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Gomorra

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Gomorra

Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Roberto Saviano

Editora: Bertrand Brasil

Assunto: Jornalismo

Traduzido por: Elaine Niccolai

Páginas: 349

Ano de edição: 2008

Peso: 525 g

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Ruim
Marcio Mafra
17/04/2009 às 21:27
Brasília - DF

Gomorra, que no idioma italiano designa camorra, é um livro pretencioso. O editor manteve a grafia do título no idioma italiano. Parece uma jogadinha de marketing, porque o nome Gomorra tente a confundir o leitor brasileiro, pois este era o nome da cidade que em conjunto com Sodoma, segundo a bíblia judaico-cristã, teriam sido destruídas com seus habitantes pelo fogo, sal e enxofre, em virtude da prática de atos imorais e sensuais. O livro relata - com um realismo cru - as histórias das muitas associações camorristas, destacando suas brigas pelo poder, suas rivalidades antropológicas, seus massacres cruéis e o envolvimento da polícia, das autoridades judiciárias e penitenciárias, dos empresários que só agem com e pela máfia, passando ainda por fugas das prisões e pelas sessões da justiça que julgavam os crimes descobertos. O livro destaca também que a cultura do crime grassou pela sociedade organizada, atingindo os jovens. Estes - como na favela brasileira - não são apenas recrutados para desempenharem serviços menores. Pelo contrário, trabalham em todos os escalões operacionais e desenvolvem grande admiração pelos bandidos "senior". Eles são treinados pela própria camorra para se tornarem líderes mafiosos. Parte do livro descreve um pouco dos negócios realizados entre as associações camorristas e o poder político-econômico que advêm desta operação. O negócio da camorra atinge qualquer segmento da sociedade italiana, e se espalha por muitos países da europa ocidental, leste europeu, asia, oriente e américa. Talvez o livro se preste muito para estudos sociais do segmento de máfias e de outras instituições voltadas para o crime, como o tráfico de drogas e de armas. A leitura é ruim. Não flui.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

A história das associações e grupos da camorra - em italiano gomorra - narrada do ponto de observação de um jornalista, com suas rivalidades,  fugas, prisões, delações e massacres.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Poucos dias depois da prisão do prímogênito do clã, seu rosto arrogante encarando as câmeras da TV gira pelos celulares de centenas de rapazes e moças das escolas de Torre Annunziata, Quarto, Marano. Gestos de mera provocação, de banal agressividade entre adolescentes. É verdade. Mas Cosimo sabia. Por isso precisava agir daquele jeito para ser reconhecido como chefe, para tocar o coração das pessoas. É preciso saber usar a telinha, a tinta dos jornais, é preciso saber amarrar o seu rabo-de-cavalo. Cosimo representa claramente o novo empresário do Sistema. A imagem da nova burguesia desvinculada de qualquer freio, movida pela absoluta vontade de dominar todo o território do mercado, de meter a mão em tudo. Não renunciar a nada. Fazer uma escolha não significa limitar o próprio campo de ação, privar-se de outras possibilidades. Não para quem considera a vida como um espaço onde se pode conquistar tudo, mesmo correndo o risco de perder tudo. Significa, inclusive, levar em conta a possibilidade de ser preso, de acabar mal, de morrer. Mas não significa renunciar. Querer tudo e mais e o quanto antes. É esta a força e o atrativo que Cosimo Di Lauro personifica. Afinal, se todos, mesmo os mais zelosos com a própria segurança, terminam na gaiola da aposentadoria, se todos, mais cedo ou mais tarde, se descobrem traídos e terminam com uma babá polonesa, por que morrer de depressão à procura de um trabalho tedioso? Por que se acabar num part-time atendendo telefone? Tornar-se empresário, sim. Mas de verdade. Capaz de negociar com todos e até com o nada. Ernst Jünger diria que a grandeza está sujeita à tempestade. O mesmo diriam os boss, os empresários da Camorra. Estar no centro de cada ação, o centro do poder. Usar tudo como meio e a si mesmo como fun. Quem diz que isso é amoral, que não pode haver vida sem ética, que a economia possui limites e regras a serem seguidas, é simplesmente quem não conseguiu comandar, quem foi excluído do mercado. A ética é o limite do perdedor. A proteção do destronado, a justificativa moral para aqueles que não conseguiram jogar tudo e conquistar tudo. A lei tem os seus códigos estabelecidos, mas não a justiça, que é outra coisa bem diferente. A justiça é um princípio abstrato que todos têm, suscetível conforme se interpreta, de absolver ou de condenar cada ser humano: culpados os ministros, culpados os papas, culpados os santos e os ateus, culpados os revolucionários e os reacionários. Culpados por terem traído, matado, errado. Culpados por terem envelhecido e morrido. Culpados por terem sido ultrapassados e vencidos. Culpados perante o tribunal universal da moral histórica e absolvidos pelo da necessidade. Justiça e injustiça têm um só significado, se consideradas concretamente. Seja pela vitória ou pela derrota, pelo ato cometido ou sofrido. Se alguém nos ofende, nos trata mal, está cometendo uma injustiça; se, ao contrário, nos reserva um tratamento de favor, nos faz justiça. Observando os poderes do clã, é preciso ater-se neste ponto de vista. Nestas malhas de juízo. Bastam. Devem bastar. É esta a única forma real de avaliação da justiça. O resto é só religião e confessionário. O imperativo econômico é modelado sobre esta lógica. Não são os negócios que os camorristas perseguem. São os negócios que perseguem os camorristas. A lógica do empreendimento criminoso, a mentalidade dos boss coincide com o mais extremo neoliberalismo. As regras ditadas, as regras impostas, são as do mercado, do lucro, da vitória sobre todo concorrente. O resto é o zero, não vale nada. O resto não existe. Poder decidir sobre a vida e a morte de todos, poder promover um produto, monopolizar uma fatia de mercado, investir em setores de vanguarda, é um poder que se paga com a prisão ou com a vida. Ter poder por dez anos, por um ano, por uma hora. Não importa por quanto tempo: viver, comandar realmente, isto sim é que conta. Vencer na arena do mercado e conseguir olhar o sol com os olhos como fazia Raffaele Giuliano na prisão, boss de Forcella, desafiando-o, mostrando que seu olhar não ficava cego nem mesmo diante da luz primordial. Raffaelle Giuliano teve a crueldade de passar pimenta na lâmina de uma faca antes de esfaquear um parente de um inimigo seu, de modo a fazê-lo sentir queimações lancinantes, enquanto a lâmina lhe penetrava a carne, centímetro por centímetro. Na prisão, era temido, não por esta sua sede sanguinária, mas pelo desafio do olhar capaz de manter-se firme mesmo fixando o sol. Ter a consciência de ser um businessman destinado à morte ou à prisão perpétua, mas com obstinada vontade de dominar economias poderosas e ilimitadas. O boss é morto ou preso, mas o sistema econômico que ele gerou permanece e não pára de mudar, de transformar-se, de melhorar e de alavancar lucros. Essa consciência de samurais liberais, que sabem que é preciso pagar para ter tal poder absoluto, encontra-se sintetizada na carta de um garoto encarcerado em uma prisão para menores, uma carta que entregou a um padre e que foi lida durante um seminário. Lembro-me dela ainda de cor: "Todos aqueles que conheço estão mortos ou estão presos. Eu quero me tomar um boss. Quero ter supermercados, lojas, fábricas, quero ter mulheres. Quero três carros, quero ser respeitado quando entrar em uma loja, quero ter armazéns em todo o mundo. E depois quero morrer. Mas morrer como alguém verdadeiro, alguém que verdadeiramente comanda, Quero morrer assassinado,"


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Em fevereiro de 2009 comprei o livro de tanto vê-lo em listas de “best sellers”.


 

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