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Livro Ruim - 1 comentário

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Autor: Rudá Andrade

Editora: Brasiliense

Assunto: Memórias

Traduzido por: Livro Editado em Português do Brasil

Páginas: 109

Ano de edição: 1983

Peso: 145 g

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Ruim
Marcio Mafra
12/04/2009 às 21:19
Brasília - DF

Rudá de Andrade era filho dos famosos Oswaldo e Pagu de Andrade. Ele se viu envolvido num crime internacional de tráfico de cocaína, quando tinha feito uma viagem à França com passagem pelo Senegal e Suíça. Ao chegar no aeroporto aparece em sua bagagem um pacote de cocaína. Rudá é preso. Começa um período de dez meses de cárcere. O livro, embora bem escrito, é chato como são chatos todos os livros escritos a partir de prisões, que começa com o Tristium de Horácio, passa por Oscar Wilde, e chega a Graciliano Ramos. Nos dias atuais ainda temos o Dráuzio Valera com o seu Estação Carandiru. Qualquer preso é infeliz. Qualquer prisão é a anti-vida. O livro é ruim.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Memórias do cineasta Rudá de Andrade, do tempo em que passou na prisão, em Bourg-em-Bresse, França. Foi preso por tráfico de cocaína. Ele é filho do famoso escritor brasileiro Oswald de Andrade, arauto do movimento cultural, que aconteceu entre os anos 1922 à 1930, chamado "modernismo".

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Passaram o Natal, o Ano Novo, datas que não cultuo. Mas valorizo na intimidade. Nessas horas a distância era inaceitável. Vieram também os aniversários e os dias especiais. Reparei estar sempre procurando e inventando dias especiais para expor a minha saudade sem hesitação. Certa noite, no fim do inverno, apoiei-me no grosso beiral da janela de grades e fiquei admirando uma atraente paisagem noturna, quando senti uma contração no peito. Carinhosamente, a irresistível lua cheia mandou-me escrever uma carta de amor à minha mulher. A Polaquinha já tinha estado aqui. Depois de dois meses e meio de tentativas inúteis para a solução de meus problemas, ela veio. Arrumou um advogado de confiança, descobriu. Nossos amigos em Paris, trouxe-me roupa quente. Conseguiu-me um radinho com fone de ouvido, que me permitiu encontrar nas noites o equilíbrio emocional, através da música clássica e programas que me reconciliaram um pouco com a França. O inverno foi passando. A primavera não encontra barreiras nas grades. A minha paisagem que se restringe a um pedaço de céu e quatro longínquas árvores altas e desfolhadas começou a modificar-se. As primeiras folhas verdes começaram a despontar. A atmosfera apagava musicalmente as trevas sofridas do inverno. Um dia, senti-me tão bem que resolvi comprar um espelho. Há tempos pensava em comprar um. Não o fiz antes porque sempre estava certo de sair daqui no mês seguinte. O clima animou-me. Comprei um espelhinho de um palmo, daqueles que vendem nas feiras. Com ele já encostado, no fundo do armarinho, olhei-me algumas vezes e sorri furtivamente. Achei-me bonito. A primavera deu lugar ao verão. O mau cheiro, que imaginei pior no calor, não mudou (ou habituei-me). Os ratos do inverno sumiram com o clima quente. O tempo caminhava, o meu processo não. Às vezes era falta de documentos do Brasil, outras, problemas locais. A expectativa, a incógnita perdura até hoje nesse emaranhado injusto de que só encontro resposta no absurdo. Agora, às vésperas do julgamento, aguardo, com a consciência tranqüila, a solução da burocracia e das instituições. A prisão revelou o meu relacionamento com as pessoas e o mundo deixado fora, tão rico e vivo. Às vezes olho para o meu pedaço de paisagem ou para uma simples parede, percebo isso, sorrio e sinto-me feliz. Acompanho com calma a vida daqui mas sem conformar-me com a indiferença da administração pública para com os prisioneiros. É um amontoado de exceções tratado com uma só regra, criando uma igualdade artificial que fecha as perspectivas de reintegração na sociedade, para abrir as perspectivas do crime. Está na cara que cadeia é problema de Educação, antes de ser de Justiça. Apesar de isolar-me muito das pessoas, integrando-me às atividades individuais, adaptei-me a este mundo e ele a mim. Agora os prisioneiros me respeitam pelo que sou, com as minhas manias e ingenuidades, sem mais me acharem o experiente e discreto agente da Máfia


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Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Uma entrevista da revista Piaui, em março de 2009, me fez comprar o livro.


 

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