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Maior Que O Mundo

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Maior Que O Mundo

Livro Ótimo - 1 comentário

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Autor: Reinaldo Moraes

Editora: Alfaguara

Assunto: Romance

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 451

Ano de edição: 2018

Peso: 600 g

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Ótimo
Marcio Mafra
14/05/2019 às 22:31
Brasília - DF
Em seu estilo pop (pop de pornográfico popular) Reinaldo Moraes usa seu talento para provocar nos leitores fortes emoções e reflexões sociais, financeiras, tóxicas (de drogas mesmo), profissionais e sexuais sobre a vida de personagens da classe média-média. “Maior que o Mundo” é um calhamaço de 453 páginas. A leitura vai bem no começo do livro, com um ritmo intenso até (mais ou menos) a página 100. Depois, da página 101 até 300 fica uma história mais "marrenta", quase monótona, uma leitura amarrada, parecendo repetitiva e por vezes chatinha. Nas últimas cem páginas, o ritmo retorna legal, gostoso de ser lido, polêmico e divertido. O final não é previsível, mas também não surpreende não. Agora em matéria de pornografia o livro dá de 10 a zero em qualquer outro, inclusive no livro anterior de Reinaldo Moraes, “Pornopopéia”. Com certeza não é um livro para principiantes. Eu - que já li mais de três mil livros - levei quase três meses para dar conta da leitura. Além de longo este livro não é um tratado de “ sexo, drogas e rock’n roll”, mas derrama, despeja e entorna tudo sobre o uso drogas pesadas e a prática da putaria.

Marcio Mafra
12/05/2019 às 00:00
Brasília - DF

A história de Kabeto, escritor que não conseguia escrever uma só linha para seu novo livro, devido a um bloqueio mental que o impedia de encontrar “a primeira frase” do romance. Mesmo assim consegue sobreviver, miseravelmente, com pequenos serviços jornalísticos “free lancer” que prestava à revistas e jornais.  Em seu tempo livre ele perambulava por bares e inferninhos, sempre acompanhado de seu jurássico gravador de fita, onde registrava seus pensamentos e entrevistas, na tentativa de servirem de conteúdo para o livro que ele nunca conseguia começar. Seu bar predileto era o Farta Brutos, um boteco de baixo nível social. Todos os personagens são caricatos e o autor sem qualquer pejo narra a vida desvairada deles todos, regada a muita bebida, muito sexo e muita droga.

 
Marcio Mafra
12/05/2019 às 00:00
Brasília - DF

o maior pecadilho daquele corpo, afora a estatura, que a inclui-
ria na categoria superior das baixinhas, seria, na opinião de alguns
de seus frequentadores, a, por enquanto, discreta barrigota, menos
discreta quando ela senta. Bem verdade que, ao retornar de seus
rehabs voluntários na Cantareira, a dita pança é quase imperceptível.
Mas bastam algumas semanas de álcool e frituras no Farta, de pó e
diabruras na madrugada, que lá vem de volta a barrigola. Com ou
sem esse apêndice abdominal, a verdade é que a Mina é toda ela um
banquete sexual prum macho da pós-meia-idade, como o Kabetão
véio de guerra. Ela se atraca agora com uma menina num abraço es-
palhafatoso, já próxima da nossa mesa. A verdade é que as mulheres
estão se amando cada vez mais. Daqui a pouco não sobra mais um
fiapo de ternura pros peludos. Snif
Um dia, nesse mesmo Farta, eu, Park e o Pisano, a gente no papo
e nos copos, o assunto era mulher. Pisano é um cara rico de família,
seu pai, sapateiro de profissão, descendente de imigrantes italianos,
começou fazendo sapato na Mooca e acabou virando um grande
fabricante de calçados finos, com loja nos principais shoppings do
país e até uma em Miami, 'primeiro passo pra conquista do mundo',
diz o roqueiro, orgulhoso do sucesso do papai milionário. Pisano tem
orgulho evidente e veemente de si e de tudo que lhe pertence: de seu
suposto talento como guitarrista, compositor e band-leader, de sua
moderníssima bissexualidade alardeada e praticada à grande e à larga,
de sua própria figura física, de uma magreza pop sempre envelopada
nos mais finos e bizarros panos, e, acima de tudo, da übergata com
quem se casou, dotada, ela também, de uma libido multiuso, a orgiás-
tica Melissa, versada em buça e piça, como costumam rimar os maus
poetas de ocasião, como eu, e outros ainda piores que eu.
O assunto na mesa era a rápida transição da figura-padrão da mu-
lher, que saiu de objeto sexual e escrava doméstica, ou, no máximo, de
musa etérea das almas românticas, a empoderada rainha dos animais,
senhora de todas as luxúrias, de todos os negócios e ócios. Comentei
que esse era um fenômeno notado até por caras mais jovens que eu,
como, por exemplo, meus dois interlocutores à mesa, que já haviam

nascido sob o signo de um florescente e difundido feminismo, dos
anos 80 pra frente. Suas mães devem ter sido feministas em estágio
embrionário, aventei. Pisano disse que esse não era o seu caso. Sua
mãe, filha de italianos, educada em colégio de freira, era um dos úl-
timos bastióes do puritanismo tradicionalista católico do ocidente.
'Gozado', eu disse pra ele. 'Eu podia dizer o mesmo da minha, que
é muito mais velha que a sua.' Park jogou na mesa: 'E a minha mãe,
então, que é coreana. O quadro mental e cultural em casa é de um
patriarcalismo absolutista indiscutível. Meu pai sempre teve suas en-
crenquinhas fora de casa, uma ou outra operária da confecção que ele
pegava e as visitas a puteiros discretos, mas minha mãe nunca abriu o
bico pra reclamar. E jamais lhe passaria pela cabeça, nem em sonho,
ter um amante'. Falei mais um pouco da dona Linda, que me parecia
uma mistura das mães do Pisano e do Park. E do meu espanto de
constatar que tão desinibidas e avançadas criaturas, como eles dois,
tinham saído de fôrmas tão conservadoras.
Não demorou muito, a conversa escorregou pra sacanagem.
Pisano mencionou suas experiências junto ao 'baixo clero feminino',
citando a Mina pra ilustrar esse conceito. Ele disse que ela era 'o típico
marisco da paella', querendo dizer com isso que, apesar de apetitosa,
seria a sua segunda ou terceira opção sexual, bem atrás dos superiores
camaróes e das imperiais lagostas que costuma ter em suas orgias, por
exemplo. Mas se mostrou magnânimo: 'Se bem que um marisquinho
gordo e suculento, pra variar, ninguém dispensa, né?' - dando a en-
tender que já tinha degustado aquele molusco específico em alguma
paella perdida na noite surubenta de São Paulo. Os mariscos da paella
eram as figuras do baixo clero feminino, essa era a refinada figura de
linguagem saída da cabeça do Joe Pisano. Não lhe perguntei sobre o
baixo clero masculino que sei que ele também degusta por aí. Percebi
que mandava essa batota cafajeste sobre a Mina só pra me agradar,
pois me acha o último mamute machista a palmilhar o planeta dos
ril-acacos. Aquele papo de vestiário de time de futebol de várzea só
pode~ me divertir. Ele não tinha avaliado direito o grau de ligação
afetiva ~e eu tenho com a Mina. E ainda deu o detalhe sórdido:
'Como bom marisco de paella, a Mina pira no anal. É só chegar'.
Senti uma qua,se irrefreável vontade de soltar: E a sua mulher, então,

seu viado corno do caralho? E você mesmo? Não piram os dois no
anal passivo? Caralho. Meio escrotinho, esse Pisano. Àf> vezes, escroto
por completo. Eu nunca saí por aí batoteando que comi o eu desta ou
daquela senhora. O.k., numa mesa de bar, tomando todas com um
bando de vagabundo, posso até já ter me garganteado dessa maneira
sórdida, fazendo jus ou não à verdade. Foda-se. O fato é que, depois
daquela conversa gastrossexual com O Pisano, fiquei com vontade de
comer marisco, acepipe que o Farta não oferece, nem ostra. E me
veio forte a fantasia de praticar um fudeco anal com a dona Mina. Já
tive fantasias desse mesmo jaez com a lagosta-rainha da paella, dona
Melissa Primeira, a Grã-Tesuda d'Além e d'Aquém Farta Brutos. E
quem não teve tais fantasias nos shows e fora deles, vendo aquela
bunda hipnótica, arquetípica, fodomenal? Pra mim, são fantasias
irrealizáveis, até púrque, como dizia o seu Justino em lusitanês castiço,
numa remotíssima hipótese de rolar uma aproximação erótica entre
mim e a Melissa, eu muito provavelmente teria que encarar também
a rôla do rnaridâo bi, como faz meu amigo coreano. Já pensou? Tá
lá você se esbaldando com a lagosta suprema da paella, quando vem
um robalo atrevido querendo entrar em cena, senão mesmo no seu
orobó. Eparrê, zin fio! Tô fora. Mil vezes o marisco prosaico da Mina,
saboroso e de facílima digestão.

 


  • O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA EM ROMANCE QUE RELÊ EM CHAVE BEAT

    Autor: Luiz Eduardo Soares

    Veículo: Revista Quatro Cinco Um - Edição abril 2019, paginas 18 e 19

    Fonte: A propria revista

    Revista Quatro Cinco Um – edição abril 2019, paginas 18 e 19

    Reinaldo Moraes.
    Maior que o mundo - Volume 1.
    Alfaguara/Grupo Companhia das Letras
    456 pp • R$ 74,90/R$ 39,90
    Reinaldo Moraes estreou nos anos
    1980 com dois livros importantes,
    Tantofaz (1981, Brasiliense) e Abaca-
    xi (1985, L&PM). Escreveu para o pú-
    blico infantil ao longo dos anos sub-
    sequentes até voltar ao romance, em
    2009, com Pornopopéia (Objetiva),
    um tour deforce impressionante, de
    uma beleza áspera irresistível. Ima-
    gino o peso que deve ter sido traba-
    lhar em outro projeto, na sequência.
    As expectativas lá em cima. Mas Rei-
    naldo conseguiu ultrapassar o sarrafo
    no salto criativo de tirar o fôlego que
    é Maior que o mundo, lançado pela edi-
    tora Alfaguara em dezembro de 2018.
    Quando escrevi sobre Pornopopéia,
    mencionei seu diálogo com a Odisseia,
    modelo grego para a arte e a filoso-
    fia no Ocidente: as peripécias do he-
    rói em seu périplo aventureiro, resis-
    tindo aos cantos de sereia e vencendo
    desafios, até o retorno à origem, res-
    taurando a unidade que a experiência
    da multiplicidade fracionara. Moraes
    não se rende à integração apaziguado-
    ra com o feminino, a imagem da mu-

    lher que tece, paciente, aguardando
    a recuperação do equilíbrio perdido.
    A trajetória do protagonista transbor-
    da o desenho clássico, seja cancelan-
    do a recomposição da unidade pela
    justaposição das partes complemen-
    tares, seja adiando (e, portanto, abo-
    lindo) a síntese da dialética roma-
    nesca. O protagonista dava voltas em
    torno de si mesmo e se remetia para
    longe, num contínuo movimento cen-
    trífugo, refugando ilusões de autocon-
    trole e plenitude da autoconsciência.
    Ele é o homem do pó, sempre ligado,
    embora desligado de si. Quase se afoga
    no regaço do mundo, esse marzão de
    deus e do diabo. A figura quase-mater-
    na o enleva. Mas as ondas não cessam,
    deformando marés previsíveis.
    Desdobramento da narração
    Em Maior que o mundo, Kabeto é o
    nome do protagonista-narrador. Nem
    sempre, entretanto, porque vez por
    outra a terceira pessoa intervém, es-
    piando onisciente debaixo do edre-
    dom onde os amantes se esbaldam
    e guardando o sono do caminhante
    exaurido. Intervém com aviso pré-
    vio de uma quarta voz, interessan-
    tíssima, que se imiscui para cuidar
    da boa condução dos trabalhos. Im-

    pressionam a autoconsciência críti-
    ca do protagonista e a consciência do
    autor sobre o campo em que opera,
    a linguagem. Ao longo das 456 pági-
    nas tudo se complexifica, postergan-
    do a solução, provisoriamente - este
    é apenas o primeiro volume de uma
    trilogia -, nas aspas que fecham o ro-
    mance, ecoando as que abrem a nar-
    A comparação com
    'On the Road'; de Kerouac,
    impõe-se, ainda que essas
    remissões corram o risco
    de neutralizar a selvagem
    originalidade da obra
    rativa e passam despercebidas, inin-
    teligíveis até que a descoberta do
    caderno-graal com a primeira frase
    brilhante desata o nó que bloqueava
    o escritor e, em parte, também o lei-
    tor que o acompanha.
    Impossível não sugerir que o ro-
    mance, como o anterior, relê em cha-
    ve beat a Odisseia clássica e sua versão

    moderna, em Ulisses, de joyce, mas
    de um modo inteiramente original. O
    próprio autor/narrador reconhece o
    diálogo tácito com a estrutura das 24
    horas joycianas (até mesmo o sim de
    Molly ressoa), assim como tremulam
    no mastro ébrio do marujo (sobreno-
    me materno, ausente-presente) nos-
    sas mitologias, agitadas pela ânsia de
    glória e poder, e pelas massas na rua,
    sempre a uma distância do protago-
    nista que o proteja da imersão direta
    na política, em sentido estrito.
    O narrador, eu dizia, reconhece o
    diálogo, mas o faz na chave da iro-
    nia, da autoironia, esforçando-se
    para evitar qualquer laivo de preten-
    são - aliás, a vaidade e a soberba são
    exorcizadas com crueza, e cruelmen-
    te (lamento, entretanto, informar ao
    autor e à distinta plateia que o livro
    está destinado a converter-se em um
    clássico, aquele tipo de obra que re-
    siste ao tempo e tende a se mostrar o
    testemunho mais grave, malgrado o
    humor onipresente, de nosso tempo).
    Impõe-se a comparação com On the
    Road, de Kerouac (a literatura beatnik
    é sabidamente uma referência para
    Moraes), ainda que essas sucessivas
    remissões corram o risco de neutrali-
    zar a selvagem originalidade da obra.

    Não fosse por isso, eu incluiria na lis-
    ta de comparações a série autobiográ-
    fica de Karl Ove Knausgard, embora
    Maior que o mundo não seja biográfico
    e os estilos, vá lá, sejam tão próximos
    quanto Brasil e Noruega. Comum en-
    tre ambos é inundar as cenas de ob-
    servações agudas sobre mínimos de-
    talhes, até saciar a voracidade dos
    sentidos que inspecionam o real, lhes
    oferecendo, na fração de um instante,
    o insight fortuito da peleja interminá-
    vel entre o prosaico de nossas fomes
    e o espírito da época, que nos forne-
    ce o cardápio.
    A destreza do autor com os recur-
    sos linguísticos e narrativos é inteira-
    mente fora da curva, se é que há al-
    guma forma geométrica regular que
    sirva de parâmetro para uma cons-
    trução holográfica virtuosa. Nunca
    fui tantas vezes ao dicionário des-
    de que li as descrições de Cormac
    McCarthy sobre a flora ressecada
    da fronteira onde o grande bufão do
    Norte hoje bate o pé para construir
    um muro de 8 bilhões de dólares. O
    foco não é botânico. Moraes investi-
    ga a fauna urbana e seus mais sór-
    didos ecossistemas, de onde, contu-
    do, por vezes extrai o encantamento,
    fazendo emanar a sacralidade trans-
    gressora, quando não torpe, do ero-
    tismo - tentei, mas não consegui,

    impedir que minha compulsão com-
    parativa citasse, neste ponto, Geor-
    ges Bataille, Apollinaire e Sade.
    O palhaço performer tagarela des-
    perta só, quase cego, emborcado no
    sofá (so good), em pleno inverno
    paulista, depois que sua virilidade
    foi abatida pelo real, que despreza
    as veleidades do imaginário e terceí-
    riza o simbólico para o computador
    do artista bloqueado. O declínio do
    macho e de sua cabeça irremediavel-
    mente medieval vai conduzi-lo a uma
    viagem no tempo, revisitando antigas
    amantes, o velho amigo médico que
    o trai e a mãe, que é puro fel, mas
    lhe proporcionará a reconexão com
    a máquina de escrever do avô e do
    pai, de que resultará um mergulho
    infernal porém regenerador no fun-
    do da noite até o caderno que o sal-
    vará, abrindo-lhe as portas para o en-
    contro revivificador com o anão e a
    muié do mágico.
    Ruína do protagonista
    Em Maior que o mundo, o mar em que
    naufraga o protagonista é o álcool, e
    o universo é francamente visceral,
    untado de excremento e sangue, en-
    volto em odores vaporosos e tóxi-
    cos, exatamente como isso que cha-
    mamos vida real. A ruína do corpo,
    seus dejetos e as emanações cornu-

    nicam -se sem barreiras com o pra-
    zer exaltado, nunca amor romântico,
    jamais hedonismo. Afeto, sacrifício,
    culpa e as tábuas do cristianismo
    não têm espaço - ou ele gostaria que
    não tivessem - na quitinete de Ka-
    beto, embora haja aspectos de uma
    via-crúcis em sua busca exasperan-
    te pelo Farta-brutus, o templo-bar
    das perdidas ilusões, em cujo altar
    Seguimos o mergulho
    de Kabeto na narrativa
    selvagem que descobriu no
    lixo. Ocorre que reescrever
    o caderno-do-lixo inverte
    toda a nossa compreensão
    será celebrada a cerimônia panse-
    xual de gozo e expiação, liberando
    o protagonista de seu fardo priápico.
    Na volta para casa, a iluminação. Ci-
    dade ao fundo e à frente, palmilhada
    sem trégua, em queda, a queda adia-
    da do anjo torto, cambaleante, que
    por fim se debruça para regurgitar
    a noite, todas elas, na caçamba com
    restos de obra - não por acaso.

    Reenergizados, seguimos o mergu-
    lho de Kabeto na narrativa selvagem
    e fulgurante que descobriu no lixo, de
    onde extrai a joia a polir. O ourives-
    -protagonista reescreve a história que
    encontra entre os restos podres da ci-
    dade. Lembremo-nos de que ele é o
    personagem apresentado pela tercei-
    ra pessoa, autorizada pela quarta.
    Ocorre que reescrever o caderno-
    -do-lixo subitamente inverte toda a
    nossa compreensão, na medida em
    que Kabeto se revela habitante do
    cosmos aspeado, criado por um quin-
    to narrador silente e ausente, espécie
    de deus ex machina que condena Ka-
    beto ao interior de uma ficção, na
    qual reescreve a ficção que o constrói
    como sujeito da descoberta salvado-
    ra. Nada nos garante que Kabeto não
    esteja no caderno e que a descoberta
    do caderno não seja invenção da nar-
    rativa do próprio caderno. O trança-
    -pé trai nossa cumplicidade - curio-
    so registrar que a expressão francesa
    para perspectiva é trompe-Toeil, esse
    engana-olho, trança-vista, que gera
    a ilusão da tridimensionalidade nas
    pinturas. Pois cá estamos, os leito-
    res, em queda livre, nessa constela-
    ção sem sujeito ou centro, perceben-
    do que vertigem e vísceras são o que
    nos resta de mais sublime. Acho que
    a literatura é a mulher do mágico. e
     

Marcio Mafra
12/05/2019 às 00:00
Brasília - DF

Reinaldo Moraes estava na Flip 2010. Se apresentou no primeiro dia da Flip, numa mesa chamada “Fábulas Contemporâneas” juntamente com Ronaldo Correia Brito e Beatriz Bracher. Reinaldo se destacou. Muito. Não só comprei o seu livro como entrei na na fila de autógrafos, coisa trouxa e idiota quando você não é íntimo do autor.: “ Pro Márcio, um grande abraço do Reinaldo Moraes”. Fotografei o autor na mesa dos autógrafos. É a foto que mostra a cara do autor no Livronautas. Descobrir Reinaldo Moraes é como uma nova experiência literária de nome e sobrenome. Ora, se desde 2010 considero Reinaldo Moraes um extraordinário escritor, logo ao ao me deparar com o “Maior Que O Mundo” o coloquei no carrinho.

 

 

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