrimento. A vacina jenneriana já se tornara obrigatória no Brasil em 1832 por determinação de D. João VI, que havia perdido um filho e dois irmãos para a doença. A questão é que o decreto virou letra morta e raramente era cumprido. Também havia sido assim na Europa, mas, após certa relutância, a vacina passou a ser aceita e aplicada com sucesso na Alemanha (1875), na Itália (1888) e na França (1902). No Rio, a resistência à obrigatoriedade da vacinação baseou-se em parte nos preconceitos determinados pela falta de conhecimento, em parte à truculência da lei. Afinal, o decreto aprovado pelo Congresso no último dia de outubro, e regulamentado em 9 de novembro, concedeu às brigadas sanitárias lideradas por Oswaldo Cruz o direito de entrar nas residências e vacinar as pessoas à força, ou levá-las presas por se recusarem a aceitar a vacina. Mas várias outras razões contribuíram para a eclosão de um violento movimento de desobediência civil. No imaginário popular, os médicos nada sabiam a respeito da varíola, e a vacina poderia ter o efeito inverso, ou seja: provocar a doença. Havia até quem acreditasse que, como o produto era fabricado com substâncias extraídas de vacas doentes, quem a tomasse ficaria com cara de vaca, ou ainda que a vacina era feita com o sangue dos ratos comprados pelos ratoeiros no combate à peste bubônica. Dizia-se também que a vacina provocava convulsões, diarréia, gangrena, otite, sífilis e meningite. Além disso, razões de ordem moral estavam em jogo: os homens não gostavam da idéia de ver suas esposas e filhas "desnudarem" os braços, colos ou coxas para os agentes da vacina". Em julho de 1904, a morte de uma mulher que havia tomado a vacina e, segundo a autópsia equivocada (feita por um legista contrário à vacina), fora vitimada por ela, incendiou de vez a polêmica. As 23 mil aplicações que haviam sido feitas em julho caíram para seis mil em agosto e foram virtualmente interrompidas em setembro. Então, em 10 de novembro de 1904 - um dia após a regulamentação do decreto e apenas cinco antes das festividades marcadas para celebrar o 15° aniversário da República -, o Rio se torna uma praça de guerra. O estopim do levante se dá, não por acaso, no Centro das Classes Operárias, entidade liderada pelo tenente-coronel e senador florianista Lauro Sodré, que programara um comício contra a vacina, duramente reprimido pela polícia. A Revolta da Vacina, nome com o qual o episódio entraria para a história, leva a população a confrontar as forças policiais e a destruir tudo o que encontra pela frente, servindo-se das pedras e entulhos das obras empreendidas por Pereira Passos. Desempregado, desalojado dos cortiços e sofrendo com a carestia, o povo sai às ruas tombando bondes, quebrando lampiões, gritando "vivas" à liberdade e "morras" à polícia. Em depoimento ao jornal A Tribuna, um capoeirista declara: "Isso é para não andarem dizendo que o povo é carneiro. De vez em quando é bom a negrada mostrar que sabe morrer como homem". A prática da capoeira, cabe ressaltar, fora proibida por decreto pelo marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente republicano. Então, no dia 11 de novembro, para agravar a situação, militares positivistas, admiradores do ex-presidente Floriano Peixoto e adversários de Rodrigues Alves e dos demais cafeicultores paulistas no poder, aproveitam-se dos tumultos generalizados para iniciar, na Escola Militar da Praia Vermelha, um levante destinado a depor o "presidente sanitarista" e restaurar a "pureza" dos ideais republicanos. Liderados pelo general Silva Travassos, cerca de 300 cadetes tentam tomar o Palácio do Catete, mas, sob a ameaça da Marinha, rendem-se no dia 15, após a morte de Travassos, quando são sufocados também os protestos populares. ''A Revolta da Vacina é um dos episódios menos compreendidos da história recente do Brasil", comenta Nicolau Sevcenko. "Do ponto de vista das autoridades, as pessoas se revoltaram porque na sua ignorância tinham medo e desconheciam o processo de imunização pela vacina. Neste sentido, teria sido um levante irracional, de gente rude, com mentes obsoletas e incapazes de compreender o curso inexorável do progresso. Por isso mesmo, o episódio foi tratado como um segundo Canudos enquistado no seio da capital, o qual seria preciso eliminar para salvar a República." Rodrigues Alves assumiu o comando da repressão, pondo em ação forças do Exército e da Marinha, mas ainda assim foi preciso pedir o auxílio de tropas vindas de Minas e São Paulo. O movimento só foi debelado após seis dias de combates. E então teve início a repressão: "O chefe de polícia da capital deu ordens para que toda e qualquer pessoa abordada no centro da cidade que não pudesse comprovar emprego e residência fixos fosse detida, conta Sevcenko. "Como a tripla reforma criara um imenso déficit habitacional e a maioria da população vivia de expedientes temporários, esse decreto envolvia praticamente toda a população pobre. Os detidos eram levados para a Ilha das Cobras, onde eram despidos e violentamente espancados, para então ser espremidos nos porões de vapores que partiam incontinenti para a Amazônia. Lá, a pretexto de servir de mão-de-obra para a extração da borracha, os prisioneiros eram despejados no meio da selva, sem qualquer orientação nem guias, sem recursos nem ajuda médica, para desaparecer em meio à floresta." Embora tenha reagido ao golpe comandado pelo general Travassos e se recusado a demitir Oswaldo Cruz, como queriam os manifestantes, Rodrigues Alves acabou cedendo: Em 17 de janeiro de 1905, o presidente revogou a obrigatoriedade da vacina. A insurreição deixou 23 morros, 67 feridos e 945 presos, dos quais 495 foram deportados para o Acre


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Rafael trouxe este livro.


 

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