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Othelo e Hamlet

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Othelo e Hamlet

Livro Excelente - 1 comentário

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Autor: Willian (as vezes William) Shakespeare

Editora: Verbo

Assunto: Teatro

Traduzido por: Ricardo Alberty

Páginas: 410

Ano de edição: 1975

Peso: 710 g

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Excelente
Marcio Mafra
18/06/2003 às 19:22
Brasília - DF

Comentar Othelo mais que um ato de coragem é temerário porque também se trata de peça escrita por volta do ano de 1600, pouco depois do descobrimento do Brasil. Decorridos mais de 400 anos ainda é boa e atual. Os não ingleses dizem que Sheakespeare é o maior dramarturgo da Inglaterra. Para os ingleses ele é o maior de seus poetas. A peça, com cerca de 15 personagens principais, conta a história de traição e inveja que destroi um homem bom. Claro que seu contendedor era um homem mau, despeitado, falso, invejoso e sem escrúpulos.

Hamlet, a mais famosa e célebre peça de teatro da literatura mundial é uma história composta por mais de 25 personagens principais, além de muitos figurantes, Hamlet é a representação de um neurótico ramântico, grande conspirador, mas ao mesmo tempo um bom e carismático soberano que viveu para se vingar do tio, embora seja marcado pelo desgosto da morte do pai e da repulsa do amor de sua mãe. Tem muitas passagens cômicas, outras extremamente irônicas e algumas de pura loucura. Hamlet ou Othelo, tanto faz. Ambas são mais que excelentes.


Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Hamlet é uma tragédia, que trata do tema vingança, enquanto Othelo é uma peça sado-melodramática, onde um general mouro, chamado Othelo, desenvolve sua história sobre a traição e a inveja.

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Hamlet.
CENA III
Uma câmara no Castelo
Entram o Rei, Rosencrantz e Gulldenstern.
REI
Não me agrada, nem é prudente, dar rédea solta à sua loucura. Por conseguinte, preparai-vos; vou já mandar seguir a vossa expedição, e partírá convosco para Inglaterra. As circunstâncias em que se encontra o nosso Estado não podem ficar sujeitas a imprevistos tão perigosos como. Os que a todo o momento originam os seus desvarios.
GUILDENSTERN
Vamos preparar-nos para a viagem. É justa e sagrada solicitude velar pela segurança de tantos seres cUja vida e mantimento dependem de Vossa Majestade.
ROSENCRANTZ
Se um simples particular tem o direito de defender a vida com toda a força e energia das suas capacidades, muito mais direito assiste àquele de quem dependem o bem-estar e a segurança de multidões. Quando o monarca sucumbe, a realeza não morre sozinha, mas, como um abismo, arrasta consigo tudo o que a circunda; é como uma roda colossal. Fixa no alto de uma montanha, a cujos enormes raios estão ligadas dez mil peças mais pequenas, e que, ao desmoronar-se, leva consigo todos estes frágeis anexos que, tal um pobre séquito, a acompanham na sua impetuosa ruina. Nunca o rei suspirou a sós que não gemesse com ele a nação inteira.
REI
Por favor, preparai-vos para esta súbita viagem, porque é forçoso agrilhoar este perigo que anda agora demasiado à solta.
ROSENCRANTZ
Vamos apressar-nos, senhor.
Saem Rosencrantz e Guildenstern. Entra Polónio.
POLÓNIO
Senhor, já se dirige para o quarto da mãe. Vou esconder-me atrás dos reposteiros para me inteirar da conversa. Asseguro-os que ela o vai repreender severamente; mas, conforme dissestes, e com muita sensatez, bom será que outra pessoa, além da mãe - porque a natural ternura faz as mães parciais -, possa escutar à vontade a conversa. Adeus, meu soberano. Irei ter convosco antes de vos dei tardes, e contar-vos-ei o que averiguar.
REI
Obrigado. Caro amigo. (Sai Polónio.) Oh, é horrendo o meu crime! Empesta o próprio céu! Pesa sobre ele a mais antiga das maldições: o fratricidio! Não posso rezar, embora sinta enorme desejo de o fazer. O sentimento da minha culpa é mais forte do que a minha vontade; e., tal como um homem obrigado a duas tarefas, fico indeciso, sem saber por onde começar, e deixo ambas. Mas~ ainda que esta mão ficasse empastada do sangue fraterno, não haveria nos céus clementes chuva que bastasse para a lavar, até deixá-la branca como a neve? Para que serve a misericórdia, senão
para afrontar o crime? E o que é a prece senão essa dupla virtude de nos precaver antes de cairmos e de nos conceder o perdão depois da queda? Levantemos, pois, os olhos ao céu; o meu crime está consumado. Mas, ai, qual a prece que poderá valer-me neste. Transe? «Perdoai-me o horrendo crime que pratiquei!) Não pode ser, porque continuo na posse de tudo o que me levou ao crime: a coroa, motivo da minha ambição, e a minha rainha. Pode alguém obter o perdão, conservando o fruto do delito? Nos caminhos corruptos deste mundo, a mão dourada do crime pode às vezes torcer a lei, e muitas vezes se viu o próprio lucro infame subornar a justiça. Mas com a justiça do Céu não acontece o mesmo. Lá, não servem de nada os subterfúgios; no Céu as acções mostram-se tal como são, e nós próprios nos ve.inos obrigados a reconhecer sem rodeios as nossas culpas, frente a frente. Então, que fazer? Que recurso me resta? Experimentemos o que pode. O arrependimento. O que não pode ele? E, todavia. Qual será o seu poder quando eu próprio não consigo arrepender-me? Oh, miserável condição a minha! Oh, coração mais negro do que a morte! Oh, minha alma, apanhada como um pássaro na rede, que, quanto mais luta pela liberdade, mais se prende! Oh, anjos do Céu, acudi-me! Oh, joelhos rebeldes, dobrai-vos! E tu, meu coração, torna brandas como os nervos de um recém-nascido as tuas fibras de aço. Tudo pode ainda acabar em bem.
Recua e ajoelha. Entra Hamlet.
HAMLET
Tenho agora ocasião de o fazer, enquanto reza, e é o que vou fazer! E ele ganha o Céu. Será isto uma vingança? ... Há que reflectir... Um infame assassina o meu pai, e eu, seu único filho, abro as portas do Céu ao assassino. O quê? Seria um favor, um prémio, e não vingança. Ele surpreendeu o meu pai, adormecido e bem farto, com todos os seus pecados em aberto, tão inúmeros como as flores de Maio! E quem, a não ser Deus, sabe comó pagou as suas culpas? Se bem que tudo me leva a pensar que pesam sobre ele cruéis penas. E eu ficava vingado matando o criminoso, enquanto purifica a alma, quando se encontra preparado para a fatal viagem? Não, suspende-te, minha espada! Guarda-te para melhor ocasião! Quando estiver a dormir, embriagado, ou furioso, ou nos prazeres do incesto; a jogar, a dizer blasfémias, ou ocupado em qualquer coisa, que não lhe reste esperança de salvação. Derruba-o de tal modo, que bata com os calcanhares no Céu, e a sua alma fique tão danada e tão negra como o inferno onde se precipitar ". A minha mãe espera-me. Este tratamento só servirá para prolongar os teus moribundos dias.
Sai.
REI, levantando-se
As minhas palavras elevam-se, os meus pensamentos ficam presos à Terra: palavras sem pensamentos não chegam ao Céu.
Sai


  • O Rei Lear

    Autor: Franklin Jorge

    Veículo: Publicado no Blog http://www.franklinjorge.com/blog/2009/03/21/o-rei-lear/

    Fonte:

    Ingrato é todo aquele que não reconhece a graça e cospe no prato em que comeu. Em “O Rei Lear”, tragédia paradigmática da ingratidão filial e da cegueira paterna, Shakespeare nos dá através das princesas Regane e Goneril, figuras tão monstruosas que, segundo uma expressão muito sua, “desmancham as pregas da graça”.

    O tema, de evidente fundo folclórico, é por demais conhecido do leitor culto: Lear, velho rei da Bretanha, aspirando arrastar-se para a morte livre do jugo de qualquer fardo, abdica do trono e reparte o seu reino com as duas filhas – que julga mais dignas do seu favor real –, em detrimento de Cordélia, até então a mais querida de todas, deserdada e banida por que se recusara a agir com hipocrisia e falsidade para agradá-lo. Cordélia prefere desagradar a mentir, incorrendo, assim, na fatídica cólera paterna.

    Paciência e dor moldam o caráter de Cordélia, vitima da sua própria sinceridade. Sua recusa em compactuar com a falsidade das irmãs é interpretada erroneamente pelo rei como orgulho e desafeição. Shakespeare no-la apresenta sob o mais nobre aspecto moral, não obstante coberta pela pálpebra da angústia que em qualquer época e circunstância preconizam a condição humana.

    Peça repleta de admiráveis e emblemáticos personagens, como o Rei de França e os condes de Gloster e de Kent, conselheiros fiéis de Lear que, apesar do respeito que lhe é devido, opõem-se ao rei que se rebaixa dando ouvidos à lisonja e, ao fazê-lo, comete, pela incapacidade de discernir entre realidade e aparência, entre a verdade e a dissimulação, o ato injusto e execrável que dá ensejo à tragédia do pai traído e humilhado por suas duas filhas mais velhas.

    Como Cordélia, ambos [Gloster e Kent] pecam por franqueza, virtude só concedida aos espíritos altivos e despojados de interesses mesquinhos. O rei, vivendo os achacosos anos da velhice, julga-os severa e injustamente por sua sinceridade. Ameaçado pela fúria do dragão, ainda assim o conde de Kent aconselha ao monarca, numa das cenas culminantes idealizadas pelo gênio shakespeariano, que ele – caso teime em persistir na cegueira — mande matar seu médico e pague honorários à doença.

    No entanto, apesar do risco de desagradar ao rei, não consegue trazer Lear de volta à razão. Por fim, já banido e escorraçado, ainda ousa acrescentar às suas palavras, urdidas pelo bom senso e pela lealdade, que se a injustiça prevalece sobre o respeito devido aos costumes, viver se torna insuportável e o exílio se faz aqui, enquanto longe campeia a liberdade.

    Shakespeare pinta-nos Cordélia como alguém que estava certa de que seu afeto era mais rico do que podiam exprimir as palavras e, diferentemente de suas irmãs de coração canino, recebe como único dote a veracidade, isto é, a maldição paterna e o opróbrio.

    Inspira-nos pavor a natureza intrínseca das filhas ingratas de Lear, que se deixa cegar pela cólera e pela pressa crédula demais, precipitando-se no caos existencial e no desgosto, ao constatar que fora traído em sua confiança por essas filhas de alma fria, calculistas e desertas de amor.

    A ingratidão – inclusive a que acomete o velho monarca em relação a Cordélia e aos seus nobres conselheiros – é o grande leitmotiv shakespeariano, que nela vê a original deformidade que conduz à rejeição do amor e à danação perpétua da alma.

    Jovem e tão áspera, na definição do próprio Lear, Cordélia carece da arte lisa e untuosa da lisonja, tão grata a todos aqueles que detém alguma forma de poder e se iludem com mentiras amáveis. Seu crime, como o de Gloster e o de Kent, decorre da honestidade, não da malícia; o do rei, em afastar-se da trilha da natureza, após considerar equivocadamente os longos discursos empolados proferidos por Ragane e Goneril, que neles escondiam o cálculo e a mais deslavada hipocrisia.

    Expulso pelas duas, após a abdicação, deambula Lear pelas charnecas, na companhia do Bobo que tudo transforma em sentenças e as empresta ao rei, para que ele reflita sobre os homens, que, apesar da idade avançada, ainda não aprendera o monarca a conhecer em sua verdadeira essência. O Bobo, grande invenção do engenho intelectual do bardo inglês, entende que louco é o que se fia na mansidão do lobo; na saúde do cavalo; no amor de um rapaz e nos julgamentos das mulheres.

    Talvez misógino ou apenas filósofo, o Bobo inominado as descreve de maneira severa e impiedosa — falsas como a água –, capazes, em se lhes apresentando ocasião, de manifestar seus instintos inferiores através da traição.

    Como partícipe de um mesmo destino, o Bobo aspira ser espirituoso, forcejando a verdade; uma verdade tão óbvia que passa despercebida – todas as pessoas que seguem o nariz são levadas pelos olhos, exceção dos cegos, não havendo um só nariz, entre vinte, que não perceba quem está fedendo.

    Por fim, num cantinho do seu coração, Lear se apiada do pobre Bobo que suspira, perdido com o seu rei na noite tempestuosa, enlameados e friorentos e, por um momento, mostrando-se mais humano do que sábio, sente que as suas filhas – privilegiadas por seu engano – são uma doença em sua carne; um inchaço; uma úlcera pastosa; um carbúnculo podre e tumefeito. Porém, ai daquele que se arrepende tardiamente, pondera o rei destronado e banido. Somente agora, tendo apenas os raios e os trovões como coroa, percebe Lear claramente que o abuso se alimenta da tolerância.

    http://www.franklinjorge.com/blog/2009/03/21/o-rei-lear/
    Não obstante irregular em sua carpintaria dramática, alguns especialistas consideram “O Rei Lear” a obra mestra de Shakespeare, que a escreveu no apogeu da sua maturidade intelectual, entre 1605-1606, no mesmo período em que escrevera o “Macbeth”, a tragédia da ambição desmedida que repugna à natureza e priva o seu impressionante herói, a exemplo do que ocorre com Lear, na peça homônima, dos galardões da velhice: amor, amigos, honras e obediência

Marcio Mafra
18/01/2013 às 19:17
Brasília - DF

Paulo Zakarewicz, amigo muito dileto, no início dos anos 80 me presenteou os dois livros que encontrou de Shakespeare. Na epoca, não se encontrava no Brasil - com facilidade - as obras do Willian Shakespeare. Recordo-me que eu havia comentado com ele que não encontrava tais livros em nenhuma livraria. Suponho que o Paulo as tenha encontrado no Rio de Janeiro. É uma edição portuguesa, da editora Verbo de Lisboa.


 

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